No meu típico dia das crianças paulistano, fui obrigado a largar o carro no shopping, porque o engarrafamento no estacionamento era monstro.

Dia seguinte, meio-dia, estava lá chorando um desconto na facada, que para mim vinha certa. Surpresa: meu estacionamento foi 100% abonado. Ganharam ponto.

Surpresa 2: o estacionamento, que na véspera sugeria a antessala de um inferno automotivo, estava 99,99% vazio. O meu era o único carro no quinto andar. Vazio absoluto, de dar vontade de gritar “eco!”.

Me ocorreu na hora uma solução inocente para resolver nossos problemas de superlotação: que tal adotar folga em rodízio, em vez do final de semana? O conceito está vencido. Vem da época de dias sagrados. É totalmente artificial.

A China, por exemplo, só adotou a semana com cinco dias de trabalho e dois de folga em 1995. E ainda hoje muitos países variam bastante nisso (no Oriente Médio, é mais comum folgar sexta e sábado; em países diferentes, a carga horária semanal varia de 37,5 a 48 horas; e por aí vai).

Você pega a população, divide em três grupos. Pelo sobrenome, pelo mês de nascimento, sei lá. Cada terço folga em dois dias diferentes - segunda e terça-feira, quarta e quinta, sexta e sábado.

Efeito imediato: menos tempo perdido no trânsito, menos stress, menos superlotação, menos sobrecarga na estrutura urbana em geral. Tenho certeza que os ganhos de produtividade e qualidade de vida seriam imensos.

E domingo? Macarrão da mama.

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