sobra de guerra ok <i>Sobra de Guerra</i>, José OnofreJosé Onofre morreu em 2009 aos 66 anos. Vergonha: não sabia. Admirei desde sempre como jornalista e crítico.

Acompanhei cotidianamente entre 88 e 92, quando foi editor do Caderno 2 e eu acabara de começar a trabalhar, na Ilustrada, concorrência.

Depois segui pouco. Perda minha. Impossível ler José Onofre hoje - não há coletâneas de artigos, e seu único romance, Sobra de Guerra, de 82, está fora de catálogo.

 Incrível. Tinha fãs como Paulo Francis e Luis Fernando Veríssimo, o que é informação suficiente. O livro é um tiro.

Cem paginetas de diálogos esculpidos a canivete, entre tiras e jornalistas e políticos e vagabundos, no lusco-fusco de uma Porto Alegre que atravessa os últimos dias da ditadura militar.

Hard-boiled com DNA brasileiro puro-sangue de verdade, como tanta gente tenta fazer até hoje - mas sem nem encostar em Zé Onofre.

A quem não perdoo ter dedicado sua vida ao jornalismo, esse barato passageiro, e nos deixado um único livro. 

Não espere a urgente reedição. Vá atrás já. Mas se prepare para saborear um osso duro de trincar os dentes.

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