Um dia: Mortal Kombat roubado de uma fábrica em Manaus (leia aqui). O receptador, pateta, postou sua foto na internet com os CDs. Vazou geral? Foi pontual, obra de algum funcionário da fábrica? O que diz a Sony? A WB Games? Hector Sanchez? A história acontece em minutos, na sua frente, na web, no Twitter, no Facebook, em portais e blogs e fóruns.

Dia seguinte, outro assunto. E outro. E outro. Aí, a PlayStation Network caiu (leia aqui). Ataque de um hacker? Muitos? Por quê? Quais dados foram comprometidos? O que a Sony vai fazer a respeito? A reação dos gamers, do mercado, dos acionistas da Sony, da empresa – segundo a segundo a história se desenrola. No minuto que escrevo isso, a PSN continua fora do ar.

Viajo no final de semana. Segunda-feira caiu o mundo: zilhões de e-mails e comentários me cutucando sobre uma reportagem sobre games exibida no Domingo Espetacular (TV Record).

Calmaí, gente, não vi, cadê o link? Taqui! E assisto de cabo a rabo. Rasa nos fatos, repleta de pitacos, como eu achei que não se fazia mais reportagem sobre videogames a esta altura do campeonato. Cadê os fatos, as pesquisas científicas, as análises criteriosas para bancar a influência dos games nas ações esquizofrênicas do assassino de Realengo? Lugar nenhum. Comento no Twitter isso. Mas já se passaram umas 18 horas; o assunto é velho; meu comentário a esta altura repercute limitadamente. Fosse em cima da pinta, explodia, considerando que meu blog pessoal está hospedado dentro do R7.

O que o vazamento das cópias de Mortal Kombat significa para o futuro dos games fabricados no Brasil? Qual seu impacto dentro da Sony e WB? Que diferença fará nas vendas? Como deve ser punido quem roubou, quem receptou?

Qual o impacto de longo prazo do ataque à PSN? Manchetes afirmam que o prejuízo da Sony com o ataque pode passar dos US$ 24 bilhões. É suficiente para quebrar a companhia. Será? Dá tempo da Sony limpar a barra? Como? Quais as consequências para outras redes, como a Live?

Notícias pipocam a cada momento e canto. Não conseguimos escapar delas. Replicadas sem reflexão, tornam-se commodities sem valor. Sem a análise que só o tempo permite, não deixam rastro – ou parecem não deixar. Algumas notícias são fast food – digestão imediata, não-memorável. Algumas são banquete para muitos dias. E inesquecíveis.

Demos, no mês de abril, um passo que considero importante na maneira como nosso jornalismo de games lida com o mundo novo da notícia. A estreia de nosso novo portal Gameworld, e atuação instantânea e permanente no Twitter e Facebook, aposta na alta temperatura da notícia, mas sempre aliada à reflexão, à análise e à visão de longo prazo, marcas da revista que você tem nas mãos.

Gameworld, diferente de outros portais similares, é útil e divertido para hardcore gamers, mas não só. O site está repleto de artigos, reportagens e entrevistas que não terão interesse para quem só quer jogar o game do momento, e que serão preciosos para quem trabalha com games, quem estuda para atuar na área, ou quem quer entender as minúcias deste mercado. Não me cabe dizer que Gameworld é melhor ou pior que outros portais de games; é minha obrigação garantir que ele seja diferente. Até porque Gameworld é o canal noticioso de games do R7.com.

Grande responsabilidade, especialmente porque os grandes responsáveis pela área editorial e comercial do R7 amam games. Vão nos cobrar forte. Peço que você nos cobre também. E, sim, prometo continuar meu esforço de educar jornalistas não-especializados de todos os veículos, e também da TV Record, para que aprendam que não só videogame não mata, mas ainda diverte, educa, afina o sangue e fortalece o caráter.

Como o evento Gameworld, nosso novo portal é inclusivo, aberto para todos os que amam games – hardcore, casual, criança, marmanjo, amador – e obrigatório para os profissionais dos games.

GameWorld 2011 - Tour pela Feira. por thevideos no Videolog.tv.

Gameworld agora é realmente uma marca multiplataformas:

- Troféu Gameworld, o único evento de premiação dos games no Brasil;

- O único evento de negócios do segmento, Gameworld Business;

- Feira Gameworld, a mais importante do país;

- Gameworld, o portal;

- Gameworld Jogos, para jogar online;

- E, claro, a revista que deu início a tudo e que você tem em mãos, Entertainment & Gameworld: EGW.

Nos próximos dez dias, estarei exclusivamente no www.gameworld.com.br, aqui mesmo no R7, mandando reportagens diretamente da E3, a maior festa de games do planeta Terra. Live from Los Angeles!

Muito vídeo, muita entrevista, muita coisa exclusiva. E eu de repórter de TV. O quê?

É. Como em todo game que presta, o desafio vai aumentando conforme você avança. É disso que a gente gosta...

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Hoje é Dia Mundial da Criança. Ué, não era 12 de outubro? Acho que só no Brasil, e aí mais com intenções de agitar o varejo que de chamar atenção para as necessidades das crianças do mundo.

Não sei origem de um ou outro, porque pela primeira vez escrevo este blog sem acesso à internet. Dá um Google aí e me conta.

Se o tema fosse outro, o risco de tropeçar nas próprias pernas seria alto. Mas de criança eu entendo profissionalmente. Já editei revistas pra criança, publiquei livro pra criança, bolei site pra criança.

Trabalho a maior parte do tempo com videogames, que não é para gente de todas as idades, mas para a criança que existe dentro desta gente. E tenho uma criança em casa.

Filhos são o centro das atenções, preocupações, atividades, prazeres e amolações. Ou deveriam ser. Viver com criança realinha suas prioridades.

Vai viajar? Tem que ser com a criança, e com um lugar que a criança curta também. Vai no restaurante? Será que tem comida que criança come? E o DVD do sábado à noite, não tem cenas sanguinolentas?

Não defendo a escravidão paterna e não sou desses pais que passam os finais de semana como animadores de festinha, ou comprando brinquedo em lanchonete do shopping.

Mas passo tanto tempo com meu filho quanto dá, e não entendo a paternidade de outra forma. Desconfio de quem se contenta em ser pai à distância. Certas coisas não dá pra fazer remotamente.

Ter meu primeiro e único filho aos 38 anos de idade me envelheceu e rejuvenesceu. Tenho muito mais preocupações de longo prazo que antes. Vejo meus pais com outros olhos. Amadureci, digamos assim.

Os outros lados da moeda: olho muito mais para o futuro do que para o passado. E estou muito mais moleque, que contato diário com uma criança é a fonte da juventude.

Você enxerga com olhos que começam a ver, sente com nervos tenros e expostos. Só a brincadeira é importante, e tudo é brincar, mesmo e principalmente na hora que o pai diz que não é hora.

Ser pai é ser chato, frequentemente. Não precisa e não devo exagerar. Longe estão minhas dúvidas da adolescência, e não lembro da pulsão insegura dos vinte.

Me ocupo dos sete anos de Tomás, dos meus quase 46, e só do que é importante - brincar e explorar e imaginar, e aprender, e rir e chorar e consolar.

Por causa dele, para mim, todo dia é dia da criança.

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Desprezo correntes e superstições em geral. Mas se vem de uma pessoa querida, não é corrente, é presente. Hoje veio esta do meu tio:

Vejam que coisa inusitada:
Nós nunca mais veremos um mês de Julho como em 2011.
Ou alguém de nós viverá mais 823 anos?
Este ano, Julho terá 5 sextas-feiras, 5 sábados e 5 domingos.

Isto acontece uma vez a cada 823 anos. Estes anos são conhecidos como 'money bags'.

Passe para 8 boas pessoas e o dinheiro aparecerá em 4 dias, baseado no Fengshui
chinês.
Quem parar não recebe, diz a lenda!

Bom, não custa tentar ....

Não acredito em Feng Shui, Papai Noel ou almoço grátis, mas tenho duas boas razões para arriscar.
Primeiro, os leitores deste blog são todos boa gente.
Segundo, são bem mais que oito por dia - de mil pra cima, vamos dizer assim.
Portanto, assim que eu postar esta corrente, devo receber a grana em dez minutos.
Vale arriscar, certo?
Um, dois, três e...

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Tá cheio de gente contratando fotógrafo profissional para fazer suas fotos para as redes sociais. Custa a partir de R$ 200. O fotógrafo pode até vender o serviço completo: maquiagem, produção, cenário.

Mais iluminação e fotos no capricho, claro. Andy Warhol daria saltitos de alegria: os famosos 15 minutos de fama foram devidamente democratizados. Tudo é razão.

Um ex-gordinho queria exibir a barriga tanquinho pós-malhação. Outra ex-gordinha fez o book para exibir o novo corpão no aniversário de 30 anos. A dona de casa Andréia Magno, 35, queria mostrar a nova napinha para os amigos, depois de uma rinoplastia.

“Um monte de gente coloca fotos de viagens e eventos. Por que não posso colocar de uma novidade no meu corpo?”.

O vídeo matou os astros do rádio, a internet mata o próprio conceito de estrelato. Vou tirar sarro? Já tirei. Mas é claro que a foto que está neste blog passou pelo Photoshop, um pouco demais, na verdade.

Não fui eu, mas palpitei. Ensaio de trocar desde o primeiro dia do blog. Não tenho outra apresentável. Só tiro foto em viagem, e aí sempre descabelado, barbudo, queimado e rindo como bobo ou com o moleque pendurado no pescoço.

Minha foto do Twitter não fui eu que coloquei - é de uma E3 qualquer, e opção de uma amiga. Na do buble.me estou falando no microfone, palestrando na última Campus Party, foto feita por um colega, também não escolhi.

Linkedin, caretaça, é de mil anos atrás. E elas vão ficando pelas redes sociais e vai ter gente pensando que eu sou assim.

Tenho fantasia de publicar um dia um livro, com uma seleção de quase 23 anos de jornalismo. Claro que não vão entrar os textos que me constrangem. É meu legado e só permitirei os que me deixam bem na fita.

O livro não terá fins lucrativos, porque livro não dá lucro. Publiquei muitos e te mostro as cicatrizes, se fizer questão. Mas quero imprimir um, tiragem limitadíssima, edição lindona e definitiva, só para os chegados e para colocar na minha estante. Afinal, já plantei árvore e tive filho.

Eu devia chamar um desses fotógrafos que fazem book pra fazer a foto da capa do livro, e mais minhas fotos definitivas de internet. Para durar a próxima década, e em 2021 as madames pensarem que estou bem conservado para 55 anos. Ou, pensando melhor, talvez um fotógrafo amigo, que me conheça desde sempre e que não tenha dó de mim - Rui Mendes? Pisco? Tem desconto?

O motivo de eu querer publicar um livro é, vamos deixar bem claro, vaidade. E se quero fazer um livro para satisfazer meu ego, evidentemente quero estar bem bonitão na capa. Prometo Olhar 43 e Photoshop no capricho.

Corpinho marombado e narizinho delicado, vou ficar devendo.

forasta ok Minha foto na capa

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Antigamente, se dizia que toda artista era prostituta. A moça tinha que fugir de casa pra virar atriz, e fugir de uns sopapos do pai se quisesse cantar, no palco ou no rádio. Lugar de moça de família era em casa, e da casa onde nasceu pra do marido.

O mundo mudou e com ele, o papel da mulher, e da mulher nas artes. A revolução de costumes, movida a divórcio fácil, pílula anticoncepcional, descriminalização do aborto (pelo menos em alguns países mais civilizados que o Brasil) e pelas múltiplas faces do feminismo, deu origem à primeira geração de estrelas criadoras, fortes e independentes dos homens.

Adeus intérpretes das canções escritas por homens, tchau girl groups produzidos por homens, bye-bye para estrelas abusadas pelos maridos empresários. Como muitas coisas, a virada se cristalizou na Califórnia, meca do show-business, antro de malucos, berço de inovações descabeladas.

As garotas se tornaram lendas: Janis Joplin, Grace Slick, Joan Baez, Rickie Lee Jones e Carly Simon e Linda Ronstadt. E mulheres em bandas com homens - Stevie Nicks e Christine McVie, no Fleetwood Mac; Ann e Nancy Wilson no Heart,  Suzi Quatro.

janis joplin ok O reinado de Beyoncé e outras pseudoprostitutas

Janis Joplin

E depois chegou o punk e a new wave, e uma nova geração de mulheres que sabiam onde tinham o nariz e todo o resto ocuparam o holofote - Chrissie Hynde, dos Pretenders, e Debbie Harry, do Blondie; Siouxie Sioux; e Annie Lennox, e Joan Jett e as Go-Go's e tantas outras. Não eram musas do underground. Eram superestrelas que lotavam estádios e ganhavam discos de platina.

Elas tinham sex-appeal, sim, e eram claramente livres para decidir o que fazer e transar com quem bem entendessem. Elas eram muito femininas e nenhum homem não as reconheceriam como iguais. Hoje, todas as grandes estrelas parecem prostitutas. Não há nome do primeiro time que não rebole nos palcos e vídeos como uma piranha, pronta para receber dólares amassados na calcinha.

Uma é mais isso, outra mais aquilo, todas iguais na penumbra. Está na cara do freguês, e ficou dolorosamente óbvio na entrega do Billboard Music Awards - Beyoncé, Britney Spears, Nicki Minaj, Rihanna, Fergie, Ke$ha, e se estivessem lá Shakira e Katy Perry e Kelis e sei lá mais quantas, não destoavam do clima de zona.

britney ri O reinado de Beyoncé e outras pseudoprostitutas

Britney Spears e Rihanna/Getty Images

Beyoncé foi apresentada por Michelle Obama, que a chamou de "role model", "exemplo a ser seguido"; Lady Gaga disse que Beyoncé representa "o sonho", Bono pagou pau etc. Entra a morena com roupa de travesti do Baixo Augusta e começa a se esfregar aqui e roçar acolá.

beyonce getty images ok O reinado de Beyoncé e outras pseudoprostitutas

Beyoncé/Getty Images

São todas filhotas da marafona Madonna, 53 anos no próximo agosto. Beyoncé não tinha um ano quando Madonna teve seu primeiro hit, Everybody, e no mesmo ano os clips de Lucky Star e Borderline já inauguravam o estilo stripper que hoje se tornou dominante. Lady Gaga nasceu dois anos depois de Like a Virgin e Material Girl, se você pode acreditar em uma coisa dessas.

lady gaga ok O reinado de Beyoncé e outras pseudoprostitutas

Lady Gaga/Getty Images

Evidente que existem muitas mulheres no mundo da música que não se submetem a esse padrão biscatinha. Estou falando das superestrelas, e aí não sei de nenhuma que não se preste a este papel. Até Shakira, roqueira colombiana, "teve" que tirar a roupa, malhar, aloirar e aderir ao geme-geme pra estourar.

Arrisco uma explicação. As infinitas distrações deste novo século digital nos dificultam focar atenção. A solução de massa é abrutalhar os sentidos, transformar todas as músicas em um só refrão robótico, as personalidades em caricatura, as mulheres em um par de peitos e outro de coxas. Se esta ou aquela letra trata deste ou aquele tema de "empoderamento" da mulher, pouco importa.

Comunicação não é o que você fala, é o que o outro ouve. Madonna fazia boca de boquete, usava uma fivela escrita "boy toy" e se dizia feminista - e daí? Ela, como essas moças todas, parecia estar disposta a fazer tudo por dinheiro. Sozinha, fez este estrago. Me pergunto o que o efeito conjunto dessas moças todas fará nas garotinhas de hoje. Será que o futuro será de "material girls"?

madonna site O reinado de Beyoncé e outras pseudoprostitutas

Madonna

Eu sou o cara menos moralista do mundo para essas coisas. Se uma mulher quiser transar com cem caras diferentes por semana, a decisão é dela. Isso não tem nada a ver com ganir feito cadelinha que salta conforme o homem mostra o osso.

Não nego que gosto de ver as partes desnudas de Beyoncé e cia., como todo homem que conheço, inclusive os gays; daqui alguns anos, não sei; destino de piranha é morrer jovem, ou envelhecer mal, incluindo as pseudo. Um passeio ao bordel tem lá seus charmes. Mas eu não queria viver lá. E as mulheres que conheço e respeito, menos ainda.

Die Young Stay Pretty Blondie. por thevideos no Videolog.tv.

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Semana passada um vídeo encantou a internet brasileira. É Oração, de A Banda Mais Bonita da Cidade. O clipe, baratinho e bem produzido, mostra um grupo de jovens dos seus vinte e poucos anos, cantando repetidas vezes a mesma estrofe, enquanto passeiam pela casa. A casa parece ser uma república de luxo, os jovens têm pinta de universitários / classe média alta / curso de humanas. São paranaenses.

O vídeo é bem realizado e nada original. Sugere um plano único (não é), em que “a câmera” segue as pessoas subindo e descendo escadas, entrando na cozinha, na sala etc., e em cada ambiente, pessoas diferentes entoam de maneira um pouquinho diferente as mesmas palavras, com um instrumento a mais ou a menos. No final, grande festa na república, todos pulando felizes.

Tem coisa que eu entendo. Tem coisa que eu não entendo e não tenho vergonha de assumir. Eu entendo porque tem gente que é fã até hoje dos Titãs, e não entendo porque tem gente que paga pra ver Nando Reis. Eu entendo porque muita gente lê o Paulo Coelho e não entendo porque há quem leia Gabriel Chalita.

Eu absolutamente não entendo porque tanta gente, e gente diferente, e gente de gostos completamente opostos, e amigos cujos conhecimentos enciclopédicos de música ultrapassam muito os meus, ficaram tão apaixonados por Oração.

Eu não gostava de banda universitária nem quando estava na universidade.

Minha primeira namorada na USP, 1985, gostou de mim porque eu usava camisetas dos Dead Kennedys, lia livros do Philip K. Dick e não ia em festinha que tocava Milton Nascimento. Então tenho lá meus preconceitos contra rapazes de barbicha e sandália de couro que tocam violão para moças de bata e calcanhar sujinho. Nunca confie num hippie - Johnny Rotten.

Meu primeiro instinto seria dar um descontinho aos moços da Banda Mais Bonita da Cidade. Mas não tanto desconto assim, porque juventude não pode ser desculpa pra nada e muito pelo contrário.

Mas o consenso a favor de Oração é tão múltiplo que me intriga. Te pergunto: o que não enxergo?

Oração A banda mais bonita da cidade por thevideos no Videolog.tv.

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strauss cima ok Dominique Strauss Kahn, preto no branco

Ela é negra, africana, imigrante. Tem 32 anos e uma filha de 15. Vivem a sós e mal em Nova York. A família ficou na República de Guiné, ex-colônia francesa, dez milhões de habitantes, paupérrima.

Ela fugiu sem olhar para trás. Deu mais sorte que muitas: conseguiu emprego de camareira em um hotel elegante.

Ele é branco, francês, político profissional. Tem 62 anos, casado três vezes, quatro filhos; é avô. Estudou nas melhores escolas e chegou muito alto - diretor geral do FMI, o Fundo Monetário Internacional. Salário anual: US$ 420 mil.
Preparava candidatura a presidente da França, pelo partido socialista.

Ela não tem nome. Ele tem um nome difícil de esquecer: Dominique Gaston Andre Strauss-Kahn. Ela está sob proteção policial. Ele, na cadeia em Nova York. Ela diz que ele a atacou sexualmente, no quarto no 28º andar do Sofitel, em Nova York.

Ele vai dizer que o sexo foi consensual. Ele tem religião desconhecida, se tem. Ela é muçulmana. Ela o reconheceu entre outras pessoas, na delegacia. Ele contratou para defendê-lo o mesmo advogado que defendeu Michael Jackson.

Vai precisar: sua fama de sedutor já vinha manchada por outras alegações de assédio sexual. Acaba de aparecer uma segunda acusação. Teria atacado em 2002 Tristante Banon,  filha de uma deputada francesa, do mesmo partido que Strauss-Kahn - socialista.

O FMI se autodescreve como "uma organização de 187 países, trabalhando juntos para a cooperação monetária global, a estabilidade financeira, para facilitar o comércio internacional e promover o alto nível de emprego e crescimento econômico sustentável, e reduzir a pobreza."

Os países têm votos com pesos diferentes, conforme suas contribuições ao Fundo.

São representados pelos presidentes do banco central de cada país. O voto dos Estados Unidos vale 17,9% do total. Somado aos outros nove maiores contribuintes, os dez países principais somam 55,6% e têm o controle das decisões.

Strauss Kahn meio ok1 Dominique Strauss Kahn, preto no branco

Eles são Japão, Alemanha, Reino Unido, França, China, Itália, Arábia Saudita, Canadá e Rússia. É o G8, acrescido da potência em ascenção irresistível, China, e do maior produtor de petróleo, Arábia Saudita.

O FMI está para os embates econômicos como a OTAN para os confrontos militares. É uma instituição supostamente democrática e de defesa, que na prática serve a poucos e para o ataque, sob a suposta respeitabilidade de um mandato coletivo. Os americanos mandam prender e mandam soltar, os europeus conjuntamente influenciam, Japão pouco apita, China muito chia.

Os famigerados programas de ajuste que o FMI impôs a dezenas de países subdesenvolvidos, em troca de empréstimos, deram todos com os burros n'agua e jogaram milhões na miséria na Ásia, América Latina e África.

Impossível não enxergar a ironia cruel: o diretor geral do FMI agarrando a camareira africana, mãe solteira, muçulmana.

Exatamente o que aconteceu naquele quarto, só os dois sabem. O julgamento certamente revelará matizes de cinza. O simbolismo do ataque é preto no branco.

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Tá todo mundo querendo o couro do Palocci. Menos a presidenta, a comissão de ética, o Senado, o PT e eu. Até tu, Forastus? Pois é.

Peleguei. Adolescente, eu era da linha paredão, enfileira os engravatados todos e passa fogo, sem misericórdia.

Ou, como defendia um mano skatista na época do general Figueiredo, a solução é jogar uma bomba de nêutrons em Brasília e transformar a cidade em uma pista, dropar do Congresso e descer a rampa do Planalto fazendo slalom.

Mas a maturidade traz junto a seletividade. Cabe priorizar. Caça às Bruxas tem que começar pelas mais horrorosas, nefastas, verruguentas.

Tenho comigo o original sentimento de que o principal problema da nação é a ignorância.

Como o ministro da educação ocupa o cargo faz muito tempo e continuamos na mesma pindaíba mental, eu deixaria Palocci e a ministra da cultura Ana de Holanda sossegadinhos nos seus cantos e prepararia a fogueira para Fernando Haddad.

Certo que temos na vizinhança gente do quilate de um Edson Lobão, cuja simples visão nos jornais televisivos já incute incredulidade e espasmos estomacais nos mais delicados. livro Os mano do MEC

Mas o ministro Haddad foi hoje para a pole position graças à sua defesa do livro Por Uma Vida Melhor, da coleção Viver e Aprender.

O livro, distribuído justamente pelo Ministério da Educação, foi distribuído a 4.236 escolas do país. Ele ensina a falar e escrever errado.

Na página 15, o texto pergunta ao aluno: "Mas você pode falar os livro? Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima do preconceito linguístico."

Uns chatos aí caíram de pau no livro, usando argumentos antigos. Por exemplo, que um livro de português deveria ensinar português.

Eu, que sou de Piracicaba e paulistano adotado,  solto "as mina" com frequência alarmante. Por isso me solidarizei momentaneamente com as novas vítimas do preconceito, que livros como esse certamente criarão.

Passou assim que li a explicação do MEC: o livro atende aos seus parâmetros,  a língua portuguesa tem muitas variedades, grupos sociais diferentes falam diferente!

Perseguir negros e gays, a lei felizmente já proíbe. Já judiar da língua e da nossa paciência continua liberado.

Os cara não são mole não, mano.

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braille Petição pública pelos direitos dos deficientes

Abaixo-assinado MANIFESTO - Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência - CUMPRA-SE!

Para:V. Ex.a Presidenta da República Federativa do Brasil Dilma Rousseff, Ministro da Educação, Ministra dos Direitos Humanos, Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Vereadores brasileiros.

Em defesa do Direito Indisponível à Educação para Todos e Todas e da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que tem por base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU - CDPD:

No ano de 2006, quatro anos depois do início dos debates e das negociações que resultaram na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, um sopro de ar fresco e esperança tomou conta do nosso país. Os 33 artigos de conteúdo e os 17 do protocolo facultativo da Convenção foram ratificados com quorum previsto no art. 5°, § 3° da Constituição Federal. A aprovação com o quorum qualificado de três quintos dos votos dos membros da Câmara e Senado Federal, em dois turnos, garantiu ao tratado o status de normal constitucional, e esse fato ocorreu em 9 de julho de 2008, tornando esse dia um marco histórico para a sociedade brasileira.

A ratificação, que foi fruto de incansável e intenso trabalho de pessoas com e sem deficiência de todos os cantos do Brasil, foi mais uma prova da força do movimento de defesa dos direitos da pessoa com deficiência/direitos humanos e de suas lideranças, que disseram não ao modelo de saúde/assistencialismo que antes imperava.

Os princípios e as obrigações gerais da CDPD colocam o artigo 24 em evidência, pois o exercício da cidadania, a equiparação de direitos e a igualdade de oportunidades e de condições, bem como a eliminação da discriminação, dependem do acesso e da permanência na educação, com todos os sistemas inclusivos e recursos disponibilizados, com inclusão, acessibilidade e prevalência do desenho universal.

CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: Decreto Legislativo nº. 186, de 9 de julho de 2008 e do Decreto Executivo nº 6.949, de 25 de agosto de 2009

ARTIGO 24 - EDUCAÇÃO.

1. Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência à educação. Para efetivar esse direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes assegurarão sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida, com os seguintes objetivos:

a) O pleno desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e auto-estima, além do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos, pelas liberdades fundamentais e pela diversidade humana;
b) O máximo desenvolvimento possível da personalidade e dos talentos e da criatividade das pessoas com deficiência, assim como de suas habilidades físicas e intelectuais;
c) A participação efetiva das pessoas com deficiência em uma sociedade livre.

2. Para a realização desse direito, os Estados Partes assegurarão que:

a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário, sob alegação de deficiência;
b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino primário inclusivo, de qualidade e gratuito, e ao ensino secundário, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem;
c) Adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais sejam providenciadas;
d) As pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação;
e) Medidas de apoio individualizadas e efetivas sejam adotadas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena.

3. Os Estados Partes assegurarão às pessoas com deficiência a possibilidade de adquirir as competências práticas e sociais necessárias de modo a facilitar às pessoas com deficiência sua plena e igual participação no sistema de ensino e na vida em comunidade. Para tanto, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas, incluindo:

a) Facilitação do aprendizado do braille, escrita alternativa, modos, meios e formatos de comunicação aumentativa e alternativa, e habilidades de orientação e mobilidade, além de facilitação do apoio e aconselhamento de pares;
b) Facilitação do aprendizado da língua de sinais e promoção da identidade lingüística da comunidade surda;
c) Garantia de que a educação de pessoas, em particular crianças cegas, surdocegas e surdas, seja ministrada nas línguas e nos modos e meios de comunicação mais adequados ao indivíduo e em ambientes que favoreçam ao máximo seu desenvolvimento acadêmico e social.

4.A fim de contribuir para o exercício desse direito, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para empregar professores, inclusive professores com deficiência, habilitados para o ensino da língua de sinais e/ou do braille, e para capacitar profissionais e equipes atuantes em todos os níveis de ensino. Essa capacitação incorporará a conscientização da deficiência e a utilização de modos, meios e formatos apropriados de comunicação aumentativa e alternativa, e técnicas e materiais pedagógicos, como apoios para pessoas com deficiência.

5.Os Estados Partes assegurarão que as pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino superior em geral, treinamento profissional de acordo com sua vocação, educação para adultos e formação continuada, sem discriminação e em igualdade de condições. Para tanto, os Estados Partes assegurarão a provisão de adaptações razoáveis para pessoas com deficiência.

CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: CUMPRA-SE!

Os signatários

Para assinar, clique aqui

Texto reproduzido do site Petição Pública

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Estava no show do John Fogerty (leia aqui), 65, e meu amigo, 47, virou e disse: que engraçado vir em show de velho. Ele vai a muito show de artista novo, porque é produtor musical.

Ficou rindo dos tiozinhos de camiseta do Jack Daniel's e rabo de cavalo, balançando as papadas ao som de hits de quarenta anos atrás. Perto da média de idade do público, ele e eu éramos garotões.

E, na verdade, somos. Porque a expectativa de vida mudou, e porque a expectativa do que você deve fazer da sua vida adulta mudou. Com o envelhecimento das populações do mundo, mais e mais estudos estão sendo realizados sobre a famosa terceira idade. O planeta Terra nunca mais será tão jovem quanto hoje. Isso tem implicações aos montes.

Nos Estados Unidos, principalmente, todas as grandes instituições acadêmicas estão mergulhadas no assunto, à medida que a geração baby boomer, nascida depois da Segunda Guerra Mundial, entra oficialmente na idade da aposentadoria, sem sinais à vista de poder parar de trabalhar.

Em 1960, menos de 10% dos americanos tinha mais de 65 anos, e a expectativa de vida era só um pouquinho acima disso, menos de 79 anos. Estudos demográficos indicam que em 2030, a expectativa média será acima dos 80 anos - o que significa que muita gente vai estar batendo nos cem - e mais de 20% dos americanos terão acima de 65 anos.

Está na cara que só milionário vai poder se aposentar aos 65. A questão principal é: mas vai querer? Quando muita gente tiver expectativa de vida de 90 anos, aos 60 você ainda terá um terço dela pela frente. Um terço com mais pelancas e ossos esburaquentos, fato, mas um terço mesmo assim.

Como serão, seremos?

Recentemente, a American Society on Aging publicou uma edição especial de sua revista Generations, dedicada ao futuro da velhice. Junto, organizou uma conferência anual em São Francisco com pesquisadores do assunto para debaterem desafios e soluções. O insight mais interessante que o encontro rendeu: quem tiver 70 anos em 2050 terá crescido jogando videogames e usando a internet - e, portanto, acostumados a uma vida social virtual intensa.

Um estudioso da Westchester University, Douglas McConatha, desenvolveu uma teoria sobre o assunto, que batizou de E-Quality Theory of Aging.

Para ele, a revolução industrial marginalizou os velhos, simplesmente porque eles não têm a energia necessária para trabalhar em fábricas. Com tantas mudanças na economia e com o impacto da internet, a revolução digital está diminuindo drasticamente o número de coisas importantes economicamente que um velho não consegue fazer.

Some isso ao poder econômico desta faixa da população, e a tendência está clara: os velhos recuperarão grande parte do status que perderam no século 20. Envelhecer continuará sendo um luxo melancólico. Mas muito menos doído para muito mais gente. Se você importa até o final, e se o final está mais longe, é uma boa vida.

Espero que os especialistas estejam certos. Terei 85 anos em 2050 e espero passar dos cem - e espero jogar videogames, escrever no meu blog e ir a shows de rock até o último suspiro.

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