Quando o Wikileaks começou a vazar os documentos do governo americano, fui fuçar sobre o assunto. Está lá, dando sopa na internet: o conselho do Wikileaks inclui um brasileiro. E não qualquer brasileiro: Chico Whitaker, militante católico, fundador do PT e ex-petista, assim como ex-vereador, e ex-várias outras coisas - mas muito presente e muito atuante nas tais lutas sociais, que neste país nunca se acabam.
Pedi entrevista. Ele me respondeu: não queria dar entrevistas naquele momento. Um minuto atrás, recebi o e-mail de Chico que fecha esta troca de mensagens, abaixo:
Em 03/12/2010 10:23, André Forastieri escreveu:
Olá Chico,
Tudo bem?
Acompanho e admiro sua trajetória há muitos anos. Agora, pesquisando para escrever sobre o Wikileaks, me deparei com seu nome citado como membro do board. Está se falando muita bobagem sobre o Wikileaks. E acho que um posicionamento seu, com a história que você tem, pode ajudar muito a esclarecer exatamente para que serve o Wikileaks e quais seus objetivos.
Pode me conceder uma entrevista? Pode ser ao vivo, por telefone ou e-mail, o que preferir. Escrevo sobre cultura, política, tecnologia e o que me der na telha diariamente, para o Portal R7.
André
Em 05/12/10 23:13, Chico Whitaker escreveu:
Olá André, obrigado pelo seu e-mail.
Peço-lhe que me desculpe, mas não estou podendo dar entrevistas. Estou tendo que verificar umas tantas coisas. Quem sabe mais para frente. OK?
Agradeço antecipadamente sua compreensão. Abraços do Chico Whitaker.
Em 06/12/2010 09:18, André Forastieri escreveu:
Oi Chico, agradeço a resposta. Quando puder falar, lembra aqui de mim! Escreverei sobre o Wikileaks no meu blog, amanhã.
Abs
André
André, o assunto parece que está se esgotando. Mas como depois de você tive que responder a outros pedidos de entrevista, acabei redigindo uma explicação geral que na verdade reduz bem o interesse em entrevistar-me.
Mando-a a você também, para sua informação, aqui abaixo.
Meu abraço,
Chico Whitaker
Sobre minha relação com Wikileaks
Em dezembro de 2006 recebi o “Premio Nobel Alternativo” (Right Livelihood Award), em solenidade no Parlamento da Suécia. Esse Prêmio foi também concedido, na mesma ocasião, ao norte-americano Daniel Ellsberg, por ter sido o responsável pelo vazamento, em 1971, dos chamados “papeis do Pentágono”. Conversando então com ele, admirei sua coragem, que muito contribuiu para o fim da guerra do Vietnam.
No mês seguinte, em Nairobi, no Fórum Social Mundial de 2007, conheci Julian Assange, que me apresentou seu projeto de criação do site Wikileaks. Lembro-me de ter perguntado se ele atuaria ligado a Ellsberg, ao que me respondeu que não, e que somente se inspirara na sua ação. Obviamente o encorajei a continuar.
E avaliei que seu projeto poderia vir a ser útil também no Brasil, na luta contra a corrupção e pela transparência na gestão de recursos públicos, da qual eu vinha e continuo participando (iniciativas diversas nos anos 80, CPIs na Câmara Municipal de São Paulo nos anos 90, Iniciativa Popular contra a corrupção eleitoral em 98/99, criação do capítulo brasileiro da Transparência Internacional no início desta década, participação no Conselho da Transparência da Corregedoria Geral da União, Iniciativa Popular da Ficha Limpa).
A partir de então entrei na lista de destinatários de seus releases, talvez porque o Assange deve ter visto a possibilidade de construir parcerias no Brasil. Como não estruturei nada por aqui, ele parou de enviá-los, e tenho acompanhado Wikileaks somente pela imprensa.
Não me lembro de ter recebido nenhum convite formal para integrar o que hoje se apresenta, no noticiário, como um Conselho Consultivo desse site. Não sei nem mesmo se esse Conselho existe de fato. E não conheço o funcionamento de Wikileaks.
Chico Whitaker
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