monkees blog Nós éramos os Monkees

Antes dos Beatles, vieram os Monkees. Pelo menos para mim. Os Monkees estavam na televisão, junto com Batman, Daniel Boone e os Flinstones. Eram engraçados, cabeludos e doidões.

Viviam juntos numa casa descolada, cercados de gatinhas, e se metiam em encrencas surreais. E cantavam! E tocavam! Isso era rock, isso e a Jovem Guarda. Eram os anos 60. Eu não sabia ler.

Depois aprendi e os Monkees continuaram na TV - uau, agora coloridaços! Naquela época, os mesmos seriados repetiam os mesmos episódios anos a fio. Fui pegando melhores as piadas.

Fui reparando mais nos decotes das moçoilas. Ignorava que entre 66 e 68 o grupo tinha sido a maior febre nos EUA desde a Beatlemania. Um belo dia, na sessão da tarde, o filme dos Monkees!

Assisti ansioso e querendo gostar. Não entendi nada. É uma zoeira psicodélica sem pé nem cabeça, apesar do nome, Head - que em gíria da época significa chapadão, mas eu não sabia disso.

Depois aprendi, bem depois, e depois revi e gostei e recomendo; assista hoje.

Com dez anos ganhei minhas primeiras fitinhas dos Beatles, Revolver e Oldies But Goodies, e os Monkees continuaram na TV, e a esta altura eu já tinha assistido ao Submarino Amarelo no cinema, e eu via uns cabeludos nos programas de sábado à tarde, e meus primos tinham discos com capas bem estranhas, e eu prestava atenção.

Mas era o começo da puberdade, e a moda era discoteca, e era um tal de bailinho e festinha e clube, que os roqueiros foram pra escanteio. Comecei a andar de skate (mal) e ir na saída do colégio das meninas (e não puxava papo com nenhuma).

jones davy ok Nós éramos os Monkees

Hoje morreu Davy Jones, cantor e galãzinho dos Monkees. Ele realizou exatamente zero de importante desde os anos 60.

Tinha vinte anos quando foi recrutado para o grupo, mais pela pinta, estilo e sotaque britânico que por outros talentos. Foi, digamos, o Justin Bieber de sua época. Não era bonito ou importante há muito tempo, e vivia de turnês caça-níqueis.

A banda foi muito execrada como o exemplo do que não é rock, e só recentemente encontrou alguns defensores na crítica.

Porque foi um grupo fabricado para um seriado de televisão, que embalava a rebeldia rock de Beatles e companhia para pré-adolescentes histéricas, e só deu dinheiro para os caras que inventaram o grupo, e pouquíssimo para os quatro.

Bem, a geração mais velha teve Elvis e os Beatles no cinema. A seguinte à minha, os videoclipes, e a atual a internet. A minha cresceu com a TV, tudo embalado para consumo fácil, sem arestas, sem polêmica, mas muitas vezes com humor e sex-appeal. Em espírito, somos mais os Monkees que os Beatles, os Sex Pistols ou a nova banda que estreou semana passada.

Primeiro amor fica. Ler a notícia me levou de volta a 1980, na bica dos quinze anos. Eu já andava namorandinho, e de volta ao rock, graças ao Pink Floyd e The Wall. Dei sorte: neste ano fui pra Europa com meus pais, minha primeira vez fora do Brasil.

New wave e pós-punk bombando e eu de queixo caído, Europa velha e louca, eu em trip 100% família, mas adolescendo e me achando - fumava, dava umas escapadas pra fuçar lojas de gibis doidões e discos idem etc.

Em Londres, discos de Police, Pretenders, X-Ray Spex me tentando, e de repente o velho vinil lá esquecido numa parede: The Monkees Greatest Hits. Bateu. Desembolsei minhas últimas libras, e no quarto do hotel anotei à caneta na capa os nomes dos quatro, que eu lembrava de cor.

Minha mãe viu e perguntou, os Monkees, você adorava quando era bem pequeno - eles ainda existem?

Para sempre, mãe.

Monkees: Daydream Believer - Music Video From TV - Clear por perolasblogs no Videolog.tv.

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