A razão por que o real está extremamente valorizado em relação a outras moedas é para o brasileiro ter um poder de compra maior. Dinheiro mais valorizado faz o eleitor mais feliz. É ano de eleição. O real está valorizado de propósito. Não tem mistério.
Existem empresas que perdem competitividade com o Real valorizado. São os exportadores. Fica mais difícil, na teoria, vender para mercados externos. Só na teoria. Porque são justamente os grandes exportadores que recebem mais dinheiro público. O governo de um lado valoriza o salarinho no bolso do cidadão comum via câmbio.
E do outro lado enche o cofre das coitadas das empresas que, puxa, estão sofrendo tanto para exportar. Enche o cofre via BNDES, via Banco do Brasil, via juros altíssimos que premiam quem tem caixa alto, via créditos à exportação. E no final, via perdão a dívidas, no Refis e no xororô da bancada ruralista. Está mais que compensada qualquer perda causada pelo câmbio.
Agindo assim, nosso governo garante não só os tão necessários votos para seus candidatos, mas também a tão necessária grana da campanha. Doada principalmente por - adivinha? - grandes empresas.
As que estão importando e vendendo feito água. E as que continuam exportando e que embolsam seus impostos, meu amigo. Real valorizado não é problema, é uma grande solução. Entendeu? Transparente feito cachaça.
“Debate” sobre câmbio? O que temos é uma cantilena ideológica sobre a suposta necessidade de ajuste fiscal, corte de gastos públicos, que sempre arde só no dos outros. E um jogo de cena sobre suposta importância da queda dos juros.
Importante para quem, se 70% da “riqueza” nacional vem justamente do mercado financeiro? Quem defende ajuste fiscal e queda dos juros é quem é pago para isso - analistas, especialistas, colunistas, jornalistas, economistas e outros propagandistas. Em política e economia, o que não é espuma, é fumaça.
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