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O novo iPhone e a eterna lição de Steve Jobs

Postado por admin em 12 de setembro de 2017 às 09:01 em Sem categoria | Nenhum comentário

apple iphone8 launch 21 O novo iPhone e a eterna lição de Steve Jobs [1]

Em uma matéria de capa da revista Fortune em 1998, Steve Jobs abriu o jogo sobre seus planos para a Apple: "a referência é a Sony". Ele queria fazer de sua marca de computadores uma referência de qualidade e inovação inquestionáveis, como a empresa japonesa conquistou nos eletrônicos de consumo - TV, som, Walkman.
Já tive milhares de revistas em casa. Joguei fora 95% quando parei de editar revistas. Essa é uma das poucas que guardei. Tem um significado especial para mim. Aprendi muito com Steve, como muitos de nós. No meu caso, a ficha demorou um pouco para cair.
Steve conseguiu ser "a Sony dos computadores" e mais. Anos após sua morte, a Apple segue a empresa mais valiosa do mundo. Cada novo lançamento é cercado de suspense. Agora é o caso dos novos iPhones 8 e X (agora sem cabinho para carregar, sem botãozinho de home, com tela Oled etc.). E das versões melhoradas do Apple Watch, AppleTV e tal.
Tudo bacana e compraremos, os sortudos entre nós que puderem pagar por isso. Mas a Apple não "inova" faz tempo, no sentido habitual que o setor de tecnologia dá à palavra inovar. Tem os mesmos produtos de sempre: computador de mesa e laptop em duas versões, para a casa e o escritório; ipad idem; o iPhone novo e o modelo anterior. É pouco, quase nada. É tudo que importa. O sistema operacional, softwares e serviços são para vender os aparelhos, que é de onde vem a grana.
A empresa continua tirando a maior parte de sua receita e lucros do iPhone, que já tem dez anos, e não mudou conceitualmente desde seu lançamento. É mais potente, tela mais bonita, câmera melhor. É a diferença entre um carro do século 20 e o modelo do ano: pouca.
O destino da Apple em 2017 estava claro naquela longíqua entrevista de Jobs. Que foi um jovem encantado com a cultura oriental, com o zen-budismo e com o Japão. A Sony é a mais americana das empresas japonesas. E a Apple é a mais japonesa das empresas americanas.
Os japoneses adoram novidade, mas veneram a permanência. Sem contradição nem angústia. Em nenhum lugar o moderno e o eterno convivem com tanta harmonia.
Se for para resumir a atitude japonesa com relação à criação - seja de uma empresa, uma faca de cozinha, uma obra de arte ou um telefone celular - dá para reduzir a esta essência:
- Faça pouco
- Faça muito bem
- Seja reconhecido como um mestre na sua especialidade
- Comunique bem o que você faz
- Cobre caro pela qualidade superior.
- Repita.
Isto é criação. Isso eu aprendi com Steve Jobs, depois de muito tempo. Veja bem, não é o que eu faço - é o que eu almejo a fazer.
Fazer em quantidade, com qualidade média, jogar no mercado e brigar no preço também tem seu lugar. Já fiz muito, quem sabe farei novamente no futuro. Mas é comércio, não criação. Não é tarefa para, digamos, espíritos elevados. Ou talvez maduros; Steve já não era criança em 1998, e muito menos eu sou hoje.
Os observadores da indústria até já desistiram de cobrar o próximo grande produto da Apple - o televisor holográfico, o automóvel sem motorista, a impressora 3D, o foguete, o robô. Continuamos torcendo, a cada novo evento da Apple.
Difícil. A Apple não atrai nem atrairá os cérebros mais inovadores, que no Vale do Silício vão para empresas iniciantes, onde terão ações e, se cair um raio, serão os próximos bilionários, os próximos Steve Jobs. Que diferença do Brasil...
Também não vemos a Apple apresentando modelos de negócio disruptivos, liderando na adoção de padrões empresariais inovadores, abraçando causas ambientalistas ou reinventando a roda. A Apple não apresenta grandes novidades porque, ué, não precisa. Assim está ótimo pros acionistas. O cofre está lotado, os fãs fazem fila. A necessidade é a mãe da invenção. A Apple não entrará para a história pela nova versão do iPhone. Não importa.
Tim Cook é um sucessor digno de Jobs, porque igualmente oriental em sua visão da Apple. O que vale é a perfeição da criação. O que foi e o que será são pouco importantes. Só existe o agora, e a vida passa rápido demais, até para gente como Steve jobs. Outra iluminação do Oriente, outra lição que eu quero aprender...

Fortune Nov. 9 1998 O novo iPhone e a eterna lição de Steve Jobs [2]

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