Tá todo mundo querendo o couro do Palocci. Menos a presidenta, a comissão de ética, o Senado, o PT e eu. Até tu, Forastus? Pois é.

Peleguei. Adolescente, eu era da linha paredão, enfileira os engravatados todos e passa fogo, sem misericórdia.

Ou, como defendia um mano skatista na época do general Figueiredo, a solução é jogar uma bomba de nêutrons em Brasília e transformar a cidade em uma pista, dropar do Congresso e descer a rampa do Planalto fazendo slalom.

Mas a maturidade traz junto a seletividade. Cabe priorizar. Caça às Bruxas tem que começar pelas mais horrorosas, nefastas, verruguentas.

Tenho comigo o original sentimento de que o principal problema da nação é a ignorância.

Como o ministro da educação ocupa o cargo faz muito tempo e continuamos na mesma pindaíba mental, eu deixaria Palocci e a ministra da cultura Ana de Holanda sossegadinhos nos seus cantos e prepararia a fogueira para Fernando Haddad.

Certo que temos na vizinhança gente do quilate de um Edson Lobão, cuja simples visão nos jornais televisivos já incute incredulidade e espasmos estomacais nos mais delicados. livro Os mano do MEC

Mas o ministro Haddad foi hoje para a pole position graças à sua defesa do livro Por Uma Vida Melhor, da coleção Viver e Aprender.

O livro, distribuído justamente pelo Ministério da Educação, foi distribuído a 4.236 escolas do país. Ele ensina a falar e escrever errado.

Na página 15, o texto pergunta ao aluno: "Mas você pode falar os livro? Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima do preconceito linguístico."

Uns chatos aí caíram de pau no livro, usando argumentos antigos. Por exemplo, que um livro de português deveria ensinar português.

Eu, que sou de Piracicaba e paulistano adotado,  solto "as mina" com frequência alarmante. Por isso me solidarizei momentaneamente com as novas vítimas do preconceito, que livros como esse certamente criarão.

Passou assim que li a explicação do MEC: o livro atende aos seus parâmetros,  a língua portuguesa tem muitas variedades, grupos sociais diferentes falam diferente!

Perseguir negros e gays, a lei felizmente já proíbe. Já judiar da língua e da nossa paciência continua liberado.

Os cara não são mole não, mano.

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