É um conto de fadas! Um príncipe e uma plebeia! Amor doce e puro! O filho da Lady Di encontrou sua cara metade! A chamada de capa da revista explica: e “o novo ideal de princesa: forte, inteligente e independente”.
A semana é de Kate Middleton, e a história, há que se reconhecer, é boa.
A futura princesa é plebeia mesmo, para não dizer proletária. Catherine Elizabeth é neta de mineiro de carvão, e filha de um programador de voo com uma aeromoça, o que explica seu sorriso simpático e longas pernocas de Kate.
O casal subiu na vida, com uma loja de artigos infantis na internet. Nada que faça cócegas na fortuna da família real.
É bestificante que ela e William tenham se conhecido quando cursavam a mesma faculdade.
Imagine se no Brasil o filho do Eike Batista vai estudar com a gatinha emergente da classe B2! As divisões de classe no Reino Unido não são o que foram.
Igualmente surpreendente é que os dois estudavam história da arte. Você pode visualizar o herdeiro de uma megafortuna brasileira perdendo seu precioso tempo com história da arte? Nem eu.
Mas, enfim, era abril de 2002, William e Kate estavam lá numa pitoresca cidadezinha nos cafundós da Escócia debatendo os méritos de, digamos, Alma-Tadena, Rossetti e Millais quando cupido, moleque endiabrado, flechou o par.
Exatos nove anos depois e lá está a dupla a entrar na abadia de Westminster, honrando secular tradição e dando a cara fashion-hipster da monarquia do século 21.
Bem, hmm, mais ou menos. A família real britânica continua caretésima, bilionária, influente e custando caro para o contribuinte, uns R$ 100 milhões por ano. Mas também devem dar algo em troca.
O Reino Unido é destino turístico bem mais charmoso com família real do que se fosse uma mera democracia republicana, não acha?
Menor graça ir para Londres e não ver a troca da guarda em Buckingham. Se é para ter rei e rainha, que sejam o insípido filho de Charles e Di e a nova miss Cool Britannia.
Kate é pobre, mas é pop. Para inglesa, é bonitinha. Quando ri, aparecem covinhas. Tem até boneca da princesa!
Soa verdade o que diz a imprensa - que Kate teve aulas de dicção, treino de mídia e aulinhas de comportamento, antes de ser apresentada como a noivinha oficial.
Não é demérito. Qualquer ex-BBB aprende a pegar no talher, cruzar as pernas direito e sorrir para os fotógrafos.
Por que não a futura rainha? Parece que aprendeu também com as agruras que a mãe do noivo enfrentou.
Já mora com William há tempos, vai passar lua de mel em Corfu e de lá, rapidinho se esconder no país de Gales, uma roça daquelas, longe da mídia, perto do “trabalho" do maridão como piloto de resgate da Força Aérea.
Daqui a pouquinho o frenesi midiático sossega, principalmente se eles fizerem filhinhos e forem um casal feliz.
Famílias felizes são todas iguais, como se sabe, mas cada família infeliz é infeliz a seu modo, e é disso que jornalista gosta.
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