Publicado em 18/11/2013 às 19:43

Entrevista: André Barcinski

André Barcinski é amigão desde 1990. É uma grande alegria tê-lo como vizinho de R7. Mas mesmo que eu nunca tivesse papeado, planejado, festeado, jantado, refletido e principalmente rido com ele, seria um grande ganho para o portal.

André, Barça, é o jornalista mais produtivo, e múltiplo, da nossa geração. Foi fotógrafo, repórter, editor de jornal, correspondente na gringa, escreveu livro, dirigiu documentário, programas de TV, criou programa de rádio, núcleo de festas, fundou casa noturna, discotecou, produziu show, e mais um monte de coisa, cansa só de pensar. Que faça tudo com talento e personalidade envergonha os camaradas.

O R7 perguntou: você não quer fazer uma entrevista com André para recebê-lo aqui na casa? Claro, respondi sem pensar, a história da minha vida. Aí embatuquei: perguntar o quê? Entrevista não é para encher bola, e amigo não é para entregar os podres. Minha solução salomônica, e adequada ao profissionalismo e sarrismo de Barcinski: uma entrevista em duas partes.

Na primeira, perguntas úteis sobre seu blog. Na segunda, perguntas íntimas cujas respostas ignoro - sim, vais ter que responder o questionário de Proust, xará.

Considerando teu histórico como diretor de documentários e de programas pra TV, e um quarto de século metido com rádio, seu blog sempre foi bem pouco multimídia. Vai fazer algo com vídeo e áudio agora que seu blog está no R7?

Sim. O legal de trabalhar em portal é justamente poder fazer essas coisas, ilustrar artigos com vídeos e músicas. No início de dezembro vou fazer uma entrevista em vídeo com o Fábio Massari sobre o novo livro dele, “Mondo Massari”.

Apesar da fama de roqueiro, você sempre declarou publicamente seu carinho pela música brasileira - e em particular a música super popular brasileira de décadas passadas.  Você ouve alguma coisa que faz sucesso hoje na TV e nas FMs populares? Pode ser um tema,  agora que estás no R7, um portal assumidamente pop?

Meu avô tinha duas paixões: literatura policial e samba. Era amigo de Lupicínio Rodrigues, Aracy de Almeida, Ismael Silva, tenho fotos de saraus com essa turma toda na casa dele. Sempre gostei de música brasileira, especialmente de Noel Rosa, que acho o maior compositor que tivemos. Nosso filho chama Noel por causa dele.

Também adoro música pop brasileira, mas pra mim ela só prestou até o meio dos anos 80. Em casa ouvimos muito Guilherme Arantes, Raul Seixas, Secos e Molhados, Novos Baianos, Erasmo Carlos, Roberto, Frenéticas, Ritchie. Mas pensando bem, não ouvimos nada feito depois de 1984. Não é preconceito, é conceito mesmo. Acho tudo ruim demais.

Alguns de seus textos mais bacanas, desde que estreou o blog, tem uma quedinha para a crônica. Falam de cachorro, filho, vizinho, dos encantos e absurdos do cotidiano. Vai continuar sendo um eixo no teu novo blog?

Vou sim, até porque ninguém agüenta escrever “jornalisticamente” todo dia, não? Comecei a fazer uns textos mais pessoais meio que por acaso, mas as pessoas gostaram, parece que se identificaram e comentaram bastante. Eu não costumo ler crônica, acho muito formulaico, tem um ritmo manjado e é sempre aquela mesma coisa, com uma surpresinha no fim, uma liçãozinha de moral aqui, uma piadinha acolá, acho cansativo e sem muita surpresa. É inofensivo. Mas quando você relata um fato ou conta uma história que aconteceu com você, sem nenhum julgamento moral, gosto mais.

No seu texto de apresentação você inclui política entre os temas do blog. É política no sentido mais macroscópico, ou podemos esperar uma marcação cerrada pra cima dos candidatos na eleição de 2014?

Ah, não, de jeito nenhum vou ficar batendo em político, não tenho paciência pra isso e pras repercussões internéticas. Discutir política virou um Fla x Flu insuportável, cada um com sua igrejinha. Se você critica a Dilma, é um tucano fdp; se critica o Alckmin, é um petralha, não agüento mais. Parece um jardim de infância. 

O que vamos aprontar juntos? Liveblog do Lollapalooza? Tour dos restaurantes mais ogros de Piracicaba? Cobertura do Oscar?

Acho que seria muito legal um liveblog pra comentarmos, ao vivo, alguns megaeventos, tipo Oscar, Grammy, Rock in Rio, etc. Esses festivais de música no Brasil estão cada vez mais blindados por assessorias de imprensa, os artistas não dão mais entrevistas, as informações são filtradas por trocentos assessores antes de chegar à imprensa. Fui ao Rock in Rio e foi uma tristeza, a sala de imprensa parecia um hotel, tinha até massagista, uma coisa ridícula.

O que você quer que as pessoas saibam sobre o novo blog e ninguém te perguntou?

Acho que algumas pessoas têm a falsa idéia de que redações são controladas 24 horas por dia, como uma penitenciária, e que colunistas recebem ordens explícitas sobre o que escrever. Eu trabalho em jornais e revistas desde 1988, e nunca me pediram para mudar uma vírgula. Não sei se é assim como todo mundo, mas comigo foi.

BARCINSKI POR BARCINSKI

Momento Marília Gabriela!

1.Qual é sua maior qualidade?

Caramba, nada pior que falar sobre si mesmo, não é? Eu diria que é a teimosia em achar que qualquer coisa em que estou envolvido pode dar certo, mesmo que, muitas vezes, não dê.

2. E seu maior defeito?

Insegurança.

3. A coisa mais importante em um homem?

Ética e senso de humor.

4. E em uma mulher?

Inteligência, senso de humor e beleza, uma combinação imbatível.

5. O que você mais aprecia nos seus amigos?

Bom, se são meus amigos, sei que são pessoas legais, então posso dizer que o que mais aprecio é o talento pra jogar conversa fora por muitas e muitas horas. E senso de humor, claro.

6. Sua atividade favorita é...

Duas: velejar e ler.

7. Qual é sua ideia de felicidade?

Velejar com a família

8. E o que seria a maior das tragédias?

Perder a família.

9. Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?

Acho que o Johnny Depp deve ter uma vida muito legal.

10.E onde gostaria de viver?

Vai parecer piegas, mas moramos exatamente onde queremos, no litoral do Rio. Adoramos viajar, mas nada é melhor que voltar pra casa.

11.Qual sua cor favorita?

Preto

12.Sua flor?

Bromélia

13.Um pássaro?

Tiê-sangue

14.Seus autores preferidos?

Cormac McCarthy, James Ellroy, Dostoievsky, Poe, Joseph Wambaugh, Mark Twain, Gogol

15.E os poetas de que mais gosta?

Não sou um grande leitor de poesia, pra minha vergonha. Acho que ela exige um grau de abstração e imaginação que não tenho. É um problema meu, não da poesia, claro. Mas depois de ler tantos elogios do Christopher Hitchens, fui ler a poesia do Philip Larkin e gostei demais.

16.Quem são seus heróis de ficção?

Dom Quixote, Ignatius Reilly, Tom Sawyer, Leonardo (“Memórias de um Sargento de Milícias”).

17.E as heroínas?

Mafalda pela ironia, Emma Bovary pela coragem

18.Seu compositor favorito é...

Noel Rosa


19.E os artistas que você mais curte?

Groucho Marx, Goya, Orson Welles, Akira Kurosawa, Buster Keaton

20.Quem são suas heroínas na vida real?

Marie Curie, Amelia Earhart, Olga Benario, Poison Ivy

21.E quem são seus heróis?

Little Richard, Thomas Jefferson, Muhammad Ali, Gandhi


22.Qual é sua palavra favorita?

Fluminense

23.O que você mais detesta?

Automóveis e burocracia

24.Quais são os personagens históricos que você mais despreza?

Hitler, Pol Pot, Suharto, Idi Amin, Stalin


25.Quais os dons da Natureza que você gostaria de possuir?

Voar

26.Como você gostaria de morrer?

Bem velhinho, em casa, com os netos

27. Que defeito é mais fácil perdoar?

Avareza

28. Como você está se sentindo neste momento?

Muito bem e esperançoso

29.Qual é o lema da sua vida?

Se não é divertido, não vale a pena

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