"Lembro vividamente da primeira vez que fui afetado por uma mulher. Não foi nenhum grande despertar sexual. Não foi um relâmpago de amor ou luxúria, nem espanto, nem admiração. Foi simplesmente o primeiro momento em que percebi uma mulher por ser mulher, por ser diferente, por ser uma criatura fascinante.
Hei, é um grande momento na vida de um homem. E aconteceu comigo quando eu assistia TV. Eu era um menininho. Tinha um Batmóvel e assistia Batman, o verdadeiro, com Adam West... E então entrou em cena a Mulher-Gato. Julie Newmar.
Que uniforme, que movimentos, que face, que cinturinha, que... Eu não conseguia tirar os olhos dela. Fiquei encantado. Ela devia ter uns trinta e poucos anos, um metro e oitenta... Curvas: 96 de busto, 58 de cintura, 96 de quadril. Não se faz mais mulheres assim!"
O trecho acima foi traduzido de um blog americano. Continuando a passear pelos resultados da busca, encontrei muitos outros parecidos. Devem ser milhares, zilhões. Uma ou duas gerações de meninos do planeta tiveram como primeiro objeto de desejo a Mulher-Gato, a original, Julie Newmar, perrrfeita.
O outro lado da moeda é que uma ou duas gerações de meninas tiveram como referência de feminilidade segura e sedutora a mesma Mulher-Gato. Conheço várias da minha idade que eram fanzocas de Julie. Uma vez pensei em escrever - escrevi? Não me lembro - sobre como as garotas da minha geração escolhiam ou entre ser a Mulher-Gato e a Batgirl, ou entre ser a Feiticeira e a Jeannie.
Selina e Samantha, claro, fazem seus homens de gato e sapato. Barbara e Jeannie são, ao contrário, mocinhas comportadas e obedientes - a gênia até chamava o Major Nelson de "meu amo"!
O seriado teve outras Mulher-Gato. Eartha Kitt, mais para a linha exótica; Lee Meriwether, linda, não me convenceu - eu sabia que o lugar dela era no Túnel do Tempo. Os quadrinhos, pilhas de versões, de ladra de joias a aventureira, de dominatriz a heroína, e tudo entre isso tudo.
No cinema Michelle Pfeiffer não fez feio, mas o filme é uma grotesqueria burtoniana - como todos os seus projetos, um filme de monstros, e sua Mulher-Gato, uma personalidade cindida à Jekyll & Hyde. Halle Berry, bem, vamos pular.
Agora é a vez de Anne Hathaway, recém anunciada como a Mulher-Gato do próximo filme de Batman. A estagiária de O Diabo Veste Prada. Bem, cresceu um pouco. Tem porte. É bonita. Está magérrima, como todas essas meninas de cinema, mas nada que muita batata frita e algum enchimento não resolva. O ideal seria Angelina Jolie, modelo 2002, mas não tem ninguém parecido por perto. Nem a própria.
Não sou o maior fã do diretor Chris Nolan - ele se acha um pouco inteligente demais; não é, é esperto, o que é outra coisa; perto do padrão débil de Hollywood, passa de intelectual. Mas Anne é uma escolha tão boa quanto possível entre as atrizes americanas, nestes dias em que para encontrar talento capaz de interpretar um macho ou uma fêmea de verdade, a indústria de cinema tem que recorrer a australianos, escoceses, neozelandeses etc.
Não faz sombrinha que seja a Julie, claro, nem em charme, nem em gostosura, nem em nada.
Julie hoje é uma velhinha, 77 anos, toda retocada de plásticas, ao pior estilo angeleno. Mas está na ativa, escreve bastante no seu site - vai lá comprar uma foto autografada dela (aqui), US$ 30 (média de R$ 50), frequenta eventos, continua militando como ícone dos gays e, até onde sei, ainda cuida de seu único filho, que nasceu surdo e com síndrome de down quando ela tinha 49 anos.
1995, San Diego Comic-Con: pela primeira vez pego fila para pedir autógrafo. Adam West, Yvonne Craig/Batgirl e, uau, Julie Newmar. Estava com 62 anos. Batia um bolão. Chegou minha vez. Balbuciei elogios, expliquei que a Mulher-Gato tinha sido a primeira heroína da vida da minha namorada, e pedi que ela dedicasse o autógrafo para ela. Sorriu provocante. "It will be a pleasurrrre, darrrrrling".
"Gatas como Julie Newmar, nunca mais."
P.S.: esta quinta, dia 20, farei uma apresentação sobre o Mercado de Games, na Campus Party. Oito da noite. Te espero lá.
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