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O mundinho faz-de-conta de Liniker

Postado por admin em 25 de agosto de 2017 às 16:47 em Sem categoria | Nenhum comentário

arte3 O mundinho faz de conta de Liniker [1]
Liniker se identifica como mulher, trans, negra. Em um show em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, desceu ao meio da platéia para cantar. Foi apalpada. Reclamou nas redes sociais:
"Outra vez objetificaram minha bunda, não quero ser objetificada por ninguém. É muito doido porque depois do que aconteceu eu me senti culpada por ter exposto as pessoas que fizeram isso. Mas não devemos nos sentir culpadas por isso, temos que falar mesmo. Não dá para fingir que está tudo bem. Chega! Isso tem que acabar!"
"Objetificar" é o tipo de linguagem que faz sucesso com o público de Liniker, mocinhas estudantes de humanas e companhia. Liniker é desses artistas prisioneiros do circuito Sesc, que a imprensa-curadora aplaude e ninguém fora desse mundinho ouve.
Eu ouvi quando ela apareceu, para saber do que as pessoas estavam falando, e não ouvirei nunca mais.
Mas qualidade não importa em música pop. Como gritar "Isso tem que acabar" no Instagram não importa. Como se arrogar direitos sem se dispôr a defendê-los não importa.
Liniker não foi apalpada porque trans ou negra. Vamos sair desse rarefeito mundinho da patrulha politicamente correta? Se Luan Santana for cantar no meio da platéia no seu show, não só será apalpado, como arrisca não sair vivo, as fãs devoram ele. Vale pra mulher também. Imagine que Anitta desce do palco e vai rebolar no meio da galera sem um cinturão de guarda-costas. É óbvio, evidente que vai ser "objetificada".
Mas isso lá é certo? Certo e errado não diminui risco. A mocinha tem todo o direito de ir de biquíni para o meio da geral no jogo do Flamengo, mas está se arriscando. O playboy tem todo o direito de passear de madrugada com o relógio de dez mil reais no pulso, mas tem grande risco de ser roubado. O ladrão tem direito de roubar? Não, mas depois que o relógio se foi, que adianta reclamar?
Na prática, todos nós sabemos que risco existe e nos portamos de acordo, ou pelo menos quem tem um mínimo de senso. Seres humanos sensatos sabem que o mundo real não é esse mundinho artifical de "espaços seguros", em que ninguém tem discurso fora das regrinhas, e você pode dizer o que quiser e fazer o que quiser sem riscos consequências.
Talvez você não goste desse mundo real e queira mudá-lo. Mas o primeiro passo para isso é aceitá-lo como ele é. E ter consciência de que se você der mole, o mundo vai passar a mão na sua bunda.

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