Ela é a estrela mais polêmica do mundo. Já vendeu milhões e milhões de discos, graças aos vídeos escandalosos, shows espetaculosos e declarações bombásticas. O palco onde mais brilha: o do Video Music Awards, a premiação mais pop do mundo da música. Chamou mais atenção que os grandes premiados da noite. Bastou se vestir de homem. E para completar, ainda beijou outras duas estrelas na boca.
Lady Gaga? Não, Madonna, mas opa, misturei os anos. Ela se vestiu de homem em 1993, Bye, Bye, Baby, e deu os célebres selinhos em Cristina Aguillera e Britney Spears em 2003, cantando Like a Virgin. Dez anos de diferença entre as duas pequenas ousadias da titia no VMA, e mais oito para o truque de Gaga deste ano, se fantasiar de homem. Algo de novo sob o céu? Não no capitalismo de entretenimento. Mas parecemos estar além da eterna reciclagem do que funcionou anteontem, reempacotada para quem nasceu ontem.
Há quem garanta que a novíssima geração de consumidores de música são os responsáveis por este momento sem precedentes. Os jovens criados com oferta infinita de canções na internet, grátis ou quase, não teriam paciência para ouvir um disco inteiro, prestar atenção em uma melodia ou letra mais sofisticada, ou mesmo relacionar o que ouve hoje com o hit do ano passado.
Neste ambiente, a única estratégia eficiente para um candidato a astro é se reduzir a uma caricatura, uma marca, um logotipo. O VMA 2011 ofereceu uma seleção representativa. Katy Perry, a ingênua vintage; Adele, a gordinha autêntica; Foo Fighters, rock sensível pra macho; Justin Bieber, resumo de todos os efebos saltitantes que jamais roubaram o coração das virgens. Ou, puxa, Britney Spears, Barbie com problemas, diva do frango frito, a grande homenageada do VMA 2011. Com uma performance? Não, com um balé, o que orna. Britney até que rebola, mas nunca cantou nada.
A triste tese vai mais longe. Garante que tudo que resta para uma canção pop - o que hoje significa popular em nível planetário - é se reduzir a um refrão explosivo, sempre em crescendo. Will I. Am, líder dos Black Eyed Peas, é um líder desta tendência, e mais articulado que a maioria. Explica sempre que seu objetivo é chegar no máximo da pureza, a música de uma nota só. Passei meia hora vendo os vídeos mais quentes do momento, semana passada. Will está atrasado. O futuro já chegou. É uma só batida, um só arranjo, uma única solução, uma nota só. One Vision - alguém lembra do rock fascista do Queen? E da divina versão eslava do Laibach? Inevitável, vendo Brian May tocando ao lado de Gaga no VMA.
O jornalista Simon Reynolds é o autor da tese acima, que desenvolve no recém-lançado livro Retromania. Cita Will I. Am como um dos mais importantes representantes desta tendência dominante, que resume com algum amargor em "canções para crianças de 2011 que me lembram hinos dance de Ibiza de 1995". O livro parece fundamental. Reynolds é autor de grandes reportagens, como o livro Rip It Up and Start Again, sobre o último período de efervescência criativa do rock, a virada dos anos 70 para 80. Li as entrevistas de Reynolds sobre o livro, que vou pular. Prefiro olhar para frente, custe o que custar. Se eu quiser Retromania, basta ligar o rádio e a TV - ou, mais sintonizado com meu tempo, recuperar dia seguinte na internet alguns fragmentos do Video Music Awards 2011.
Laibach - Geburt Elner Nation por perolasblogs no Videolog.tv.
One Vision - Queen / Laibach
One man, one goal, one mission
One heart, one soul, just one solution
One flash of light, yeah, one god, one vision
One flesh, one bone
One true religion
One voice, one hope
One real decision
Wowowowo gimme one vision
No wrong, no right
I'm gonna tell you there's no black and no white
No blood, no stain
All we need is one worldwide vision
One flesh, one bone
One true religion
One race, one hope
One real decision
Wowowowo oh yeah oh yeah oh yeah
I had a dream
When I was young
A dream of sweet illusion
A glimpse of hope and unity
And visions of one sweet union
But a cold wind blows
And a dark rain falls
And in my heart it shows
Look what they've done to my dreams
One vision
So give me your hands
Give me your hearts
I'm ready
There's only one direction
One world, one nation
Yeah! One vision
No hate, no fight
Just excitation
All through the night
It's a celebration
Wowowowo, yeah
One one one one...
One vision...
One flesh, one bone
One true religion
One voice, one hope
One real decision
Gimme one light (yeah)
Gimme one hope (hey)
Just gimme
One man (one man)
One bar (one night)
One day (hey hey)
Just gimme, gimme, gimme, gimme
Fried chicken!
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