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Por que o Brasil precisa do jornalismo do SBT, RedeTV e RecordTV

Postado por aforastieri em 27 de março de 2017 às 16:01 em Sem categoria | Nenhum comentário

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William Bonner não é Boechat, que não é Boris Casoy, que não é Carlos Nascimento ou Paulo Henrique Amorim. Mariana Godoy não é Fernando Mitre nem Kennedy Alencar. Marcelo Resende não é Datena, Silvio Luiz não é Ivan Moré ou Neto, Fernanda Gentil não é Mylena Ciribelli.
Por trás dos nomes conhecidos, uma realidade: o jornalismo praticado pelas emissoras brasileiras de TV não é homogêneo, nem monolítico. Canais diferentes têm diferentes equipes, pontos de vista, abordagens, ênfases. Mesmo em temas em que as coberturas parecem se igualar - por exemplo, em uma tragédia como a do Chapecoense - há diferenças sutis. Talvez invisíveis aos olhos do espectador distraído, mas claras para os profissionais. Faça a experiência. Pegue uma noite e assista os principais programas jornalísticos das diferentes emissoras. Vai ter muita coisa igual. Mas vai ter muita coisa diferente também.
Diversidade é riqueza. Quanto mais pontos de vista jornalísticos sobre o mesmo tema, mais chance do espectador sair bem informado. Quando mais debate, mais vozes dissonantes, mais conhecimento.
Só por isso, o cidadão comum de 2017 é muito melhor informado que seus pais. Cresci nos anos 70 em Piracicaba, no interior do estado de São Paulo. Chegavam lá cinco canais de televisão, Globo, Tupi, Record, Bandeirantes e Cultura. Cada uma tinha meia hora de jornalismo na hora do almoço e mais meia hora à noite e só. Meu pai assinava um jornal da cidade, a Folha de S. Paulo e a revista Manchete. E era isso que eu tinha para me inspirar a virar jornalista, imagine só.
Hoje é essa riqueza digital infinita, todo mundo produzindo conteúdo na internet, e esse cardápio de opções só vai aumentar. Ótimo. Mas a maioria dos brasileiros segue recebendo a maior parte das notícias pela TV. Temos 70 milhões de compatriotas ainda fora da internet. Os grandes furos continuam sendo dados por grandes repórteres, seja na TV, em jornais ou revistas. A diversidade na apuração, produção e apresentação das reportagens, na opinião dos colunistas, na seleção das pautas, no próprio horário dos programas - tudo contribui para uma experiência mais rica do espectador, e uma formação melhor do cidadão.
As tevês abertas são concessões públicas. É obrigação delas servir o público, e não só fornecer entretenimento para as massas. É o que os americanos chamam de "Public Trust". Vamos concordar que lá, como aqui, as emissoras sempre têm espaço para fazer melhor nessa área. Vamos também concordar que é melhor um país com um jornalismo imperfeito do que um país sem jornalismo. E que um país com variedade no jornalismo é melhor que um país com um monopólio, seja privado ou estatal.
É antiga a discussão sobre as operadoras de TV por assinatura remunerarem decentemente as emissoras que lhes fornecem conteúdo. Esquentou agora, com a disputa entre as operadoras Net, Claro, Oi, Sky, Embratel e e Vivo, e as emissoras RecordTV, SBT e RedeTV. Os canais querem que as operadoras paguem para transmitir seus sinais digitais. Parece justo. Afinal, as operadoras cobram um bom dinheiro do assinante. Mas as operadoras argumentam que a crise está feia e querem o conteúdo de graça. Mesmo que já paguem um dinheiro bom para outras emissoras, tanto nacionais como estrangeiras. Ameaçam cortar o sinal desses canais, e já começaram pelo Distrito Federal.
Sou parte interessada. Trabalho no R7, unidade digital da RecordTV. Atuo em novos negócios, inteligência de mercado, ali na intersecção entre conteúdo e comercial. A polêmica me toca, nos toca de perto. Mas eu já era parte interessada dessa história muito antes de trabalhar aqui. Porque antes de tudo isso eu era jornalista, e continuo pensando como jornalista.
Uma sociedade existe a partir da mediação entre diferentes forças. Da busca por uma distribuição justa de direitos e deveres. Da construção cotidiana de uma relação equânime entre o cidadão, o Capital, o Estado. É impossível criar uma sociedade minimamente justa sem o acesso amplo à informação. Que precisa ter o máximo de independência e pluralidade.
Como jornalista, acredito que o jornalismo tem uma função primordial e sei muito bem que ele precisa de investimentos para existir. Entendo as críticas de muitos à nossa imprensa, e não vamos fingir que ela não tem defeitos. Mas "a mídia" não é o inimigo. Isso é um generalização boba e perigosa. Nosso jornalismo tem muito a melhorar, dentro e fora da TV. Precisa ser visto com olhar crítico, sempre. Mas antes de mais nada, precisa chegar às casas brasileiras.
A questão não é meramente comercial. Não se resume a uma disputa de negócios. Juntas, RecordTV, SBT e RedeTV transmitem 56,4% de todo o jornalismo na TV aberta. São quase 30 horas diárias de programação jornalística. A postura das operadoras limita o acesso do cidadão a esta programação. Não é assim que o jornalismo brasileiro vai se tornar o jornalismo forte, crítico e plural de que o país tanto precisa.

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