Publicado em 29/08/2017 às 12:15

Toda dona de casa deveria receber um salário mínimo

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"Ninguém trabalha em 15,2 milhões de lares". Essa é a manchete de hoje do jornal Valor Econômico. É estarrecedora. Considerando a média nacional de quatro pessoas por domicílio, são 60 milhões de pessoas sem trabalho.
Mas o número de desempregados não é 13,5 milhões?
O cálculo oficial do desemprego é baseado no número de pessoas que procura emprego. Não inclui o que se chama de "desalentados", que desanimaram de buscar ocupação, e nem aposentados.
O levantamento foi feito a pedido do Valor, pelos pesquisadores Samuel Franco e Suiani Febroni, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), a partir de dados do próprio IBGE.
O mais triste é que as famílias mais pobres são as mais afetadas. Das casas em que o chefe da família cursou o ensino superior, 12% não tem nenhuma pessoa empregada. Quando o chefe de família não tem curso superior, o número sobe para 32% dos domicílios.
É uma tragédia humana sem precedentes no nosso país. Deveria, deve ser a prioridade zero de todos nós. O tema número um do debate político e econômico. Não pode haver pauta mais urgente. Não dá para esperar 2018, e nem dá para esperar que uma eleição resolva uma calamidade deste tamanho num passe de mágica.
O fundamental é começar pela compreensão de que não criaremos 60 milhões de empregos no Brasil. Nem em um, nem em dez, nem em 20 anos. Nem as empresas e muito menos o governo.
A tendência do mundo é o exato contrário: o extermínio crescente de empregos, porque desnecessários graças à crescente automação, globalização, inteligência artificial.
Caminhamos para um mundo de supermercados sem caixa, carros sem motorista, e substituição da maioria dos empregos de colarinho azul e colarinho branco por robôs e computadores. Tanto que em países que estão crescendo, e crescendo bastante, o desemprego continua aumentando.
Imagine no Brasil, com essa crise. Imagine no Brasil, em que metade da população tem menos de trinta anos e um dos piores níveis educacionais do planeta.
A transferência de renda para as camadas mais frágeis da sociedade não é favor, nem caridade. É bom aproveitamento dos nossos recursos, e fará um país melhor, mais saudável e produtivo, e com mais segurança para todos. O que precisamos é de Renda Básica Universal.
Temos um programa razoável de Renda Básica, que é o Bolsa Família. Precisamos de um programa muito mais ambicioso, 20, 50 vezes maior, que dê conta desses milhões e milhões de pessoas que não têm e nunca terão trabalho.
Como pagar? Os ganhos de produtividade trazidos pela tecnologia devem ser repartidos, e não concentrados na mão de uns poucos.
E temos que começar a cobrar impostos de quem tem muito dinheiro, como se faz em todos os países decentes. Hoje esses 60 milhões sem trabalho continuam pagando imposto na comida, no remédio, na luz - e o 0,1% mais ricos do país praticamente não pagam impostos. Essa mamata não é sustentável e tem que acabar. Como têm que acabar os super salários no setor público, e outras abominações que ainda permitimos no nosso país.
Se não dá ainda para o Brasil garantir renda para todos os brasileiros, que comecemos pelo básico.
Toda mulher que cuida da casa e da família, fazendo comida, cuidando de roupa, faxinando, acompanhando a educação dos filhos, muitas vezes cuidando de parentes idosos, merece um salário mensal.
Trabalha e trabalha muito. E seu trabalho tem muito valor. Se você fosse contratar profissionais para fazer esse trabalho, quanto custaria?
Minha proposta modesta - para já, para ontem: que o Brasil pague um salário mínimo para cada uma das mães de família brasileiras, mulheres que labutam em casa. Começando por esses 15,2 milhões de domicílios em que ninguém tem trabalho.
Porque de fato as donas de casa brasileiras estão trabalhando. E de fato, elas saberão muito bem como usar esse dinheiro da maneira mais proveitosa para esta família.
E se você acha essa minha proposta fantasiosa - muito bem, temos 60 milhões de brasileiros sem trabalho, você propõe o quê?

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