Um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, concluiu que para cada hora de TV que você assiste após ter completado 25 anos, a expectativa média de vida cai 22 minutos.
Uma pessoa que assiste seis horas de TV por dia vai ver cinco anos menos que pessoas que passaram pouco tempo na frente da telinha, em média.A pesquisa, publicada no British Journal of Sports Medicine, foi extensa. Incluiu onze mil australianos com idade acima de 25 anos.
Quem assiste três horas de TV todo dia tem 64% mais chance de morrer do coração. Assustou? Mas não é só ver televisão. Qualquer tempo excessivo na frente de uma tela faz mal pra você.
Não importa se você está assistindo A Fazenda ou lendo o Alcorão, se está trabalhando ou vendo vídeo do futebol, se está jogando MiniFazenda ou lendo George Bernard Shaw no seu tablet.
Isso pode fazer diferença no seu humor, vida social, conta bancária, carreira, no que for, mas não na sua saúde. O que mata é ficar sentado. E hoje, quase sempre que estamos sentados, estamos olhando uma tela.
Nos Estados Unidos, as pessoas passam em média 9,3 horas por dia sentadas, mais tempo do que dormem (7,7 horas). Só que uma pessoa que passa 6 horas por dia sentada tem 40% mais chance de morrer nos próximos 15 anos que uma pessoa que passa 3 horas por dia sentada.
E não interessa se você passa 6 horas sentada, e depois mais duas na academia. O corpo do ser humano simplesmente não foi projetado pela evolução para passar tanto tempo sentado.
Sentar descansa. O que significa que não gasta calorias. Na verdade, gasta uma caloria por minuto, quase nada. O problema é que a maioria dos empregos do século 21 exigem que a gente passe muitas horas sentado, e se você não está na sua mesa, está correndo para tomar um café ou ir ao banheiro. Mesa vazia é sinal de vagabundagem.
Para ir e voltar do trabalho ou escola, é sentado no carro, ônibus ou trem (pense nisso na próxima vez que não encontrar assento livre no metrô na hora do rush).
Nas horas de lazer sentamos para comer, conversar, ver TV. E para piorar a internet está cada vez mais cheia de coisas interessantes. E aí?
Bem, o homem não se cria problema que não tenha solução. Aqui está: mesas altas, para trabalhar de pé. Assim:
Ou assim:
Melhor começar nas escolas, que é de pequenino que se torce o pepino. Atenção, educadores:

Fico muito tentado de comprar uma stand-up desk, nome bonito dessas mesas altas. Quando estava na faculdade, li que o escritor americano Ernest Hemingway escrevia todos os seus artigos e romances em pé.
Ele produziu muito, viveu intensamente, influenciou muita gente, ganhou o Nobel de literatura e deu o melhor conselho que um jornalista pode receber: "say what you mean, mean what you say, cut everything else".
Que eu não devia traduzir: "Queira dizer alguma coisa, diga o que quer, corte o resto".
Ah, ficou péssimo. Pelo menos tento seguir.

Hemingway não somente não sentava para escrever, como não parava quieto. Aos 62 anos, disparou um tiro de espingarda cano duplo na boca.
Cada um se mata como quer...
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