Posts com a categoria: Cinema

Publicado em 17/11/2014 às 07:00

Faça o que eu digo: embarque em Night Train, de Martin Amis

amis and hitchens 1 Faça o que eu digo: embarque em <i>Night Train</i>, de Martin Amis

Sou fã de livros secretos de autores conhecidos. Aqueles que nunca entram nas listas de leituras obrigatórias. Que são esquecidos depois de uns anos, obras "menores". Esse é um caso clássico. Grande autor, pequeno livro. Mas vai em velocidade de bala até um final irritantamente inconclusivo. E por isso mesmo, perfeito (e, sim, é Christopher Hitchens ao lado de Amis na foto acima, giovanottos, anos 70...).

Publicado em 14/11/2014 às 08:00

Faça o que eu digo: leia o mangá antes de assistir No Limite do Amanhã

maga Faça o que eu digo: leia o mangá antes de assistir <i>No Limite do Amanhã</i>

O mangá é ficção científica. O filme inspirado nele é uma comédia romântica - Tropas Estelares no Feitiço do Tempo. Li a tradução para o inglês, All You Need is Kill, e vi o DVD, tudo no mesmo final de semana.  Faça isso, ou espere a versão brasileira do mangá. Foi anunciado para breve, pela JBC. Mas tenho boas razões para te dizer para ler antes de assistir - e elas estão aqui.

Publicado em 24/10/2013 às 11:12

Sobre livrinhos, livrões, iPads e tubarões

foto Sobre livrinhos, livrões, iPads e tubarões

Douglas Adams: "um livro é como um tubarão"

Acostumo lentamente a ler em tablet e smartphone. Artigos, ensaios, não ficção. Para histórias inventadas, o papel continua tendo mais poder sobre mim. Com o tempo mudarei, quem sabe. Hoje, a tela e seus toques e possibilidades me distraem. Ficção requer imersão. E paixão.

Anos atrás comprei um Kindle, um dos primeiros. A ideia era sedutora: uma engenhoca em que eu poderia comprar livros gringos instantaneamente, gastando menos, e carregar todos comigo por aí. Comprei uns dez livros. Não acabei nenhum. A falta de massa, de presença física, facilitava que eu ignorasse aqueles milhões de letrinhas. Abandonei. Dei para alguém o Kindle. Hoje percebo que meu erro foi comprar ficção.

Mas continuo fã do Kindle, e clientão da Amazon. Comprei meu primeiro tablet há três meses, um iPad. Uso comedidamente, até porque meu filho tende a monopolizar o bicho, tagarelando via Skype com os amigos enquanto assiste ao YouTuber do momento. Recentemente descobri um aplicativo chamado Send to Kindle. É mais que uma mão na roda, é uma nova maneira de devorar conteúdo da web. Você baixa e instala no seu browser. Fica um botãozinho com o K de Kindle lá. Quando você está em uma página qualquer da web, e tromba com aquele artigão comprido que você quer ler, mas não tem tempo agora, ou está com preguiça, é só clicar no botão do Send to Kindle.

Plim! O artigo é enviado para o seu tablet, e salvo em formato de texto limpinho, sem banners, pop-ups, links e tal. Tá lá pra sempre, na sua biblioteca. Naturalmente, você precisa ter um Kindle, ou um tablet qualquer. E baixar o aplicativo Kindle para o seu tablet Apple, Android ou Windows. Agora leio meu Guardian de cada dia no celular, no metrô e ônibus. Coisa simples que enriquece a vida.

O que não me pega de jeito nenhum em tablet é gibi. A tela é pequena e mostra uma página por vez. Depois de 42 anos vendo ao mesmo tempo duas páginas, com desenhos em formato grande, e letras em tamanho legível, não tenho a menor vontade de mudar. E como ando especialmente seletivo com gibi (por quê? Não sei), a torrente de lançamentos semanais não me seduz.

Esses dias estive na casa do Miranda, amigo querido que compartilha comigo a tara por quadrinhos. As paredes da sala dele são ocupadas de cima a baixo por estantes cheias de álbuns, graphic novels, revistas. Só finesse. Dá gosto só de estar ali, vendo aquelas lombadas, cercado de histórias absurdas, imagens incríveis, papel cheiroso. Eu queria ter um ano numa dimensão paralela para ler tudo que está ali, sem pressa, offline, pernas pro ar. E sempre que vou lá ele me dá algum gibi que agora tem encadernado, ou que comprou repetido. Como esse, desenho delicado, argumento embasbacante: Red Handed, do Matt Kindt. Quem tem amigo tem tudo.

foto 2 Sobre livrinhos, livrões, iPads e tubarões

Pode ser que quando apareceram tablets bem leves, como esse novo iPad Air, e com telas bem grandes, eu me convença. Mas como dizia Douglas Adams, e Neil Gaiman lembrou esses dias, um livro é como um tubarão. Os tubarões já estavam nos oceanos antes dos dinossauros existirem. E a razão por que eles sobrevivem até hoje, essencialmente os mesmos, é porque os tubarões são excelentes na missão de serem tubarões. Os livros, lembra Gaiman, são "difíceis de destruir, resistentes a banheiras, movidos a energia solar, e dá gosto ter um nas mãos; os livros são ótimos em ser livros." Fato, e eu completaria: os livros podem ser rabiscados, colocados na estante, guardados para seu filho algum dia ler, emprestados para um amigo nunca mais devolver, dados para uma pessoa querida, vendidos para um sebo... e muito mais.

O Brasil tem uma novidade excelente para quem ama livros, uma coisa que eu esperava desde sempre: livros baratos. Me fiz leitor de verdade, onívoro, dos 17 aos 23 anos, matando aula da faculdade e destruindo pockets em inglês, 400 páginas a U$ 3,99. Uns 100% dos livros publicados em inglês têm versão em formatinho, a preço de refrigerante. Inclusive Douglas Adams - li tudo que ele escreveu em papel vagabundo, começando pelo meio, So Long And Thanks for All The Fish. Claro que eu já lia nos anos 70 os pockets infantojuvenis da Ediouro, e pouco depois a melhor ficção científica do mundo com sotaque lusitano, na coleção Europa-América. Um dia Robert Heinlein, no outro Brigitte Montfort!

capa 3 Sobre livrinhos, livrões, iPads e tubarões

O pocket é o formato editorial inclusivo e democrático por excelência, mas no Brasil demorou para vingar. Foi com a megacoleção da LP&M. Só ali já tem leitura para uma vida (as traduções de Shakespeare são uma delícia, algumas por Millôr Fernandes). Agora todas as principais editoras têm suas séries de livros em formatinho, de todo tipo, pra todo leitor, coisas incríveis. Inclusive a Penguin, inventora do formato, prazer ver livros brasileiros com o selo do pinguinzinho, pela Companhia das Letras. Muitos já saíram em formato grande e caro, outros tantos estão saindo pela primeira vez direto em formato pequeno. É minha nova velha mania. Se entro em uma livraria, vou direto onde estão os pockets. A L&PM bolou uma genial: a coleção 64, só com livros de 64 páginas, sempre por cinco reais.

Nas últimas semanas, dois pequenos notáveis: Sobre a Amizade e Outros Diálogos, antologia de papos radiofônicos entre Jorge Luiz Borges e Osvaldo Ferrari. E Onde Encontrar a Sabedoria?, de Harold Bloom, que sorvo agora (originalmente R$ 52,90 em formato tradicional, paguei R$ 19,90 pelo formatinho). Mais que leituras agradáveis e enriquecedoras, os livrinhos são amigos que me acompanham na mochila, na pasta, na cama e no final de semana. Delícia ver e rever a capa com Borges descabelado, o estrabismo fitando um Aleph? Sua companhia me fez pensar que deveria escrever sobre este livro, o que faço agora, por vias tortíssimas. Será que eu sentiria o mesmo, se tivesse lido em formato digital? Por enquanto, não. Elétrons me bastam para o trabalho. Para o prazer, ainda sou amante dos átomos.

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Publicado em 22/10/2013 às 10:52

Neil Gaiman: o poder e o prazer da leitura


  "Uma vez eu estava em Nova York e assisti uma palestra sobre o negócio de construir penitenciárias - uma indústria que cresce muito na América. Eles precisam planejar seu crescimento futuro - quantas celas vão precisar? Quantos prisioneiros vão estar na cadeia, digamos, daqui a 15 anos? E eles descobriram que conseguem prever isso muito facilmente, usando um algoritmo muito simples, baseado na porcentagem de crianças de 10 a 11 anos que não conseguem ler."

"Os Chineses promoveram sua primeira convenção de fantasia e ficção científica em 2007, eu estava lá. Perguntei, por que agora? Responderam: nós Chineses somos brilhantes para copiar os outros, mas somos fracos em inovação. Não inventamos nada, não imaginamos coisas novas. Então o governo mandou uma delegação aos EUA, para visitar a Apple, a Microsoft, o Google, e conhecer como eram as pessoas que estavam lá inventando o futuro. E todos eles tinham lido ficção científica, quando eram meninos ou meninas."

Com argumentos como esses, fica difícil resistir ao gentil manifesto de Neil Gaiman pela leitura, pelas bibliotecas, e principalmente pelo prazer de ler. Os parágrafos fazem parte de uma palestra que ele deu recentemente em favor da The Reading Agency, uma organização que promove a leitura no Reino Unido. É o cara certo para esta pregação. Neil Gaiman vive entre a alta literatura e o gibi, entre Borges e Hollywood, a mitologia e o rock'n'roll. Nunca sacrificou o apelo pop para impressionar a crítica. Escreve para crianças, adolescentes, adultos - frequentemente, ao mesmo tempo. Agora, colhe os frutos de um bem-sucedido romance "adulto"e semiautobiográfico para todas as idades, O Oceano no Fim do Caminho, e retoma os quadrinhos que fizeram sua fama com Sandman: Overture.

Neil, cinquentão, sempre de preto, ainda posa de rockstar dark-fofo e derrete as fãs. Mas devagarinho se converte em outro arquétipo: o velho sábio, sarrista e um pouco ranzinza, que tem muito a ensinar. Suas palavras são brisa suave que sopra pra longe o cinismo. Reproduzo sua preleção, em inglês, e não resisto a traduzir uns trechinhos.

"A ficção é uma porta para a leitura em geral. O impulso de querer saber o que acontecerá depois, de virar a página, de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está com um problema e você quer saber como vai ser o fim da história - é um impulso muito real. E te força a aprender palavras novas, a pensar pensamentos novos, a continuar... e quando você aprende isso, está na estrada para ler tudo."

"A maneira mais simples de garantir que criaremos crianças alfabetizadas é ensiná-las a ler, e mostrar que ler é um prazer. Qualquer livro que elas curtam..."

"Ficção constrói empatia. Quando você vê TV ou um filme, está olhando coisas acontecendo com outras pessoas. Ficção em prosa é algo que você constrói com 26 letras e um punhado de pontuação, e você, só você, usando sua imaginação, cria um mundo e pessoas nele e olha através de outros olhos. Sente coisas, visita lugares e mundos... aprende que todas as outras pessoas lá fora também são um eu. Você está sendo outra pessoa, e quando volta ao seu próprio mundo, está ligeiramente transformado. Empatia é uma ferramenta para reunir pessoas em grupos, e permite que funcionemos como mais que um indivíduo obcecado por si mesmo."

"Ficção pode mostrar um mundo diferente. Depois que você visitou outros mundos... nunca mais estará inteiramente satisfeito com o mundo em que você cresceu. Insatisfação é uma coisa boa: pessoas insatisfeitas podem modificar e melhorar seus mundos, fazê-los melhores, transformá-los."

"Todos nós - adultos e crianças, escritores e leitores - temos obrigação de sonhar acordados. Temos obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar nada, que estamos em um mundo em que a sociedade é enorme e o indivíduo menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz numa plantação. Mas a verdade é que indivíduos mudam o mundo o tempo todo, indivíduos fazem o futuro, e eles o fazem imaginando que as coisas podem ser diferentes."

1 Neil Gaiman: o poder e o prazer da leitura

Ilustração de Sandman: Overture

Neil e o artista Dave McKean relembram a criação de Sandman. Leia aqui!

A palestra de Gaiman inteira:

It's important for people to tell you what side they are on and why, and whether they might be biased. A declaration of members' interests, of a sort. So, I am going to be talking to you about reading. I'm going to tell you that libraries are important. I'm going to suggest that reading fiction, that reading for pleasure, is one of the most important things one can do. I'm going to make an impassioned plea for people to understand what libraries and librarians are, and to preserve both of these things.

And I am biased, obviously and enormously: I'm an author, often an author of fiction. I write for children and for adults. For about 30 years I have been earning my living though my words, mostly by making things up and writing them down. It is obviously in my interest for people to read, for them to read fiction, for libraries and librarians to exist and help foster a love of reading and places in which reading can occur.

So I'm biased as a writer. But I am much, much more biased as a reader. And I am even more biased as a British citizen.

And I'm here giving this talk tonight, under the auspices of the Reading Agency: a charity whose mission is to give everyone an equal chance in life by helping people become confident and enthusiastic readers. Which supports literacy programs, and libraries and individuals and nakedly and wantonly encourages the act of reading. Because, they tell us, everything changes when we read.

And it's that change, and that act of reading that I'm here to talk about tonight. I want to talk about what reading does. What it's good for.

I was once in New York, and I listened to a talk about the building of private prisons – a huge growth industry in America. The prison industry needs to plan its future growth – how many cells are they going to need? How many prisoners are there going to be, 15 years from now? And they found they could predict it very easily, using a pretty simple algorithm, based on asking what percentage of 10 and 11-year-olds couldn't read. And certainly couldn't read for pleasure.

It's not one to one: you can't say that a literate society has no criminality. But there are very real correlations.

And I think some of those correlations, the simplest, come from something very simple. Literate people read fiction.

Fiction has two uses. Firstly, it's a gateway drug to reading. The drive to know what happens next, to want to turn the page, the need to keep going, even if it's hard, because someone's in trouble and you have to know how it's all going to end … that's a very real drive. And it forces you to learn new words, to think new thoughts, to keep going. To discover that reading per se is pleasurable. Once you learn that, you're on the road to reading everything. And reading is key. There were noises made briefly, a few years ago, about the idea that we were living in a post-literate world, in which the ability to make sense out of written words was somehow redundant, but those days are gone: words are more important than they ever were: we navigate the world with words, and as the world slips onto the web, we need to follow, to communicate and to comprehend what we are reading. People who cannot understand each other cannot exchange ideas, cannot communicate, and translation programs only go so far.

And the second thing fiction does is to build empathy. When you watch TV or see a film, you are looking at things happening to other people. Prose fiction is something you build up from 26 letters and a handful of punctuation marks, and you, and you alone, using your imagination, create a world and people it and look out through other eyes. You get to feel things, visit places and worlds you would never otherwise know. You learn that everyone else out there is a me, as well. You're being someone else, and when you return to your own world, you're going to be slightly changed.

Empathy is a tool for building people into groups, for allowing us to function as more than self-obsessed individuals.

The simplest way to make sure that we raise literate children is to teach them to read, and to show them that reading is a pleasurable activity. And that means, at its simplest, finding books that they enjoy, giving them access to those books, and letting them read them.

I don't think there is such a thing as a bad book for children. Every now and again it becomes fashionable among some adults to point at a subset of children's books, a genre, perhaps, or an author, and to declare them bad books, books that children should be stopped from reading. I've seen it happen over and over; Enid Blyton was declared a bad author, so was RL Stine, so were dozens of others. Comics have been decried as fostering illiteracy.

It's tosh. It's snobbery and it's foolishness. There are no bad authors for children, that children like and want to read and seek out, because every child is different. They can find the stories they need to, and they bring themselves to stories. A hackneyed, worn-out idea isn't hackneyed and worn out to them. This is the first time the child has encountered it. Do not discourage children from reading because you feel they are reading the wrong thing. Fiction you do not like is a route to other books you may prefer. And not everyone has the same taste as you.

Well-meaning adults can easily destroy a child's love of reading: stop them reading what they enjoy, or give them worthy-but-dull books that you like, the 21st-century equivalents of Victorian "improving" literature. You'll wind up with a generation convinced that reading is uncool and worse, unpleasant.

We need our children to get onto the reading ladder: anything that they enjoy reading will move them up, rung by rung, into literacy. (Also, do not do what this author did when his 11-year-old daughter was into RL Stine, which is to go and get a copy of Stephen King's Carrie, saying if you liked those you'll love this! Holly read nothing but safe stories of settlers on prairies for the rest of her teenage years, and still glares at me when Stephen King's name is mentioned.)

And the second thing fiction does is to build empathy. When you watch TV or see a film, you are looking at things happening to other people. Prose fiction is something you build up from 26 letters and a handful of punctuation marks, and you, and you alone, using your imagination, create a world and people it and look out through other eyes. You get to feel things, visit places and worlds you would never otherwise know. You learn that everyone else out there is a me, as well. You're being someone else, and when you return to your own world, you're going to be slightly changed.

Empathy is a tool for building people into groups, for allowing us to function as more than self-obsessed individuals.

You're also finding out something as you read vitally important for making your way in the world. And it's this:

The world doesn't have to be like this. Things can be different.

I was in China in 2007, at the first party-approved science fiction and fantasy convention in Chinese history. And at one point I took a top official aside and asked him Why? SF had been disapproved of for a long time. What had changed?

It's simple, he told me. The Chinese were brilliant at making things if other people brought them the plans. But they did not innovate and they did not invent. They did not imagine. So they sent a delegation to the US, to Apple, to Microsoft, to Google, and they asked the people there who were inventing the future about themselves. And they found that all of them had read science fiction when they were boys or girls.

Fiction can show you a different world. It can take you somewhere you've never been. Once you've visited other worlds, like those who ate fairy fruit, you can never be entirely content with the world that you grew up in. Discontent is a good thing: discontented people can modify and improve their worlds, leave them better, leave them different.

And while we're on the subject, I'd like to say a few words about escapism. I hear the term bandied about as if it's a bad thing. As if "escapist" fiction is a cheap opiate used by the muddled and the foolish and the deluded, and the only fiction that is worthy, for adults or for children, is mimetic fiction, mirroring the worst of the world the reader finds herself in.

If you were trapped in an impossible situation, in an unpleasant place, with people who meant you ill, and someone offered you a temporary escape, why wouldn't you take it? And escapist fiction is just that: fiction that opens a door, shows the sunlight outside, gives you a place to go where you are in control, are with people you want to be with(and books are real places, make no mistake about that); and more importantly, during your escape, books can also give you knowledge about the world and your predicament, give you weapons, give you armour: real things you can take back into your prison. Skills and knowledge and tools you can use to escape for real.

As JRR Tolkien reminded us, the only people who inveigh against escape are jailers.

Another way to destroy a child's love of reading, of course, is to make sure there are no books of any kind around. And to give them nowhere to read those books. I was lucky. I had an excellent local library growing up. I had the kind of parents who could be persuaded to drop me off in the library on their way to work in summer holidays, and the kind of librarians who did not mind a small, unaccompanied boy heading back into the children's library every morning and working his way through the card catalogue, looking for books with ghosts or magic or rockets in them, looking for vampires or detectives or witches or wonders. And when I had finished reading the children's' library I began on the adult books.

They were good librarians. They liked books and they liked the books being read. They taught me how to order books from other libraries on inter-library loans. They had no snobbery about anything I read. They just seemed to like that there was this wide-eyed little boy who loved to read, and would talk to me about the books I was reading, they would find me other books in a series, they would help. They treated me as another reader – nothing less or more – which meant they treated me with respect. I was not used to being treated with respect as an eight-year-old.

But libraries are about freedom. Freedom to read, freedom of ideas, freedom of communication. They are about education (which is not a process that finishes the day we leave school or university), about entertainment, about making safe spaces, and about access to information.

I worry that here in the 21st century people misunderstand what libraries are and the purpose of them. If you perceive a library as a shelf of books, it may seem antiquated or outdated in a world in which most, but not all, books in print exist digitally. But that is to miss the point fundamentally.

I think it has to do with nature of information. Information has value, and the right information has enormous value. For all of human history, we have lived in a time of information scarcity, and having the needed information was always important, and always worth something: when to plant crops, where to find things, maps and histories and stories – they were always good for a meal and company. Information was a valuable thing, and those who had it or could obtain it could charge for that service.

In the last few years, we've moved from an information-scarce economy to one driven by an information glut. According to Eric Schmidt of Google, every two days now the human race creates as much information as we did from the dawn of civilisation until 2003. That's about five exobytes of data a day, for those of you keeping score. The challenge becomes, not finding that scarce plant growing in the desert, but finding a specific plant growing in a jungle. We are going to need help navigating that information to find the thing we actually need.

Libraries are places that people go to for information. Books are only the tip of the information iceberg: they are there, and libraries can provide you freely and legally with books. More children are borrowing books from libraries than ever before – books of all kinds: paper and digital and audio. But libraries are also, for example, places that people, who may not have computers, who may not have internet connections, can go online without paying anything: hugely important when the way you find out about jobs, apply for jobs or apply for benefits is increasingly migrating exclusively online. Librarians can help these people navigate that world.

I do not believe that all books will or should migrate onto screens: as Douglas Adams once pointed out to me, more than 20 years before the Kindle turned up, a physical book is like a shark. Sharks are old: there were sharks in the ocean before the dinosaurs. And the reason there are still sharks around is that sharks are better at being sharks than anything else is. Physical books are tough, hard to destroy, bath-resistant, solar-operated, feel good in your hand: they are good at being books, and there will always be a place for them. They belong in libraries, just as libraries have already become places you can go to get access to ebooks, and audiobooks and DVDs and web content.

A library is a place that is a repository of information and gives every citizen equal access to it. That includes health information. And mental health information. It's a community space. It's a place of safety, a haven from the world. It's a place with librarians in it. What the libraries of the future will be like is something we should be imagining now.

Literacy is more important than ever it was, in this world of text and email, a world of written information. We need to read and write, we need global citizens who can read comfortably, comprehend what they are reading, understand nuance, and make themselves understood.

Libraries really are the gates to the future. So it is unfortunate that, round the world, we observe local authorities seizing the opportunity to close libraries as an easy way to save money, without realising that they are stealing from the future to pay for today. They are closing the gates that should be open.

According to a recent study by the Organisation for Economic Cooperation and Development, England is the "only country where the oldest age group has higher proficiency in both literacy and numeracy than the youngest group, after other factors, such as gender, socio-economic backgrounds and type of occupations are taken into account".

Or to put it another way, our children and our grandchildren are less literate and less numerate than we are. They are less able to navigate the world, to understand it to solve problems. They can be more easily lied to and misled, will be less able to change the world in which they find themselves, be less employable. All of these things. And as a country, England will fall behind other developed nations because it will lack a skilled workforce.

Books are the way that we communicate with the dead. The way that we learn lessons from those who are no longer with us, that humanity has built on itself, progressed, made knowledge incremental rather than something that has to be relearned, over and over. There are tales that are older than most countries, tales that have long outlasted the cultures and the buildings in which they were first told.

I think we have responsibilities to the future. Responsibilities and obligations to children, to the adults those children will become, to the world they will find themselves inhabiting. All of us – as readers, as writers, as citizens – have obligations. I thought I'd try and spell out some of these obligations here.

I believe we have an obligation to read for pleasure, in private and in public places. If we read for pleasure, if others see us reading, then we learn, we exercise our imaginations. We show others that reading is a good thing.

We have an obligation to support libraries. To use libraries, to encourage others to use libraries, to protest the closure of libraries. If you do not value libraries then you do not value information or culture or wisdom. You are silencing the voices of the past and you are damaging the future.

We have an obligation to read aloud to our children. To read them things they enjoy. To read to them stories we are already tired of. To do the voices, to make it interesting, and not to stop reading to them just because they learn to read to themselves. Use reading-aloud time as bonding time, as time when no phones are being checked, when the distractions of the world are put aside.

We have an obligation to use the language. To push ourselves: to find out what words mean and how to deploy them, to communicate clearly, to say what we mean. We must not to attempt to freeze language, or to pretend it is a dead thing that must be revered, but we should use it as a living thing, that flows, that borrows words, that allows meanings and pronunciations to change with time.

We writers – and especially writers for children, but all writers – have an obligation to our readers: it's the obligation to write true things, especially important when we are creating tales of people who do not exist in places that never were – to understand that truth is not in what happens but what it tells us about who we are. Fiction is the lie that tells the truth, after all. We have an obligation not to bore our readers, but to make them need to turn the pages. One of the best cures for a reluctant reader, after all, is a tale they cannot stop themselves from reading. And while we must tell our readers true things and give them weapons and give them armour and pass on whatever wisdom we have gleaned from our short stay on this green world, we have an obligation not to preach, not to lecture, not to force predigested morals and messages down our readers' throats like adult birds feeding their babies pre-masticated maggots; and we have an obligation never, ever, under any circumstances, to write anything for children that we would not want to read ourselves.

We have an obligation to understand and to acknowledge that as writers for children we are doing important work, because if we mess it up and write dull books that turn children away from reading and from books, we 've lessened our own future and diminished theirs.

We all – adults and children, writers and readers – have an obligation to daydream. We have an obligation to imagine. It is easy to pretend that nobody can change anything, that we are in a world in which society is huge and the individual is less than nothing: an atom in a wall, a grain of rice in a rice field. But the truth is, individuals change their world over and over, individuals make the future, and they do it by imagining that things can be different.

Look around you: I mean it. Pause, for a moment and look around the room that you are in. I'm going to point out something so obvious that it tends to be forgotten. It's this: that everything you can see, including the walls, was, at some point, imagined. Someone decided it was easier to sit on a chair than on the ground and imagined the chair. Someone had to imagine a way that I could talk to you in London right now without us all getting rained on.This room and the things in it, and all the other things in this building, this city, exist because, over and over and over, people imagined things.

We have an obligation to make things beautiful. Not to leave the world uglier than we found it, not to empty the oceans, not to leave our problems for the next generation. We have an obligation to clean up after ourselves, and not leave our children with a world we've shortsightedly messed up, shortchanged, and crippled.

We have an obligation to tell our politicians what we want, to vote against politicians of whatever party who do not understand the value of reading in creating worthwhile citizens, who do not want to act to preserve and protect knowledge and encourage literacy. This is not a matter of party politics. This is a matter of common humanity.

Albert Einstein was asked once how we could make our children intelligent. His reply was both simple and wise. "If you want your children to be intelligent," he said, "read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales." He understood the value of reading, and of imagining. I hope we can give our children a world in which they will read, and be read to, and imagine, and understand.

Ouça Neil Gaiman lendo algumas de suas histórias aqui.

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Publicado em 24/09/2012 às 08:35

50 Tons de Cinza: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

James fifty shades trilogy <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

50 Tons de Cinza é o fenômeno literário do momento. No Brasil, vendeu mais de 300 mil exemplares desde seu lançamento, há nem dois meses. No mundo, mais de 40 milhões de cópias. Já é o maior best-seller da história do Reino Unido: 5,5 milhões de cópias vendidas. Já rendeu uma trilogia, e se encaminha para o cinema. Os direitos foram vendidos por cinco milhões de dólares para a Universal. A boataria sobre o elenco já começou. Daqui a pouco vão aparecer produtos com a marca 50 Shades of Grey. Calcinhas?

Há quem atribua o sucesso ao fato de que hoje as leitoras podem ler nos tablets, e neles ninguém sabe o que está sendo lido. Discordo. 50 Tons tem a mesma qualidade que revista Playboy sempre teve: pode ser carregado e lido em público, deixado na sala e tal. É sexy, mas comportado. Vi uma moça lendo compenetrada no metrô de São Paulo. Pornografia que não excita é pornografia? Ou essas garotas de hoje são mestras do disfarce?

Bati o olho numa livraria - você não queria que eu lesse, né? A protagonista, Anastasia, apelido Ana, é uma virgem de 22 anos. Se entrega a jogos de submissão light, nas mãos de um encantador e elegante milionário, Christian, 27 anos. Parece aqueles livrinhos Sabrina, erotismo leve.

Não me pega, como pornografia. Homem, dizem, é mais visual... Mas já li textos que me falaram aos, hm, hormônios, e 50 Tons não, e duvido que interesse homem. É, como se dizia antigamente, romance pra moças. Nasceu como fanfic, fan fiction, ficção sobre personagens populares, criada por fãs. Erika Leonard, pseudônimo E.L. James, escreveu e publicou na internet contos picantes com o casal do fenômeno Crepúsculo, Bella e Edward, a mocinha inocente e seu namorado vampiro. Era uma de milhares.

Fanfic tem décadas de idade. É coisa de mulher. Um número enorme das histórias tem perfumes eróticos, e frequentemente homoeróticos (Batman com Robin, Kirk com Spock e por aí vai). A internet fez da diversão de fãs negócio sério. Erika tem 48 anos, marido e dois filhos adolescentes. Diz que 50 Tons é sua crise da meia-idade; todas as fantasias ali são suas.  Foi eleita uma das cem pessoas mais influentes do mundo em 2012 pela revista Time.

Mal escrito? Quem escreve mal sou eu, não Erika, que já está milionária... Não cabe aqui discussão sobre qualidades literárias. Fenômeno é para ser entendido. Minha explicação é demográfica: quem está lendo 50 Tons de Cinza são as leitoras de Harry Potter. A série do menino mago foi lançada em 1997. Meninas que tinham 10 anos naquele tempo, e se imaginavam a melhor amiga de Harry, Hermione, hoje têm 25. A protagonista de 50 Tons, Ana, tem 22... a mesma idade atual de Emma Watson, que interpretou Hermione no cinema.

Emma Watson HP <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

Harry Potter era cem por cento de mentirinha. Era o bem contra o mal, em uma estrita e exclusiva escola para jovens mágicos, em uma Inglaterra de faz de conta, com cara de anos 30, nostálgica, sem nenhum problema moderno por perto. Nada de drogas, racismo, desemprego, homens bomba ou poluição no Reino Mágico de Mr. Potter... é uma fantasia, e fantasia infantilista e reaça, o anti-Matrix. A maior parte do sucesso de Harry Potter, e do sucesso renovado de Senhor dos Anéis, se deve a uma crise milenarista, uma reação pânica contra o futuro que chegava explícito e avassalador. Os bisnetos aguados estão por aí, Game of Thrones, etc.

Todo mundo em Harry Potter era casto. A representante da leitorinha, Hermione, nunca deu sinais de menstruação ou curvas, que dirá ir às vias de fato. O fenômeno feminino seguinte, Crepúsculo, botou sexo na roda. Transar ou não com o vampiro gatão? Pergunta que só não tem resposta entre garotinhas virgens.

Bella Swan <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

50 Tons dá o passo lógico seguinte. Você já passou dos vinte anos, garota, é hora de ter controle total sobre seu corpo, de assumir responsabilidades – inclusive e especialmente pelo seu prazer. Isso implica explorar as múltiplas possibilidades sexuais que o século 21 oferece para moças, pelo menos as mais abonadas, pelo menos nas grandes metrópoles. Para fazer isso sem carregar culpa, é necessário que a iniciativa não seja da mulher, mas do homem. Não é Ana que propõe correntes, algemas ou chicotinhos, ela só se submete.

Há quem diga que essas leitoras de 50 Tons estão cansadas de tanto feminismo, tanta liberdade, tanta banalização. Que querem ser dominadas pelos machos, submetidas. Besteira. Essas mulheres nos vinte e poucos anos querem é ser livres, sexualmente, e satisfeitas, sexualmente.

Elas estudam, trabalham e têm todos os deveres profissionais dos machos - sem ter, ainda, a dupla jornada de que poucas mulheres escapam. Claro que parte de ser livre inclui a liberdade de se submeter, se assim a moça desejar... 50 Tons de Cinza é a versão ficcional destes Guias Lacrados do Sexo das revistas femininas: mezzo auto-ajuda, mezzo fantasia. Anastasia é Hermione, crescida, em ponto de bala, prontíssima para o abate - e para atacar também.

Emma Watson <i>50 Tons de Cinza</i>: Hermione cresceu e quer transar – sem culpas

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Publicado em 22/08/2012 às 11:48

Dez livros de jornalismo que fizeram minha cabeça

Na última semana de junho de 2012, gravei dez vídeos sobre livros que foram muito importantes na minha formação. Não livros quaisquer: livros de jornalismo. De entrevistas, anotações, artigos, perfis, grandes reportagens, e um romance jornalístico.

Selecionei de bate-pronto, fuçando na minha zoada biblioteca. Li todos entre os 15 e 25 anos, e maioria nunca reli. Enfiei em uma mochila, e no dia seguinte fui até o R7. Preparação zero, inventei uma ordem. Não cronológica, nem lógica, nem sentimental - um pouco de cada coisa. Câmera ligada e vamo lá.

Em retrospecto, teria ficado bem melhor se eu tivesse me preparado, mas a vida é assim... E, na prática, eu não queria apresentar formalmente cada um dos livros, ou defender a importância de cada um. Queria compartilhar minha emoção de ter cada um novamente nas mãos. Não é um canône. É, como tudo que faço neste blog, reminiscências, ou, se preferir, biografia.

Narcisismo à parte, os livros são importantes para profissionais de comunicação, estudantes atuais ou futuros da área. Também se sustentam como entretenimento inteligente. São leitura agradável e instigante para qualquer um.

Perdão pela trilha sonora, colocada à minha revelia e contra minhas instruções expressas. Nos próximos vídeos, se houver trilha, ela será escolhida por mim. Sim, haverão próximos. Daqui para frente, este blog terá mais conteúdo em vídeo. É da natureza das plataformas digitais. Nunca quis trabalhar em televisão, mas sou bem sem vergonha na frente das câmeras. Deixa que chuto... e blog é para essas coisas - para aprender na frente de todo mundo.

Por isso, farei vídeos gravados, mas ao vivo. E por isso mantenho o vídeo em que cometi uma indelicadeza imperdoável com José Onofre, jornalista, editor e escritor de talento, que nos deixou jovem demais.

Os livros são:

Paulo Francis Nu e Cru
As Entrevistas do Pasquim
Trinta Anos de Mim Mesmo, Millôr Fernandes
Contracomunicação, Décio Pignatari
Garotos da Fuzarca, Ivan Lessa
Sobras de Guerra, José Onofre
Negócio Seguinte, Luiz Carlos Maciel
Os Cães Ladram, Truman Capote
Os Exércitos da Noite, Norman Mailer
Las Vegas na Cabeça, Hunter S. Thompson

[r7video]

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Publicado em 17/08/2012 às 08:35

A Regra dos 15: quando você deve largar um livro, um filme, uma música

Meu pai criou a regra: se você está vendo um filme e ele não te pegou até os 15 minutos, pare. Ele não vai te pegar mais. Adotei.

Expandi no que chamo de A Regra dos 15 e sigo à risca. Escrevi sobre isso anos atrás. O texto se perdeu. Recupero.

Se o filme não te pegou até os 15 minutos, pare.

Se o livro não te pegou nas primeiras 15 páginas, pare.

Se a canção não te pegou nos primeiros quinze segundos, pare.

Você pode até voltar a eles algum dia. Ou não. Eu, não.

A vida é curta.

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Publicado em 01/08/2012 às 12:46

Gore Vidal

Nunca houve ou haverá alguém remotamente parecido com Gore Vidal. Foi bonito, inteligente e cruel como um deus grego, um Apolo sulista. Morreu lenda e ruína aos 86 anos.

Mente e língua mantinham o fio. Sua morte enterra uma era. Vidal foi monumento a um tempo próximo que já cheira a antiguidade: quando escritores eram maiores que a vida e importavam. Foi famoso além de sua obra.

Romancista de prestígio, roteirista mercenário, vendeu seu talento a Hollywood e namorou Washington, sem nunca abandonar a literatura. Cortejou a celebridade e foi figurinha fácil em programas de  debates na TV.

Ativista, nunca abriu mão da independência irrascível. Não fugiu da raia política e jamais foi politicamente correto. Era elegante; um príncipe, se existissem príncipes americanos.

forasta Gore Vidal
Escreveu sobre seu tempo e romances históricos; farsas e ficção-científica; policiais de aluguel. Era mestre dos ensaios, onde não há quem se compare em elegância, clareza e provocação. Homossexual voraz, manteve o mesmo companheiro por 53 anos.

Também transou mulheres, algumas famosas. Parente de Jimmy Carter, foi do círculo dos Kennedy, que não temeu criticar, como a todos os presidentes que o seguiram, sem piedade. Amou a América tão profundamente que a abandonou, por Roma e depois, Ravello, jóia amalfitana, condizente com sua postura patrícia.

Inimigo feroz do establishment, era meritocrata intransigente. Lutou as principais batalhas de duas gerações. Elegeu os inimigos certos, e não os perdoava ou pedia desculpas. Quando morreu um deles, Gore fuzilou: "que descanse no inferno... onde encontrará aqueles que serviu durante a vida."

Merece homenagem além do meu tempo e talento. Traio algumas de suas pérolas, convertendo seu inglês delicioso ao meu português pedestre. E imploro: leia sua antologia de ensaios. United States: Essays 1952-1992 é imortal e será leitura obrigatória enquanto houver civilização.

forasta 3 ok Gore Vidal

Nunca perco chance de fazer sexo ou aparecer na televisão.

Qualquer americano que queira concorrer à presidência deveria ser automaticamente desqualificado.

Toda vez que um amigo se dá bem eu morro um pouco.

O segredo do meu longo relacionamento: nunca faça sexo com quem você ama.

Estilo é saber quem você é, o que você quer dizer, e pouco se importar.

Não existem pessoas homossexuais ou heterossexuais. Existem atos homossexuais ou heterossexuais.

Não há problema humano que não possa ser resolvido se as pessoas simplesmente fizerem o que eu recomendo.

Não há boa ação sem punição.

As três palavras mas lindas da nossa língua: Eu te disse.

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