Submarino 66853 <i>Vinte Luas</i>, Leyla Perrone Moisés

Divulgação

Obsessão de muitos anos a saga de Essomeriq, o jovem carijó que foi levado em 1505 para viver na França e nunca mais voltou. Essomeriq, filho de Arosca, que se transformou em Binot, filho do Capitão Paulmier de Gonneville. O índio que se fez normando, pagão que se fez cristão, lenda encarnada em silente burguês com catorze filhos.

A saga de Essomeriq resvala nas grandes navegações, na renascença, na reforma, na Utopia de Thomas More, na cabala cristã, nos primeiros dias do nosso país, no bom selvagem e no mais inescrupuloso materialismo. É material para um grande romance de aventura histórica e intelectual, que não há, mas Vinte Luas, que passeia entre antropologia e literatura, faz muito bem seu papel.

Leyla, professora de literatura francesa na USP e crítica literária, escreveu livros sobre Roland Barthes, Fernando Pessoa e quetais.Apesar das credenciais, escreve sem afetações e com afeto. A história de Essomeriq, verdadeira, é obra-prima da ficção. Vinte Luas é moldura à altura.

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