Pesquisa: Marta Suplicy tem 29% de intenção de votos para a prefeitura de São Paulo. Seu principal potencial rival, José Serra, tem 18%. Serra está queimadíssimo em São Paulo, dizia eu um ano atrás, e aí está. Vamos dizer que caia o avião e Marta não concorra? Neste cenário Serra empata com Celso Russomano, ambos com 19%. Cruel.

Daqui até a eleição tem um ano e muito tempo para as coisas mudarem bastante, não é? Não é. Algumas coisas mudam, sim, mas o paulistano já fez sua cabeça sobre os principais personagens desta história. Melancólico fim de feira para Serra. Sem ele, o PSDB tem chance negativa de emplacar a prefeitura. Com ele, também é pra lá de difícil.

Até porquê no cenário mais provável, Marta e Serra são seguidos, pela ordem, por Russomano, Netinho, Soninha, Paulinho (o que explica esta fixação dos políticos em diminutivos?), Gabriel Chalita e Eduardo Jorge. Uns 80% dos eleitores destes candidatos votam em Marta contra Serra, pouco importa o desejo dos próprios candidatos ou de seus partidos. Já era. E não tem factóide que mude isso. Datena para prefeito? Lembram do Sílvio Santos para presidente? Fernando Haddad? Currículo pífio como ministro da educação.

Em política, geralmente concorre e ganha quem parece que vai ganhar mesmo. Pra completar, a eleição não é Serra contra Marta. É Serra contra Marta e Dilma, duas mulheres juntas pelo bem de São Paulo etc. E mais: na hora H o Luiz Inácio sobe no palanque, e se ele elegeu nossa presidente, que nunca tinha concorrido a síndica, imagine Marta.

New Image São Paulo: que vença o menos pior
Mais que isso: é toda essa gente contra Serra e sua herança, seu herdeiro, Gilberto Kassab. A imprensa política se acostumou a dizer que o novo partido fundado pelo nosso prefeito, o PSD, tem em São Paulo sua principal base, porque seria "reduto eleitoral" de Kassab. Paulistano dá risada. A administração Kassab é reprovada e não é de hoje. Mas hoje temos os números exatos: só 24% dos paulistanos a julgam boa ou ótima. São 76% dos moradores da cidade bronqueados com o prefeito, e cem por cento lembram quem colocou ele lá.

É minha opinião? Não. É observação. Basta andar de olhos e ouvidos abertos pelas ruas de São Paulo. As duas pesquisas do Datafolha só dão um tutano extra para o óbvio ululante. Como todo mundo que conheço não lembro dos anos Marta com saudades, e como todos reconheço a esperteza da senadora. Mas amadurecer é contextualizar, seja na sua vida pessoal, seja na nossa vida política, e por comparação, não tem comparação. Veja bem, nenhum dos nomes acima citados me tira de casa para votar. Político profissional já entra em campo comigo perdendo. Meu candidato teria que começar declarando que não aceitará para sua campanha um centavo de construtoras ou imobiliárias, que é quem realmente manda em São Paulo - mais fácil achar agulha em palheiro.

São Paulo precisa de um visionário, de um espírito independente, de um líder. Isso aqui é um país e precisamos de um estadista. Nenhum à vista. Mas, fazer o quê, alguém tem que ser o capitão do Titanic. Que vença o menos pior. E salve-se quem puder.

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