Eu jamais quis trabalhar em televisão. Nunca passou pela minha cabeça.

Me lembro de Astrid Fontenelle sugerindo que eu fizesse teste para a primeira turma de VJs da MTV, 1991? Agradeci mas no, thanks. Fiz algumas aparições, como comentarista disso e daquilo, ou em painéis. Um ano e pouco atrás, passei uma temporada participando semanalmente do NBlogs, na Record News.

Não é desinteresse. TV é poder. Não é vergonha. Sou o cara mais sem vergonha do mundo na frente de uma câmera. Também não tenho a menor idéia do que vou fazendo. Vou falando, até demais, e vamo que vamo. Foi falta de convite que fizesse sentido para mim, e falta de energia da minha parte para correr atrás. Não tenho nada contra aparecer, mas não tenho vocação de repórter, boniteza de apresentador, e no final gosto mesmo é de escrever. Em breve, quando este blog estrear seu novo design, vou fazer mais vídeos. Pelo menos um por semana. Naquele esquema deixa que eu chuto.

Minha estréia como repórter de vídeo foi no ano passado. Na cobertura da E3, o maior evento de games do mundo, em Los Angeles. Eu já tinha feito muito vídeo de lá. Mas em 2011 foram mais de trinta, sempre eu falando, eu mostrando, eu entrevistando esse e aquele. No final dos quatro dias estava rouquinho da silva. Tudo para nosso site.

Mas nunca tinha feito algo como isso aí embaixo. Foi duas semanas atrás, no GameWorld 2012, evento promovido pela empresa que dirijo, a Tambor.

Comecei dando uma de repórter pro R7. Vê a cara de pau do picareta vendendo seu peixe, depois dos nossos comerciais:

Tivemos no GameWorld um convidado especialíssimo, Yoshitaka Amano.

Admiro Amano e fiz questão de fazer a entrevista pessoalmente. Foram 34 minutos de papo, intermediados pela tradutora, e bravamente registrados pelo colega Renato Almeida. Uma versão com introdução, começo, meio, fim e resumida será publicada na próxima edição da revista EGW. A íntegra está aqui. Prometo nunca mais fazer um vídeo de meia hora, mas neste caso não pude resistir, e não resisto a compartilhar.

GameWorld 2012 - Entrevista com Yoshitaka Amano por perolasblogs no Videolog.tv.

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(Eu não tenho candidato na próxima eleição para prefeito de São Paulo.
Mas tenho alguém para derrotar: José Serra.
Já escrevi várias vezes sobre os porquês. Um bastaria: Kassab.
Gente mandona, que quer legislar a vida dos outros, me dá urticária.
Pior que de lá para cá, São Paulo foi ficando menos e menos livre.
Meu texto batendo na lei antifumo resume bem o que sinto.
Fui lá no meu blog velho, pré-R7, bati pra tirar a poeira, e aqui está.)

Eu acho que na placa de cada bar de São Paulo deveria ter uma plaquinha. Assim:

- aqui se fuma maconha

- aqui se bebe pelado

- aqui fazemos orgia

- aqui não servimos carne

- aqui toca Djavan

- aqui é GLS

- aqui é para evangélico

- e, aliás, deveríamos mudar a lei para permitir o uso de drogas terríveis tipo heroína e crack, em estabelecimentos com as devidas plaquinhas

- e por aí vai.

Informação transparente. Em todos os guias de jornal e da internet.

Entra quem quer. Trabalha lá quem quer.

Pode até ter uns alvarás diferentes, pagar impostos de maneira diferente.

É assim que funciona uma sociedade livre.

Coisa que, sabemos, não existe.

Mas podemos ser um pouco mais livres ou um pouco menos livres.

A nova lei antifumo faz São Paulo menos livre.

Porque, veja, não existem espaços públicos. Existem espaços mais públicos ou menos.

A rua é um espaço muito público.

O metrô, menos. Só entra quem paga.

Um hospital público, menos ainda. Só entra doente e acompanhante. E tem regras para tudo.

Um bar é muito, muito menos público. Tem dono. E só pode ficar lá quem estiver consumindo.

E mais: a questão da fumaça prejudicar os garçons é, claro, cortina de fumaça.

Porque pela mesma lógica, os garçons não poderiam trabalhar em casas de show, porque o som muito alto vai prejudicar a audição. Ou os marronzinhos não poderiam ficar aspirando gás carbônico nos grandes cruzamentos.

Cigarro faz mal? Faz. Outras coisas também fazem. É decisão do indivíduo fumar ou não.

Se houver consenso de que o cigarro deve ser proibido, que se proíba sua fabricação e comercialização. Dá pra começar tirando os subsídios dos plantadores de tabaco e aumentando vinte vezes o preço do maço.

Mas não. É mais fácil fazer de conta que estamos fazendo algo de verdade.

Muitos amigos acharam a lei civilizada. Tem roqueiro fazendo propaganda a favor. E blogueiro achando que é bonito ir fumar lá fora.

Esta lei é autoritária. E ponto final.

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Meus parentes vivem mais que a média. Têm famílias menores que a média.

E casam mais cedo que a média. Vivemos 69,2 anos (em vez da média, 66,5). Temos 1,5 filhos (versus 2,7). E nos casamos aos dezenove anos (e não 28,1 anos de idade).

Os dados são de um site chamado Mundia, novo serviço do tradicional Ancestry.com. Eu procurava um velho texto deste blog, para compartilhar nas redes sociais. Botei lá pra buscar: Forastieri + Suécia. Apareceu este tal Mundia.

Tudo besteira? Pode ser tudo verdade. Sei lá qual a base de dados que eles usam. Mas em um clique, lá está meu avô: Miguel Antonio Forastieri, 1906-1965, nascido em Jaú, morto em Boracéia. É o primeiro da lista.

Depois vêm outros muitos Forastieri, que viveram no Bronx, na Europa, pelo mundo. As informações param por aí. Se eu quiser saber mais, basta me cadastrar. É grátis. Alguns serviços premium serão cobrados, mas só no futuro, me tranquiliza o Mundia.

Pensando bem, vou pular. Já conheço bem a família Forastieri. Melhor dizendo, conheço muito mal, mas sei como me informar, se for o caso. Meu avô Miguel (que não conheci; gente finíssima, me dizem; assunto sério para outro dia) teve muitos irmãos e irmãs. Eles se reproduziram, e hoje somos muitos primos em segundo grau, e só dois em primeiro grau, próximos. Cresci longe da maioria dos Forastieri, em Piracicaba. Tenho pouco contato com a turma. Pena. Mas tenho pouco contato com os meus melhores amigos, e parentes queridos - que dirá parentes mais distantes.

A vida é repleta de afazeres e, porque não, alguns prazeres. Perda minha. Eu queria pelo menos conhecer um outro André Forastieri, que está no Rio ou Minas. Sonho borgeano!

Deveríamos fazer uma festa anual, uma reunião dos Forastieri.  Meu pai reuniu uma vez a família toda, ou quase. Foi aos cem anos da migração do meu bisavô para o Brasil, 1975. Teve missa. Fui coroinha desajeitado, primeira e última vez. Temos um sino comemorativo e fotos com todo mundo de calça boca-de-sino. Os velhos se tornaram velhinhos e zarparam.

Estamos na quinta para sexta geração de Forastieris no Brasil.

Uns anos atrás, fizemos uma viagem inesquecível: Forasta pai, filho e neto, mais digníssimas, à cidade de onde veio a família. Não temos parentes lá, ninguém com quem tenhamos contato. É a piccola Lauria, na Basilicata, sul da Itália. Ou pelo menos de onde saímos para vir pro Brasil. Porque Forastieri (embora meu pai garanta que tem tudo a ver com Floresta) significa Estrangeiro. Sempre adorei ter um sobrenome com este significado tão assim, filosófico, um tanto provocativo - de onde viemos, de onde vim? Qual nossa origem?

Pela cor da pele, olhos e cabelos, provavelmente viemos do lado de baixo do Equador. Meu avô, pelas fotos, parecia bérbere ou levantino. Sul da Itália e Oriente Médio são companheiros de cama e mesa. Puxei os outros lados dominantes, esloveno branquelo e caboclo desbotado. Mantive o beiço.

Jamais saberei de onde vieram meus antepassados, pré-Lauria. Nem o Mundia me ajuda. Hoje, tudo é registrado; meus taranetos, se existirem, saberão direitinho o que aprontei nos meus anos por aqui, e poderão ler este texto aqui, se tiverem interesse. Tudo vai permanecer, digital, para sempre. Do século 19 para trás, pré-internet e fotos, registros turvos pela névoa do tempo, eles nada saberão. O mistério dos Forastieri continua e continuará...

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Faz um mês que Thor Batista, o jovem filho do homem mais rico do Brasil, atropelou e matou um miserável ajudante de caminhão quando dirigia uma Mercedes SLR McLaren. Thor Batista não tinha álcool no sangue, Wanderson Pereira dos Santos tinha, diz a perícia. Thor guiava dentro da velocidade permitida, também disseram, mas tinha incríveis 51 pontos na carteira, aos 20 anos.

No dia 17 de março, todos pediam o couro de Thor. Ele é jovem, bonito e rico, e sendo assim, no Brasil é intocável. O outro era um pobre diabo. Thor, portanto, foi julgado à revelia no mesmo dia. Cortem-lhe a cabeça! Reação razoável mas desprovida de razão. Todo mundo deveria ser inocente até ser julgado culpado. Mesmo, especialmente, os que mais nos dão azia. Dias depois, a revelação: Thor já tinha atropelado uma pessoa antes. O velho não morreu. Foi ajudado. Subentendido: levou dinheiro. Ainda não é prova de culpa no caso de Wanderson.

Prejulgar um loirinho riquinho é tão imoral quanto prejulgar um pretinho pobrinho. Exigir justiça, nos dois casos, é obrigação e tarefa inglória. No Brasil os ricos jamais são julgados culpados. Nas raras vezes que sim, escapam sem punição. Deveríamos é ter feito do caso Thor um exemplo. Posso sonhar? Uma virada na história do Brasil: o momento em que dissemos ao mundo, e a nós mesmos, que aqui a lei vai valer para todos. Com apuração, perícia, presteza. Até chegarmos à verdade, doa a quem doer. Se Thor cometeu crime, que pagasse por ele. Se não cometeu, que fosse inocentado totalmente, e pudesse olhar a sociedade de cabeça erguida. Bonito, né?

ok Thor Batista, um mês depois: o novo Brasil rico, o pobre e velho Brasil

Brasil real: nem uma coisa nem outra. O processo provavelmente será arquivado, embora ninguém acredite na inocência de Thor. Porque é filho de bilionário. Pelo currículo de motorista que ignora as regras do trânsito. Porque o carro e a bicicleta foram removidos. Porque Eike disse desde o primeiro momento que seu filho era inocente (e o que deveria ter feito? Bem, Eliane Brum já discutiu brilhantemente a diferença entre ser pai e superpai). Porque a imprensa foi cheia de dedos com o caso, pelas razões previsíveis. Porque Lula ligou pra Eike pra prestar solidariedade. Porque Márcio Thomaz Bastos foi contratado para defender Thor.

Muitas razões, nenhuma prova contra Thor. Mas no que acredita a opinião pública? Bem, o advogado da família de Wanderson começou combativo, garantindo que ia exigir mundos e fundos de indenização. Thor garantiu que iria ajudar a família em tudo que pudesse. O que nós, brasileiros, entendemos: morto Wanderson, sua família realisticamente viu uma boa oportunidade de faturar. Embolsou seu cala-boca e tudo ficou por isso mesmo. Ora, comentou o meu amigo ali da banca de jornal, já que o cara morreu, pelo menos é uma chance para a família melhorar de vida...

Foi isso? Foi diferente? Jamais saberemos de fato, mas o martelo foi batido. Thor será inocentado, mas nunca será julgado inocente. Wanderson, segundo a polícia, é o ciclista bêbado que causou o acidente. Jamais terá justiça. Thor Batista também não - daqui trinta anos, ainda será o playboy irresponsável que matou o miserável e saiu na boa.

Fosse o contrário, um Wanderson com carteira estourada matando o filho de Eike Batista em circunstâncias idênticas, estaria livre? A única resposta honesta que um brasileiro pode dar: não. Thor simboliza o novo Brasil rico. Wanderson me faz pensar: pobre e velho Brasil.

 

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facebook m 20110920 Minhas regrinhas para o Facebook

Eu sou fácil de achar. Estou no Twitter: @forastieri. E estou no Facebook: André Forastieri. Minha política: como Roberto Carlos, eu quero ter um milhão de amigos. Não fico tentando aumentar o número de amigos (2270) artificialmente, nem comentando tudo, ou fazendo palhaçada pra gerar polêmica boba.

Faço parte de dois grupos: a comuna Bizz, de gente que é doida por música, onde saem uns papos interessantes e bizarros, e o Boteco Gamer, mais sério, de gente que trabalha com games. E fim. Se um ou outro for seu caso e quiseres aparecer por lá, dá um oi.

Agora, tenho umas regrinhas para o Facebook:

- eu não aceito amigo Pessoa Jurídica.
- eu não aceito amigo que a foto é em branco, ou meio macabra.
- eu não quero ser incluído em grupo à revelia, fazendo o favor.
- eu não jogo no Facebook, não me convide.
- aliás, pense muito bem antes de me convidar. Eu já fui na sua balada? Nunca. Porque iria depois de cinquenta convites?
- eu não uso BranchOut e cia. Aplicativo no FB que eu uso de verdade, só o do Guardian.
- eu não cutuco de volta. Acho meio sexual esse negócio de cutucada.
- eu não posso bater papo a qualquer momento do dia, não se chateie se eu der uns tchaus meio bruscos
- eu não curto Pessoa Jurídica, a não ser que eu curta MESMO. Não insista.

Não sou antisocial. Sou bem sociável. Mas a vida social tem que ter regras. O amigo agradece a compreensão.

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comu A coisa mais importante que você precisa aprender: inglês

Uma vez eu comecei uma palestra pra uma classe de estudantes de jornalismo assim: quem quer ser correspondente em Nova York? Metade levantou a mão. E quem aqui fala e escreve bem em inglês? Dois levantaram a mão. É a diferença entre ter um sonho e ter um objetivo.

Esses dias, num papo com gente já formada, na PUC, repeti a graça. O grupo tinha uns quinze, um terço levantou a mão. Melhorou bem a proporção. O que isso significa? Que inglês é cada vez menos um diferencial importante?

Aí perguntei: e quem aqui fala e escreve bem em mandarim ou cantonês?

Zero, como era de se imaginar. Mas a China não está cada vez mais importante? Será que não valia a pena aprender a língua dos caras? Um camarada lá me deu um bom cala-boca: mas os chineses falam inglês. É verdade, embora o sotaque pra gente complique bastante.

O ponto é que inglês é, de fato, o esperanto que esperávamos. Quem tem inglês bom tem muita vantagem na vida. Pra viajar, pra estudar, pra trabalhar, para entender e enfrentar apreciar o mundo.

Eu comecei a estudar inglês por causa do judô. Eu tinha seis anos e queria fazer judô, ignoro o porquê. Meu pai emprestou um kimono de alguém - um primo mais velho? - e me levou para uma aula de experiência.

No final da aula, lembro como se fosse hoje, meu pai perguntou o que eu tinha achado. Eu disse: acho que em vez de judô quero estudar inglês.

Resultado: sou ruim de briga mas bom de papo. Em duas línguas!

Foram sete anos, um e pouco de professora particular de conversação, uns seis meses mezzo abandonados de Alumni, já na faculdade. Me dediquei mais a aprender inglês do que qualquer outra coisa na vida. E mais muito gibi, muita música, livro, trabalho. Por isso tudo é que sempre fiz questão que meu filho tivesse um inglês de primeira. Esse ano ele começou em uma escola de inglês mesmo, independente da escola normal.

Duas vezes por semana. Esses dias a professora dele puxou papo comigo, em inglês. Depois de um pouco me elogiou: você morou nos States? Nunca.

Mas uso o tempo todo. Hoje tive um almoço de trabalho com dois russos.

De três horas. Em inglês. No problem.

Continuo fazendo erros idiotas de vez em quando, principalmente quando falo muito rápido. Não importa. Importa é que quando eu encontro algo como o Cosmo Learning - um site que simplesmente oferece 1800 documentários em inglês sob todo tipo de assunto, de graça, na internet - sinto que toda a informação do mundo está a um click pra mim, e sinto por todos que não terão acesso a esta maravilha, por só ter o português.

Tudo graças a meu pai, que me deixou trocar o judô pelo inglês, e à minha mãe, que me levou pro Yázigi durante todos aqueles primeiros anos.

A big thank you to João Carlos and Valderez!

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Você já viu aqueles anúncios incríveis da Apple, que mostram como o iPad é demais, certo?

E é mesmo. Não é perfeito, como alguns fãs babões defendem, mas certamente é muito legal.

Dá pra viver sem. Eu não tenho tablet. Já passo tempo demais olhando tela. Vou evitar enquanto der.

Outra boa razão: o vídeo abaixo. Ele mostra a linha de montagem da Foxconn na China, empresa que fabrica os iPads, sob encomenda da Apple.

Parece o trabalho mais chato do mundo.

E paga R$ 26,00 por dia.

A Foxconn vai se instalar em Jundiaí, aqui do lado de São Paulo. Espero que pague melhor os brasileiros.

Imagino que meu celular Android não tenha sido construído de maneira muito diferente.

Muito menos meu querido Mac Air.

Mas que dá bode, dá.

Inside Foxconn - Veja como é feito o iPad por perolasblogs no Videolog.tv.

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2296255 1009 rec Juliana Paes jamais será Gabriela

Juliana Paes acaba de postar sua primeira foto como Gabriela. Ela estrela a nova versão da novela. O remake é redundante. Juliana substituindo Sônia Braga é ofensivo. Ela é exatamente a pessoa errada para viver Gabriela.

É famosa.

Posa de ícone fashion.

Vive em capa de revista.

Apresentava reality show de cabeleireiros.

Tem 33 anos.

É mãe.

Tem imagem pública de boazinha, amiga, gente como a gente.

Confessa não ter revisto nem a novela, nem o filme.

Diz que fez preparação corporal — para tentar trazer a paisagem para dentro.

Não é primal, putinha e perigosa, como a Gabriela de Sônia Braga.

Não é hippie que encenou Hair aos 18 anos, em 1968, como Sônia Braga.

Não é seu primeiro papel de protagonista, como foi para Sônia Braga.

E não será gostosa, espontânea, natural como Sônia Braga era.

Emagreceu para o papel. Diz que uma retirante deveria ter o corpo magro e seco.

Eu digo: Juliana, cadê o pelo no sovaco?
Divulgação TV Globo4 Juliana Paes jamais será Gabriela

Humberto Martins não é Nacib, Ivete Sangalo não é Maria Machadão, ditadura não é democracia, 1974 não é 2012.

E Juliana Paes não é Gabriela.

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O canal pago TNT é especialista em emoções fortes. Como os americanos chamam: drama.

Para seu lançamento na Bélgica, colocaram uma plataforma com um grande botão vermelho em uma pracinha de um vilarejo. No alto, o sinal: aperte o botão para adicionar drama. Finalmente, alguém apertou.

O que aconteceu depois foi registrado. Só as reações dos transeuntes já valem o troféu: anúncio do ano.

Uma surpresa dramática numa praça tranquila por perolasblogs no Videolog.tv.

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Elmore Leonard Raylan Meu escritor favorito finalmente pisou na bola (por dinheiro)

Elmore Leonard, meu escritor favorito, não faz continuações. Um ou outro personagem seu reparece aqui ou ali, geralmente em pontas. A exceção escandalosa é Get Shorty e Be Cool, ambos adaptados para o cinema, com John Travolta perfeito como o picareta Chili Palmer, um jóia, outro morno.

Raridade no universo do romance policial, movido a intermináveis sequências, sempre mais do mesmo. Leonard não precisa. Não lhe faltam criatividade - prolífico, produz um novo livro por ano, chova ou faça sol - ou dinheiro. O primeiro livro seu que li, City Primeval, 1984, traz lá na capa: the best thriller writer in America. Segue invicto.

Vende como pãozinho quente, ou bagelzinho nas ruas frias de Detroit. Mas é um working writer, um escritor comercial, e escritores comerciais escrevem por grana.

Finalmente Leonard cedeu e fez uma continuação. Pronto tem quase vinte anos, 1993. Primeira aparição de Raylan Givens, um tira cowboy, ex-marine. É coadjuvante. O protagonista é um Harry, um bookie, agenciador de apostas ilegais, que fez sua grana e só quer sossêgo.

Riding the Rap, dois anos depois, é a continuação. Raylan agora é quase um mocinho-padrão. Harry continua bem mais carismático. Os personagens principais são outros, bandidos.

Leonard e Olyphant

dsda Meu escritor favorito finalmente pisou na bola (por dinheiro)

Pronto e Riding The Rap compartilham personagens e só. Raylan, o novo romance de Leonard, é outro animal: seu primeiro livro cem por cento caça-níquel, com um herói convencional. A razão é o seriado Justified, que tem Raylan como personagem principal. É vivido por um galã, Timothy Oliphant. Nunca vi nem verei. Trombei o anúncio e deu. É de mentira demais: socos e tiros pra distrair macho digerindo o jantar, olhares calientes de amante rústico para colírio do mulherio.

A série vai bem. Muita gente tem mau gosto, ou nenhum. Leonard viu chance de faturar e pariu este livrinho, porque não? Fez com alguma classe, até.

Raylan, o herói, está ainda mais insípido que antes, mas Raylan, o romance, tem surpresinhas na estrutura, os diálogos rascantes de sempre, e alguns personagens bons de lembrar. Dá pra engolir, mas deixou um gosto estranho na língua - um whisky sour. Tudo bem: ele continua autor das dez regras fundamentais para escrever um romance (leia aqui).

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