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Publicado em 24/09/2012 às 08:35

50 Tons de Cinza: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

James fifty shades trilogy <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

50 Tons de Cinza é o fenômeno literário do momento. No Brasil, vendeu mais de 300 mil exemplares desde seu lançamento, há nem dois meses. No mundo, mais de 40 milhões de cópias. Já é o maior best-seller da história do Reino Unido: 5,5 milhões de cópias vendidas. Já rendeu uma trilogia, e se encaminha para o cinema. Os direitos foram vendidos por cinco milhões de dólares para a Universal. A boataria sobre o elenco já começou. Daqui a pouco vão aparecer produtos com a marca 50 Shades of Grey. Calcinhas?

Há quem atribua o sucesso ao fato de que hoje as leitoras podem ler nos tablets, e neles ninguém sabe o que está sendo lido. Discordo. 50 Tons tem a mesma qualidade que revista Playboy sempre teve: pode ser carregado e lido em público, deixado na sala e tal. É sexy, mas comportado. Vi uma moça lendo compenetrada no metrô de São Paulo. Pornografia que não excita é pornografia? Ou essas garotas de hoje são mestras do disfarce?

Bati o olho numa livraria - você não queria que eu lesse, né? A protagonista, Anastasia, apelido Ana, é uma virgem de 22 anos. Se entrega a jogos de submissão light, nas mãos de um encantador e elegante milionário, Christian, 27 anos. Parece aqueles livrinhos Sabrina, erotismo leve.

Não me pega, como pornografia. Homem, dizem, é mais visual... Mas já li textos que me falaram aos, hm, hormônios, e 50 Tons não, e duvido que interesse homem. É, como se dizia antigamente, romance pra moças. Nasceu como fanfic, fan fiction, ficção sobre personagens populares, criada por fãs. Erika Leonard, pseudônimo E.L. James, escreveu e publicou na internet contos picantes com o casal do fenômeno Crepúsculo, Bella e Edward, a mocinha inocente e seu namorado vampiro. Era uma de milhares.

Fanfic tem décadas de idade. É coisa de mulher. Um número enorme das histórias tem perfumes eróticos, e frequentemente homoeróticos (Batman com Robin, Kirk com Spock e por aí vai). A internet fez da diversão de fãs negócio sério. Erika tem 48 anos, marido e dois filhos adolescentes. Diz que 50 Tons é sua crise da meia-idade; todas as fantasias ali são suas.  Foi eleita uma das cem pessoas mais influentes do mundo em 2012 pela revista Time.

Mal escrito? Quem escreve mal sou eu, não Erika, que já está milionária... Não cabe aqui discussão sobre qualidades literárias. Fenômeno é para ser entendido. Minha explicação é demográfica: quem está lendo 50 Tons de Cinza são as leitoras de Harry Potter. A série do menino mago foi lançada em 1997. Meninas que tinham 10 anos naquele tempo, e se imaginavam a melhor amiga de Harry, Hermione, hoje têm 25. A protagonista de 50 Tons, Ana, tem 22... a mesma idade atual de Emma Watson, que interpretou Hermione no cinema.

Emma Watson HP <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

Harry Potter era cem por cento de mentirinha. Era o bem contra o mal, em uma estrita e exclusiva escola para jovens mágicos, em uma Inglaterra de faz de conta, com cara de anos 30, nostálgica, sem nenhum problema moderno por perto. Nada de drogas, racismo, desemprego, homens bomba ou poluição no Reino Mágico de Mr. Potter... é uma fantasia, e fantasia infantilista e reaça, o anti-Matrix. A maior parte do sucesso de Harry Potter, e do sucesso renovado de Senhor dos Anéis, se deve a uma crise milenarista, uma reação pânica contra o futuro que chegava explícito e avassalador. Os bisnetos aguados estão por aí, Game of Thrones, etc.

Todo mundo em Harry Potter era casto. A representante da leitorinha, Hermione, nunca deu sinais de menstruação ou curvas, que dirá ir às vias de fato. O fenômeno feminino seguinte, Crepúsculo, botou sexo na roda. Transar ou não com o vampiro gatão? Pergunta que só não tem resposta entre garotinhas virgens.

Bella Swan <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

50 Tons dá o passo lógico seguinte. Você já passou dos vinte anos, garota, é hora de ter controle total sobre seu corpo, de assumir responsabilidades – inclusive e especialmente pelo seu prazer. Isso implica explorar as múltiplas possibilidades sexuais que o século 21 oferece para moças, pelo menos as mais abonadas, pelo menos nas grandes metrópoles. Para fazer isso sem carregar culpa, é necessário que a iniciativa não seja da mulher, mas do homem. Não é Ana que propõe correntes, algemas ou chicotinhos, ela só se submete.

Há quem diga que essas leitoras de 50 Tons estão cansadas de tanto feminismo, tanta liberdade, tanta banalização. Que querem ser dominadas pelos machos, submetidas. Besteira. Essas mulheres nos vinte e poucos anos querem é ser livres, sexualmente, e satisfeitas, sexualmente.

Elas estudam, trabalham e têm todos os deveres profissionais dos machos - sem ter, ainda, a dupla jornada de que poucas mulheres escapam. Claro que parte de ser livre inclui a liberdade de se submeter, se assim a moça desejar... 50 Tons de Cinza é a versão ficcional destes Guias Lacrados do Sexo das revistas femininas: mezzo auto-ajuda, mezzo fantasia. Anastasia é Hermione, crescida, em ponto de bala, prontíssima para o abate - e para atacar também.

Emma Watson <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

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