Liberdade de expressão e liberdade de imprensa são temas quentes. Mas não têm sido discutidos. Tem sido berrados de lado a lado, imprensa golpista versus autoritarismo, um xingo para cá, uns perdigotos abespinhados para lá, veias estourando nas têmporas. Jogo de cena? Espuma? Balões de ensaio?
Como disse a fonte mais famosa da história do jornalismo - Garganta Profunda, que ajudou os dois repórteres de Watergate a derrubar um presidente - siga o dinheiro.
Neste exato momento, o R7 comemora um ano. Nestes doze meses não me pediram nem uma mudancinha, nem um advérbio aqui, ou um adjetivo acolá - nada. E a direção do R7 teria, naturalmente, direito. É comum jornais, revistas, portais pedirem para seus colunistas mexerem nisso ou aquilo.
Nenhum jornalista profissional estrila com essas coisas. “Freedom of the press belongs to those rich enough to own one”, liberdade de imprensa é propriedade de quem é rico suficiente para comprar uma imprensa.
Frase clássica de um jornalista dos tempos do linotipo (A.J. Liebling), que vale cada vez menos em tempos de revolução digital, mas vale.
Pois neste ano de R7, escrevi exatamente o que quis, do jeito que quis. Méritos e vergonhas são meus. Se você levar em conta que alguns dos meus temas foram espinhosos, outros obscuros e alguns talvez francamente heréticos, não é pouca coisa.
Vira e mexe dedico longos artigos a assuntos que interessam meia dúzia de leitores pingados. Burrice máxima em comunicação digital, ignoro solenemente trending topics, número de clicks, de comentários, links para o texto etc.
Sucesso é bom, repercutir é divertido, mas prefiro polêmicas com começo, meio e fim. Se peguei umas caronas no papo que dominou o bebedouro ontem, foi por falta de tempo de procurar pauta melhor, ou porque não resisti.
Tenho particular prazer de celebrar estes doze meses no R7 porque é a vitória é mais doce quando você corre na contramão. Era bem outra a expectativa de alguns camaradas e leitores. Vai transferir seu blog para um portal que nem estreou, feito pela TV Record? Tá maluco?
Bem, toda vez que mudei - de emprego, de empresa, de profissão - ouvi a mesma coisa. Não aprendi, não aprendo, e não me arrependo.
O R7 me dá a liberdade que exijo e uma visibilidade que não esperava e não mereço. Se este blog mudou no ano que passou, foi para ser ainda mais pessoal, para o bem e o mal.
Sigo regras? As minhas, que já seguia no portal que abrigou antes meu blog. Ter um blog em um portal não é igual a ter um blog solto por aí. Primeiro, você está em uma festa na casa dos outros.
Segundo, parte do trabalho é ser um dos anfitriões, e receber, assim como atrair, convidados. Recomenda-se um mínimo de educação, e caprichar na verve e animação. Aprendi bastante neste ano com os leitores do blog, ocasionais ou fiéis.
Alguns já são camaradas, que nunca vi. A todos, e aos colegas do R7, levanto um brinde virtual - tin-tin.
Uma hora dessas convido todo mundo para uma cerveja no mundo real. Temos tempo. Estarei aqui por mais um ano.
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