X Men marvel comics 3975144 1024 768 Meus 31 anos com os <i>X Men</i>

Leio X-Men desde a edição 121, segunda parte de um encontro com a Tropa Alfa. Era 1979. Eu tinha 13 anos. Fiquei bobo. Nunca tinha visto nada parecido. A história, sei lá, tinha um clima. Mas a arte era diferente de qualquer coisa que eu tinha experimentado antes. John Byrne nunca foi tão bom quanto nesta época. Não se achava, e contava com o auxílio luxuoso do arte-finalista Terry Austin.

Viciei. Problema: em Piracicaba, chegava gibi americano de vez em quando. Aliás, no Brasil todo - isso só se resolveu com o sistema de assinaturas da distribuidora (e hoje, importante editora) Devir. Então eu ia umas duas vezes por semana na Distribuidora Gianetti, e ficava lá cevando os funcionários, para que se aparecesse algum dos meus prediletos, eles guardassem para mim.

Fiz isso muito na Siciliano da Rua Augusta, quando vim fazer faculdade em São Paulo. Esqueci o nome da mulher que cuidava disso lá. Tem minha gratidão eterna.

Lá se vão 31 anos de aventuras mutantes. Nos anos 90, confesso que já não prestei muita atenção. Na última década, só o período escrito por Grant Morrison me deixava aguado pela próxima edição. Seu New X-Men é fenomenal. Parei de ler na primeira edição pós-Morrison, quando Wolverine trocou o jaco de couro pelo velho uniforme amarelo e azul.

Pensei, agora chega de arrancar minha grana, Marvel, vão ser caretas lá em Madripoor.

Mas ainda presto alguma atenção. Hábito, sim, mas os X-Men atraem gente talentosa frequentemente. Nos últimos tempos, andei lendo uma coisa aqui, outra acolá - principalmente quando assinadas pelo roteirista Warren Ellis, de quem sou fã de carteirinha (comprei semana passada uma camiseta com os dizeres “Warren Ellis Made Me Do It”).

Mas não sigo mais a continuidade dos X-Men. Sei lá quem está na equipe, o que aconteceu com quem, onde anda o professor Xavier. E são tantos gibis diferentes, tem uns cinco mensais do Wolverine, umas trocentas equipes, me confunde a mente.

Leio X-Men seguindo roteiristas, desenhistas, mentes criadoras. Um gibi recente do Warren Ellis me deixou de queixo caído - em duas páginas ele iluminou as personalidades de Ciclope e Fera, expôs o núcleo do relacionamento deles, depois de tantos anos.

Recomendo muito a leitura de X-Men. Mas não do que chega às bancas todos os meses. Recomendo do fundo do coração os X-Men pop, e novelescos, e ficção científica, e angustiados, e sexy, da melhor fase da revista. Que começa em Uncanny X-Men 138, a primeira edição depois da saga mais famosa dos mutantes, A Saga da Fênix Negra.

Eu perdi essa saga. Não chegou em Piracicaba. Fiquei uns meses sem saber o que rolava... e na edição 138, o líder do grupo, Ciclope, vai embora; Tempestade assume a liderança; Wolverine troca para um uniforme marrom; e uma garotinha de 13 anos, Kitty Pryde, entra para a equipe. Opa.

Depois aconteceram oito anos - OITO ANOS! - de histórias de boas para ótimas, e uma coleção de desenhistas como raramente se viu igual - gente como Paul Smith, Mark Silvestri, John Romita Jr., Whilce Portaccio, Barry Windsor-Smith, e por aí vai. Eu acompanhava como uma novela, e era, e tinha um autor no auge dos seus poderes, Chris Claremont. Uma hora a equipe morreu e mudou para o deserto na Austrália! Inacreditável.

Durou 100 capítulos. Percebo hoje que a fase de ouro acabou em Uncanny X-Men 238, final da saga Inferno. Porque foi aí que acabou a inventividade, o risco; porque foi aí que a Marvel percebeu que tinha uma fábrica de fazer dinheiro nas mãos, e um universo razoavelmente autocontido (em cinco revistas: Uncanny, The New Mutants, X-Factor, Excalibur, Wolverine) virou uma cornucópia de subprodutos, especiais, crossovers intertítulos - bah.

Tem coisa boa depois, mas tem tanta coisa ruim que o garimpo é bem mais trabalhoso.Vai por mim e leia a fase que recomendo (na internet, imagino; eu não, gosto de papel, e tenho tudo isso em casa, numa bagunça terrível). New X-Men, a Panini lançou em boa edição.

Leia, leia e não te arrependerás. Se tiver filho adolescente, dá para ele ler. Fora que esses gibis são da época do Stan Lee Presents. E a seção de cartas sempre terminava com um “Excelsior!” Meus vinte e poucos anos que não voltam mais...

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