Publicado em 22/02/2017 às 17:47

A liberação do FGTS é um presente bilionário para os bancos

FGTS 1 1024x629 A liberação do FGTS é um presente bilionário para os bancos
A partir de março, 33 milhões de brasileiros vão botar a mão em R$ 43,6 bilhões, com a liberação das contas inativas do FGTS. É um presente bilionário do governo para os bancos. E é só uma faceta de uma conspiração grande e poderosa - contra você.
Quem chamou atenção para o destino desse dinheiro foi o Roberto Melo, em um texto que escreveu para seu blog Isso Não Me Comove. Beto não cai em esparrela. Jornalista das antigas e amigo idem, cravou: "criaram um aqueduto direto entre o fundo de garantia dos trabalhadores e as burras dos bancos. Disfarçaram isso de socorro aos trabalhadores... contando com o habitual auxílio do governo e a sempre solerte colaboração da mídia, vieram com essa: vamos "liberar" o fundo de garantia para o trabalhador usar "como quiser". Ou seja, em vez de usar em caso de demissão ou para comprar sua casa própria, ele pode usar esse dinheiro para... entregar aos bancos!"
Como?
É isso mesmo. Os números comprovam. São todos públicos. Basta procurar. E ligar os pontos.
Primeiro, a pesquisa do Google Consumer Research. Ouviram 1344 pessoas. Perguntaram no que elas vão usar o dinheiro que vão tirar do seu FGTS:
- 42% vão pagar dívidas
- 10% vão quitar algum financiamento
- 20% vão investir
- 10% para pagar estudos
- 13% para fazer compras
Ou seja, mais da metade vai usar para pagar dívida. Só 13% desse dinheiro vai para o consumo. Como a maioria das contas têm pouco dinheiro - abaixo de R$ 3 mil - a projeção é que muito desse dinheiro irá para compras pequenas, supermercado etc. Será um pequeno e temporário alívio para o varejo. As vendas do varejo no Brasil caíram 6,2% em 2016 com relação a 2015, sendo que em 2015, já tinha caído 4,3% com relação a 2014. Recessão brava, sem alívio à vista.
A pesquisa do Google tem outro dado interessante: 53% pretendem usar o saldo assim que ele estiver disponível. Não vai dar nem tempo da grana esquentar no seu bolso. Pingou na conta, já vai pra pagar dívida, limpar o nome, pra poder fazer novas dívidas. Ou, se você estiver entre os 20% que pretendem investir, pra poupança. Seja como for, o destino final dessa grana é nos bancos.
Segundo, qual o tipo de dívida mais comum? Cartão de crédito. Em São Paulo, representava 71,4% das dívidas dos consumidores, em janeiro de 2017, segundo a Federação de Comércio do Estado de São Paulo. Depois vem financiamento de carro, carnês, crédito pessoal, financiamento de casa, cheque especial e crédito consignado.
Ou seja: estamos falando de juros. O brasileiro que não tem dinheiro e precisa de crédito vive e morre pagando juros. Os juros mais altos do planeta. Que comem uma parcela altíssima da nossa renda. E mais alta ainda, proporcionalmente, quanto menor a renda do cidadão. Quem compra à vista paga juro embutido. Quem compra em muitas prestações acaba pagando três, quatro vezes por sua geladeira, seu celular, a conta do supermercado. Quem fica devendo muitas vezes não sai nunca mais. Temos os juros de cartão de crédito mais insanamente altos do planeta. Em 2016, chegou a 459% ao ano.
O pobre brasileiro paga mais juros que o rico. Como paga mais impostos que o rico. Uma pesquisa de setembro de 2016 afirmava que do total das famílias brasileiras, 21% têm mais da metade (!) de sua renda comprometida com o pagamento de dívidas. Quem? Justamente os brasileiros mais pobres. O que sobra não dá pra nada, claro.
O número final, mais doloroso. Segundo o próprio governo, 87% das contas inativas têm dinheiro abaixo de um salário mínimo, R$ 880,00. É essa gente pobre que vai usar seu FGTS para pagar dívidas.
Falando em juros, não são só as pessoas físicas que sofrem com eles. As empresas também, principalmente as micro, pequenas e médias, que não têm acesso aos ricos cofres dos governos, como essas construtoras todas da Lava-Jato. Não é por outra razão que 2016 teve recorde de pedidos de recuperações judiciais.
E depois que tirarmos o dinheiro do FGTS para dar para os bancos, o que o futuro nos aguarda? As empresas não estão contratando. Os Estados estão cortando salários e aposentadorias do funcionalismo. As privatizações que vêm por aí exigirão demissões, para "sanear" as estatais antes delas serem vendidas. As reformas previdenciária e trabalhista que o governo Temer pretende aprovar em 2017 tirarão direitos, e bilhões de reais dos bolsos do trabalhador, na ativa ou aposentado.
Mais demissões virão. E depois mais demissões ainda. Sem falar na PEC do Teto dos Gastos, aprovada em dezembro, que vai cortar na carne e osso os gastos públicos. O enviado especial da ONU para Pobreza Extrema e Direitos Humanos, Philip Alston disse o seguinte sobre a PEC do Teto: "Vai atingir com mais impacto os brasileiros mais pobres e vulneráveis, aumentando os níveis de desigualdade em uma sociedade já muito desigual".
Por quê o Brasil tem juros tão altos? Para remumerar magnificamente quem tem muito dinheiro para aplicar. É por manter os juros nas alturas, e por nenhuma outra razão, que o governo de Michel Temer mantém o apoio da nossa elite. A recessão grassa? A corrupção continua? As manobras para abafar a Lava-Jato estão na cara? Quem se importa, se meus investimentos continuam bombando?
Isso é no Brasil. Mas o Brasil faz parte do mundo. E no mundo tem três coisas importantes acontecendo. As mudanças climáticas causarão cada vez mais megadesastres, megaimigrações, megaproblemas. A automação e tecnologia causarão cada vez mais destruição nos mercados de trabalho. E as populações dos países crescerão cada vez mais. A Terra hoje tem 7,3 bilhões de pessoas. Segundo a ONU, chegará a 9,7 bilhões em 2050. Preste atenção: em português claro, nos próximos 33 anos o planeta vai ganhar mais duas Chinas. E em 2100, que está mais longe, a previsão é que chegaremos a 11,2 bilhões de pessoas.
Esses três vetores - Clima, Automação e População - exigem inovação, sensibilidade, organização social, coragem política. Mas as elites planetárias reagem a este desafio inédito de duas maneiras. Os conservadores, com medo, enfiando a cabeça no chão como avestruzes: vamos levantar o muro do condomínio e da América, vamos nos proteger dos miseráveis que querem o que é nosso. Os liberais, com marketing, garantindo que os mercados e a tecnologia tudo resolverão, basta seguirmos no business as usual.
Conservadores e liberais, no final do dia, trabalham de olho no curto prazo. O dia de hoje, o lucro do próximo trimestre, a eleição do ano que vem. Porque trabalham para o grande Capital, Wall Street, a City, o sistema financeiro internacional. No Brasil, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, bancos de investimento etc. Parece simplista, mas não é não. É só simples. Quando o mundo parecer complicado, pergunte: quem se beneficia? E siga o dinheiro.
E assim voltamos ao FGTS. A preocupação número um de quem tem muito dinheiro é que ele esteja protegido e crescendo. A recessão dos últimos anos, e o impacto da Lava-Jato, gerou muita inadimplência nas empresas e nos consumidores, que não conseguiram mais pagar suas dívidas bancárias. Donde que muitos bancos médios estão bem mal. E os dois maiores privados, Itaú e Bradesco, tiveram bons lucros nos últimos anos, mas abaixo do patamar habitual.
Liberando o FGTS, o governo Temer injetará bilhões e bilhões de reais nos caixas dos bancos. Essa grana vai passar rapidamente pelo bolso do brasileiro pobre, mas depois irá para os bolsos dos banqueiros (e investidores super ricos em geral, o que inclui muitos dos nossos governantes). Não custa lembrar que Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Central, foi trazido para o governo diretamente do Itaú, onde era Economista-Chefe.
Vivemos no capitalismo e precisamos de bancos sólidos. É exatamente o contrário do que temos. Nas últimas décadas, começando com a desregulamentação da era Reagan-Thatcher, os bancos deixaram de ter como objetivo emprestar dinheiro para atividades produtivas. Virou tudo um cassino, com lances cada vez maiores e mais arriscados. Castelos de cartas, que desabam ciclicamente. Quando a casa cai, o custo do resgate é sempre pago por dinheiro público, o que exige novas rodadas de aperto no povão, que é quem paga a conta.
Por trás de uma operação tão trivial quanto liberar as contas inativas do FGTS está um novo lance de um jogo bem maior. É mais uma espoliação do trabalho dos mais pobres, em benefício do capitalismo financeiro improdutivo, irresponsável, imoral. É um golpe - mais um.

http://r7.com/dEUa

Publicado em 13/02/2017 às 15:35

Avaliação de Doria tem maioria de “péssimo”,”ruim” e “regular”

O prefeito de São Paulo começou mal. Com um mês de mandato, a maioria dos paulistanos não vê de maneira positiva a gestão Doria. É o que diz a nova pesquisa Datafolha.

 Avaliação de Doria tem maioria de péssimo,ruim e regular

João Doria versão gari (Foto: Brazil Photo Press/Folhapress)

Segundo o levantamento, para 13% dos os paulistanos, a gestão é ruim ou péssima e para 33% é regular. É um total de 46%. Outros 44% dizem que é boa ou que é ótima. Dez por cento não opinaram.

Entre os mais pobres, com renda familiar até dois salários mínimos, Doria tem reprovação maior. Só 35 dos paulistanos mais pobres aprovam o prefeito. Já entre a elite, quem ganha mais de dez salários mínimos, Dória tem aprovação de 66%.

Todas essas informações, e outras, estão em uma matéria da Folha que tem o seguinte título: "Maioria aprova programas de Dória, e só 13% reprovam início da gestão". Ele está correto. O meu também.

A íntegra da matéria da Folha está aqui.

Doria foi eleito em primeiro turno há três meses com 53,29% dos votos válidos. Tem o apoio dos governos estadual e federal e simpatia da imprensa. Está gerando factoides todos os dias, posando de gari, cortando grama, em cadeiras de rodas etc, tudo que for possível para aparecer positivamente na mídia. Vem até sendo citado como forte candidato a governador em 2018. Talvez até algum dia presidente da República!

E mesmo assim tem uma minoria aprovando Dória. Um terço, 33%, dá de ombros, gestão "regular". É uma performance decepcionante. E ainda nem deu tempo de acontecer o desgaste do tempo, das expectativas frustradas, que vai minando toda gestão. O que acontece?

Uma análise possível: a vitória acachapante de Dória não foi a vitória acachapante de Dória. Foi a derrota acachapante de Haddad, que fez uma administração medíocre, e do PT, há anos enxovalhado sem dó pela mídia e Lava-Jato (e fez bastante por merecer).

A maioria não votou para Dória. Votou contra Haddad e o PT. Dória mantém a admiração de muitos eleitores, e mais ainda dos mais abonados. Mas a maioria dos paulistanos não está lá muito impressionada.

O tempo dirá se Dória vai aprender que uma empresa e uma cidade são coisas bem diferentes. Que os paulistanos não são consumidores, nem acionistas. Somos cidadãos. E seremos mais cidadãos ainda quando deixarmos de ler só os títulos das matérias, e sair compartilhando qualquer coisa nas redes sociais. Se vale a pena ler, vale a pena ler com atenção, analisar e pensar por si próprio.

E vale a pena lembrar sempre da lição do economista Roberto Campos, que dizia: "Os números são como o biquíni. Sevem para esconder o essencial."

http://r7.com/Z9bA

Publicado em 08/02/2017 às 10:07

O Espírito Santo de hoje é o Brasil de amanhã

caos no espírito santo 850x491 O Espírito Santo de hoje é o Brasil de amanhã

O Espírito Santo fez o dever de casa. O governador Paulo Hartung saneou o Estado. Equilibrou as contas públicas. É exemplo a ser seguido pelos outros Estados. No ano passado esse era o discurso dos jornalistas, dos economistas, dos experts. Silenciaram nos últimos dias. Silenciaram também 87 pessoas, assassinadas desde a última sexta-feira.

A violência no Espírito Santo está diretamente ligada aos planos de austeridade impostos pelo governo estadual nos últimos anos. Como o crescimento da violência no Brasil - e do desemprego e do desespero - está diretamente ligada aos planos de austeridade impostos pelo governo federal desde 2014. Quando os arrochos nacional e local se somam, as vítimas se multiplicam.

O que os 10.300 policiais militares do Espírito Santo querem? É a PM com o mais baixo piso salarial do país, R$ 2460,00. A média do Brasil é R$ 3980,00. Eles não têm aumento há sete anos, e há três anos o governo estadual nem repõe as perdas da inflação. Os PMs também reivindicam a renovação da frota de veículos, a melhora das condições do hospital da polícia, e a compra de coletes à prova de bala, que estariam em falta.

É fácil de argumentar que não devia existir Polícia Militar, só civil. Mas vamos deixar isso para lá no momento, e reconhecer que o que os PMs do Espírito Santo pedem não é muito. É muito pouco: salário mais próximo da média nacional e condições mínimas para fazer seu trabalho, que é bem perigoso.

Em vez de negociar com a polícia militar, o governador pediu ao governo tropas do exército. Chegaram lá e tomaram tiros dos bandidos. Vitória segue paralisada, comércio e escolas fechadas, ônibus não circulam. Os turistas fogem das praias capixabas. Os corpos se acumulam no departamento médico legal, que não dá conta de tanta morte. A Polícia Civil está avaliando se adere à greve. E as esposas dos PMs seguem protestando nas portas dos quartéis.

Qual a proposta concreta do governo do Espírito Santo para a PM? Nenhuma. A questão é que se o governador cede aos PMs, terá que ceder aos policiais civis. E depois ao resto do funcionalismo.

O governador Paulo Hartung, do PMDB, começou essa política de arrocho já em 2015. Mesmo tendo os custos com funcionalismo bem abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Naturalmente não faltou dinheiro para outras atividades do governo - desonerações a grandes empresas, obras eleitoreiras etc. Foi louvado, e até considerado um bom candidato à presidência da República.

Tem outra questão. Se o governo começa a ceder às demandas dos funcionários do Estado, daqui a pouco vai ter que ceder às demandas da população que é atendida pelo Estado. Do povão em geral, que precisa de giz na sala de aula e merenda no intervalo, vaga e leito no hospital, paz para ir e voltar do trabalho, e outras coisas simples assim. E isso é exatamente o que os administradores do país, dos estados e das cidades se recusam a nos dar. Não que nada disso seria "dado", porque que a gente já paga bem caro por isso tudo.

Nos últimos tempos ouvimos muito o argumento de que "o Brasil está quebrado" - o país, os estados, as cidades - o que exigiria medidas duras. "Herança Maldita" que exige cortar na carne, no osso. Nos salários, aposentadorias, direitos.

Na verdade, a conta é outra. O Brasil não está quebrado. O que o Brasil não pode mais se permitir é ter 99% dos brasileiros pagando muitos impostos, e o 1% dos brasileiros mais ricos pagando quase nada de impostos. Nossos milionários pagam pouco imposto de renda como pessoa física, pagam pouco imposto de herança, e como pessoa jurídica pagam também pouquíssimo imposto. Além disso as grandes empresas têm toda espécie de benefícios do Tesouro Nacional. Empréstimos de pai para filho do BNDES e BB, dívidas perdoadas, "desonerações" etc.

Ontem o Espírito Santo já contava 75 assassinatos, depois de três dias de greve da PM. Ontem o Itaú, o maior banco do Brasil, publicou o seu balanço. No ano de 2016, com a maior recessão que o país já viveu, o Itaú lucrou R$ 22 bilhões. Se esse lucro fosse taxado em 50%, ainda assim seria um belíssimo lucro. O que dá para fazer com R$ 11 bilhões? Escola, estrada, esgoto.

Esse é só um de muitos exemplos possíveis. Se o Brasil não der um presente bilionário às empresas de telecomunicações, como quer o governo, também teremos um bom dinheiro para pagar policiais, professores, enfermeiras. É a Lei Geral das Telecomunicações, que está para ser aprovada, e transfere para Oi e outras teles um valor tão grande, que nem se sabe exatamente quanto é. O governo diz que é R$ 17 bilhões, o Tribunal de Contas da União diz que é R$ 105 bilhões...

E por aí vai.

Ainda podemos botar na conta o tanto que se desvia na corrupção, que sabemos não é pouco. E o que se sonega, que sabemos que é muito. Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, a sonegação de impostos no Brasil pode chegar a R$ 500 bilhões por ano. Para você comparar: o Bolsa-Família custa R$ 27 bilhões por ano.

A próxima vítima será o Rio de Janeiro. O estado está para assinar um acordo com o governo federal que inclui um pacotão de arrocho para cima dos funcionários públicos do estado, inclusive policiais. Uma das exigências do governo é a privatização da Cedae, a companhia estadual de águas e esgotos, o que será feita por Pezão, vice de Sérgio Cabral...

As políticas de "austeridade" no mundo todo deram errado e estão dando muito errado aqui também. Em 2017 o Brasil não vai crescer nada. O que o poder público nos oferece são serviços públicos cada vez piores, chegando à insanidade de termos 87 mortos em quatro dias no Espírito Santo.

Na prática, os brasileiros pobres e da classe média sustentam as benesses dos brasileiros super ricos, a mamata dos sonegadores e a sujeira da corrupção. Então falta dinheiro para cobrir as necessidades básicas da população. Se a gente parar de sustentar os ricos, o Brasil equilibra as contas rápido.
E se além disso os ricos passarem a pagar a sua parte, o Brasil rapidamente vai ser tornar... rico.

Vamos encarar a realidade: tem dinheiro de sobra para o Brasil ser um país melhor para todos. Esta é a única pauta que importa, a pauta que precisamos impôr a cada dia, e também a cada nova eleição. Basta cobrar mais imposto de quem pode pagar mais, o que nunca aconteceu. Bater forte na sonegação e nos sonegadores, o que nunca aconteceu. E bater forte na corrupção e nos corruptores, o que começou a acontecer - mas só começou e agora, pelo jeito, parou.
Na prática, o que está sendo feito pelos nossos governantes, e apoiado pelos economistas, colunistas, especialistas, é o contrário do que precisa ser feito. O Espírito Santo de hoje é o Brasil de amanhã. E a próxima vítima é você.

http://r7.com/hoZc

Ir para o Topo