Publicado em 08/11/2012 às 09:52

Catarina: o mundo da moda é careta, e você não é

catarina virgem forasta Catarina: o mundo da moda é careta, e você não é

Catarina Migliorini, a brasileira que vendeu a virgindade, continua rendendo. Primeiro, topou leiloar sua primeira vez, em troca de dinheiro e de aparecer em um documentário-reality-show australiano. Agora, porque foi convidada e desconvidada para desfilar no Fashion Rio, pela grife TNG. A marca é focada em garotas adolescentes. Escândalo, gritaram pra todo lado. A TNG cancelou a participação dela na passarela. Não entendi a grita.

Tem mil meninas sendo vendidas todo dia por este País afora. A história de Catarina deu gancho para vários veículos fazerem reportagens a respeito. Li em um jornal que uma moça bonita, virgem, entre 13 e 17 anos, vale até R$ R$ 1.500 no interior do Pará, dinheiro que naturalmente não verá. É venda, não aluguel. O novo dono fará dela o uso que quiser. Um programa com uma adolescente lá por esses cantos chega a custar só R$ 10. Você leu direito: dez reais.

 Catarina: o mundo da moda é careta, e você não é

Isso sim é razão pra escândalo. Eu gostaria muito que essas grandes grifes, em vez de trazer Catarina da Austrália, trouxessem as prostitutas-mirins da Amazônia para desfilar. Se é pra fazer escândalo, vamos fazer de verdade, e com um objetivo útil: resgatar as meninas que tiveram suas virgindades e juventudes vendidas. E não entendo de jeito nenhum a grita de pessoas de cabeça aberta, feministas e tal, como algumas amigas minhas.

Tá, virgindade é um valor fora de moda, deveria ser enterrado junto com a burca etc. Mas espera aí: Catarina tem 20 anos. É dona do corpo dela e maior de idade. Decidiu de pura e espontânea vontade leiloar sua virgindade em um reality show. Deu sorte: o leilão lhe rendeu US$ 780 mil. Por uns minutinhos de desconforto, por transar logo pela primeira vez na vida com um desconhecido?

Tá bem pago, ou ela achou que está. Se souber usar a fortuna, não precisa trabalhar para o resto da vida.

Na época, Catarina justificou: se você faz isso uma vez só na vida, não é prostituta. Bem, a definição de se prostituir é trocar serviços sexuais por dinheiro. Mas entendo a visão de Catarina. Ela trocou sua virgindade pela liberdade de uma conta de banco forrada. Foi com um único cara, e já pode se aposentar. Está lá no site Virgins Wanted, a foto dela, com o carimbo SOLD, vendida. Mas ela não se vendeu, só se alugou por uns minutos.

catarina virgem  Catarina: o mundo da moda é careta, e você não é

Com sua atitude ela reforçou estereótipos machistas? Ora, vamos ter a santa paciência. A vida é dela, e ela não tem obrigação nenhuma de ser politicamente correta. E aliás, todas essas grifes fazem o quê? Reforçam estereótipos do que é ser mulher, homem, elegante etc. O diretor da TNG, aliás, disse que queria Catarina na passarela para demonstrar que o mundo da moda não é preconceituoso. Ao ceder às pressões, demonstrou justamente o contrário.

Catarina não precisa do Fashion Rio. É celebridade instantânea e internacional. Deu entrevistas pelo mundo afora, apareceu, causou etc. Não foi modelo por um dia, mas certamente logo estará decorando as páginas de alguma revista masculina. Não é uma beldade: é uma garota normal de sua idade, e tem suas curvinhas. Orna bem mais com a Playboy que com um desfile de moda, onde destoaria dos varapaus.

Pode ser que eu esteja sendo machista e insensível. Não seria a primeira vez... mas desconfio que muitas (a maioria?) das adolescentes do mundo, e do Brasil também, topariam vender sua virgindade por essa montanha de grana. Se a virgindade é um valor tão obsoleto, como garantem minhas amigas feministas, qual é o problema? Catarina, o corpo é seu, a vida é uma só, e é sua. Vai sem medo, pela sombra, e com a benção do tio...

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