Os quadrinhos finalmente entraram nas listas de compras para bibliotecas, escolas, governos. Muitos são especialmente publicados com este objetivo. Bato palmas. Um probleminha: a maioria do que governos e escolas compram são livros de criadores brasileiros. Compreendo que é bom apoiar o criador nacional e tal, mas é caipirice. Não precisa publicar qualquer porcaria gringa aqui só porque é mais barato.
Mas alguns títulos estrangeiros são obrigatórios e não têm equivalente nacional. Sou todo pelo apoio ao Brasil brasileiro, mas se não tem aqui, não tem. Tipo iPad - porque o imposto é tão alto, visto que nenhuma empresa produz concorrente made in Brazil? E videogames? Divagou ele.
Se eu fosse o ministro da Educação, dava de presente para cada brasileirinho aos 12 anos a coleção completa de The Cartoon History of the Universe / The Cartoon Guide do the Modern World, e mais o voluminho de The Cartoon Guide to Sex. Traduzido para o portuga, naturalmente. Os dois primeiros volumes foram lançados no Brasil pela Editora Jaboticaba em 2004, mas estão indisponíveis - talvez você ache em algum sebo. Recomendo em inglês.
Ninguém consegue unir física, biologia, história, geografia, literatura, antropologia e o escambau científico como Larry Gonick. Imagine fazer tudo isso com humor agudo e sensibilidade moderna - e em quadrinhos. Imagine começar no Big Bang e terminar nos nossos dias, 2008.

Gonick conseguiu. Levou trinta anos. Os três volumes do The Cartoon History of the Universe são educativos e apaixonantes. Os dois volumes do The Cartoon Guide do The Modern World fazem a ponte do que é “histórico” para nossa década.
Quando você começa a ler, não consegue largar; quando termina, quer voltar a determinados trechos, porque a densidade de informação é altíssima, e a releitura divertida. A bibliografia de obras que Gonick usa para referência, no final de cada volume, renderá anos de leituras valiosas aos interessados.
Gonick levou décadas para fazer essa série, mas fez muito mais. Em paralelo, criou guias em quadrinhos de assuntos como física, estatística, meio ambiente. Fez uma tira para a revista Science. Produziu muito, sempre na mesma pegada.
Dê uma passeada pelo site dele (clique aqui) e você vai perceber o tanto que Gonick realizou. A explicação, ele mesmo dá: é um cartunista com excesso de educação. Começou se formando em matemática em Harvard, em 1967, que tal?
Quanto ao guia sobre sexo, bem, li este final de semana e aprendi várias coisas. Considerando que tenho 45 anos... Dei boas risadas, também. Gonick não se leva a sério, mas leva a seríssimo sua missão: “desde 1972, crio quadrinhos que explicam história, ciência e outros assuntos sérios. Por que pegar tão pesado?
Porque decidi que minha missão é levar às pessoas a informação que elas precisam para tomarem decisões sábias sobre o futuro da comunidade humana. Hei, estou só tentando salvar o mundo!”
Faz muito mais para isso do que a maioria de nós. E faz uns gibis sensacionais, também.

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