Levei puxão de orelha dos leitores mais fiéis deste blog, merecido e inevitável. Até que demorou. A bronca: não interajo com os leitores, não comento os comentários, não escrevo sobre este ou aquele pitaco do amigo leitor. Fato. Ao mesmo tempo, dificilmente passa uma dia sem que eu dê minhas trinadinhas no Twitter. O que a turma do Twitter tem que eu não tenho, pergunta a Clara?
É meio falta de educação, admito, e não vou me defender com a falta de tempo. Se tenho tempo para twittar, deveria ter tempo para conversar com os frequentadores mais assíduos deste blog, não? Uma defesa meio mixa: no blog, tento fazer textos com começo, meio e fim. Com uma tese, nem que seja um fio de tese. Ou uma história que rescenda a crônica, vá lá.
Escrevo meio que conversando com o leitor, o que sempre fiz desde pelo menos a Bizz, talvez até antes na Ilustrada, lá se vão décadas. Mas uma coisa é escrever fazendo de conta que está batendo um papo. Outra é dialogar de fato com os leitores, o que, na real, não faço. O Fabrizzio está coberto de razão ao me acusar de incoerência elementar - eu que vivo falando de jornalismo interativo e tal interajo pouquíssimo neste blog!
É que o Twitter tem esse negócio quente, de bate-pronto, de papo fácil até demais. O Twitter é perfeito pra bocudo como eu. É mais punk, digamos assim. E seguindo gente bacana e eventuais gênios na crista da onda, dizia o Rei da Jovem Guarda quando eu era menino. E frequentemente sou seduzido pelo inesperado, o link para aquela obsessão esquisita dos esquisitões que sigo, o que dá numa pauta para este blog com alguma frequência.
Também uso muito o Twitter para me manter informado sobre assuntos que dizem respeito ao meu trabalho na Tambor, o que justifica as paradinhas estratégicas durante o dia, que misturam business & pleasure.
O blog, bem, no blog me proponho a ter pauta. Tenho liberdade total, mas algumas se impõem - a morte da Elizabeth Taylor, por exemplo. Tenho hora mais ou menos certa para escrever e não posso falhar, sob pena de não arrumar outros minutos preciosos para parir um artigo no restante do dia.
Me preocupo em variar de tema (você dificilmente vai ver textos sobre música ou política três dias seguidos), me preocupo em variar de tom. É trabalho, agradabilíssimo, mas trabalho.
O Twitter me atrai na mesma medida que o Facebook me repele. No Twitter você dá uma de cuco: bota a cabeça pra fora do seu esconderijo, pia alto e se esconde de novo. O Facebook é vitrine demais, e sempre muito pessoal - é foto de amigo com cachorro, filho, na praia, no século passado, etc. Comigo não, violão.
Apareço lá cada dois dias, aprovo mais uns "amigos" e saio de fininho. No começo só aprovava quem conhecia, e ficava meio constrangido com quem pedia para me adicionar. Agora autorizo 99% das pessoas, meio que seguindo minha regra do Twitter (só não adiciono pessoa jurídica!). Mas não me sinto confortável com o Facebook e não mudo tão cedo.
E aqui no blog? Vou tentar ser menos caladão, e este texto é parte das minhas satisfações aos amigos de todo dia. Garanto que leio todos os comentários e prometo dar as caras com mais frequência, mas veja, são comentários sobre algo que eu mesmo já escrevi, certo? Vou acrescentar algo se tiver de fato algo a acrescentar.
Está certo que este blog é sobre meu nariz e onde o enfio, mas até para egocentrismo precisa haver limite... não é porque não declaro cotidianamente meu amor, querido leitor, que tu não moras de pijaminha (camisola?) no meu coração.
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