Publicado em 03/05/2011 às 12:53

O assassinato de Osama e a morte de Obama

Osama Bin Laden estava em casa no Paquistão. O presidente dos Estados Unidos, em Washington, deu a ordem: matem. Os helicópteros pousaram. A tropa de elite cercou a casa e entrou atirando. Enfrentaram reação - quarenta minutos de tiroteio. Abateram os quatro homens que estavam com Bin Laden e uma mulher - talvez sua esposa.

Mataram Bin Laden, um tiro no peito e um no rosto. Tiraram fotos dos cadáveres. Levaram o corpo de Bin Laden para o porta-aviões, base da operação. Jogaram o corpo de Bin Laden no mar. Barack Obama assumiu a responsabilidade: fui eu.

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É mandante de assassinato. Não há justificativa ética para a ação de Obama. Estamos em 2011. O país mais poderoso do mundo não tem direito de se comportar como o Bope, nem seu presidente como um Capitão Nascimento. Os Estados Unidos são um império - diferente dos anteriores, mas um império mesmo assim. Possuem longo histórico de intervenção em democracias, de apoio a ditadores sanguinários e coisas piores, quando interessante para seus negócios.

Já foi bem pior, e quem cresceu em um Brasil governado por ditadores militares lembra bem. Execução sumária de inimigos indefesos vai um pouco além do aceitável a esta altura do campeonato. Barack Obama não era a face da mudança? Osama Bin Laden era perigoso? Sem dúvida. No momento em que foi morto? Não.

Poderia perfeitamente ser capturado e levado a julgamento, de preferência em corte internacional. A Al Qaeda não matou só americanos em todos os seus anos de atividade. Não se trata de descobrir para que lado da balança pende a superioridade moral. As ações da Al-Qaeda são indefensáveis. Muitas ações do governo dos Estados Unidos, também (e aliás, do governo brasileiro, também). Inocentes morreram e morrerão dos dois lados da "Guerra Ao Terror", que nem deveria existir.

Também não se trata de escolher um lado. Para qualquer brasileiro, a rendição ao estilo de vida ocidental é muito mais convidativa do que a opção pela lei islâmica. Muito melhor viver sob a constituição americana que sob a sharia. Isso não nos desobriga de ter um cérebro e usá-lo, e nem de reunir informações e analisá-las. Qualquer cenário em que só existem duas opções deve ser em princípio rejeitado - em política, ainda mais.

E principalmente a questão não é se Bin Laden "merecia" morrer. Todos merecemos morrer e morreremos. Se quem mata uma pessoa merece a pena de morte, que fazer com quem matou milhares? Quantos inocentes morreram nas guerras do Iraque, do Afeganistão?

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Vamos executar Bush, Obama, os soldados que jogaram as bombas? Por que "em guerra é diferente"? Onde isso acaba? Enquanto os Estados Unidos continuarem a se comportar de maneira
imperial, novos Bin Ladens nascerão, e a Al-Qaeda ou similares sobreviverão. Como a Hidra da mitologia, para cada cabeça cortada, duas nascerão.

Barack Obama teve a chance de interromper este processo, ainda que temporária ou parcialmente. Tivesse ele ordenado a prisão e julgamento de Osama Bin Laden, daria demonstração inquestionável de superioridade moral. Justamente no momento em que os povos árabes se rebelam contra regimes opressores e lutam pelo estabelecimento de democracias, Obama ao mundo: a lei não vale para os Estados Unidos.

De olho na eleição do ano que vem, mandou matar Osama. Se portou como seus, nossos inimigos. Ganhará a eleição de 2012. Barack Obama foi vendido como um adeus à Era Bush. Mas faz governo extraordinariamente parecido, desde o início, quando indicou veteranos de Wall Street para os principais cargos da economia, no meio de uma crise causada exatamente por Wall Street. As raposas estão tomando conta do galinheiro, com os resultados previsíveis.

Em política externa, continuou as guerras do antecessor, manteve Guantánamo, passou vergonha com o Wikileaks. Como todo Democrata, rebola para não ser acusado de fraco. Negro, de origem exótica e nome esquisito, acuado pelos concorrentes Republicanos brancos e ricos, carregando um governo medíocre nas costas, Obama gastou sua última bala e mandou assassinar Bin Laden.

O que Obama significou morreu. Osama vive.

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