Ceviche tem perfume de mar. É minha comida favorita de verão. Não dá trabalho nem despesa. E permite infinitas variações, o que sempre diverte o mestre-cuca.

Minha amiga Lalá me mostrou um livro lindo, de arte, bancado pelo governo peruano, com trocentas receitas. Não tinha a minha.

Assim, depois de escrever ontem sobre economia sem entender patavina de economia, hoje dou receita de Ceviche sem entender nada de gastronomia.

- Jogue em uma travessa fundinha 600 g de robalo fresco, cortado em cubinhos.

Junte:

- dois tomates picados em cubinhos
- uma cebola cortada em cubinhos
- sumo de dois limões
- sumo de uma laranja
- um pouco de coentro picado
- um teco de sal
- umas gotas de pimenta tabasco
- um trago de rum

Misture e tampe, pras moscas não avançarem.  Espere pelo menos meia hora. Uma hora é melhor, mas quem tem paciência? Abra o sacão de Dippas e uma cerveja muito gelada, de preferência levinha.

Chuche o dorito no ceviche, equilibrando uns pedacinhos misturados das várias coisas, e goela abaixo, e mande também uma golada de cerveja. Repita até acabar.

Você também pode colocar salsa picada ou orégano seco, desses de por em pizza. Trocar o robalo por linguado ou qualquer outro peixe branco, a laranja por mexerica, e o rum por tequila ou pinga.

Há quem adicione grãos de milho, tecos de abacate. Peruano faz com ostra, com polvo. Em Cuba comi feito de Lula, na Costa Rica, de Tilápia.

Ceviche, ainda mais que salsa mexicana ou molho de macarrão, é liberdade - vai onde o cozinheiro decidir, sem regras, sem culpa, ao sabor do mar.

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