Recebi um convite para endossar o abaixo-assinado pelo impeachment do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O documento cita os casos Nossa Caixa e Alstom, ambos com perfume de falcatrua grossa; a mão pesada na USP e na Cracolândia; a desocupação da fazenda Pinheirinho, que fede aos céus; e por aí vai.
Eu teria mais uma bela lista de reclamações a fazer da administração do meu estado (e bairro, e cidade, e país, mas vamos focar). A principal é a militarização da administração pública da cidade de São Paulo, um retrocesso e tanto (leia post aqui).
Outro ponto importante: o Brasil não tem caminho para o futuro que não passe por São Paulo, estado mais rico e moderno do país, nossa conexão com o século 21. A visão desinformada e autoritária do eixo tucanato-malufismo que administra São Paulo é obstáculo a ser posto abaixo com urgência (leia o post aqui).
Mas vamos ser realistas: é difícilimo derrubar Alckmin com abaixo-assinado. Ele tem apoio de quem tem bala, porque se provou de confiança dos home. E mesmo que fosse viável desalojar o governador, desaconselho. Porque se devolvemos Geraldo para a sacristia, assume seu vice, Guilherme Afif Domingos, hoje candidato a prefeito pelo PSD de Gilberto Kassab. A empresa de Afif, a Indiana Seguros, foi acusada em 2010 de favorecimento: levou contratos de mais de dez milhões de reais da prefeitura de Kassab, então seu colega de partido no DEM. Afif trabalhou muitos anos com Maluf e Pitta. Deve ter aprendido alguma coisa.
Boa desculpa para impedirmos Afif? Talvez seja. Mas neste caso assume o presidente da Assembléia Legislativa. É o advogado, ex-ministro da agricultura do governo FHC e representante do agronegócio Barros Munhoz, do PSDB. Ele é réu em 21 processos, e já foi condenado por improbidade administrativa. Se fazes questão, a ficha completa está aqui.

Temos então duas alternativas, as duas ruins. Uma é tentar botar essa gente para fora via eleitoral, primeiro na Cidade e depois no Estado, com altíssimo risco de substituirmos seis por meia dúzia. Afinal, o principal candidato da oposição para prefeitura de São Paulo é o ex-ministro Fernando Haddad, responsável nos últimos anos por esta beleza de educação pública que temos no Brasil. Haddad vem cortejando Gabriel Chalita (escritor católico conservador, ex-secretário de educação de Alckmin), do PMDB, e o próprio Kassab, 80% de rejeição em São Paulo, que acenou com a possibilidade de indicar um vice para Haddad. Para o estado, daqui a dois anos, o ungido de Lula para concorrer ao cargo atual de Alckmin parece ser Aloysio Mercadante, imagino que em aliança com a pior escória da política paulista, dentro da política de apoio-não-se~rejeita que garantiu Lula e Dilma.
Não se emocionou? Nem eu. Adoraria empichar Alckmin, Kassab e uns 99% dos ocupantes de cargos públicos no Brasil. Só a bala, e estou velho pra pregar a revolução armada, não sei atirar etc. Por essas e outras que não voto há anos, manterei a posição em 2012, e fico com a segunda alternativa, também ruim. Que é bater em todo mundo. Todos esses caras merecem apanhar, alguns mais que outros; mais que obrigação, é um prazer.
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