Publicado em 17/11/2016 às 16:05

Solução para o Rio e o Brasil é a mesma: cana dura

cabral Solução para o Rio e o Brasil é a mesma: cana dura

O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral

O Rio derrete em câmera lenta. Dois ex-governadores presos em dois dias, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho. Assembléia Legislativa sob sítio. Polícia sem receber. Pacotão de arrocho tirando o sono dos cariocas.  Nem parece que outro dia mesmo o Rio celebrava "seu melhor momento", recebia turistas, inaugurava museus, e tinha um prefeito com pretensões à presidência da república. Nem parece que três meses atrás foi sede da grande festa do esporte.Mas estava na cara há anos que quem estava fazendo a festa era a meia-dúzia de sempre. E que a conta da festa ia chegar um dia. E ia chegar para quem nem convidado para a festa foi.

Agora querem entuchar a conta do bacanal dos bacanas no carioca comum. Cortar auxílio social, cortar aposentadoria, cortar salário de funcionário público. As autoridades dizem que não tem outro jeito. Que é duro, mas todos têm que fazer sacrifício. É sempre a mesma lenga. Pimenta no dos outros é refresco.

O Rio é o Brasil amanhã. Ou melhor dizendo, a explicação para os problemas do Rio é a mesma explicação para os problemas do Brasil. Os cariocas e os brasileiros vêm sendo assaltados por um pequeno grupo de grandes ladrões. São grandes empresários que "vendem" para o governo, fazem a manutenção da máquina pública, realizam as obras que pegam bem na hora da eleição. E conseguem esses contratos pagando propina de cima a baixo, do executivo ao legislativo, e vamos combinar que deve sobrar algum para o judiciário também. Fora os grandes empresários e ruralistas que conseguem empréstimos de pai pra filho, a perder de vista, e pagam pingando até o próximo perdão do governo. Fora os grandes banqueiros que com ou sem crise lucram com os juros mais altos do mundo.

São bilhões e bilhões. É sujeira grossa e pra todo lado. Não são os caraminguás do aposentado ou a reforma da escola que quebraram o país. Foi uma aliança de bandidos que está no poder há muito, muito tempo. Na época da ditadura militar, a gente não ficava sabendo, porque a imprensa não tinha liberdade e o ministério público não tinha independência nenhuma. Isso só começou a mudar pra valer na época de Fernando Henrique, e mudou mais ainda sob Lula. E é por isso que a gente fica com a impressão de que hoje temos tanta corrupção. É que hoje a gente fica sabendo, e esses picaretas estão começando a ter o que merecem.

A solução para o Rio, e para o Brasil, é botar corruptores e corruptos em cana, os antigos e os atuais, e pegar de volta o dinheiro que eles roubaram da gente. Demos os primeiros passos. Mas ainda tem muito larápio por aí, roubando dinheiro de hospital, de estádio, de hidroelétrica, da escola e da merenda. Ainda tem partido político que segue incólume, sem condenações, apesar de pilhas de denúncias e evidências contra suas maiores lideranças. Nossa justiça é falha, é parcial, é frequentemente messiânica. É o que temos, e temos que pressioná-la para fazer seu melhor. Porque, francamente, do executivo e do legislativo é bem mais difícil esperar linha dura com os donos do dinheiro.

Impôr sacrifícios ao brasileiro trabalhador antes de impôr justiça a essa bandidagem é indecente e ineficiente. A solução para o Rio e para o Brasil é cana dura para esses grandes ladrões, e pressão forte para recuperar o dinheiro que nos foi roubado. Falta muito. Só começamos o serviço. Agora é garantir que a limpa vai até as últimas consequências. Sem isso, o imposto do brasileiro pobre é que vai continuar pagando a festa do império do crime.

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