Publicado em 04/11/2013 às 15:03

Por que plastificar uma mulher

photoshop body evolution.1 Por que plastificar uma mulher

Semana passada, escrevi sobre modelos e o padrão insano de magreza que elas obedecem e promovem. Exemplifiquei com algumas fotos de modelos brasileiras famosas por sua exuberância, imagens que revelam costelas à mostra, uma aparência de doença, pele e osso. E essas são as supostas gostosonas, as modelos que desfilam lingerie e biquíni - Gisele, Alessandra, Izabel.

É pior quando se trata de fotografia. Essas mesmas moças - e todas as outras que vemos em revistas femininas e masculinas - têm sua aparência completamente modificada por computador. Cada vez mais, o mesmo vai acontecer no cinema e na TV. Isso muda a percepção social do que é uma mulher. O tema vem sendo mais e mais discutido. Já teve revista americana para adolescentes que prometeu nunca mais usar Photoshop. Claro que não cumpriu. Nenhuma famosa toparia aparecer na sua capa...

O debate continua. Feministas gritam contra esse padrão impossível. O mercado, sempre ele, responde: é o que o público quer, é o que o público compra. Eu vejo isso de duas maneiras. Uma: o ser humano sempre idealizou as formas, masculinas e femininas. É evidente que as gregas da antiguidade não tinham a forma da Vênus de Milo ou os italianos da renascença os músculos do Davi de Michelangelo. De uma maneira pedestre e democrática, a alteração digital de fotos tem a mesma função. No limite, serve também para as moças darem um tapinha na sua própria foto, antes de postar no perfil no Facebook. Dá pra discutir que as formas ideais de hoje só são formas ideais para vender produto, e não para viver, mas o princípio é parecido.

A segunda é mais cínica. No filme Tiros em Columbine, o diretor Michael Moore entrevista o cantor Marilyn Manson. Ele diz algo assim: "o sistema usa o medo para nos vender coisas. Cada anúncio que vemos nos dá medo. Cada reportagem nos jornais da TV nos enche de medo, do crime, de acidentes, doenças, velhice. E então eles apresentam a solução mágica: basta comprar isso aqui e estará tudo resolvido."

É um bom resumo do discurso fundamental da propaganda. Você, minha amiga, não é como a moça da capa da revista, do anúncio de xampu (até porque essas moças não existem; são modelos ou atrizes profissionais, maquiadas e iluminadas por profissionais, e as fotos são retocadíssimas no computador). Mas pode ser! Basta comprar isso, e aquilo, a dieta do Dukan, o batom esse, o make aquele. E pronto, aí está a mulherada abrindo a carteira. A mesma mulherada que chorou pelos beagles há uns dias, e não se toca, ou não quer se tocar, que a maioria dos cosméticos mais famosos são testados em animais...

Desconfio que as mulheres são mais afetadas por tudo isso. Os homens também são, mas de outra maneira. Somos convencidos o tempo todo de que para sermos homens de verdade, precisamos ser bonitões e elegantes, sim, mas o importante mesmo é ter bastante dinheiro, e comprar um carrão. E ter uma gata em cada braço, loucas por você. Com muita grana, você nem precisa ser tão bonito assim, que as garotas vão te querer...

Esse vídeo, da semana passada, mostra como uma moça apresentável, seminua, em posição convidativa, transformada num cyborg. Plastifica a garota até ela virar uma barbie, um ser inanimado, pronto para estrelar algum reclame. O vídeo concentra em 37 segundos um trabalho realizado durante muitas horas. Foi feito por uma organização chamada Global Democracy. Eles propõem que todo anúncio em que a imagem das pessoas foi alterada  artificialmente traga sempre um aviso informando isso. Idéia engraçada, e talvez um pouco triste também.

Veja. E lembre desses segundos, quando ver o próximo comercial querendo te vender o impossível.

Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Ir para o Topo