Nova Friburgo, região serrana do Rio, janeiro de 2011: 426 mortos.
Nova Friburgo, janeiro de 2012:
- as obras de contenção de encostas prometidas um ano atrás não foram feitas
- o rio Bengala, que cruza a cidade, está assoreado e cheio de mato e lixo nas margens
- não foi nem iniciada a construção de moradias para quem perdeu a casa
- ainda há muitas casas sobre barrancos ou à beira do Rio
- imóveis condenados pela Defesa Civil continuam habitados
- a listagem dos alojamentos de emergência ainda não foi divulgada.
O desprezo pela vida é tradição do governo brasileiro. É assim e sempre foi. O coroné chega lá, decide que somos todos escravos, e se morrer um põe outro pra puxar o arado. São 33 mortos "pelas enchentes" no país até agora. Mas a situação no Rio é ímpar, porque a região serrana do Rio de Janeiro teve mais de 900 mortes um ano atrás, em Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, e boa parte classe média, não só os favelados e pardos de praxe.
Hoje, o governo federal acenou com R$ 482 milhões de ajuda, depois do estrago feito. É fácil anunciar um montão de dinheiro de ajuda e passear de helicóptero sobre área alagada. Difícil é fazer a grana sair, e ser usada direito. Difícil é fazer obra de contenção, arrumar casa pra quem mora na pirambeira e tal. Trabalhar cansa.
É assim no Rio e em todo canto do país. É assim principalmente em Brasília. São 251 áreas propensas a sofrer algum tipo de desastre natural, segundo mapeamento do Serviço Geológico do Brasil, divulgado em dezembro. Só 23 receberam verbas do programa Prevenção e Preparação para Desastres, coordenado pelo Ministério da Integração Nacional. Recife foi a cidade que recebeu mais grana do programa, R$ 25,1 milhões. Na sequência vêm Salvador, com R$ 3,8 milhões, e outras cidades com menos e menos dinheiro.
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (foto), do PSB, é candidato à Prefeitura de Recife. Faz campanha com dinheiro público, priorizando sua cidade e deixando muitos outros pontos mais perigosos sem verba. Tem, em português claro, mortes nas costas. A ministra do planejamento, Miriam Belchior, justificou: "estão confundindo mudança de paradigma com bairrismo”.
Não estamos não, ministra. Sabemos exatamente a principal causa das enchentes no país, ladroeira e lambança por parte das autoridades. Esta ladainha já encheu o saco. Bezerra merece o desterro e ponto. Dilma Rousseff defende novamente um picareta na sua equipe, até o fim, e unicamente por razões políticas. Escolheu pessimamente seus braços direitos. Boa parte já caiu por aprontar, mas todo mundo passa bem, obrigado.
Dilma não é a primeira e nem a pior. Bezerra é só mais um. Quando ele cair, dona presidenta vai por outro igual no lugar - ou não? Este país mudou para melhor em muitas coisas desde que eu nasci, mas em algumas fundamentais continua a mesma porcaria. Dilma promete reforma ministerial para este mês. Que comece revisando seus próprios critérios.
Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7





