Quem é o melhor letrista do Brasil? Elegi Roger Moreira. Antes, coloquei a pergunta no Twitter. Muita gente palpitou. Renato Russo, Cazuza e Humberto Gessinger foram os mais votados. Dois lá me cutucaram: seu mundinho é muito pequeno - cadê os novos?

Bem, minha ignorância sobre a nova música brasileira é ainda maior que sobre a antiga. Sou daqueles que conhece uma e outra do Noel Rosa, aquela da Elizeth com o Jacob do Bandolim, e mais umas que todo mundo conhece. Mas música brasileira, para mim, é o que eu assisti na TV, anos 70 pra 80, Jovem Guarda, festivais, Globo de Ouro, Hebe, Almoço com as Estrelas, Flávio Cavalcanti. E Chacrinha, Bolinha, Barros de Alencar e companhia, canções que guardo e sei de cor. Mas não tenho os discos, nunca nem pensei em comprar. A minha música é em inglês.

Continuo muito interessado em descobrir mais do que já gosto, mas é bem mais fácil eu escavar um novo disco ao vivo da Ella Fitzgerald que apostar na cantora eclética revelação da MPB do momento. Sem culpas.

Nunca fui crítico de música. Não tenho obrigação de me manter informado profissionalmente sobre música desde, sei lá, 1995. Fiz minha parte para enterrar uns mortos-vivos lá pelo início dos 90 (e eles continuam cambaleando putrefatos por aí). Fiz minha parte para jogar uma luz sobre os novos, Chico Science, Planet Hemp, Skank, tantos outros, até minha banda brasileira favorita de todos os tempos, os Raimundos. Foi a verdadeira new wave brasileira, dez anos depois da original, o primeiro momento em que a música jovem brasileira se diversificou, incorporando as brasilidades regionais ao espírito de desafio do rock. Raimundos, caramba, é uma melhor que a outra, nem sei escolher. Por hoje, vai, Mulher de Fases.

Mas a cutucada via Twitter, mais um longo papo com os amigos Carlos Eduardo Miranda e Vladimir Cunha, deram uma arejada no meu embotado gosto musical. Será que não valia a pena pelo menos abrir um pouco mais os ouvidos? Bem, fui lá na conferir minha pilha de Rolling Stones parcialmente lidas. A revista é o guia brasileiro da cultura pop, obrigatório, mas meu interesse por cultura pop vai miando... então leio lá uma metade da revista, dou os parabéns para os camaradas e tamos aí.

Na virada do ano, publicaram uma edição que contém uma entrevista vomitante de John Lennon (como o roqueirito de Liverpool se tornou tão entojadinho, pernóstico, banana?) e também as melhores músicas internacionais e nacionais do ano. São as preferidas da revista, não as minhas, que não as tenho; das dez mais da Rolling Stone, não tinha ouvido até hoje nenhuma. É mais preguiça que preconceito. Mas ouvirei esta semana (tirando a número nove - Gil entrou para minha lista negra com Punk da Periferia e daí não sai mais). E - generoso? - compartilho com vocês.

tulipa ruiz As dez melhores músicas de 2010 (que não ouvi)

1º - Tulipa Ruiz - Efêmera

2º - Nevilton - O Morno

3º - Marcelo Jeneci - Quarto de Dormir

4º - Mombojó - Antimonotonia

5º - Karina Buhr - Eu Menti pra Você

6º - Cérebro Eletrônico - Cama

7º - Do Amor - Pepeu Baixou em Mim

8º - Nina Becker - Janela

9º - Gilberto Gil - Fé na Festa

10º - Tulipa Ruiz - Brocal Dourado

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