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Publicado em 21/11/2012 às 16:03

Tim Burton, cada vez mais ele mesmo

frankenweenie 2 Tim Burton, cada vez mais ele mesmo

Tim Burton foi salvo do tédio interiorano de sua infância por monstrengos. Vem pagando a dívida com dedicação há três décadas. Cresceu em Burbank, ensolarado vilarejo da Califórnia, tão perto e tão longe de Hollywood. Sonhava com sombras da noite e formas grotescas. Tudo em que toca vira filme de monstro: Batman, Alice no País das Maravilhas, O Planeta dos Macacos.

Seu melhor é sempre quando o material é original, não franquia. Tim Burton é melhor quando livre. Quanto mais livre, mais criança. Mais espontâneo e sincero - e brutal e assustador. Como em Frankenweenie, a história de Victor, um menino que traz seu cachorro de volta à vida. A ideia original é de Burton. Foi um de seus primeiros curtas, em 1984, quando tinha 26 anos. Tem hoje 54. É o mesmo, e muito melhor. É mais que bem-sucedido, é influente. Criou um mundo; virou adjetivo.

pic1 Tim Burton, cada vez mais ele mesmo
O curta inspirou esse desenho animado 3D para cinema, produção Disney para todas as idades, orçamento de 40 milhões de dólares, atração obrigatória do feriadão. É perturbador. Tem a pegada fofa-macabra de Burton, mas vai mais longe.  No cinema, atrás de mim, um garoto reclamava logo no começo do filme: pena que é preto e branco! Não é. Varia do preto aos cinzentos, como os televisores de cinco décadas atrás. A voz do moleque tremelicava. Estava com medo. Frankenweenie parece fotografado por Robert Brassai, mestre em tornar o familiar assustador, as ruas precipícios, e as casas prisões. Brassai é mais conhecido por seus retratos de Paris, que transmutaram nos anos 30 a cidade-luz em inferno-noir.

Seu estilo foi descrito como Social Fantastic. Era uma maneira de retratar a sociedade que provoca o estranhamento, que faz do cotidiano fantástico, e do familiar ameaça. Paris de Nuit, seu principal livro de fotos, é influência poderosa sobre o cinema da década seguinte e além. Brassai, francês de coração, nasceu na Transilvânia, na cidade que gerou a lenda de Drácula. Nada é à toa.

brassai7 Tim Burton, cada vez mais ele mesmo
A cidade de Frankenweenie é isso. Burbank: uma cidade próspera e comum, nos Estados Unidos dos anos 60. Pais e crianças iguais a tantos, grandeza e pequenez de mãos dadas. É a mesma cidade de Edward Mãos-de-Tesoura. Mas pera lá: os amigos de Victor, o protagonista, são monstrinhos. Seus vizinhos são os aldeões de tocha na mão, de tantos filmes de Frankenstein, sempre prontos para incendiar o que não conhecem ou entendem. O professor que o inspira tem a aparência de Vincent Price e a voz de Martin Landau. Estamos em um filme de horror.

Frankenweenie Tim Burton, cada vez mais ele mesmo
As únicas pessoas razoáveis em Frankenweenie são, surpresa, os pais de Victor. Que se portam de maneira decente durante toda a história. Um muito obrigado de Timothy à família? Victor, importante, começa e termina o filme sendo exatamente o mesmo menino. Nada de crescimento como pessoa, nada de redenção, nada desse manual hollywoodiano que torna filmes diferentes sempre iguais. No final tem até monstro gigante de filme japonês, e kikos marinhos assassinos - vá assistir.

Burton frequentemente é criticado pela condescendência com suas obsessões infantis, e as referências que recicla sem fim - os artistas Edward Gorey e Charles Addams, o diretor Ray Harryhausen, a revista Famous Monsters, os filmes da Hammer... não vai crescer não? Reclamar que Burton se repete é como criticar B.B. King por tocar sempre a mesma canção. Burton não é sempre igual, é cada vez mais ele mesmo. De Burton, só quero que, como Victor, não mude. E continue a me tocar - e congelar - o coração.

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