Se você fica encantado, entediado ou horrorizado com a visão de futuro do vídeo abaixo, não estranhe. Eu também fico. As três coisas ao mesmo tempo. Tem um delicioso sabor artificial de Jetsons. Tem uma faceta mundinho-certinho-chatinho-business-de-americano.

E tem uma apavorante dimensão Huxleyana, tipo big brother venceu e somos nós mesmos; tá todo mundo tão calminho nesse mundo do futuro que desconfio do uso de Soma, a droga legalizada que amenizava as angústias dos cidadãos do Admirável Mundo Novo.

O vídeo foi produzido pela divisão Office da Microsoft, então era de se esperar a ênfase em produtividade e negócios, e em vender o peixe da empresa. Algumas coisas sugerem algum sucessor do sensacional Kinect, a câmera que controla via movimentos o Xbox 360. As interfaces de tablets e celulares lembra o novo design com pinta de azulejo do sistema Windows Phone (que está bonitinho e funcional de fazer inveja à Apple).

Mais para o fim, chega de tanto trabalhar, e inevitavelmente vemos um trecho que mostra como as futuras tecnologias ajudarão a harmonizar trabalho e vida pessoal. E podem fazer isso mesmo. Podem zoar com tudo também, embaralhar trampos e prazos e filhos e amores num labirinto que nem Teseu venceria. O que, aliás, já acontece.

Tecnologia, claro, é ferramenta. Você pode usar um martelo pra fazer uma casinha de madeira para o seu filho brincar, ou esmigalhar os miolos do vizinho. E antes de construirmos ferramentas temos que imaginá-las. O que é trabalho de imaginação, de ficção, que é o que este vídeo é: um pedacinho de ficção científica, que se passa uns poucos anos no futuro, e nos ajuda a parametrizar nosso pensamento. A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo...

Não tem nada de improvável nesta visão de nossa vida que vem por aí. Não duvido que veremos todas as inovações apresentadas no vídeo, e mais, e antes do que imaginamos. Duvido é da ausência de problemas doloridos.

Dessa harmonia toda, das calçadas impecáveis, dos escritórios tranquilos, da cozinha toda esterilizada. Cadê o sangue, o suor, as lágrimas, a meleca? Como cravou William Gibson, a rua encontra seus próprios usos para a tecnologia (acabo de assistir outro vídeo, bem diferente, gerado ao vivo pela turma que Ocupa Wall Street). Felizmente, a tecnologia falha, empaca, embatuca, dá problema. É, por falta de palavra melhor, humana.

Productivity Future Vision - (2011) por perolasblogs no Videolog.tv.


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