Hoje é Dia Mundial da Criança. Ué, não era 12 de outubro? Acho que só no Brasil, e aí mais com intenções de agitar o varejo que de chamar atenção para as necessidades das crianças do mundo.
Não sei origem de um ou outro, porque pela primeira vez escrevo este blog sem acesso à internet. Dá um Google aí e me conta.
Se o tema fosse outro, o risco de tropeçar nas próprias pernas seria alto. Mas de criança eu entendo profissionalmente. Já editei revistas pra criança, publiquei livro pra criança, bolei site pra criança.
Trabalho a maior parte do tempo com videogames, que não é para gente de todas as idades, mas para a criança que existe dentro desta gente. E tenho uma criança em casa.
Filhos são o centro das atenções, preocupações, atividades, prazeres e amolações. Ou deveriam ser. Viver com criança realinha suas prioridades.
Vai viajar? Tem que ser com a criança, e com um lugar que a criança curta também. Vai no restaurante? Será que tem comida que criança come? E o DVD do sábado à noite, não tem cenas sanguinolentas?
Não defendo a escravidão paterna e não sou desses pais que passam os finais de semana como animadores de festinha, ou comprando brinquedo em lanchonete do shopping.
Mas passo tanto tempo com meu filho quanto dá, e não entendo a paternidade de outra forma. Desconfio de quem se contenta em ser pai à distância. Certas coisas não dá pra fazer remotamente.
Ter meu primeiro e único filho aos 38 anos de idade me envelheceu e rejuvenesceu. Tenho muito mais preocupações de longo prazo que antes. Vejo meus pais com outros olhos. Amadureci, digamos assim.
Os outros lados da moeda: olho muito mais para o futuro do que para o passado. E estou muito mais moleque, que contato diário com uma criança é a fonte da juventude.
Você enxerga com olhos que começam a ver, sente com nervos tenros e expostos. Só a brincadeira é importante, e tudo é brincar, mesmo e principalmente na hora que o pai diz que não é hora.
Ser pai é ser chato, frequentemente. Não precisa e não devo exagerar. Longe estão minhas dúvidas da adolescência, e não lembro da pulsão insegura dos vinte.
Me ocupo dos sete anos de Tomás, dos meus quase 46, e só do que é importante - brincar e explorar e imaginar, e aprender, e rir e chorar e consolar.
Por causa dele, para mim, todo dia é dia da criança.
Veja mais:
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7



