Se alguém precisasse de uma razão para nunca mais votar na vida, meia hora assistindo o debate com Alckmin, Mercadante, Skaf, Russomano, Feldman e Bufalo resolviam a parada. Ê gente chata, amarelenta, ê discursinho rame-rame, ê marketol sem fim.
Eu não voto. E não entendo por que as pessoas votam. Custa barato não votar, R$ 3,50. Mesmo não votando, sou obrigado a me submeter a essa gente desagradável que vocês, aí fora, elegem. Democracia é assim: a minoria se submete às escolhas da maioria. Não deve ter minoria menor do que as pessoas que decidem não votar. Conheci uns poucos nestes últimos meses, quase todos pela internet. Parabéns, camaradas.
Mesmo não votando, tenho opinião, e mesmo não tendo partido, tenho lado. Esta eleição trouxe de volta das catacumbas um zumbi inesperado. Um discurso histérico, paranóico, rancoroso. Papo putrefato que eu imaginava mais do que enterrado com Jânio Quadros. Não esperava isso dos tucanos - é, sei, bobo eu. Foi mais nojento que o habitual.
O PSDB nunca foi grande coisa, mas nem sempre foi isso que se vê hoje no horário eleitoral. Apareceu como racha “ético” do PMDB paulista, que na época era controlado por Quércia - que hoje, adivinha, faz parte da coligação de Serra/Alckmin. A turma do PSDB era “de esquerda”, não queria ser confundida com o Centrão, agrupamento multipartidário que aprovou a extensão do mandato de José Sarney de quatro para cinco anos.
O PSDB era moderninho, comparado com senhores feudais como Collor, ACM e caterva. Tinha um líder de verdade, Franco Montoro, e um cara com densidade eleitoral e espinha, Mário Covas. Ficou em quarto na eleição de 89, apoiou Lula contra Collor no segundo turno. Em 1992, quando FHC, Tasso Gereissati e boa parte do PSDB queria aderir ao governo Collor, foi Covas que disse não. Morreu. Sei exatamente o que diria da campanha que Serra liderou este ano.

Se você está chegando agora, repito de novo: não tenho a menor simpatia por Dilma. Parece diretora de escola, mandona, burocra e careta. Revira o estômago ver ela no jornal de hoje voltando atrás em sua posição sobre o aborto, se dizendo “católica”, contra o aborto, contra direitos para gays etc. Ô professora, você era guerrilheira, guerrilheira carola não cola...
Antipatia, claro, não é o ponto. Meu problema principal (de uma coleção) com o governo dos últimos oito anos é que eles fizeram pouco por quem precisa muito e muito pelos suspeitos habituais. Por que você acha que o mercado financeiro, a agroindústria e as maiores empresas do país apóiam Dilma? O PT é good for business, e eficiente para dar um cala-boca na peãozada também.
Não serei cúmplice de Dilma. Hay gobierno, pau neles - minha modesta contribuição à evolução da nossa democracia. E baterei com prazer, porque é o fim do mundo que o PT, o único partido de massas que este país já teve, promova justamente a criação de um novo centrão. Vamos para o quase partido único. Vai ter debandada da oposição pra base do governo, e Aécio, chapinha de Lula, será o líder da leal oposição à rainha...
Mas se não fico feliz com a vitória de uma, comemoro a derrota de outro. Dilma ganhará, em primeiro ou segundo turno. Prefiro em primeiro, porque será gostoso ver Serra e gangue saírem por baixo, bem humilhadinhos. Em um palanque outro dia, Lula deixou escapar sua satisfação com o final moribundo do DEM. Assino embaixo e completo: e tchau para o PSDB também. Já vai tarde.
Veja mais:
+ Blog Eleições 2010
+ Leia os principais destaques do dia
+ Todos os blogs do R7



