Publicado em 03/08/2017 às 16:42

Neymar tem obrigação de fazer mais pelo Brasil

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Neymar vai ganhar R$ 9.25 milhões por mês do PSG. Merece? Claro que não. Qualquer professora primária da periferia tem muito mais utilidade para a raça humana que um jogador de futebol. Mas merece, na lógica invertida que vivemos, porque vai trazer mais dinheiro para o PSG do que o time está investindo nele.

Num mundo com tanta desigualdade, o salário de Neymar agride. Temos meio milhão de famílias na fila para receber o Bolsa-Família, e o garoto tá lá comprando iate porque é bom de fazer gol. Pobre brasileiro ganha dinheiro e vira "rico", com o comportamento habitual da nossa elitem "não é problema meu".

O mundo é como é. Mas em alguns lugares é menos injusto que outros. Na França o imposto de renda mais alto é 45%. Se sua renda anual está acima de 150 mil euros (uns R$ 550 mil), você vai pagar quase metade disso para o governo. E não tem choro nem vela. No Brasil sabemos bem como é.

O que é muito chato de Neymar, e de todos esses super atletas, é que eles são tão moldados pelo marketing que viram uns seres anódinos. Pra garantir os patrocínios milionários e a simpatia das torcidas, todos têm que fazer o papel do bom moço, sem nenhuma aresta, nenhum defeito, nenhuma opinião sobre coisa nenhuma. Neymar é isso, o garoto alegre, família, sempre o sorrisinho na hora da foto.

Vender atleta como "ídolo" depende sempre de transformar o esporte em uma atividade muito edificante para o espírito, inspiradora, educativa, gloriosa. Ora, é só um bando de caras correndo atrás de uma bola. Ídolo é quem faz alguma coisa admirável de verdade - e as coisas admiráveis de verdade, a gente faz pelos outros. O que Neymar fez pelo Brasil?

De concreto, existe o Instituto Neymar Jr., que atende 2400 crianças em Praia Grande, cidade onde ele nasceu. Ótimo, parabéns. Mas perto do que ele poderia fazer, com seu dinheiro e influência, é pouquíssimo. Se é ídolo de muita gente - e é - tem responsabilidade de se posicionar sobre as barbaridades brasileiras. Fazer cara de paisagem, no Brasil de 2017, é fugir à raia.

O Brasil é uma fábrica de molequinhos miseráveis. Quando um deles consegue escapar de seu destino, e se tornar o brasileiro mais famoso do mundo, tem obrigação de fazer mais pelo Brasil. E nós temos obrigação de exigir mais dele.

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