Publicado em 23/09/2016 às 15:54

Terry Jones e a arte de assar vacas sagradas

terry 2 Terry Jones e a arte de assar vacas sagradas
Tem gente que não pode ver uma vaca sagrada que já vai botando carvão na churrasqueira, gelando a cerveja e afiando a faca. É minoria que deve muito ao Monty Python. Mesmo que nunca tenha ouvido falar do grupo. A influência deles está em todo lugar. Onde você encontra humor enlouquecido, impiedoso, surreal, estão as digitais de John Cleese, Terry Gilliam, Graham Chapman, Michael Palin, Eric Idle - e Terry Jones.
Nos reconhecemos à distância. Como nossos heróis, zombamos com qualquer coisa, muito além do aceitável ou responsável. O Monty Python esculhambava o patético onde encontrasse - em homem, mulher, gay, jovem, velho, pobre, rico, todas as nacionalidades, profissões e tons de pele. Inclusive, claro, seus próprios tipos: homens razoavelmente bem nascidos e educados, britânicos (menos o americano Gilliam!). Qualque alvo merecia umas lambadas doídas. Sem misericórdia. Como deve ser. E raramente é.
Graham Chapman morreu há muito tempo; quem viu o vídeo dos seus colegas gazendo galhofa no velório, não esquecerá jamais. Terry Hones começa a nos deixar agora, aos poucos. Sofre de demência. A memória funciona menos e menos. Já não dá mais entrevistas. Está parando de falar.
Dói pensar em Terry limitado desse jeito. Talvez seja o principal Python. Era roteirista de mão cheia já nos anos 60. Ele formatou o desformato dos sketches do Monty Python, extremamente inovadores para a época: sem bordão, sem riso pré-gravado, sem "punchline", sem personagens recorrentes. Mas jamais amorfos ou condescendentes.
Dirigiu "A Vida de Brian" e "O Sentido da Vida", co-dirigiu "Monty Python e o Santo Graal". Escreveu mais de vinte livros, produziu e apresentou documentários, foi articulista de jornal... e ator engraçadíssimo. Rio tudo de novo quando revejo Terry vestido de mulher, imitando velhinhas inglesas ou fazendo a mãe de Brian, aquela voz de taquara rachada.
A influência de Terry Jones persistirá. Vamos homenageá-lo fazendo o que ele fez como ninguém. Recusando limites para a liberdade de expressão e de zoação. E vomitando nos espíritos autoritários, sejam autoridades ou não, gente que sempre odeia humor e humoristas, e que, diferente de Terry Jones, vai para a lata de lixo da história.
terry vomito Terry Jones e a arte de assar vacas sagradas

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