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Trump é a última esperança para os pobres da América

Postado por aforastieri em 9 de novembro de 2016 às 10:50 em Sem categoria | Nenhum comentário

trump1 1024x576 Trump é a última esperança para os pobres da América [1]

Hillary Clinton teve apoio avassalador dos grandes empresários, dos grandes bancos, da grande imprensa. Dos artistas, dos intelectuais, dos movimentos sociais, dos cientistas. Dos economistas e de Wall Street, de líderes internacionais e lideranças comunitárias, de minorias dentro dos EUA, da maioria das pessoas fora dos EUA.

Teve até apoio de alguns republicanos, e de gente que sempre votou republicano. O caso mais chamativo foi de Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia, que mudou para os EUA em 1968, e segundo ele mesmo sempre votou para presidente no candidato republicano.

Hillary conquistou todo esse apoio porque conseguiu convencer o 0,1% dos super ricos americanos que era a melhor candidata para defender os interesses deles. E conseguiu convencer muita gente do povão que ela era a pessoa certa para defender os direitos deles, frente aos interesses da elite. E mais ainda, frente ao partido republicano, e a Donald Trump.

Hillary tentou ser todas as coisas para todas as pessoas. Não colou. Era a pior candidata disponível no partido democrata. É multimilionária, fortuna que apareceu de maneira inexplicável, como as dos políticos brasileiros. É mulher de um ex-presidente, o que cheira nepotismo. Ou talvez seja ex-mulher. Ninguém entende as relações dos dois, e eles não explicam.

Fora um genérico ideário democrata, Hillary não tem posições fora as que as pesquisas de marketing determinam. Votou pela Guerra do Iraque quando o público apoiava, se tornou contra a Guerra do Iraque quando o público parou de apoiar. Diz em público o que a opinião pública vai aplaudir, diz em particular a verdade para seus amigos banqueiros. Como Bill Clinton sempre fez. Mas Bill era um sulista simpático. Hillary, a antipatia em pessoa (me lembra estranhamente Margareth Thatcher).

Se o partido democrata tivesse um candidato menos fracote, talvez tivesse ganhado a presidência. Mas é preciso ir além disso. É preciso voltar à primeira campanha de Bill Clinton, e ao lema que o levou à vitória. Os marketeiros de Bill reduziram todas as questões em debate a uma única frase: “It’s the Economy, Stupid!”. No final, é tudo sobre a economia; a economia determina o resto; a economia ganha e perde eleições.

Como disse uma vez um ditador brasileiro sobre nosso país, nos EUA a economia vai bem e o povo vai mal. O PIB cresce. Mais de 15 milhões de empregos foram criados desde 2010. Mas muitos dos novos empregos são de baixa qualidade, com baixos salários. Muita gente segue desempregada, ou com empregos de meio período. Os americanos continuam sem ter licença-maternidade, décimo-terceiro, férias remuneradas. Aliás, o período de férias médio do americano é de oito dias por ano, o menor em comparação com qualquer país mais ou menos decente.

E a desigualdade? Cresce. Cada vez um grupo menor de super ricos dá as cartas. A maioria dos americanos se sente desconectado dos centros de poder políticos e econômicos - e de fato está. A economia cresce de maneira completamente desigual. Inclusive geograficamente: algumas poucas metrópoles bombam, o interiorzão segue pantanoso.

É a economia, estúpido. Diferente de Clinton, Trump escolheu um lado. Quem votou em Trump? Os pobres. Os mais pobres. Os pobres que moram no campo, em cidades pequenas, em áreas sem potencial econômico. Gente que teve pouca oportunidade para estudar, para crescer, para viver. E gente que nem é tão pobre, mas teme pelo futuro de seus filhos, teme pela sua velhice, teme não ter dinheiro para pagar as contas no fim do mês. Teme o que não conhece, o que não tem na sua cidadezinha, no seu bairrinho - teme o diferente.

Hillary disse para eles que a América vai bem e ofereceu a eles mais do mesmo. Trump disse para eles que a América vai mal e ofereceu a eles mudança. Hillary mentiu. Trump disse a verdade.  Ano após ano, a base da pirâmide americana vê sua vida piorar, e alguns poucos compatriotas alcançando níveis inimagináveis de riqueza. Para esses americanos deixados para trás, Trump parece a última esperança.

O que será a presidência de Trump? Quanto das bazófias e bagaceiras que fizeram seu sucesso nas redes sociais vai sobreviver, na hora do vamos ver? Vai se acomodar na presidência, jogando o jogo de sempre de todo mundo que chega lá? Ele será um bufão machista, racista, fascista - ou isso era um personagem para causar no Twitter e Facebook? E, no final da história, o quanto os pobres americanos podem contar com um playboy septuagenário, filhinho de papai, que nunca teve que enfrentar uma dificuldade de grana na vida?

Ninguém pode responder. Todas as previsões nesse momento são chute. Como em toda eleição, os rivais são muito mais parecidos entre si do que com seus eleitores… Trump é elite, os Clinton são elite. Nem uns nem outros fazem idéia do que é viver como a massa do eleitorado.

A democracia representativa tem duzentos anos de idade e venceu seu prazo de validade. A tecnologia, os costumes, a economia mudaram muito, o sistema político muda a passo de dinossauro. A solução para isso não é menos democracia, é mais - mais liberdade para o cidadão, mais informação, mais educação, mais riqueza para todos. E menos concentração de dinheiro e de poder nas mãos de poucos. Esse é o desafio. E é pra ontem.

O que dá para cravar já é que o sucesso de Trump vai inspirar muitas outras campanhas de políticos pelo mundo afora. E não necessariamente só de conservadores. Trump provou que é possível vencer sem o apoio dos empresários, dos bancos, dos intelectuais e da mídia - contanto que você escolha claramente um lado, e diga a esse lado a verdade. Para milhões de americanos, é preciso mudar, e Trump representa a mudança. E quem dirá que ele não é?

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