Publicado em 07/11/2013 às 10:35

O que você topa fazer por dinheiro, Martin Scorsese?


Falei ontem para um amigo: não trabalho por dinheiro. Fui impreciso. Quis dizer que não trabalho "só" por dinheiro. Considero várias outras coisas: satisfação, autonomia, colegas, horários, muitas coisas. Até a distância da minha casa, coisa que em São Paulo é crucial. E até o volume e variedade da demanda. O trabalho não pode ser sempre idêntico, que a vida fica chata. Nem variar esquizofrenicamente. Como li outro dia: quer fazer as coisas bem, faça poucas coisas.

Vamos ser mais precisos ainda: não topo qualquer trabalho por dinheiro. Nisso, sou como a maioria das pessoas. Ninguém é santo. Também não precisamos chafurdar no lodo. Cada um que defina seus limites. Já tentei fazer muita coisa só porque parecia lucrativo. Umas foram, a maioria deu com os burros n'água. É uma arte alinhar nosso interesse e nossos interesses. Demora para entender que não é porque o negócio é bom, que ele é bom negócio para você, merece sua atenção, inteligência, energia.

Scorsese dirige Matthew e Scarlett

É fácil a gente enxergar quando os outros atravessam a linha do aceitável. Mais difícil quando o umbigo é o nosso. É o caso deste anúncio. Dirigido por Martin Scorsese, que já dirigiu outros anúncios na vida. E por que não? Só porque você é o diretor americano mais aclamado de sua geração, não quer dizer que você não possa faturar uns trocos bons de vez em quando, no mundo da publicidade. Dá pouco trabalho e muito dinheiro. Mas Marty atravessou um limite. Pequeno, para os padrões atuais. Mas marcante.

Este anúncio foi caro, porque envolve muita computação gráfica, para recriar uma Nova York do passado. É estrelado por duas estrelonas, Matthew McConaughey e Scarlett Johansson. Você assista e decida se tem algo de memorável. Mas ainda que fossem os dois minutos e pouco mais incríveis que você já viu na vida, continua sendo uma encomenda de uma empresa. Não é "um filme" de ninguém.

E por isso dá um certo nojo ver no comecinho, "A Film By Martin Scorsese". Martin é um diretor pior por assinar publicidade? Não. Fica um pouquinho menor, ao conceder seu perfume autoral a um anúncio? Fica. No lugar dele, eu faria igual? Depende do dinheiro.

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