Um dos grandes prazeres de amadurecer é não mudar. Outro é mudar.

Eu andava com esse e aquele, agora não.

Eu pensava que era o tal, agora não.

Eu fumava, agora não.

Eu abominava a ideia de ter filho, agora não.

Eu continuo andando com alguns caras de vinte anos atrás.

Eu continuo tendo prazer em andar na contramão de vez em quando.

Eu continuo fumando quando tomo uns tragos.

Eu continuo achando que é perfeitamente possível ser feliz sem filhos.

A idade me fez perceber que a gente nunca está pronto. Que não chegamos aos, sei lá, 25 anos, e depois somos sempre os mesmos, só mais flácidos.

Não acredito em maturidade, ponto final. Nem em juventude eterna. Espero mudar até meu último minuto neste planeta. Para melhor, no que der.

Eu nunca fui fã do Ira. Nunca entendi muito o que eles diziam e faziam.

Mas hoje de manhã, acordei nesta São Paulo fria e cinzenta, a cidade do meu coração, e desci as escadas assobiando esta velha canção.

Meu desejo para hoje: que você e eu continuemos vivendo e aprendendo.

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