Posts com a categoria: Mundo

Publicado em 11/05/2015 às 17:52

A epidemia de dengue tem uma solução muito simples. E qualquer outra é repelente

a91a5456075807abd519d2760a0eea28 A epidemia de dengue tem uma solução muito simples. E qualquer outra é repelente

Tem desgraça que a gente bota na conta do governo. Tem desgraça que não. Desemprego a gente culpa o presidente. Rua esburaqueada, o prefeito. Governador escapa mais fácil. O que exatamente é responsabilidade do governador do estado? Ninguém sabe direito.

Seca e inundação é sempre culpa lá da madrasta natureza. Falta água em casa porque está chovendo pouco. A enchente levou minha casa porque choveu demais.

Antigamente as epidemias também eram tratadas assim. Na idade média, quando batia a peste negra, era castigo dos céus. Ou vapores invisíveis, alinhamento planetário, aprontada de malévolos estrangeiros, qualquer coisa misteriosa. Menos o que era mesmo: miséria, porcaria, rato, mosquito.

Estamos em 2015. Sabemos muito bem o que causa epidemia. Felizmente a humanidade já foi capaz de exterminar várias e controlar outras. Nesses casos é porque inventamos vacina. Vacina combina com o modo de político lidar com qualquer problema. É de cima para baixo, gastando muita grana, ditando ordens e é isso aí. O governo compra anualmente milhões de doses, e ai do pai que não levar os filhos pra tomar vacina.

Não existe vacina para dengue. Coisa de país subdesenvolvido, pô. Pra quê os laboratórios vão investir em vacina pra miserável? Malária também não tem. Já calvície parece que está pertinho de aparecer o tratamento definitivo.

O Brasil é um país rico com muita pobreza. Mosquito não quer saber se você tem carro importado na garagem. Voa do Capão Redondo ao Morumbi rapidinho. Infecta miseráveis e milionários. Morrem miseráveis, milionários não.

Os especialistas não cansam de explicar que existem três maneiras de enfrentar a dengue. Primeiro, as autoridades têm que borrifar as cidades. É responsabilidade de cada prefeitura. Não cumprida, naturalmente. Detalhe importante: não adianta dar só uma borrifadinha antes do verão, porque agora faz calor no inverno, frio no verão. O clima anda muito doido (e vai ficar cada vez mais louco, com o famoso aquecimento global, igualmente responsabilidade do poder público, nesse caso em nível global).

Os ovos do mosquito Aedes Aegypti se multiplicam na água parada. E no Estado de São Paulo a gente está guardando muito mais água, porque não tem água na torneira, né? Problema também de gestão pública, neste caso estadual. E também sem previsão de solução.

Se prefeituras e governos estaduais não fizeram seu serviço em 2014, ano de relativas vacas gordas, imagine em 2015. Com orçamentos apertados e ajuste fiscal? Vai sonhando.

A questão é que mosquito não conhece fronteira, e a epidemia de dengue finalmente está se tornando nacional. E o Ministério da Saúde finalmente terá que lidar com a dengue em termos nacionais. Com ajuste fiscal ou não.
Quer proteger sua família da dengue, minha amiga? A solução que restou é comprar repelente e esfregar três vezes por dia.

Se você for dar uma caprichada, um tubinho de repelente dura uns três dias. O preço médio é R$ 15,00. Para o mês inteiro, você vai gastar R$ 150,00 em repelente. Numa casa com um casal e dois filhos, são R$ 600,00 mensais.

Considerando que nossos poderosos não fizeram a obrigação de evitar que essa epidemia começasse, agora o mínimo que têm a fazer é pagar pela burrada, e não empurrar a conta pra gente. Até porque 90% das famílias brasileiras não têm condição de desembolsar R$ 600 por mês pra fugir de mosquito, então vão pegar dengue. É mais criança e velhinho morrendo. É mais força pra dengue se alastrar.

Em outras épocas talvez se considerasse a criação da Dengue-brás. Em época de operação Lava-Jato, ficou difícil.

O que resta é a criação do Bolsa-Dengue. Mesadinha de R$ 150,00 para cada brasileiro se lambuzar de óleo anti-mosquito. São trinta bilhões de reais por mês. Qualquer outra solução é repelente.

Publicado em 02/04/2015 às 07:00

Com a redução da maioridade penal, a violência não vai diminuir – vai aumentar

001987 imgN G Com a redução da maioridade penal, a violência não vai diminuir – vai aumentar

Desperdício de tempo discutir se a redução da maioridade penal é certa ou errada. Certo e Errado é subjetivo. Lei tem que ser construída sob solo mais sólido. O que funciona e o que não? E se funcionou em outro lugar, vai funcionar aqui?

Vamos falar da experiência internacional. E vamos falar de dinheiro.

A maioridade penal foi importante em algum país para diminuir a criminalidade? A resposta é não. Na lista dos 53 países mais seguros do mundo, a maioridade é de 18 anos em 42 deles. O único país rico que pune como adulto os jovens é os Estados Unidos. Justamente o país rico com os maiores índices de criminalidade.

Países diferentes fizeram experiências diferentes para diminuir o crime. Algumas deram certo. Outra não. Punir adolescentes como adultos não funcionou. A razão é simples. Criminoso nunca acha que vai ser pego. Adolescente menos ainda. Têm certeza que podem aprontar impunemente. Os hormônios em erupção garantem a eles: somos invencíveis, invisíveis e imortais. Se ameaça de punição evitasse o crime, nossas cadeias não estariam cheias. Nem as dos americanos.

No tráfego, basta os chefes que hoje usam a molecada de 16 anos como olheiro e avião passar a usar meninos de 11 ou 12. Molequinho pobre precisando descolar algum não falta...

Tem um argumento mais poderoso ainda. De uma pessoa que tem experiência lidando com menor infrator. Garante que a violência vai aumentar, não diminuir. E custar rios de dinheiro, dinheiro nosso, do contribuinte. Em um ano que o governo corta investimentos na segurança, na saúde, na educação.

Ana Luísa e eu somos amigos de longe faz tempo. Só nos falamos pela internet. Somos fãs de algumas coisas em comum, rock, rock velho.
Ana trabalha no Ministério Público de São Paulo. Tem muita experiência com jovens criminosos. Leniência zero. Sabe que não dá para brincar com bandido, tenha 15 ou 50 anos.

Escreveu e publicou no Facebook um texto muito impressionante sobre o tema. Só uma pessoa que está na linha de frente para ter uma visão tão clara sobre o tema. Pedi sua autorização para republicar aqui. Por favor: leia o depoimento de Ana Luísa antes de decidir sua opinião sobre a redução da maioridade penal.

“Com a redução da maioridade penal, vamos precisar de uma nova estrutura, que vai demandar:
- número maior de policiais
- de escreventes judiciais
- de juízes
- criação de novas Varas Criminais e Varas cumulativas (nas Comarcas em que Varas não especializadas cumulam processos criminais e cíveis)
- ampliação do espaço físico de delegacias, tanto para acomodar inquéritos como maior carceragem
- ampliação do espaço físico em fóruns (a digitalização das Varas anda a passos de tartaruga; o papel ainda é o suporte físico dos autos em grande parte do país)
- criação e ampliação de presídios
- contratação de carcereiros, faxineiros, serviços de manutenção, de fornecimento de alimentação, etc.

Traduzindo: GASTO DE MUITO DINHEIRO. Dinheiro que o país não tem, né. Alguém acredita que Dilma e Alckmin vão liberar verba para construir penitenciária? O que fazer então para acomodar a crescente população carcerária? Enfiar adolescentes em espaço no qual já quase não cabem presos? Não.

E dá-lhe indulto pra soltar então os presos mais antigos (muitas vezes bandidos já graduados e imunes à ressocialização) para colocar no lugar adolescentes.

Que talvez pudessem ser ressocializados se permanecessem longe da convivência maléfica com bandidos experientes.

E se você foi vítima de um crime e aguarda ansioso que o processo criminal seja logo julgado, com a condenação da pessoa que lhe fez mal, pode esperar sentado. Com as Varas estouradas, fique satisfeito se, em dois, três anos, com otimismo, for protelada a sentença de primeiro grau (o que não significa punição e fim do processo. Pode haver recurso). Será sorte.

Porque um número assombroso de crimes vai prescrever por decurso do prazo legal dentro do qual é permitido o julgamento. Em uma palavra: impunidade.

A criminalidade vai aumentar, não diminuir. Gente mais perigosa solta; gente menos perigosa presa".

Publicado em 04/02/2015 às 15:31

Drogas dominam o esporte faz tempo. É hora de liberar o doping

ok Drogas dominam o esporte faz tempo. É hora de liberar o doping

Atletas usam drogas. Superatletas usam superdrogas. Ilegais, legais, e mais ou menos. Durante a vida toda. É bomba pra ficar forte, aditivos diversos comprados com receita, e bola para aguentar as lesões e dores. Depois de aposentados, mal param em pé.

O caso de doping de Anderson Silva é o bilionésimo. Ele nega. Veremos. Chama atenção porque ele é ídolo de muitos, foi vendido como bom moço, virou garoto-propaganda eficiente de marcas diversas, e de luta-livre, ou como quer que você chame MMA e UFC. O caso mais incrível dos últimos anos foi o de Lance Armstrong, o superciclista americano, que venceu o câncer, e viu sua moral rolar escada abaixo pelo uso de drogas.

Todo mundo já acompanhou o jogador que era um franguinho e, contratado por um time grande, em dois anos está coberto de músculos. As tenistas de hoje são mais machas que eu, braços de lenhador. Usam drogas para isso. Tá mais na cara que nariz. Todo mundo do meio sabe. Treinadores dão a benção. A família olha para o lado. A imprensa deixa para lá, porque tira o lustro do esporte, sempre vendido como grande maravilha.

Tomar drogas e remédios a rodo é o caminho mais curto para ser um superatleta, ou tentar. Vale? Se você conquista o ouro, o dinheiro é ótimo. Cada vez mais grana. Qualquer zé que chega à seleção brasileira por uma única Copa fatura mais do que um Rivelino na carreira toda.

Do pódio para baixo as recompensas são bem menores. Às vezes nenhuma. Fazendo essa conta não compensa detonar sua saúde tomando tanta porcaria. Mas ninguém sabe até onde vai chegar antes de tentar, certo? E a maioria de quem se dedica a esses esportes que exigem tanto do corpo é gente pobre ou remediada. No caso de MMA, e aliás futebol também, é 99% moleque durango.

Exigimos muito dos atletas. E cada vez mais, mais, mais. "Superar os limites" é o maior chavão de narrativas esportivas. Eles têm que ser cada vez mais rápidos, mais fortes, mais resistentes. Ir além do humano.

O público exige que eles sejam super-humanos. E depois vamos culpá-los por fazer de tudo, dentro e fora da lei, para chegar lá? Quem não usa doping já entra na briga em desvantagem. E quem usa e não é pego ganha nosso aplauso e rios de dinheiro. Como Anderson Silva fez até agora, pelo jeito. E como tantos outros que você vai assistir em campo, nas quadras, no ringue. Uma parte enorme dos seus ídolos, meu amigo, é um bando de drogados. Talvez a maior parte.

Poderíamos parar de transformar meros esportistas em heróis, milionários, modelos de conduta para os jovens. Impossível, porque esporte é um negócio bilionário e global.

A outra opção é liberar totalmente o uso de doping. Qualquer outra alternativa é hipocrisia. É a coisa certa a fazer.

http://r7.com/xG67

Publicado em 06/12/2013 às 18:46

Não beatifiquem Mandela – ele merece mais

Seu feito foi convencer um país fraturado de que a mudança era um risco que valia a pena correr... Continue lendo

mandela criancas afp 20100718 G Não beatifiquem Mandela   ele merece mais

Se o povo escolher seu governante pelo voto, o país vai pro beleléu - o povo não está preparado para votar.

Homem votar, tudo bem - mas se deixarmos as mulheres votarem, a democracia está em risco.

Se a União Soviética acabar, vai virar um monte de paisecos armados com armas nucleares - o mundo vai explodir.

Se os egípcios derrubam o ditador, vai se instaurar o caos.

Se a Síria se livrar de Assad, será pior, porque os fundamentalistas tomarão o poder.

Cuba sem Fidel e Raúl Castro vai voltar a ser bordel dos americanos.

E aqui no Brasil? Não podemos ter eleições diretas. Não podemos eleger um sociólogo de esquerda. E muito menos botarmos um operário na presidência. O Brasil assim vai para o buraco!

E segue a cantilena. Que sempre olha para o futuro e vê a mudança levando ao pior cenário possível. É a postura conservadora, na pior acepção possível da palavra. Para essa gente nunca é hora de dar um novo passo. Mas caminhar com as próprias pernas implica em tomar uns tombos.

Quando a África do Sul vivia sob o apartheid, muita gente profetizava:

se o apartheid acabar, os negros vão tomar tudo. Vão matar todos os brancos - os pobres, porque os brancos que puderem vão fugir muito antes. E o país vai pra bancarrota, pra anarquia, para o fundo do poço.

Havia o risco? Havia. Era um risco grande? Não. Precisava ser corrido?

Sem nenhuma dúvida. Nelson Mandela teve a coragem moral e a percepção política necessárias para ajudar a África do Sul a enfrentar seu medo.

Fez isso desagradando um pouco a todos, e muito aos extremos - da direita e da esquerda. A extrema direita queria que tudo ficasse exatamente como era. A extrema esquerda queria que absolutamente tudo mudasse. Mandela isolou os radicais. Garantiu que a minoria branca manteria tudo que tinha, e cumpriu. Prometeu aos negros mundos e fundos, entregou o que deu, enrolou o que não deu. Era popstar nas grandes democracias, e aliado das piores ditaduras. Protegeu os apaniguados, controlou seu partido com mão de ferro. Deu uma no cravo e outra na ferradura.

Era... político. É o que Mandela foi. Não santo. Não um vovôzinho boa praça. Não o ancião sábio de contos da carochinha. Não um ícone pop. Nem o negro herói de Hollywood, impoluto, perfeito, Sidney Poitier, Morgan Freeman.

Beatificar Mandela é reduzir o significado de seu maior feito. É tratar como obra-prima de um iluminado o que foi trabalho braçal de um povo.

A África do Sul enfrentou e venceu o medo da mudança. Da mudança dolorosa, profunda, verdadeira. O feito milagroso de Mandela: convencer um país fraturado de que a mudança era um risco que valia a pena correr.

Conseguiu porque era mito - longe do público, mártir invisível, em todas as décadas de cadeia. Tivesse passado esse tempo na militância, teria sido só mais um político. E conseguiu porque usou com esperteza seu capital político, estatura internacional e lenda pessoal.

A África do Sul é um país muito injusto, também sob o governo de Mandela e seus herdeiros políticos. Essas duas décadas pós democratização poderiam ter sido melhor aproveitadas. Mandela foi político astuto e gestor medíocre. Mas ninguém duvida que é um país infinitamente melhor do que era sob o apartheid, e do que são seus vizinhos na África. É uma democracia claudicante, como a nossa, mas é muito mais livre e mais justa. Há problemas aos montes, mas também razões concretas para ter esperança. Quando os covardes profetizarem o caos, os corajosos podem retrucar: pois você viu a África do Sul? Enfrentou o medo, correu o risco, e emergiu melhor.

Mandela, o homem, some. Sobrevive a inspiração: um homem não se define por seus grilhões. E uma nação não deve temer se livrar dos seus.

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Publicado em 05/11/2013 às 10:38

Um eclipse ao nascer do sol, um eclipse do espaço

eclipse Um eclipse ao nascer do sol, um eclipse do espaço

Povos antigos dedicavam muito esforço a prever eclipses. E alguns previam de fato, com muita precisão. Era função de sábios, altos sacerdotes. O Sol está sumindo. Está sendo devorado. Está morrendo e nascendo de novo. Parece coisa muito, muito séria. Deve ser coisa dos deuses. É presságio, é bênção, é castigo, é importante.

E, de alguma maneira, é. Domingo passado, 3 de novembro de 2013, tivemos um eclipse solar. Ele foi registrado não de uma, mas de duas maneiras que nos fazem ver os eclipses com novos olhos.  Primeiro, veja o eclipse fotografado do espaço. As imagens foram feitas de um satélite meteorológico russo.

E agora: o nascer do sol com eclipse.

Hoje sabemos tudo sobre eclipses. Sabemos que nada muda em nossas vidas por causa de um eclipse. E mesmo assim eles continuam impressionantes, imponentes, importantes.

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Publicado em 30/01/2013 às 18:02

Santa Maria

O que dizer sobre uma atrocidade como a de Santa Maria?

Como romper o silêncio?

Com cuidado.

Com respeito.

Com vergonha.

Sem santificar uns ou demonizar outros.

Sem explorar os imolados.

Sem o choro fácil em frente às câmeras de tevê.

Santa Maria invoca compaixão - atributo primordial da mãe.

E impõe ação.

Não o discurso histérico, a medida demagógica, a punição extrema.

Antes de agir, julgar, e antes enxergar.

Compreender - horror - que são só mais algumas centenas, de tantos milhares de brasileiros inocentes caídos a cada ano. De diarreia e à bala, no acidente e na enchente.

Reconhecer que neste País cada vez mais rico e poderoso, as regras continuam à venda, e ninguém vigia os vigias.

Enquanto aceitarmos este Brasil, tragédias evitáveis, como a de Santa Maria, permanecerão inevitáveis. Esqueceremos esta no próximo desabamento, no próximo incêndio na favela.

Outras virão. É certo. Todo dia. Toda hora.

Sem alívio para os vivos. E sem justiça para os mortos.

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Publicado em 09/10/2012 às 10:22

A pessoa mais típica do planeta

O típico ser humano em 2012 é destro, tem celular, não tem conta bancária, ganha menos de mil dólares por mês, é homem, tem 28 anos, é chinês.

Quer ver a cara dele? Aproveite, que em alguns anos vai ser bem diferente. A National Geographic te mostra.

7 Billion: Are You Typical? National Geographic Magazine por perolasblogs no Videolog.tv.

Publicado em 17/08/2012 às 13:51

Pussy Riot condenado: sem liberdade de ofender, não há liberdade de expressão

forasta1 ok1 Pussy Riot condenado: sem liberdade de ofender, não há liberdade de expressão

São três garotas de pinta punk. Têm uma banda chamada Ataque da Buceta. Entraram na Catedral da Sé e entoaram em altos brados uma canção agressiva, implorando à Virgem Maria que liberte o Brasil de Dilma Rousseff. Consideram a presidente uma criminosa e picareta, e acusam a igreja católica de espuriamente colaborar com a sua eleição.

A polícia chega e prende as três. Vão a julgamento. Acusação: vandalismo, e estímulo ao ódio religioso. Uma parcelinha mais liberal e intelectual do País defende a libertação das moças. A maioria dos brasileiros, ofendida, entende que elas foram muito malcriadas e desrespeitosas com a fé, e que se faça justiça: cana pras meninas. E você, que destino acha justo pras moças?

Foi exatamente o que aconteceu na Rússia. Vladimir Putin, homem-forte do País, tem apoio explícito da Igreja Ortodoxa Russa. É a fé que tem o maior número de fiéis, e secular tradição de apoio a déspotas. Na última eleição, seus sacerdotes voltaram a pedir votos para Putin, pregando direto dos púlpitos, inclusive seu patriarca, líder máximo dos ortodoxos.

Uma parcela cada vez maior da Rússia está cheia de viver sob os caprichos de uma plutocracia. Quer mudança. Mais alternância no poder, mais representatividade nas eleições, mais regulamentação na atividade dos super-ricos, mais fiscalização de governos e corporações, mais liberdade de expressão. Mais democracia, enfim. Mas Putin acaba de ser reeleito, para mais seis anos.

Um trio de mulheres russas, Maria, Nadezdha e Ikaterina, entre 22 e 30 anos, formaram uma banda chamada Pussy Riot. Decidiram protestar contra o apoio da Igreja Ortodoxa a Putin. Entraram numa igreja, cantaram alto, fizeram barulho, foram, enfim, punk. Foram condenadas hoje a dois anos de cadeia.

Você pode ver o protesto das três na igreja, em vídeo. O Guardian fez uma edição das imagens, juntando com imagens dos protestos a favor do Pussy Riot, com a nova música da banda servindo como trilha sonora. Assista AQUI.

Roqueiros internacionais, libertários profissionais, e simples simpatizantes dos valores democráticos do mundo afora torceram e até fizeram campanha para que elas saiam livres. De Paul McCartney às ativistas peladas do Femen. Saiu a sentença, continuam os protestos internacionais pra todo lado.

Virarão causa célebre? Mais provável serem esquecidas em alguns dias. Injustiças maiores acontecem a cada minuto. Mas o caso ilumina nosso tempo. E nossas noções equivocadas do que é, e do que deve ser, liberdade de expressão.

A maioria dos russos apoia a prisão e Putin. A maioria dos artistas russos fechou a boca sobre o assunto - para que irritar fãs e o principal patrocinador do País, o governo? Mesmo quem não está tão satisfeito assim com Putin, considera que as meninas foram desrespeitosas demais. Que fizeram tudo pra aparecer. Que se acham, são grossas, o nome da banda é agressivo, e que não representam a Rússia.

Tudo verdade. O problema é que a maioria dos russos, e dos seres humanos em geral, aplaude a democracia só quando todo mundo se comporta conforme padrões supostamente aceitáveis de comportamento. Esse é justamente o ponto do protesto do Pussy Riot: deixar claro que inaceitável é justamente respeitar um presidente, quando ele se arvora em ditador.

Ou uma igreja, quando ela apoia um regime autoritário. Mais que isso, dizem as punks: a única coisa certa a fazer é desrespeitar Putin e a Igreja Ortodoxa. Respeito se conquista, não se impõe.

A prisão das meninas é previsível, e serve para explicitar os limites bem claros do regime russo. A Rússia escorregou dos czares aos bolcheviques a essa pseudodemocracia imperial-mafiosa. Tem uma história emocionante, de grandes momentos de libertação. Nunca foi uma democracia liberal, modelito ocidental. Nem a maioria dos países. Nem o Brasil.

Dilma não é Putin e brasileiro não é russo. Dilma manda menos. Nós somos bem menos educados e liberais que os russos. Com toda a famosa malemolência brasileira, sabemos ser bem intolerantes. Desconfio que no Brasil a cana para o Ataque da Buceta seria pior do que para o Pussy Riot na Rússia. Isso se as meninas escapassem de um linchamento ali no ato mesmo, ou de serem torturadas pela polícia, ou estupradas na cadeia.

Liberdade religiosa só é possível quando é possível liberdade da religião. Portanto, em uma sociedade laica. Liberdade de expressão é a liberdade de quem discorda da gente. É premissa da vida inteligente, e pedra angular da nova civilização que precisamos construir.

Voltaire resumiu bonito, há séculos: "discordo de tudo que dizes, mas defenderei até a morte a liberdade de dizeres". Salman Rushdie, que foi perseguido por fundamentalistas, elaborou: "sem a liberdade de ofender, não há liberdade de expressão". Minha própria versão é menos elegante e mais na sua fuça: liberdade de expressão é sempre a liberdade de alguém que você odeia defender algo que você despreza.

Por isso, não importa o que eu ou você pensamos sobre o que as russas fizeram. Liberdade para o Pussy Riot. Liberdade para nós!

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Publicado em 14/08/2012 às 11:02

Olimpíadas 2016: o Rio que encanta e o Rio que enoja

rio de janeiro ok Olimpíadas 2016: o Rio que encanta e o Rio que enoja

Os cariocas se orgulham muito da beleza do Rio. Estive lá esses dias e confirmo: continua lindo. Tamanho esplendor estimula a imbecilização dos nativos. Caso do motorista de táxi que me garantiu, peremptório, que o Leblon é a praia mais bonita do mundo, com cerrrteiza.

Ele lá visitou todas as praias do mundo antes de bater o martelo? E o Leblon está cheio de edifícios na orla. Isso desqualifica automaticamente qualquer praia de uma lista das mais belas do planeta, mané. Mas é assim, com esse descaso casual, que alguns cariocas se colocam num patamar acima do restante da humanidade. Agora, acima de deuses também.

Vide a música Os Grandes Deuses do Olimpo Visitam o Rio de Janeiro, de Arlindo Cruz, Arlindo Neto e Rogê. Um samba-jingle com perfumes funk. O conceito é: Apolo, Afrodite etc. conhecem a cidade maravilhosa e se rendem a seus encantos. Olimpo, Olimpíadas, 2016, entendeu bróder? Arlindo Cruz explicou que naturalmente os deuses iriam querer ir pro Rio - afinal, é o lugar que todos querem visitar, disse ele...

Canção e vídeo foram divulgados este final de semana. Reúnem famosos diversos. Foi bancado pela prefeitura do Rio, para promover a cidade como próxima sede das Olimpíadas. Promover pra quem? Carioca já sabe que é a azeitona da empada.

Brasileiro de fora do Rio não vai assistir um reclame de 4 minutos e 59 segundos sobre a cidade. E potenciais turistas gringos ignoram quem seja Carolina Dieckmann, Zeca Pagodinho, Mart´nalia, Ed Motta, Fernanda Montenegro ou Diogo Nogueira. Ah, Regina Casé é... Artemis, Diana, a deusa da lua e da caça. O diretor do clipe, e responsável pelo casting, é Estevão Ciavatta, marido de... Regina Casé.

Os grandes deuses do Olimpo visitam o Rio de Janeiro - por perolasblogs  no Videolog.tv.

Lá vem o paulistano mala de novo cutucar o Rio. É inveja na certa! Não é não. Dois anos atrás, botei minhas cartas na mesa: acho o Rio incrível, e entendo por que o carioca se acha. A maioria dos 348 comentários pediu minha cabeça. A maioria não entendeu o que escrevi.

Vamo lá: eu não tenho o menor preconceito com carioca. Tenho nojo dessa coisinha pequena, promíscua, acrítica, que é esse caráter autocongratulatório do Rio. A passeio, dá pra ignorar na boa. Porque o Rio assombra pelo conjunto da obra. É maior que suas facetas, já por natureza. É a soma das montanhas, do verde, da areia, do sol, do céu, das ondas, que constrói o encanto da cidade.

Que já era maravilhosa antes de ser cidade, antes dos portugueses desembarcarem lá, e aliás, antes do primeiro ser humano molhar o dedão em Copacabana. O Rio é lindo porque o planeta o fez assim. Nós, bem, construímos uma cidade ali. O que colaborou para enfeiar o pedaço, não para enfeitar, apesar da bela coleção de prédios antigos.

Mas aí entra no molho aquele tempero inqualificável, aquele sabor, aquela pimenta: gente. E a gente do Rio, do alvo ao negro, passando por todos os tons de caramelo, é charmosa, na certeza de seu encanto e no limite de sua arrogância. Vi agora meu primeiro pôr do sol da Pedra do Arpoador.

A bruma encobria a ponta da praia, que bombava de gente, neguinhos e negões, surfistas e tiazinhas, gatas desencanadas e coroas enxutos, som e cerveja rolando alto. Clima largadão descolado. Vendia-se shots de tequila, cigarro avulso, mate e maconha. Aquela mitológica promiscuidade entre as classes sociais, meia-verdade, claro, mas componente-chave da mítica carioca.

Curti. E concluí que as Olimpíadas vão fazer sucesso no Rio. Apesar desse tema abominável dos deuses. Apesar do atraso e avacalhação, inevitáveis como a roubalheira. Por mim o Brasil não hospedaria os Jogos Olímpicos e nem a Copa - tenho uso melhor para nosso dinheiro. Certeza que vamos passar muitas vergonhas, já que não somos metódicos, civilizados ou éticos como os ingleses. Aliás já começamos, com essa música do Arlindo.

Viu os shows de abertura e encerramento dos jogos de Londres? Agora imagine o show de abertura das Olimpíadas de Rio 2016... Mesmo assim, o Rio vai fazer sucesso. Nas Olimpíadas, e já na Copa, mais que qualquer outra cidade-sede. Porque, ué, é o Rio. São Paulo exige esforço.

É osso duro de roer, tutano escondidinho. Imagina se um time de artistas paulistanos ia se reunir em coro para cantar nossas maravilhas! Jamais. É contra nossa natureza... O Rio está lá, exibidão, umbigo de vedete do cassino da Urca. Uma boa explicação dessa relação entre as duas cidades é da carioca Patrícia Corso - leia.

Pra turistada, que só quer o máximo de fruição no mínimo de tempo, o Rio é campeão, prazer na veia. Pros gringos que virão pros eventos e pra mim, que sempre me sinto um tanto gringo lá. Eu jamais moraria lá. Mas voltarei com mais frequência daqui pra frente.

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Publicado em 31/07/2012 às 08:17

Olimpíadas: o importante é vencer

sarah final 450x300 Olimpíadas: o importante é vencer

Judoca Sarah Menezes conquista o primeiro ouro para o Brasil em Londres

Quando os jogos olímpicos foram criados, correr rápido, brigar bem, nadar muito, atirar dardos e tal servia para alguma coisa. Grécia antiga, guerra era no braço. Hoje nada disso serve para nada. Como todos os outros esportes, aliás. Que utilidade prática na vida de uma pessoa tem dar aqueles saltitos da ginástica olímpica, piruetas nas paralelas ou acertar uma bola em uma cesta? Nenhuma.

A não ser, claro, se você for o melhor do mundo na sua inutilidade específica. Neste caso, o mundo maravilhoso dos patrocínios se descortina. Alguns esportes bem mais, outros bem menos, claro. Mas tem que ser O melhor. Se uma medalha de ouro garantir mil reais de patrocínio, a de prata só garante 100, a de bronze 10, e dali pra baixo, nada.

Donde que o importante não é competir, é ganhar, e sempre foi. O resto é desconversa. Por isso as pessoas se dedicam tanto a chegar às Olimpíadas, e estando lá, a ganhar. Sacrificam juventude e saúde (porque esporte machuca, claro) por uma chance de glória e grana. Nenhum problema com isso. O que eu queria entender é por que tem uns birutas que se dedicam a estes esportes que não dão camisa pra ninguém, tipo levantamento de peso.

Tenho birra com aquele eterno discurso de que o esporte engrandece o espírito, que maravilha a comunidade dos atletas, a disputa honesta, cada um dando tudo de si e buscando a superação etc. etc. Ouro vai para País rico que investe em preparação de seus atletas, e as exceções confirmam as regras. Mas curto assistir Olimpíadas, desde a época do Mark Spitz e da Nadia Comaneci.

sara menezes 4501 Olimpíadas: o importante é vencer

Sara Menezes no pódio

Porque é um bando de esporte louco, as competições são curtinhas e variadas, é uma vez a cada quatro anos. Se tem um brasileirinho ali na raia, me pego torcendo para ele chegar antes, e torcer sempre tem sua graça.

Não consigo ignorar o que os jogos olímpicos ignoram - as barbaridades que cada nação ali representada cometem. A Síria de Assad, para ficar em um exemplo, está competindo nestas Olimpíadas, enquanto seu ditador bombardeia civis em Alepo. Mas se formos vetar a Síria, bem, quantos civis (de outros países) os EUA mataram na última década?

Deixa estar. As Olimpíadas - como a ONU, a Copa do Mundo, a internet e outras instituições polêmicas - não pedem atestado de bons antecedentes para os países participantes. Imperfeitas e injustas, mais nos unem que nos dividem...

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Publicado em 25/06/2012 às 18:27

Viviane Araujo e Sara Winter: machonas ou feministas, as mulheres querem o mesmo

O que querem as mulheres? Freud não soube responder. Ontem, domingão em família, tevê ligada, vi duas reportagens esclarecedoras, uma na Globo, outra na Record. Entendi melhor meu mundo, e ainda vi umas garotas seminuas. Televisão: instrui e diverte!

A primeira reportagem era sobre mulheres que protestam de peitos de fora contra o mundo dos machos, que as oprime, persegue e cafetina. São feministas, algumas lésbicas, e esta semana apareceram as bateristas de safo ou que o valha, na Rio+20. Se inspiram em outras, gatas ucranianas, que se espalharam do leste europeu mundo afora e, estamos modernos, a onda chegou ao Brasil.

Nossa primeira cutchuca enfrentando o patriarcado de peito aberto é Sara Winter, que saiu pela primeira vez do Brasil só para brigar contra a Eurocopa, em Kiev. O argumento é que onde tem copa, vai muito macho turista, e eles gastam os tubos nos bordéis, fato, e no Brasil será igual em 2014... A reportagem acompanhou Sara, paulista de São Carlos, fã de anime, que estreou no Femen internacional com mais uma amiga.

Foram presas e logo liberadas; nem foram pra cadeia. A matéria do Fantástico, bacana, dava uma no cravo e outra na ferradura, mostrando as peitcholas de Sarita enquanto repercutia com protestantes de lá e cá, transeuntes etc.

As sáficas bateristas da Rio+20 eram, nas palavras da moça ao meu lado, barangas. Eu, delicadamente, diria mulheres normais... Sara, 20 aninhos, é cópia escarrada de Marilyn Monroe, portanto estilo prostituta de dez anos, nas palavras imortais da feminista e feia Simone De Beauvoir. Tem lógica se fantasiar de piranha para protestar contra proxenetas? Quem pode responder é Sara. Aqui posando estilo pin-up, chupando um picolézinho, pintada com slogans, e finalmente sendo presa em Kiev.

sara1 Viviane Araujo e Sara Winter: machonas ou feministas, as mulheres querem o mesmo

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Foto: Claudio Amaral

 

sara3 Viviane Araujo e Sara Winter: machonas ou feministas, as mulheres querem o mesmo

sara4 Viviane Araujo e Sara Winter: machonas ou feministas, as mulheres querem o mesmo

Mas nada disso é tão estranho quanto se tornar mais macho para ser mais fêmea. É a estratégia das mulheres-fruta, panicats e companhia, e tema do programa seguinte, Repórter Record. Falava dessas moças que fazem musculação extrema, tomam anabolizante, testosterona e tal para ganharem o corpo abrutalhado das estrelas, ha, a Mulher-Melancia, Gata-Alcachofra, Panicats. Para quê? Para a rapariga poder ganhar uma grana posando peladona? Militando na prostituição mesmo? Fiquei com a sensação de que a motivação é outra... Texto divertido, e uma produtora descobriu lá quanto custa pra embuchar em dois meses: 1600 reais de personal training, 500 em drogas.

vivi Viviane Araujo e Sara Winter: machonas ou feministas, as mulheres querem o mesmo

Mostraram fotos de Viviane Araujo, pivetinha, simpática. Depois já no shape gostosa-bundudona, modelo capa da revista Sexy. E agora, deformada, na Fazenda. Para ficar nas comparações Hollywoodianas, está com o corpitcho de Arnold Schwarzenegger. Parece uma camisinha recheada de nozes, na definição letal de Martin Amis. Que tipo de homem tem tara por mulher assim? Gays no armário, imagino.

Mas essas mulheres-troglo, como as moças do Femen, não agem como agem por causa de homem nenhum. São todas feministas, às suas maneiras, pelo menos no sentido de que homem não é a razão delas serem como são ou fazerem o que fazem. O divertido do domingão foi o contraste e semelhança entre as mulheres feministas e as mulheres masculinas. Sara e Viviane não podem ser mais diferentes e iguais na maneira como usam seus corpos. No final, as duas, e as Femen, e as mulheres-fruta e tantas outras mulheres querem exatamente a mesma coisa: aparecer.

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Publicado em 22/06/2012 às 09:58

Mulher educada, menos criança, mundo melhor

forasta 11  Mulher educada, menos criança, mundo melhor

Por absoluto acaso, escrevi sobre direitos reprodutivos no dia que isso virou assunto na Rio+20. Leia aqui. Defendi que o Brasil e o mundo precisam de menos crianças.

Dona Dilma novamente se provou política astuta, ou seja, sabonete. Para feministas, em evento paralelo, defendeu os direitos da mulher sobre seu corpo.

No documento final da conferência propriamente dita, deixou passar batido o tema, por pressão do Vaticano. Inevitável lembrar como é impróprio gente que decidiu não se reproduzir querer legislar sobre os úteros alheios...

Por sorte, os leitores deste blog são coisa fina. Gustavo Nunes fez um comentário precioso ao meu texto desses dias, sobre a quantidade de crianças que temos no mundo, e porque esse número é alto demais e precisa cair. Sugeriu que eu assistisse essa apresentação de Hans Rosling, um médico e estatístico sueco com talento para tornar claro o complicado.

Nunca tinha ouvido falar. O verbete da Wikipedia dele diz que ele trabalhou na África, iniciou os Médicos sem Fronteiras na Suécia, e é engolidor de espadas. Agora vou ter que assistir tudo que encontrar do figura.

Tem bastante material na web. Gosling apresentou um programa na BBC, The Joy of Stats, a alegria das estatísticas. Só escandinavo para encontrar diversão nisso... Mas sempre fico besta de como existem crânios como ele por aí, e como sempre encontro um novo. Valeu, Gustavo.

O vídeo abaixo explica por que as religiões não têm nada a ver com os casais tendo um número maior ou menor de filhos. O número médio de filhos vem caindo entre países com maioria cristã, muçulmana, hinduísta, budista etc.

O número médio de filhos cai quando as mulheres são mais educadas, casam mais tarde, quando a mortalidade infantil é menor, e quando as crianças não fazem parte da força de trabalho.

Para que deus você reza não tem nada a ver com isso, diz Gosling, e os gráficos convencem. Em inglês, mas vale assistir mesmo que você não domine a língua; as imagens falam alto.

Hans Rosling - Religions and babies por perolasblogs no Videolog.tv.

Gosling termina o papo empilhando caixas e garantindo: chegaremos a (e pararemos em) dez bilhões de pessoas, das quais dois bilhões de crianças - que é o mesmo número de crianças que temos no mundo em 2012.

Ou seja: o número de crianças não está aumentando, está estável. Isso pode parecer prova definitiva contra meu argumento, de que o mundo e o Brasil precisam de menos crianças.

Pois muito pelo contrário. O mundo precisa de menos crianças para que nós NÃO cheguemos aos dez bilhões, e de preferência nem aos nove ou oito. A média atual, diz Gosling, é de 2,4 filhos por casal.

Eu digo: é muito. Em alguns países europeus é menor que dois. Seria um bom objetivo, e se eles alcançaram, podemos alcançar no Brasil também.

Se, por exemplo, tivermos educação sexual de verdade, métodos anticoncepcionais liberados para a população, e, sim, aborto legalizado e gratuito na rede pública. E, sim, se nossa presidente for um pouco mais corajosa na defesa do seu gênero.

Por que o planeta precisa de dez bilhões de pessoas, ou, por falar nisso, sete? Particularmente considerando que os países onde ainda hoje as mulheres têm em média seis filhos são lugares em conflito e radicalização permanentes, como o Afeganistão e o Congo.

Mulheres educadas, menos crianças, mundo melhor. O argumento definitivo: 21 mil crianças com menos de cinco anos de idade morrerão hoje. Leia aqui.

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Publicado em 21/06/2012 às 11:38

E o maior responsável pela destruição do meio ambiente no Brasil é… o Ibama

amazonia ok E o maior responsável pela destruição do meio ambiente no Brasil é... o Ibama

Entedio o leitor e a mim mesmo voltando ao assunto Rio+20 e, urgh, sustentabilidade, mas não resisto a jogar a pá de cal definitiva sobre o cadáver ambulante. A cobertura jornalística do evento-zumbi me irrita o trato intestinal. São milhões de matérias que pouco mais são que propaganda disfarçada, de governos, empresas, ONGs. Mas, ah, vejo um farol na neblina, um despretensioso pedaço de jornalismo, e preciso compartilhar com você.

Entre tanta bazófia e desinformação, pesco um pedacinho de informação de verdade. Ilumina todo o restante, e por contraste aniquila qualquer chance de levar a sério a seriedade do Brasil, no assunto meio ambiente. Está no Valor Econômico de hoje.

A reportagem de João Villaverde e Edna Simão não tem nada a ver com Rio+20, diretamente, mas tem tudo a ver no que importa. O resumo, com dados colhidos em balanço feito pelo Tribunal de Contas da União sobre as contas da administração Dilma:

— o governo brasileiro recebeu apenas 5,7% das multas aplicadas por seus 17 órgãos de regulação e fiscalização, entre 2008 e 2011

— no período foram emitidos quase um milhão de multas, totalizando R$ 29,2 bilhões, porém apenas R$ 1,7 bi foi pago

— o pior resultado de todos foi obtido, adivinha, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, o Ibama.

Justamente o órgão responsável por proteger e fiscalizar os recursos naturais brasileiros é o mais leniente, o mais cúmplice de poluidores, desmatadores, criminosos. Entre 2008 e 2011, o Ibama aplicou  quase 90 mil multas, que representaram um total de R$ 13,5 bilhões, mas apenas R$ 89,9 milhões foram pagos. Por quê? Porque o Ibama existe como peça de propaganda, não para fiscalizar de verdade. É decisão política de nossos governantes.

O Brasil é o País da impunidade não só quando se trata de ladrão de galinha. Mas principalmente quando se trata de grandes empresas, que fazem o que querem, e não estão nem aí com lei ou multas, porque não serão pagas, e fica tudo por isso mesmo. Contam com a total cumplicidade dos governos, que levam o seu. E em nenhuma área a impunidade é mais flagrante e fragrante que no meio ambiente.

Fim de papo. E vamos mudar de assunto.

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Publicado em 13/06/2012 às 10:13

A Rio+20 é o inimigo (ou: contra a sustentabilidade)

forasta A Rio+20 é o inimigo (ou: contra a sustentabilidade)

A Rio+20 é uma idiotice, desperdício de tempo e dinheiro, e contraproducente. Não vai dar em rigorosamente nada. Nem teria por quê. Não há o que debater. Os parâmetros pré-determinados para o debate garantem o fracasso da conferência.

A imprensa mundial trata o evento com a desimportância que merece. Um giro minutos atrás por BBC, CNN, Guardian, New York Times e El País não mostrou uma linha sobre a Rio+20. Le Monde tem um artigo escondidinho — mas só usa o gancho da conferência para cutucar Dilma, explicando sua moleza com os ruralistas na história do novo Código Florestal.

A razão do fracasso da Rio+20 não é a ausência de Barack Obama, presidente do país mais poluidor e poderoso, ou Angela Merkel, líder do país que dá as cartas na eurolândia. Nem os vagalhões que solapam a economia do mundo em suas premissas fundamentais.

A Rio+20 não vai dar em nada porque é planejada cuidadosamente para não dar em nada. No que deu a Eco 92? O protocolo de Kyoto? As metas do milênio? Nada. São só relações públicas, propaganda para enganar os trouxas.

Os chefes de Estado vêm, posam para as fotos e tchau. Os diplomatas debatem colchetes, como se discutissem quantos anjos cabem na ponta de uma agulha, para justificar os salários. Estudantes e ongueiros fazem manifestações e eventos paralelos. Deve ser bom para arrumar namorada/o, ou pelo menos alguém para passar a noite, como aqueles antigos encontros da UNE.

A Rio+20 começa estúpida pelo nome: Conferência pelo Desenvolvimento Sustentável. Como disse o amigo André Barcinski, a próxima vez que alguém proferir a palavra "sustentabilidade" perto de mim, enforco o infeliz com uma sacola plástica. É um conceito impreciso, inútil e ofensivo.

Pergunte para a pessoa ao seu lado o que significa. Ninguém sabe. "Sustentabilidade" é um saladão de boas intenções, premeditadamente vago o suficiente para que todos possam assinar embaixo sem se comprometer de fato com nada, políticos, empresas, instituições, indivíduos.

A melhor alocação de nossos recursos naturais já é fato. Tudo que há na Terra, inclusive nós, somos alocados da maneira mais eficiente que conseguimos, para a geração dos maiores lucros possíveis. O nome disso é capitalismo. Deu certo para muitas coisas, errado para tantas outras. Permitiu o crescimento e enriquecimento explosivos da população do planeta, o que não foi nada mal. Há consequências e, palavra importante, externalidades.

O capitalismo financeiro do século 21 se alimenta dos recursos naturais - incluindo nós — a la Matrix, viu o filme? Como no clássico de ficção-científica que fechou com chave de ouro o século passado, o sistema (olha ele aí!) sua a energia dos nossos corpos, e nossos cérebros se distraem com um mundo virtual, aparentemente lógico, em que as decisões parecem tomadas livremente por seres humanos, baseados em premissas racionais.

É tudo mentira. A máquina devora o planeta e defeca lucro. Ponto.

Desliga essa TV, fecha esse jornal, e esquece essa babaquice de Rio+20. O que você precisa saber é urgente e é o seguinte: nos próximos quarenta anos a população do planeta Terra vai aumentar cinquenta por cento. A maioria esmagadora de escurinhos, em países pobres, dos quais muitos vão querer migrar para países mais abastados, naturalmente.

Se você acha que tua cidade está engarrafada, fedorenta, poluída e perigosa, vai se preparando. Se em 2012 o capitalismo não dá conta nem de garantir a subsistência dos aposentados na pacata Eurolândia, que dirá arrumar emprego, comida, água, casa e remédios para mais três bilhões de pessoas...

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Publicado em 01/06/2012 às 13:08

Os gregos trabalham bem mais que os alemães

A crise na Europa começa a bater aqui no Brasil. Na verdade, a crise americana de 2008 bateu depois na Europa, e as ondas de choque continuam se espalhando; o capitalismo, sempre ele, é que está em crise, mais uma. A Grécia está de fato no bico do corvo; talvez saia da União Europeia, abandone o Euro, restaure o dracma.

Na Espanha está difícil conter corrida aos bancos. O ministro do país negou hoje que esteja sendo preparado um pacote de ajuda do FMI, garantia de que é isso mesmo que está acontecendo. Portugal, Itália, Irlanda - solução difícil, sem mudanças de fato, e mudar nunca é fácil.

De todas as besteiras que se fala sobre a crise na Grécia, a mais injusta é que os gregos estão nessa situação difícil porque são vagabundos. É mentira. E mesmo assim se espalhou e cristalizou. A gente vê a mesma cantilena repetida infinitamente. É imprensa, articulistas, políticos.

Os gregos são boas-vidas, todo mundo garante. Levam a vida na flauta, só curtindo o sol esplendoroso, o mar turquesa, o ouzo e os kebabs. Safados, se aproveitando do dinheiro que a Alemanha manda para eles.

Pobres trabalhadores tedescos, gente séria, que pega no pesado e vê sua grana suada sustentando esses gregos picaretas. E os jovens gregos ainda querem fazer universidade de graça! E os velhos gregos ainda querem receber as aposentadorias integrais!

Bem, a BBC fez uma pesquisa para identificar os países em que se trabalha mais. Só entre os países que fazem parte da OECD (Organization for Economic Cooperation and Development), um clube de 34 países que se ajudam, a maioria europeus, a maioria bastante ricos. Na média, as pessoas que vivem nestes países trabalham 1718 horas por ano.

Onde mais se trabalha é na Coreia (2193), seguida do Chile (2068), e em seguida... a Grécia, com 2017 horas por ano. Os Estados Unidos estão quase na média geral da OECD, com 1695 horas. E a Alemanha? É o segundo país onde se trabalha menos. São 1407 horas por ano. Só perde em horas livres para a Holanda. Veja a pesquisa completa aqui.

A crise na Grécia tem várias causas. A principal não tem nada a ver com o País: é a desregulamentação do sistema financeiro global. Nenhuma tem a ver com o quanto os gregos se esforçam para ganhar a vida. Se você quiser chamar algum povo europeu de boa-vida, mais justo dizer isso dos alemães.

Não que eu tenha nada contra boa vida. Meu ideal seria combinar o melhor dos dois mundos. Trabalhar só 1407 horas por ano, como os Alemães - mas vivendo na Grécia, não na Alemanha...

grecia ok Os gregos trabalham bem mais que os alemães

Publicado em 25/05/2012 às 09:35

Magra, gorda ou gostosa?

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 Esta é Candice Huffine. Ela é uma modelo famosa. Está este mês na capa da revista espanhola S Moda. É americana e tem 27 anos.

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Candice já foi capa da Vogue Italia. É a do meio.

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Ela está neste editorial da W magazine. É a segunda. Clique aqui.

Essas são três modelos que fazem parte do time de Angels da grife de lingerie e cosméticos Victoria´s Secret.

 As Angels são consideradas as modelos mais sexy da indústria de moda. A do meio é a brasileira Alessandra Ambrosio.

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Esta é Candice, com pouca roupa, mostrando as dobrinhas:

 forasta 5 ok Magra, gorda ou gostosa?

Candice trabalha como modelo plus size. As outras duas que a acompanham na capa da Vogue também. O tamanho de roupa que ela usa é o 14, justamente onde começa a categoria plus size, ou seja, tamanho acima do normal. Aqui, seria o 42.

Um parâmetro: o tamanho médio usado pelas mulheres americanas é o 14, e o das inglesas é o 16, no Brasil 44. Quanto ao Brasil, não encontrei pesquisa parecida. Olhando a bunda das brasileiras (não que eu ande por aí fazendo isso) desconfio que chutar 44 não é arriscar.

Candice anda aparecendo muito. A ditadura da magreza extrema no mundo da moda está em xeque. A poderosa editora Condé Nast decretou que nenhuma edição global da Vogue terá modelos menores de idade, ou esqueléticas. Veremos.

Agora: se o tamanho que a americana Candice usa é exatamente o tamanho médio usado pelas americanas, porque ela é plus size?

Em outras palavras: Candice é média, magra, gorda ou gostosa?

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Publicado em 18/05/2012 às 10:50

Facebook: tudo que é bom dura pouco

zuckerberg techcrunch Facebook: tudo que é bom dura pouco

Eu tenho três notícias para quem está boquiaberto com a oferta pública de ações do Facebook, que atribui um valor de mais de cem bilhões de dólares à empresa. 

Primeira: o Facebook vale cada centavo dessa granola toda. As empresas, as terras, as casas, os bichos, as pessoas valem o que se paga por elas. Tá tudo à venda. A isso chamamos capitalismo. Quanto vai valer amanhã ou depois, depende do bater das asas das borboletas no Havaí. Empresas de tecnologia frequentemente atingem seu valor máximo no IPO. Se eu for fazer uma lista das empresas que eram o ó do borogodó e hoje ninguém lembra mais, perco o final de semana.

Segunda: o Facebook é uma empresa de mídia. Sua receita vem de vender anúncio. Ou de ficar com uma comissão sobre itens vendidos dentro do Facebook. Seu IPO é um cala-boca para os tantos profetas do apocalipse midiático. O Facebook concorre pela mesma grana que televisão, jornal e revista.

É uma empresa de tecnologia? Claro, mas os jornais, quando apareceram, eram high-tech com seus linotipos, e o rádio foi uma tecnologia revolucionária, e as TVs idem, e via satélite nem se fala. Para definição do segmento empresarial não importa se a empresa faz uso intensivo de tecnologia, mas de onde vem o principal da sua receita. O Facebook é uma empresa da nova mídia, nova perto de 2004, quando surgiu, velha perto da mídia de daqui a pouquinho.

O Facebook está fazendo experiências para cobrar coisas do usuário - por exemplo, cobrar dois dólares para que sua mensagem apareça com mais visibilidade para seus amigos. Ou cobrar empresas para que as marcas paguem um pouco por cada Fã, para atingir esses usuários com campanhas de marketing 75% do tempo.

Se for por este caminho, o Facebook arrisca fuga em massa. A promessa feita na sua home sempre foi: é gratuito e sempre será. Mas depender só de publicidade é um risco e tanto. Principalmente quando as empresas perceberem quão pouco vale um milhão de Curtir. O Facebook pode ter 800 milhões de usuários, e valer no dia de hoje 100 bilhões na bolsa, mas faturou US$ 3,7 bilhões ano passado. É dinheiro de cachaça.

Terceiro: o Facebook quer ser o lugar onde as pessoas passam a maior parte de sua vida online, sem precisar sair para nada. É o mesmo objetivo da Apple, do Google, Amazon, Microsoft, Sony, e de mais uma meia dúzia de empresas infinitamente mais poderosas que o Facebook, que se digladiam para terem o cercadinho mais bem feito. Briga de cachorro grande é pouco. Tá mais pra rinha. Todas estas empresas empregam gênios aos montes. À frente delas estão gente como Tim Cook, Sergey Brin, Jeff Bezos, Steve Ballmer e Kaz Hirai. Perto deles, Zuckerberg e Sandberg são bebês nas fraldas.

O Facebook gera valor de fato na vida de seus usuários. Essa é a razão porque se aproxima de um bilhão de usuários - isso, e porque é grátis. Mas hoje enfrenta o que nunca antes teve de enfrentar: redes sociais segmentadas, e a explosão dos dispositivos móveis, área em que faz feio.

E pepino principal: cada um de seus usuários gera pouquíssima receita para o Facebook. Não é problema para eles. É problema para quem comprar as ações do Facebook hoje. E pode ser tornar um problemão se o Facebook, que nasceu como uma festinha animada de faculdade e hoje verga sob o peso das massas indistintas, seguir o caminho lógico de tudo que é bom: durar pouco.

Veja as imagens do Facebook na Bolsa dos EUA

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Publicado em 11/05/2012 às 06:00

Um feliz dia para quem decidiu não ser mãe

A cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil. Em 2010 foram 4297 casos. A maioria são mulheres de 20 a 29 anos.

Na maioria dos casos o assassino é o marido, namorado ou ex, e mata dentro de casa, após já ter cometido pelo menos uma agressão antes. Entre 87 países, o Brasil é o sétimo que mais mata mulheres.

Os números são de um estudo chamado Mapa da Violência 2012 - Homicídio de Mulheres. É a primeira pesquisa a revelar diferenças regionais.

O Estado do Espírito Santo é o primeiro do ranking, com o dobro da média brasileira, e o triplo do estado de São Paulo. As regiões norte e nordeste são as que têm os piores índices.

Em 53,9% dos casos o assassino usa armas de fogo. É muita morte. É prova de atraso. É barbaridade. E é um pingo d'água perto de um número ainda mais assustador.

Segundo a ONU, mais de duzentas mil mulheres morrem todos os anos no Brasil por causa de abortos inseguros, feitos clandestinamente.

 A Organização das Nações Unidas questionou abertamente o governo brasileiro há um mês.

Atribui corretamente a mortandade à criminalização do aborto. Houve questionamentos por aqui; seriam 60 mil, 40 mil e poucas etc.

O governo brasileiro assumiu que o número de 200 mil mulheres mortas parece fazer sentido.

Naturalmente, morrem mais as mais pobres. Quem tem dinheiro para fazer um aborto seguro em uma clínica paga corre risco zero.

A posição do nosso governo sobre isso é: o problema é do Congresso, os representantes do povo que decidam. Mas o congresso é majoritariamente homem, branco, rico, conservador e dos quarenta para cima.

Deputado pode até pagar aborto pra amante ou pra filha. Mas jamais vai votar pela descriminalização, que dirá pelo aborto legal e seguro. É vespeiro, em termos eleitorais. Mas é a coisa certa a fazer.

 O poder executivo lavar as mãos seria covardia e oportunismo, se tivéssemos presidente homem. Sendo mulher, não tem justificativa.

O Brasil anda muito orgulhoso de suas recentes conquistas. Mas mais da metade de nossa população é cidadã de segunda classe, por nascimento. Ser mulher não pode ser risco de vida. Ser mãe não pode ser um dever.

Estes direitos têm que estar em pauta, sempre. Só assim teremos algum dia leis que protegerão as mulheres, tanto da violência doméstica como da hipocrisia.

 Este sim será um feliz dia - para as mães, e para as que decidirem não ser mães.

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Publicado em 24/04/2012 às 15:19

O veneno no seu suco de laranja

200253696 001 O veneno no seu suco de laranja

Seu suco favorito é o de laranja? Estás com a maioria, no Brasil e no mundo. Tem coisa melhor que um sucão de laranja espremida na hora, dois cubões de gelo, dois canudos, no balcão da padaria? No café da manhã comprido do domingão? Ressuscita qualquer espírito. Vitamina C, azedume e doçura na medida certa, sempre um sabor ligeiramente diferente do último, e carboidratos de montão.

O epicentro da indústria da laranja no planeta Terra é o estado de São Paulo. É uma máquina de fazer dinheiro. Os plantadores de laranja no Brasil receberam no ano passado de doze a quinze reais para cada caixa de 40,8 quilos. Seja no suco da padoca ou no suco no Tetrapack, a margem de lucro sempre foi imensa. E visto que nossa economia cresce, e mais gente pode gastar, estamos tomando mais suco de laranja que nunca.

Pra fazer em casa é baratinho, mas demanda tempo, faz molhação na pia, há que dar fim no bagaço depois, e gera um custo de energia, ou elétrica ou do braço mesmo. Tem lugar que cobra dois reais, tem lugar que cobra sete, oito, ou mais, dependendo do frescor ou frescura do ambiente. Margem de lucro daquelas.

Por que então este ano a caixa de laranjas que valia doze reais vai cair pela metade, ou até chegar a três reais, segundo alguns analistas? Por que a laranja está em crise? O que vai acontecer com as cidades paulistas e mineiras cujas economias giram em torno do suco? E, principal para gente como a gente, nosso suquinho de todo dia vai cair de preço também?

A explicação oficial: tem veneno no seu suco.

Na safra 2011/2012, tivemos produção recorde de laranja. Nesta nova, teremos de novo uma superprodução. As empresas de suco de laranja estão com os estoques bem fornidos. Como vem mais um monte de suco por aí, elas não precisam se preocupar em garantir o suprimento a preço bom.

E o mercado externo está em queda. A responsabilidade principal é do governo americano. Mais da metade do suco de laranja consumido nos EUA é produzido no Brasil. Mas os Estados Unidos decidiram barrar a entrada de cargas de suco com Carbendazim, um fungicida muito usado em outros países, inclusive no Brasil. Isso espantou o consumidor americano. As vendas de suco brasileiro nos EUA caíram. Os citricultores brasileiros pediram um ano e meio para se adaptarem a estas novas exigências. Basicamente, vão ter que trocar por agrotóxicos mais caros. Com os quais os americanos não encrencam. Por enquanto.

Ironia - os produtores brasileiros gastam uma boa grana em agrotóxico para aumentar a produtividade, e agora que ela cresceu muito, a super oferta jogou os preços lá embaixo. Que frescos esses gringos, hem?

Bem, testes em laboratório indicam que altas doses de Carbendazim podem causar infertilidade. Os testículos dos ratinhos de laboratório basicamente explodiram. Na Austrália deu escândalo - tinha peixe nascendo com duas cabeças, todo tipo de deformidade. Altíssimas doses têm consequências seríssimas. Há caso de criança nos Estados Unidos que nasceu sem olhos, após a mãe ser exposta a uma dose alta de Benlate, parente do Carbendazim. Os países ricos decidiram que seu sucão de laranja, amigo, está envenenado.

É questão de política comercial? Os testes são precisos? Tem lobby na jogada? Que sei eu? Pelo sim pelo não, me garanto: aqui em casa só entra laranja orgânica. Não sou crente cego nas vantagens milagrosas da agricultura orgânica, mas uma é indiscutível: produto orgânico não tem agrotóxico. A desvantagem é que pago R$ 6,06 por um quilo de laranja pera - seis laranjas. É o preço de que será pago este ano por quarenta quilos de laranja ao agricultor!

Isso, para aqueles que conseguirem vender seu produto. Li hoje no jornal: especialistas dizem que um terço da produção total de laranjas do estado de São Paulo pode apodrecer no pé em 2012 - simplesmente porque, com estes preços tão baixos, não valerá a pena colher.

Tem algo muito errado com o mundo.

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Publicado em 23/04/2012 às 06:00

Erikka Supernova: Diva Dance made in Brasil, modelo exportação

Já viajei um tanto pelo planeta. Se pudesse, viajava pra fora todo mês.

Só de ouvir outra língua já fico feliz. Cada lugar tem seus charmes, cheiros, sabores, sons. Mas todo lugar que eu fui fora do mundo anglófono tem pelo menos um som em comum.

São os hits de cantoras gostosudas, para estourar em boate/FM, com videoclipes exagerados e coreografias ensaiadinhas. Não discuto supostas qualidades ou não do gênero (cujo único objetivo é entreter e fazer dançar, o que não é pouco). Mas sua onipresença é estonteante.

É um tipo de som internacional, um genérico de balada, que você jamais saberia dizer de onde vem, originalmente. Sem pesquisar nada, lembro de Paulina Rubio (que conheci no México em 1996) e Hatice (Turquia, 2000), e não vou saber repetir os nomes das que vi na Grécia, Tailândia, Nova Zelândia e por aí vai. Ficaram na minha memória, e sempre que encontrei uma gringa nova, minhocava: porque o Brasil não tem divas dance modelo internacional?

Agora tem. Pneumática, carnuda, letra chicletona, clip conceitual bem sacado, quase meio milhão de visualizações e nome de diva dance modelo internacional: com vocês, Erikka Supernova.

Erikka Supernova - BANDIDA - Clipe Oficial em HD por perolasblogs no Videolog.tv.

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