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Publicado em 11/12/2012 às 08:04

Como virei um pai chato

Papo entre amigos: conversamos sobre nossos filhos e suas escolas. Nunca estamos satisfeitos. Uma escola é muito careta. A outra muito leniente. Uma soca decoreba e disciplina na molecada, mas os valores são muito pra playboy. A outra forma seres humanos bacanas, mas muito bagunçados. E será que nossos meninos serão capazes de entrar em uma faculdade decente algum dia? Que dirá se sustentarem?

Minha amiga fala do pai do coleguinha do filho, que arrotava numa festinha que a cura para os gays é na porrada. Eu zombo da ongueirice da escola do meu moleque. Rimos os dois da resistência dessas escolas moderninhas à taboada. Duro desembatucar. Queremos que nossos filhos cresçam pra ser... exatamente o quê? Gênios? Ricos? Felizes? Que contribuam para o mundo, que nos visitem aos domingos, que não nos enfiem num asilo? Que nos obedeçam nesse exato momento?

Não sabemos o que é o melhor para nossos filhos. Nenhum pai ou mãe sabe. Fazemos o que a vida nos ensinou e permite, o que os tempos nos sugerem ou ordenam. Há pais que terceirizam suas funções pra escola. Não é nosso, meu caso. O que me dá urticária: escola que quer passar sua responsabilidade para os pais. Nem a pública, muito menos a paga. Vocês estão recebendo pra cuidar de nossas crianças, do Estado ou de mim. Façam seu trabalho.

Mas as escolas têm que atender as expectativas da média dos alunos, e dos pais. Tomás vai fazer nove anos. Sou pai mais velho que a maioria dos pais de seus colegas. Vivi mais, outros tempos, outra infância. E, inevitável, transmito isso de alguma maneira para o menino. Quando eu cresci, criança não questionava, não apitava e não aprontava - senão apanhava. Eu tinha a vida mais mansa do quarteirão. Só levava umas palmadinhas de vez em quando. Um vizinho meu tomava verdadeiras surras de cinta.

Também era outra época na escola. Criança levantava quando o professor entrava na sala. Usava uniforme. Cantava o hino nacional todo dia. Toda sexta tinha o Culto à Bandeira, com jograis e cantilenas louvando a pátria, a ordem e o progresso. Desfilei no Sete de Setembro pela avenida principal da minha cidade. Fui ver o presidente Emilío Garrastazu Médici, quando ele visitou Piracicaba. Nos deu tchauzinho, da janela do Galaxy preto.

A escola era o que era, e não era cadeia, nem inferno na Terra. Tive bons professores, o de português, José Salles, sensacional. Meus pais foram bem bacanas comigo. Mas eles nasceram em 1937. Eu nasci em 1965. Os pais deles certamente foram bem mais duros com eles, do que eles comigo. 2012 é melhor que os anos 40 ou 70. Mas é tanta pedagogia, tanta regra, tanto artigo na revista e reportagem na TV e tanto ranço... e no final, a responsabilidade de criar teu filho é tua e pronto.

Eu quero que meu filho tenha liberdade de ser o que ele quiser, e tudo que ele puder. Mas isso é quando ele crescer. Por enquanto, faz aí o que teu pai tá dizendo, garoto, que não te peço mil coisas, e sei o que é melhor para você. E sem me fazer repetir quinhentas vezes, fazendo o favor. Não tenho prazer em cercear sua liberdade, mano. Nem de frequentemente ser um pai pentelho, mandão, gritão. Mas de vez em quando sou, e vou continuar sendo. Sem culpa.

Educo Tomás sonhando com o homem que ele pode vir a ser. Mas não escapo do menino que fui. E nem vou tentar.

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