Vamos. Estamos indo bem. Se a taxa atual de assassinatos de jovens entre 12 e 18 anos for mantida, até 2013, 33 mil adolescentes serão mortos. Trinta e três mil adolescentes mortos - a partir de que número começa a contar como genocídio?

A morte violenta responde por quase metade das mortes nesta faixa etária. 2,67 em cada mil jovens entre 12 e 18 são assassinados a cada mês. Os dados são da Unicef, da Secretaria de Direitos Humanos e da ONG Observatório de Favelas. Foram divulgados ontem.

Quem são estes meninos? Para começar, são meninos - 12 homens para cada garota. São negros - quatro para cada branco, índio ou amarelo. E são mortos a bala, quase sempre.

No mesmo dia, saem os resultados do Pisa, Programa Internacional de Avaliação de Alunos. Ele compara a qualidade da educação em 65 países, focando em leitura, matemática e ciências. O Brasil está em 53º. A explicação é que o Brasil é um dos países que menos investem em educação no planeta. (Leia aqui)

A gente pode ficar empilhando números aqui por mais duas semanas. Dou só dois: um quinto dos brasileiros com mais de 15 anos é analfabeto funcional, sendo que 14,1 milhões de brasileiros não sabe ler nem escrever. O governo comemora que o analfabetismo caiu 7% entre 2004 e 2009. Parabéns aos responsáveis.

Português claro: o Brasil não investe nada em educação, cria um exército de ignorantes, e depois assassina os moleques em massa. 33 mil adolescentes dá uma montanha de defuntos de bom tamanho. Podíamos empilhar, embalsamar, transformar em uma nova atração turística. A Copa vem aí.

Uns poucos dos nossos garotos, afinal, sobrevivem e viram grandes jogadores de futebol. Encantarão o planeta nos estádios Brasileiros de 2014. Isso, claro, depois de R$ 30 bilhões de investimento público. O novo ministro do Turismo foi indicado por José Sarney. Faça as contas.

Li uma vez - onde? - que a evolução de um país se mede pelo tamanho dos salários dos professores e dos policiais. Parece um bom parâmetro. Se pagasse bem ser professor, nossos melhores cérebros iam dar aula. Se pagasse bem ser policial, idem, e a tentação da corrupção era bem menor.

Por que pagamos mal nossos professores e policiais? Não é falta de dinheiro - de cara, já sei onde encontrar R$ 30 bilhões. É falta de caráter de nossos governantes, e falta de vergonha nossa, minha.

E o PIB do Brasil? Não para de crescer. Vai fechar em 7,5%, talvez 8%, diz o Ministro Guido Mantega, que comemora estarmos atrás apenas da China em crescimento - passamos a Índia! A Rússia!

Robert Kennedy Jr. tem uma boa frase: “Os Estados Unidos têm o maior PIB do mundo - mas ele inclui propaganda de cigarro, poluição do ar, dinheiro que vem do tráfico, cadeados para proteger nossas casas, prisões para nos proteger dos criminosos, e ambulâncias para lidar com a carnificina que acontece cotidianamente em nossas estradas”.

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