Eu não entendo nada de televisão. Não sei prever o que fará sucesso ou não. Não entendo por que o que faz sucesso faz. Não vejo jornal, futebol, programa de auditório. Ignoro o seriado cult da hora. Não rio do Casseta & Planeta. Não choro com a novela do momento.
Razão? Tempo. Faço muita coisa. Vejo no máximo de meia a uma hora de televisão por dia, antes de dormir (sem contar desenho com filho, que não vale). Acabo naqueles programas de culinária, no Discovery, na VH1, em nada que me faça prestar atenção.
Quinze minutos de Man X Food: um peão lá tentando deglutir um hambúrguer com quatro pimentas letais, suando como um leitão na grelha. Bom soninho.
Preconceito zero, atenção. Já vi TV para dez vidas. Morei sozinho anos.
A televisão ficava ligada dia e noite. Tomava café, almoçava e jantava na frente da TV. Assistia religiosamente Clube dos Esportistas, imagine, eu que não sei se bola é quadrada ou redonda - como chamava a anãzinha garçonete? Assistia religiosamente Jornal da Globo - tinha uma queda pelo estilinho dominatriz de Lilian Witte Fibe.
Assistia religiosamente seriados. Assistia religiosamente qualquer coisa. Mesmo antes de existir TV a cabo. Quanto fechei a programação do dia, quanto ouvi o hino nacional - momento do horror.
Desnecessário dizer que não vi um segundo de A Fazenda. Impossível escapar do mundo dos peões, mesmo assim. Trombo com eles aqui no R7, em outros portais, em comentários de amigos.
Hoje: Mulher Melancia na berlinda. É mesmo? Fui conferir aqui no R7 quem sobrou dos concorrentes iniciais. Surpresa total. Os mais famosos, todos, dançaram. Quem diria que o público ia dispensar Monique Evans, Sergio Mallandro, Geisy etc. para colocar perto do big prêmio ilustres desconhecidos?

Eu não entendo de televisão, mas acho que essa eu entendi. A Fazenda é um reality show. Espera-se um tico de realidade. Se uma celebridade ganha, está desfeita a ilusão. E é injustiça. Famoso já é famoso, e quem sabe rico, ou pelo menos mais rico que a média. O eleitor não vota pelo famoso na Fazenda, como não elege celebridade para cargos públicos.
Mallandro dançou pela mesma razão que os meninos lá do KLB não se elegeram deputados. As exceções confirmam a regra; e Tiririca não vale, porque é coisa totalmente diferente.
Quando vejo televisão hoje, fico besta como algumas coisas mudaram tanto e tantas não mudaram nada. Tomava uma com um amigo esses dias e tinha duas TVs ligadas. Em uma, Fernanda Montenegro fazia Fernanda Montenegro, em um diálogo mexicano com Reynaldo Gianecchini, que faz Francisco Cuoco (que trabalha na mesma novela!) parecer Sir John Gielgud.
No outro televisor, Galvão Bueno, com Parreira e outros esportivos que não identifiquei, recebia Daniela Mercury, simpática e deliciosa como sempre. Som desligado nas duas. É 1970, 80 ou 2010? Mais uma cerveja, por favor.
Preciso ver mais televisão. Afinal, ando fazendo umas participações no programa NBlogs, da Record News. Esta quinta estou lá. Fazendo o quê?
Batendo papo com Fabiana Panachão, ajudando a entrevistar uns convidados. Conheci gente fina lá - o fotógrafo Araquém Alcântara, a turma que fez o filme de skate Vida Sobre Rodas, arquitetos e tal.
Faço mal ou faço bem? Não sei, você me conta. Não me vi ainda. É ao vivo, às oito, reprise sexta, às oito e meia da manhã. E eu vou lá tirar meu filho da frente do desenho pra me assistir?
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