Publicado em 06/12/2016 às 16:58

Brasília está destruindo o Brasil

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O que está acontecendo no Brasil é igualzinho o que está acontecendo no resto do mundo. O capitalismo está fazendo água.  A desigualdade aumenta, o desemprego aumenta, a desesperança aumenta. E o clima esquenta - na sociedade e no meio-ambiente.

Os ricos legislam para os ricos. Espremem as economias para garantir seus ganhos. Pagam cada vez menos impostos. Seus rendimentos dependem cada vez menos do trabalho, e mais e mais do cassino financeiro. Quem vai contra esse estado de coisas é taxado de "populista", "irresponsável", "baderneiro". Mas quem está fazendo baderna são esse 0,01% de bilionários, e seus empregadinhos nas política, na mídia, nas universidades, nas instituições.

Os poderosos querem que o povo aceite tudo de bico calado. De preferência nem entenda direito como está sendo roubado. Falam muito que "o importante é a educação". Mas na prática cortam as verbas da educação. Querem o povo analfabeto, ignorante, anestesiado.

Quando o povo resiste, mandam a PM pra reprimir as "badernas". Se o executivo resiste, que seja enquadrado pelas "forças do mercado". É a mesma história no mundo árabe e na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos. Trump venceu porque Obama, com todo seu belo porte e discurso, não melhorou a vida do povão. E não fez isso porque fez, como todos fazem, o jogo do grande Capital. Agora Trump está lá e vai fazer o quê? Diminuir os impostos dos ricos, abrir as pernas para os bancos (já chamou para Secretário do Tesouro um banqueiro do Goldman Sachs).

E não adianta muito eleger um governo de "esquerda", porque eles também estão são enquadrados. Veja a França, veja a Grécia. O único plano de governo que existe nesse planeta em 2016 é arrochar as populações e chamar isso de austeridade, de "sacrifício inevitável". Mas o enfrentamento está acontecendo. Nesta semana mesmo, a Itália e a Áustria disseram não para políticas de arrocho.

O impeachment no Brasil tinha três objetivos: destruir o PT, melar a Lava-Jato e impôr o maior arrocho da história do Brasil. O próprio PT, aliás, já vinha tentando fazer as três coisas... lambuzando-se na corrupção, contestando o judiciário (às vezes com razão, às vezes não) e botando Levy como Ministro da Fazenda, com um programa para a economia que era o contrário que Dilma prometeu.

O impeachment aconteceu - e todos sabíamos que não havia crime de responsabilidade que o justificasse.

Foi o começo dessa crise institucional sem fim. E agora aqui estamos. Mais uma crise, agora com Renan. É surreal, mas o presidente do Senado se nega a obedecer uma ordem do Supremo Tribunal Federal. E a mesa do Senado vai junto com ele! Num país mais ou menos funcionando, teriam recebido voz de prisão. No mesmo momento, quem protesta contra as propostas de arrocho do governo do Rio apanha da polícia - pelo menos enquanto a PM continuar recebendo salário, o que é duvidoso. Vem aí as delações da Odebrecht.

E como se estivesse tudo na maior tranquilidade, o governo segue propondo mais e mais arrocho nos pobres, e nenhuma cobrança das grandes empresas. Aliás, hoje,  no mesmo dia que anunciam a PEC da aposentadoria, que fará o brasileiro trabalhar até morrer e morrer de trabalhar, ficamos sabendo que o governo prepara um perdão de 90% das dívidas das empresas. Sendo que no Brasil, nesse momento, não há um sujeito que acredite que o Congresso legisla em benefício do país, e não de si próprio.

É difícil enfrentar os poderosos do mundo. Mas é isso ou a rendição. Esse embate exige representação política sólida, leis sólidas, instituições sólidas. É tudo que não temos no momento. No momento, Brasília está destruindo o Brasil. O primeiro passo para o Brasil se levantar é termos um poder executivo e legislativo à altura do desafio. E o único caminho para isso, e não há outro, é através de eleições livres e limpas, para renovar integralmente o Congresso, e elegermos um presidente da república.

 

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