Publicado em 01/09/2017 às 15:57

Restaurante proibido para criança é uma boa

chocolate Restaurante proibido para criança é uma boa
Restaurante proibido para criança é coisa comum em muitos lugares do mundo. Aqui no Brasil andou rendendo polêmica. Não há razão. É ótimo que alguns restaurantes sejam mesmo proibidos pra menores. Você está lá naquele jantarzinho romântico namorando, e um bebê fazendo aquela meleca com comida na mesa ao lado? Sai pra lá.
Eu tenho filho já meio grandinho, levei ele muito em restaurante desde bebê, e continuo levando. Mas não levei em bar. Se chego num bar e tem um monte de criancinha correndo, tenho vontade de ir embora. Chorinho de criança não combina com cachaça.
Uma vez fui entrar em um hotel em Cuba, para almoçar no restaurante. Meu filho era pequeno. Sentamos na mesa e o garçom delicadamente nos informou que o hotel era só para maiores. Sem problema. Adultos podem querer ficar em paz sem adolescente fazendo bagunça e crianças berrando.
Essa polêmica sobre restaurante proibido para criança só acontece só porque o brasileiro ainda tem muitas dúvidas sobre seus direitos e deveres, e sobre a diferença entre o público e o privado. Anos atrás, quando o fumo foi proibido nos bares de São Paulo, percebi essa confusão mental que acomete muitos dos nossos compatriotas.
O ideal seria que na placa de cada restaurante e bar de São Paulo tivesse uma plaquinha. Assim:
- aqui se fuma
- aqui se bebe pelado
- aqui não servimos carne
- aqui toca Djavan
- aqui é só para mulher
- aqui é só para homem
- aqui permitido cachorro
- aqui é LGBT
- aqui é pra todo mundo mas só servimos comida vegana
E por aí vai. E claro, deveríamos ter a plaquinha escrita: proibido entrar com criança.
Informação transparente. Na porta, em todos os guias de jornal e da internet.
Entra quem quer. Trabalha lá quem quer. Pode até ter uns alvarás diferentes, pagar impostos de maneira diferente.
É assim que funciona uma sociedade livre. Coisa que, sabemos, não existe. Mas podemos ser um pouco mais livres ou um pouco menos livres.
Porque, veja, não existem espaços públicos. Existem espaços mais públicos ou menos.
A rua é um espaço muito público. O metrô, menos. Da catraca para frente, só entra quem paga. Um hospital público, menos ainda. Só entra doente e acompanhante. E tem regras para tudo.
Um restaurante é muito, muito menos público. Tem dono. E só pode ficar lá quem estiver consumindo.
Outro dia um shopping paulistano passou vergonha porque expulsou um menino negro. Ele é filho de um jornalista branco, que denunciou o caso. Realmente muito feio.
Mas você já se perguntou porque não existem meninos negros fazendo malabarismo com bolinha dentro do shopping e pedindo trocados, mas tem na frente do shopping no cruzamento, na rua?
Porque os seguranças do shopping não deixam, e são pagos pelo shopping para só deixar entrar gente que pareça ter algum dinheiro para gastar. O shopping é privado, e privado mesmo - inclusive têm câmeras filmando a gente e tal.
A questão da liberdade nos espaços públicos e privados é muito importante. Podemos aceitar alguns limites, que são os limites da civilização. É muito errado um restaurante (ou um shopping) se negar a aceitar, por exemplo, negros.
Mas será que um bar só pra mulher é necessariamente discriminação contra homens? E um bar só pra homem é discriminação contra mulher?
Vale pensar a respeito e vale discutir. Eu, pessoalmente, não tenho muita certeza. Só tenho certeza que nesses casos de liberdade, sempre acho melhor errar para o lado de mais liberdade do que para o lado de menos. E de vez em quando, é muito bom ficar em um lugar livre de crianças.

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