Publicado em 26/04/2012 às 06:00

As gatinhas mais odiadas do mundo

Drew Garrett e Lauren Willy tem só dezessete anos, mas já são as garotas mais odiadas do mundo. Estão no equivalente do terceiro colegial nos Estados Unidos. Fizeram, na piada, uma dupla, e se intitularam Double Take.

Compuseram uma música chamada Hot Problems. Ela fala dos problemas de ser jovem e linda e popular.

A letra provoca, e mais ainda pelas duas serem loirinhas com caras de riquinhas, cantando dentro de uma limousine. Vai na linha não nos odeie, gatas gostosas tem problemas como você, a diferença é que somos gostosas; não somos perfeitas, de vez em quando mentimos um pouco.

O vídeo foi postado no YouTube no dia 15 de abril, dez dias atrás. Bombou - para o mal. Gente influente na internet disse que a música era idiota, elas eram péssimas, o clipe era ridículo. O lidíssimo Huffington Post cravou: pode ser o pior videoclip de todos os tempos.

Hot Problems ganhou um monte de covers tirando sarro, e muita gente zoando com as duas. Foi motivo de entrevistas pra todo canto, inclusive no popularíssimo programa Good Morning America.

Hot Problems - Double Take por perolasblogs no Videolog.tv.

No momento em que escrevo isso, o vídeo original foi visto no YouTube quase oito milhões de vezes (7.973.088, pra ser exato). A taxa de rejeição é insana. As meninas são odiadas. O vídeo ganhou 383.671 Dislikes. Isso quer dizer que uns vinte por cento de quem viu achou um lixo, contra 23.041 Likes, praticamente nada de fãs.

Eu gostei. Principalmente porque a música é tosca, elas não cantam nada, e, principal, não são gostosas. São umas gatinhas genéricas americanas com cabelo alisado e pintado. A letra e cara de pau é tudo. A entrevista das duas é genial. Começa com a menina dizendo: a gente sabia que não sabia cantar.

Muito provocativo, muito sassy, muito rock'n'roll. Com vocês, as adolescentes mais odiadas da internet no dia 25 de abril de 2012: Drew e Lauren, o palco hoje é de vocês, garotas.

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Publicado em 25/04/2012 às 11:58

As cotas raciais formam na universidade da vida

O Supremo Tribunal Federal julga hoje as cotas raciais, que reservam vagas em universidades públicas para negros e pardos. São constitucionais ou não? É justo reservar vagas baseando-se apenas na cor, e não na situação econômica? Aliás, é justo reservar vaga para alguém? Não seria melhor que as universidades admitissem estudantes baseando-se apenas no próprio mérito? Isso não vai piorar a qualidade dos profissionais?

Parece discussão complexa. Não é. É límpida e transparente como nascente na montanha. A universidade pública é pública de duas maneiras. Primeiro, é do público, de todos nós. Segunda, é para o público, para todos. O objetivo é que ela possa oferecer ensino da melhor qualidade para o maior número de pessoas possível. E mais: controlada pela sociedade. Não é sonho. É meta a ser alcançada.

O Brasil foi por outro caminho, historicamente, e recentemente também. Nossa universidade gratuita ainda é, sim, principalmente para quem pagou antes, quem estudou em escola particular. Difícil entrar, caros os anos estudando sem poder trabalhar. Mas a verdade é que muitos uspianos vêm da classe média, e outros tantos de escola pública. A imagem de playboyzinho de Mercedes não fecha com a realidade.

O que aconteceu nos últimos anos foi o de sempre: a privatização dos problemas. Já que a escola pública é muito ruim, e não temos vagas em volume nas universidades públicas, vamos dar um dinheiro para os pobres estudarem em universidades particulares. É subsídio ao estudante, e principalmente subsídio às instituições particulares de ensino.

O ProUni é uso medíocre e populista do dinheiro dos impostos. Eu preferia que sua verba fosse integralmente investida nas universidades públicas. Mas existem coisas muitíssimo piores, e faz diferença real na vida de muitos. Não tenho como ser contra.

Igualmente me sinto na obrigação de defender a lei de cotas raciais - e, aliás, sua ampliação. Negros e pardos merecem cotas. Pobres das sete cores do arco-íris merecem cotas. Portadores de necessidades especiais diversas merecem cotas. E, se marcar, as várias sexualidades diferentes merecem cotas. A piada pronta é que vai ter picareta se fingindo de travesti mulato e cego pra entrar na USP.

Bem, que seja assim. O Brasil é pátria de injustiças seculares, e fez feio sendo um dos últimos a abolir a escravidão, se é que. A diferença de direitos entre as cores segue firme e forte. A gente, os brancos, não enxergamos, como nota todo amigo gringo que aterrissa aqui, observando as cores das patroas e das babás. Qualquer avanço contra as velhas forças do mal precisa de defesa (não de aplauso automático). Não à toa, quem entrou com ação contra as cotas raciais foi o DEM, partido da ditadura, e Demóstenes Torres, este exemplo de retidão e senso cívico, foi dos que mais esbravejou.

Por mim as cotas serão estendidas para as escolas particulares, e, aliás, desde o jardim da infância. Mas a universidade pública é o lugar onde as cotas são mais importantes, porque espaço civilizatório, formador e multiplicador. De lá sairão os melhores profissionais, os melhores gestores, os pesquisadores de ponta - pessoas que vão influir muito, para o bem ou para o mal.

As cotas são especialmente importantes para os universitários brancos e bem de vida. Porque além do simples valor de mercado dos diplomados, está o valor de cada um como ser humano, o que somos todos, mais semelhantes que diferentes. O mundo melhor que queremos, o Brasil do futuro que chega a cada dia, tem que ser calcado na tolerância, na inteligência, e na convivência crítica com as contradições. O universitário que compartilha sala de aula com negro - e gay e cadeirante e anão e rico e pobre - ganha bem mais que um diploma. Sai formado na universidade da vida.

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Publicado em 24/04/2012 às 15:19

O veneno no seu suco de laranja

200253696 001 O veneno no seu suco de laranja

Seu suco favorito é o de laranja? Estás com a maioria, no Brasil e no mundo. Tem coisa melhor que um sucão de laranja espremida na hora, dois cubões de gelo, dois canudos, no balcão da padaria? No café da manhã comprido do domingão? Ressuscita qualquer espírito. Vitamina C, azedume e doçura na medida certa, sempre um sabor ligeiramente diferente do último, e carboidratos de montão.

O epicentro da indústria da laranja no planeta Terra é o estado de São Paulo. É uma máquina de fazer dinheiro. Os plantadores de laranja no Brasil receberam no ano passado de doze a quinze reais para cada caixa de 40,8 quilos. Seja no suco da padoca ou no suco no Tetrapack, a margem de lucro sempre foi imensa. E visto que nossa economia cresce, e mais gente pode gastar, estamos tomando mais suco de laranja que nunca.

Pra fazer em casa é baratinho, mas demanda tempo, faz molhação na pia, há que dar fim no bagaço depois, e gera um custo de energia, ou elétrica ou do braço mesmo. Tem lugar que cobra dois reais, tem lugar que cobra sete, oito, ou mais, dependendo do frescor ou frescura do ambiente. Margem de lucro daquelas.

Por que então este ano a caixa de laranjas que valia doze reais vai cair pela metade, ou até chegar a três reais, segundo alguns analistas? Por que a laranja está em crise? O que vai acontecer com as cidades paulistas e mineiras cujas economias giram em torno do suco? E, principal para gente como a gente, nosso suquinho de todo dia vai cair de preço também?

A explicação oficial: tem veneno no seu suco.

Na safra 2011/2012, tivemos produção recorde de laranja. Nesta nova, teremos de novo uma superprodução. As empresas de suco de laranja estão com os estoques bem fornidos. Como vem mais um monte de suco por aí, elas não precisam se preocupar em garantir o suprimento a preço bom.

E o mercado externo está em queda. A responsabilidade principal é do governo americano. Mais da metade do suco de laranja consumido nos EUA é produzido no Brasil. Mas os Estados Unidos decidiram barrar a entrada de cargas de suco com Carbendazim, um fungicida muito usado em outros países, inclusive no Brasil. Isso espantou o consumidor americano. As vendas de suco brasileiro nos EUA caíram. Os citricultores brasileiros pediram um ano e meio para se adaptarem a estas novas exigências. Basicamente, vão ter que trocar por agrotóxicos mais caros. Com os quais os americanos não encrencam. Por enquanto.

Ironia - os produtores brasileiros gastam uma boa grana em agrotóxico para aumentar a produtividade, e agora que ela cresceu muito, a super oferta jogou os preços lá embaixo. Que frescos esses gringos, hem?

Bem, testes em laboratório indicam que altas doses de Carbendazim podem causar infertilidade. Os testículos dos ratinhos de laboratório basicamente explodiram. Na Austrália deu escândalo - tinha peixe nascendo com duas cabeças, todo tipo de deformidade. Altíssimas doses têm consequências seríssimas. Há caso de criança nos Estados Unidos que nasceu sem olhos, após a mãe ser exposta a uma dose alta de Benlate, parente do Carbendazim. Os países ricos decidiram que seu sucão de laranja, amigo, está envenenado.

É questão de política comercial? Os testes são precisos? Tem lobby na jogada? Que sei eu? Pelo sim pelo não, me garanto: aqui em casa só entra laranja orgânica. Não sou crente cego nas vantagens milagrosas da agricultura orgânica, mas uma é indiscutível: produto orgânico não tem agrotóxico. A desvantagem é que pago R$ 6,06 por um quilo de laranja pera - seis laranjas. É o preço de que será pago este ano por quarenta quilos de laranja ao agricultor!

Isso, para aqueles que conseguirem vender seu produto. Li hoje no jornal: especialistas dizem que um terço da produção total de laranjas do estado de São Paulo pode apodrecer no pé em 2012 - simplesmente porque, com estes preços tão baixos, não valerá a pena colher.

Tem algo muito errado com o mundo.

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Publicado em 23/04/2012 às 06:00

Erikka Supernova: Diva Dance made in Brasil, modelo exportação

Já viajei um tanto pelo planeta. Se pudesse, viajava pra fora todo mês.

Só de ouvir outra língua já fico feliz. Cada lugar tem seus charmes, cheiros, sabores, sons. Mas todo lugar que eu fui fora do mundo anglófono tem pelo menos um som em comum.

São os hits de cantoras gostosudas, para estourar em boate/FM, com videoclipes exagerados e coreografias ensaiadinhas. Não discuto supostas qualidades ou não do gênero (cujo único objetivo é entreter e fazer dançar, o que não é pouco). Mas sua onipresença é estonteante.

É um tipo de som internacional, um genérico de balada, que você jamais saberia dizer de onde vem, originalmente. Sem pesquisar nada, lembro de Paulina Rubio (que conheci no México em 1996) e Hatice (Turquia, 2000), e não vou saber repetir os nomes das que vi na Grécia, Tailândia, Nova Zelândia e por aí vai. Ficaram na minha memória, e sempre que encontrei uma gringa nova, minhocava: porque o Brasil não tem divas dance modelo internacional?

Agora tem. Pneumática, carnuda, letra chicletona, clip conceitual bem sacado, quase meio milhão de visualizações e nome de diva dance modelo internacional: com vocês, Erikka Supernova.

Erikka Supernova - BANDIDA - Clipe Oficial em HD por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 20/04/2012 às 06:00

Meu dia de repórter de TV

Eu jamais quis trabalhar em televisão. Nunca passou pela minha cabeça.

Me lembro de Astrid Fontenelle sugerindo que eu fizesse teste para a primeira turma de VJs da MTV, 1991? Agradeci mas no, thanks. Fiz algumas aparições, como comentarista disso e daquilo, ou em painéis. Um ano e pouco atrás, passei uma temporada participando semanalmente do NBlogs, na Record News.

Não é desinteresse. TV é poder. Não é vergonha. Sou o cara mais sem vergonha do mundo na frente de uma câmera. Também não tenho a menor idéia do que vou fazendo. Vou falando, até demais, e vamo que vamo. Foi falta de convite que fizesse sentido para mim, e falta de energia da minha parte para correr atrás. Não tenho nada contra aparecer, mas não tenho vocação de repórter, boniteza de apresentador, e no final gosto mesmo é de escrever. Em breve, quando este blog estrear seu novo design, vou fazer mais vídeos. Pelo menos um por semana. Naquele esquema deixa que eu chuto.

Minha estréia como repórter de vídeo foi no ano passado. Na cobertura da E3, o maior evento de games do mundo, em Los Angeles. Eu já tinha feito muito vídeo de lá. Mas em 2011 foram mais de trinta, sempre eu falando, eu mostrando, eu entrevistando esse e aquele. No final dos quatro dias estava rouquinho da silva. Tudo para nosso site.

Mas nunca tinha feito algo como isso aí embaixo. Foi duas semanas atrás, no GameWorld 2012, evento promovido pela empresa que dirijo, a Tambor.

Comecei dando uma de repórter pro R7. Vê a cara de pau do picareta vendendo seu peixe, depois dos nossos comerciais:

[r7video]

Tivemos no GameWorld um convidado especialíssimo, Yoshitaka Amano.

Admiro Amano e fiz questão de fazer a entrevista pessoalmente. Foram 34 minutos de papo, intermediados pela tradutora, e bravamente registrados pelo colega Renato Almeida. Uma versão com introdução, começo, meio, fim e resumida será publicada na próxima edição da revista EGW. A íntegra está aqui. Prometo nunca mais fazer um vídeo de meia hora, mas neste caso não pude resistir, e não resisto a compartilhar.

GameWorld 2012 - Entrevista com Yoshitaka Amano por perolasblogs no Videolog.tv.

Publicado em 19/04/2012 às 06:00

Hoje São Paulo será menos livre

(Eu não tenho candidato na próxima eleição para prefeito de São Paulo.
Mas tenho alguém para derrotar: José Serra.
Já escrevi várias vezes sobre os porquês. Um bastaria: Kassab.
Gente mandona, que quer legislar a vida dos outros, me dá urticária.
Pior que de lá para cá, São Paulo foi ficando menos e menos livre.
Meu texto batendo na lei antifumo resume bem o que sinto.
Fui lá no meu blog velho, pré-R7, bati pra tirar a poeira, e aqui está.)

Eu acho que na placa de cada bar de São Paulo deveria ter uma plaquinha. Assim:

- aqui se fuma maconha

- aqui se bebe pelado

- aqui fazemos orgia

- aqui não servimos carne

- aqui toca Djavan

- aqui é GLS

- aqui é para evangélico

- e, aliás, deveríamos mudar a lei para permitir o uso de drogas terríveis tipo heroína e crack, em estabelecimentos com as devidas plaquinhas

- e por aí vai.

Informação transparente. Em todos os guias de jornal e da internet.

Entra quem quer. Trabalha lá quem quer.

Pode até ter uns alvarás diferentes, pagar impostos de maneira diferente.

É assim que funciona uma sociedade livre.

Coisa que, sabemos, não existe.

Mas podemos ser um pouco mais livres ou um pouco menos livres.

A nova lei antifumo faz São Paulo menos livre.

Porque, veja, não existem espaços públicos. Existem espaços mais públicos ou menos.

A rua é um espaço muito público.

O metrô, menos. Só entra quem paga.

Um hospital público, menos ainda. Só entra doente e acompanhante. E tem regras para tudo.

Um bar é muito, muito menos público. Tem dono. E só pode ficar lá quem estiver consumindo.

E mais: a questão da fumaça prejudicar os garçons é, claro, cortina de fumaça.

Porque pela mesma lógica, os garçons não poderiam trabalhar em casas de show, porque o som muito alto vai prejudicar a audição. Ou os marronzinhos não poderiam ficar aspirando gás carbônico nos grandes cruzamentos.

Cigarro faz mal? Faz. Outras coisas também fazem. É decisão do indivíduo fumar ou não.

Se houver consenso de que o cigarro deve ser proibido, que se proíba sua fabricação e comercialização. Dá pra começar tirando os subsídios dos plantadores de tabaco e aumentando vinte vezes o preço do maço.

Mas não. É mais fácil fazer de conta que estamos fazendo algo de verdade.

Muitos amigos acharam a lei civilizada. Tem roqueiro fazendo propaganda a favor. E blogueiro achando que é bonito ir fumar lá fora.

Esta lei é autoritária. E ponto final.

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Publicado em 18/04/2012 às 10:04

O mistério dos Forastieri

Meus parentes vivem mais que a média. Têm famílias menores que a média.

E casam mais cedo que a média. Vivemos 69,2 anos (em vez da média, 66,5). Temos 1,5 filhos (versus 2,7). E nos casamos aos dezenove anos (e não 28,1 anos de idade).

Os dados são de um site chamado Mundia, novo serviço do tradicional Ancestry.com. Eu procurava um velho texto deste blog, para compartilhar nas redes sociais. Botei lá pra buscar: Forastieri + Suécia. Apareceu este tal Mundia.

Tudo besteira? Pode ser tudo verdade. Sei lá qual a base de dados que eles usam. Mas em um clique, lá está meu avô: Miguel Antonio Forastieri, 1906-1965, nascido em Jaú, morto em Boracéia. É o primeiro da lista.

Depois vêm outros muitos Forastieri, que viveram no Bronx, na Europa, pelo mundo. As informações param por aí. Se eu quiser saber mais, basta me cadastrar. É grátis. Alguns serviços premium serão cobrados, mas só no futuro, me tranquiliza o Mundia.

Pensando bem, vou pular. Já conheço bem a família Forastieri. Melhor dizendo, conheço muito mal, mas sei como me informar, se for o caso. Meu avô Miguel (que não conheci; gente finíssima, me dizem; assunto sério para outro dia) teve muitos irmãos e irmãs. Eles se reproduziram, e hoje somos muitos primos em segundo grau, e só dois em primeiro grau, próximos. Cresci longe da maioria dos Forastieri, em Piracicaba. Tenho pouco contato com a turma. Pena. Mas tenho pouco contato com os meus melhores amigos, e parentes queridos - que dirá parentes mais distantes.

A vida é repleta de afazeres e, porque não, alguns prazeres. Perda minha. Eu queria pelo menos conhecer um outro André Forastieri, que está no Rio ou Minas. Sonho borgeano!

Deveríamos fazer uma festa anual, uma reunião dos Forastieri.  Meu pai reuniu uma vez a família toda, ou quase. Foi aos cem anos da migração do meu bisavô para o Brasil, 1975. Teve missa. Fui coroinha desajeitado, primeira e última vez. Temos um sino comemorativo e fotos com todo mundo de calça boca-de-sino. Os velhos se tornaram velhinhos e zarparam.

Estamos na quinta para sexta geração de Forastieris no Brasil.

Uns anos atrás, fizemos uma viagem inesquecível: Forasta pai, filho e neto, mais digníssimas, à cidade de onde veio a família. Não temos parentes lá, ninguém com quem tenhamos contato. É a piccola Lauria, na Basilicata, sul da Itália. Ou pelo menos de onde saímos para vir pro Brasil. Porque Forastieri (embora meu pai garanta que tem tudo a ver com Floresta) significa Estrangeiro. Sempre adorei ter um sobrenome com este significado tão assim, filosófico, um tanto provocativo - de onde viemos, de onde vim? Qual nossa origem?

Pela cor da pele, olhos e cabelos, provavelmente viemos do lado de baixo do Equador. Meu avô, pelas fotos, parecia bérbere ou levantino. Sul da Itália e Oriente Médio são companheiros de cama e mesa. Puxei os outros lados dominantes, esloveno branquelo e caboclo desbotado. Mantive o beiço.

Jamais saberei de onde vieram meus antepassados, pré-Lauria. Nem o Mundia me ajuda. Hoje, tudo é registrado; meus taranetos, se existirem, saberão direitinho o que aprontei nos meus anos por aqui, e poderão ler este texto aqui, se tiverem interesse. Tudo vai permanecer, digital, para sempre. Do século 19 para trás, pré-internet e fotos, registros turvos pela névoa do tempo, eles nada saberão. O mistério dos Forastieri continua e continuará...

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Publicado em 16/04/2012 às 14:58

Thor Batista, um mês depois: o novo Brasil rico, o pobre e velho Brasil

Faz um mês que Thor Batista, o jovem filho do homem mais rico do Brasil, atropelou e matou um miserável ajudante de caminhão quando dirigia uma Mercedes SLR McLaren. Thor Batista não tinha álcool no sangue, Wanderson Pereira dos Santos tinha, diz a perícia. Thor guiava dentro da velocidade permitida, também disseram, mas tinha incríveis 51 pontos na carteira, aos 20 anos.

No dia 17 de março, todos pediam o couro de Thor. Ele é jovem, bonito e rico, e sendo assim, no Brasil é intocável. O outro era um pobre diabo. Thor, portanto, foi julgado à revelia no mesmo dia. Cortem-lhe a cabeça! Reação razoável mas desprovida de razão. Todo mundo deveria ser inocente até ser julgado culpado. Mesmo, especialmente, os que mais nos dão azia. Dias depois, a revelação: Thor já tinha atropelado uma pessoa antes. O velho não morreu. Foi ajudado. Subentendido: levou dinheiro. Ainda não é prova de culpa no caso de Wanderson.

Prejulgar um loirinho riquinho é tão imoral quanto prejulgar um pretinho pobrinho. Exigir justiça, nos dois casos, é obrigação e tarefa inglória. No Brasil os ricos jamais são julgados culpados. Nas raras vezes que sim, escapam sem punição. Deveríamos é ter feito do caso Thor um exemplo. Posso sonhar? Uma virada na história do Brasil: o momento em que dissemos ao mundo, e a nós mesmos, que aqui a lei vai valer para todos. Com apuração, perícia, presteza. Até chegarmos à verdade, doa a quem doer. Se Thor cometeu crime, que pagasse por ele. Se não cometeu, que fosse inocentado totalmente, e pudesse olhar a sociedade de cabeça erguida. Bonito, né?

ok Thor Batista, um mês depois: o novo Brasil rico, o pobre e velho Brasil

Brasil real: nem uma coisa nem outra. O processo provavelmente será arquivado, embora ninguém acredite na inocência de Thor. Porque é filho de bilionário. Pelo currículo de motorista que ignora as regras do trânsito. Porque o carro e a bicicleta foram removidos. Porque Eike disse desde o primeiro momento que seu filho era inocente (e o que deveria ter feito? Bem, Eliane Brum já discutiu brilhantemente a diferença entre ser pai e superpai). Porque a imprensa foi cheia de dedos com o caso, pelas razões previsíveis. Porque Lula ligou pra Eike pra prestar solidariedade. Porque Márcio Thomaz Bastos foi contratado para defender Thor.

Muitas razões, nenhuma prova contra Thor. Mas no que acredita a opinião pública? Bem, o advogado da família de Wanderson começou combativo, garantindo que ia exigir mundos e fundos de indenização. Thor garantiu que iria ajudar a família em tudo que pudesse. O que nós, brasileiros, entendemos: morto Wanderson, sua família realisticamente viu uma boa oportunidade de faturar. Embolsou seu cala-boca e tudo ficou por isso mesmo. Ora, comentou o meu amigo ali da banca de jornal, já que o cara morreu, pelo menos é uma chance para a família melhorar de vida...

Foi isso? Foi diferente? Jamais saberemos de fato, mas o martelo foi batido. Thor será inocentado, mas nunca será julgado inocente. Wanderson, segundo a polícia, é o ciclista bêbado que causou o acidente. Jamais terá justiça. Thor Batista também não - daqui trinta anos, ainda será o playboy irresponsável que matou o miserável e saiu na boa.

Fosse o contrário, um Wanderson com carteira estourada matando o filho de Eike Batista em circunstâncias idênticas, estaria livre? A única resposta honesta que um brasileiro pode dar: não. Thor simboliza o novo Brasil rico. Wanderson me faz pensar: pobre e velho Brasil.

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Publicado em 16/04/2012 às 06:00

Minhas regrinhas para o Facebook

facebook m 20110920 Minhas regrinhas para o Facebook

Eu sou fácil de achar. Estou no Twitter: @forastieri. E estou no Facebook: André Forastieri. Minha política: como Roberto Carlos, eu quero ter um milhão de amigos. Não fico tentando aumentar o número de amigos (2270) artificialmente, nem comentando tudo, ou fazendo palhaçada pra gerar polêmica boba.

Faço parte de dois grupos: a comuna Bizz, de gente que é doida por música, onde saem uns papos interessantes e bizarros, e o Boteco Gamer, mais sério, de gente que trabalha com games. E fim. Se um ou outro for seu caso e quiseres aparecer por lá, dá um oi.

Agora, tenho umas regrinhas para o Facebook:

- eu não aceito amigo Pessoa Jurídica.
- eu não aceito amigo que a foto é em branco, ou meio macabra.
- eu não quero ser incluído em grupo à revelia, fazendo o favor.
- eu não jogo no Facebook, não me convide.
- aliás, pense muito bem antes de me convidar. Eu já fui na sua balada? Nunca. Porque iria depois de cinquenta convites?
- eu não uso BranchOut e cia. Aplicativo no FB que eu uso de verdade, só o do Guardian.
- eu não cutuco de volta. Acho meio sexual esse negócio de cutucada.
- eu não posso bater papo a qualquer momento do dia, não se chateie se eu der uns tchaus meio bruscos
- eu não curto Pessoa Jurídica, a não ser que eu curta MESMO. Não insista.

Não sou antisocial. Sou bem sociável. Mas a vida social tem que ter regras. O amigo agradece a compreensão.

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Publicado em 13/04/2012 às 06:00

A coisa mais importante que você precisa aprender: inglês

comu A coisa mais importante que você precisa aprender: inglês

Uma vez eu comecei uma palestra pra uma classe de estudantes de jornalismo assim: quem quer ser correspondente em Nova York? Metade levantou a mão. E quem aqui fala e escreve bem em inglês? Dois levantaram a mão. É a diferença entre ter um sonho e ter um objetivo.

Esses dias, num papo com gente já formada, na PUC, repeti a graça. O grupo tinha uns quinze, um terço levantou a mão. Melhorou bem a proporção. O que isso significa? Que inglês é cada vez menos um diferencial importante?

Aí perguntei: e quem aqui fala e escreve bem em mandarim ou cantonês?

Zero, como era de se imaginar. Mas a China não está cada vez mais importante? Será que não valia a pena aprender a língua dos caras? Um camarada lá me deu um bom cala-boca: mas os chineses falam inglês. É verdade, embora o sotaque pra gente complique bastante.

O ponto é que inglês é, de fato, o esperanto que esperávamos. Quem tem inglês bom tem muita vantagem na vida. Pra viajar, pra estudar, pra trabalhar, para entender e enfrentar apreciar o mundo.

Eu comecei a estudar inglês por causa do judô. Eu tinha seis anos e queria fazer judô, ignoro o porquê. Meu pai emprestou um kimono de alguém - um primo mais velho? - e me levou para uma aula de experiência.

No final da aula, lembro como se fosse hoje, meu pai perguntou o que eu tinha achado. Eu disse: acho que em vez de judô quero estudar inglês.

Resultado: sou ruim de briga mas bom de papo. Em duas línguas!

Foram sete anos, um e pouco de professora particular de conversação, uns seis meses mezzo abandonados de Alumni, já na faculdade. Me dediquei mais a aprender inglês do que qualquer outra coisa na vida. E mais muito gibi, muita música, livro, trabalho. Por isso tudo é que sempre fiz questão que meu filho tivesse um inglês de primeira. Esse ano ele começou em uma escola de inglês mesmo, independente da escola normal.

Duas vezes por semana. Esses dias a professora dele puxou papo comigo, em inglês. Depois de um pouco me elogiou: você morou nos States? Nunca.

Mas uso o tempo todo. Hoje tive um almoço de trabalho com dois russos.

De três horas. Em inglês. No problem.

Continuo fazendo erros idiotas de vez em quando, principalmente quando falo muito rápido. Não importa. Importa é que quando eu encontro algo como o Cosmo Learning - um site que simplesmente oferece 1800 documentários em inglês sob todo tipo de assunto, de graça, na internet - sinto que toda a informação do mundo está a um click pra mim, e sinto por todos que não terão acesso a esta maravilha, por só ter o português.

Tudo graças a meu pai, que me deixou trocar o judô pelo inglês, e à minha mãe, que me levou pro Yázigi durante todos aqueles primeiros anos.

A big thank you to João Carlos and Valderez!

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Publicado em 12/04/2012 às 19:59

Vídeo mostra fábrica de iPads (trabalho chato, pouca grana)

Você já viu aqueles anúncios incríveis da Apple, que mostram como o iPad é demais, certo?

E é mesmo. Não é perfeito, como alguns fãs babões defendem, mas certamente é muito legal.

Dá pra viver sem. Eu não tenho tablet. Já passo tempo demais olhando tela. Vou evitar enquanto der.

Outra boa razão: o vídeo abaixo. Ele mostra a linha de montagem da Foxconn na China, empresa que fabrica os iPads, sob encomenda da Apple.

Parece o trabalho mais chato do mundo.

E paga R$ 26,00 por dia.

A Foxconn vai se instalar em Jundiaí, aqui do lado de São Paulo. Espero que pague melhor os brasileiros.

Imagino que meu celular Android não tenha sido construído de maneira muito diferente.

Muito menos meu querido Mac Air.

Mas que dá bode, dá.

Inside Foxconn - Veja como é feito o iPad por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 12/04/2012 às 12:39

Juliana Paes jamais será Gabriela

2296255 1009 rec Juliana Paes jamais será Gabriela

Juliana Paes acaba de postar sua primeira foto como Gabriela. Ela estrela a nova versão da novela. O remake é redundante. Juliana substituindo Sônia Braga é ofensivo. Ela é exatamente a pessoa errada para viver Gabriela.

É famosa.

Posa de ícone fashion.

Vive em capa de revista.

Apresentava reality show de cabeleireiros.

Tem 33 anos.

É mãe.

Tem imagem pública de boazinha, amiga, gente como a gente.

Confessa não ter revisto nem a novela, nem o filme.

Diz que fez preparação corporal — para tentar trazer a paisagem para dentro.

Não é primal, putinha e perigosa, como a Gabriela de Sônia Braga.

Não é hippie que encenou Hair aos 18 anos, em 1968, como Sônia Braga.

Não é seu primeiro papel de protagonista, como foi para Sônia Braga.

E não será gostosa, espontânea, natural como Sônia Braga era.

Emagreceu para o papel. Diz que uma retirante deveria ter o corpo magro e seco.

Eu digo: Juliana, cadê o pelo no sovaco?
Divulgação TV Globo4 Juliana Paes jamais será Gabriela

Humberto Martins não é Nacib, Ivete Sangalo não é Maria Machadão, ditadura não é democracia, 1974 não é 2012.

E Juliana Paes não é Gabriela.

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Publicado em 11/04/2012 às 18:38

O melhor anúncio do ano

O canal pago TNT é especialista em emoções fortes. Como os americanos chamam: drama.

Para seu lançamento na Bélgica, colocaram uma plataforma com um grande botão vermelho em uma pracinha de um vilarejo. No alto, o sinal: aperte o botão para adicionar drama. Finalmente, alguém apertou.

O que aconteceu depois foi registrado. Só as reações dos transeuntes já valem o troféu: anúncio do ano.

Uma surpresa dramática numa praça tranquila por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 10/04/2012 às 16:11

Meu escritor favorito finalmente pisou na bola (por dinheiro)

Elmore Leonard Raylan Meu escritor favorito finalmente pisou na bola (por dinheiro)

Elmore Leonard, meu escritor favorito, não faz continuações. Um ou outro personagem seu reparece aqui ou ali, geralmente em pontas. A exceção escandalosa é Get Shorty e Be Cool, ambos adaptados para o cinema, com John Travolta perfeito como o picareta Chili Palmer, um jóia, outro morno.

Raridade no universo do romance policial, movido a intermináveis sequências, sempre mais do mesmo. Leonard não precisa. Não lhe faltam criatividade - prolífico, produz um novo livro por ano, chova ou faça sol - ou dinheiro. O primeiro livro seu que li, City Primeval, 1984, traz lá na capa: the best thriller writer in America. Segue invicto.

Vende como pãozinho quente, ou bagelzinho nas ruas frias de Detroit. Mas é um working writer, um escritor comercial, e escritores comerciais escrevem por grana.

Finalmente Leonard cedeu e fez uma continuação. Pronto tem quase vinte anos, 1993. Primeira aparição de Raylan Givens, um tira cowboy, ex-marine. É coadjuvante. O protagonista é um Harry, um bookie, agenciador de apostas ilegais, que fez sua grana e só quer sossêgo.

Riding the Rap, dois anos depois, é a continuação. Raylan agora é quase um mocinho-padrão. Harry continua bem mais carismático. Os personagens principais são outros, bandidos.

Leonard e Olyphant

dsda Meu escritor favorito finalmente pisou na bola (por dinheiro)

Pronto e Riding The Rap compartilham personagens e só. Raylan, o novo romance de Leonard, é outro animal: seu primeiro livro cem por cento caça-níquel, com um herói convencional. A razão é o seriado Justified, que tem Raylan como personagem principal. É vivido por um galã, Timothy Oliphant. Nunca vi nem verei. Trombei o anúncio e deu. É de mentira demais: socos e tiros pra distrair macho digerindo o jantar, olhares calientes de amante rústico para colírio do mulherio.

A série vai bem. Muita gente tem mau gosto, ou nenhum. Leonard viu chance de faturar e pariu este livrinho, porque não? Fez com alguma classe, até.

Raylan, o herói, está ainda mais insípido que antes, mas Raylan, o romance, tem surpresinhas na estrutura, os diálogos rascantes de sempre, e alguns personagens bons de lembrar. Dá pra engolir, mas deixou um gosto estranho na língua - um whisky sour. Tudo bem: ele continua autor das dez regras fundamentais para escrever um romance (leia aqui).

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Publicado em 04/04/2012 às 18:39

Como ser mais que humano

Arthur Boorman lutou na Guerra do Golfo, 1991. Foi ferido. A operação foi mal-feita. Arthur ficou impossibilitado de caminhar sem a ajuda de bengalas especiais e apoios metálicos nas pernas. A dor era permanente.

Foi se largando. Depressão crônica. Quinze anos depois estava com quase 150 quilos.

A dor piorou. Recomendaram que ele procurasse fazer ioga, para aliviar.

Encontrou um sistema criado por um ex-campeão de luta livre da WWE, com toda a pinta de picareta que seu currículo sugere. O nome não podia ser mais americano, YRG - Yoga for Regular Guys, yoga para caras normais.

É bom? É bateção de carteira? Não importa. O ponto é: dedicação é tudo na vida. É facílimo ficar bom em qualquer coisa. Basta gastar dez mil horas se dedicando. Toda jornada começa com o primeiro passo e aquela história toda. O desafio é continuar caminhando quando você cai a cada minuto. A maioria de nós desiste quando a coisa fica um pouquinho difícil. É humano.

Às vezes somos mais. Às vezes somos melhores. Não é mágica: é persistência. Vale para o estudo e a carreira. Vale para hobbies e obsessões. Vale para lidar com deficiências e desgraças. Vale para relacionamentos. Para ser pai, mãe, esposa, filho, amigo. Vale para voltar a andar.

A grande transformação na história do fitness por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 04/04/2012 às 08:03

A volta do rock farofa (estrelando Tom Cruise!)

Não pode haver era mais ridícula, na história da música, que a virada dos 80 para os 90. A música era, basicamente, lixo bem embrulhado. Muita cobertura e nenhum recheio.

Foi a época do domínio dos megaprodutores, das divas de mentira, rap de mentira, rebeldia de mentira. A MTV, que tinha aparecido no começo da década como um sopro de ar fresco, virou uma máquina de vender bonitinhos.

Até grupos de modelos, em que ninguém cantava de verdade, vendiam milhões de discos e ganhavam Grammys, como o Milli Vanilli. Acima de tudo, reinava o rock de mentira. É a era do Poison, do Motley Crue, do Ratt. Muito pancake, muito brilho, muita grana e baixaria.

Logo ventos novos - furacões - mandariam todo este entulho para o esgoto da história. O Nirvana simbolizou esta mudança melhor que ninguém. Mas na verdade o tal grunge era a América se atualizando com o passado; o movimento punk, que nunca tinha emplacado por lá de verdade.

Muito mais letal para o rock de mentira foi a aterrissagem da nave-mãe, vinda direta do futuro - o mundo digital, em forma de música eletrônica, e principalmente da internet.

Isso foi depois. Durante alguns anos, a mentira mandou. Minha primeira grande matéria para jornal foi sobre a nova onda do heavy metal, que dominava as paradas, 1988; Guns, Bon Jovi e tal.

Eu tinha cabelo pelos ombros - sem laquê, please - mas não tinha nada a ver com essas paradas. Estava mais para ingleses ensimesmados e/ou ruidosos que pra californianos escandalosos. Até hoje tenho colegas da época que pensam que fui headbanger.

tom A volta do rock farofa (estrelando Tom Cruise!)

Fácil chamar os cabeludos cheios de laquê e make-up de hair metal, ou aqui no Brasil metal farofa. O fato é que muitos meninos queriam ser como eles, e 99% das meninas queriam eles.

Tem um bar em São Paulo, chamado Manifesto, onde você ainda encontra uns órfãos da cena. Um passeio pela Sunset Strip, em Los Angeles, é viagem no tempo mais rápida que o DeLorean de De Volta Para o Futuro. Nada contra. Cada um cai do bonde como quer.

Mas como todo mundo idealiza sua adolescência - e principalmente o que mais idealizava na adolescência - o metal farofa está de volta. Quem tinha 15 anos em 1990 está na reta dos 40. Ainda não pronto pra assumir a tiozice, mas pouco disposto a riscos desnecessários.

Nada menos arriscado que Rock of Ages, o sucesso da Broadway que conta uma história bobinha, mas muito bem embalada por hits metaleiros da época. Talvez só menos arriscada seja a versão cinematográfica de Rock of Ages, com - quer mais perfume de anos 80? - o caretaço Tom Cruise como rocker chapadão.

E com tudo isso, me dá coceira de assistir. Culpa deste trailer. O filme só chega no meio do ano. Deve ser tão patético e tronitruante como o rock daquela época. Que nunca me disse nada ao espírito, mas sempre gritou alto com meus instintos baixos. Como canta lá o hino que faz parte da trilha do filme, I Love Rock´n´Roll...

Rock of Ages: 2nd Trailer por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 03/04/2012 às 10:53

Pena de morte para Demóstenes Torres

demostenes Pena de morte para Demóstenes Torres

Hoje é o dia D para o senador Demóstenes Torres. Seu partido, o DEM, deu a ele um prazo para explicar suas ligações com um bicheiro da pesada. Não dá pra explicar. Demóstenes calou.A direção do DEM decidiu expulsá-lo.

O goiano era considerado um exemplo de retidão. Foi secretário de justiça de seu estado. Chegou a ser ungido um dos cem brasileiros mais influentes, em 2009. Foi relator da Lei da Ficha Limpa, na Comissão de Justiça.

Fez campanha como defensor da retidão e inimigo número um dos políticos corruptos. É um bandido. Está provado por gravações. É pior que um bandido. É um bandido hipócrita.

Nunca me enganou. Eu tenho muito preconceito contra políticos em geral, e especial preconceito contra políticos que trabalharam para a ditadura militar, ou que se beneficiaram dela, ou que se arrogam seus herdeiros.

Quem lutou contra a democracia não poderia concorrer a nada, nem exercer cargo público - no mínimo. Sou rancoroso e revanchista.

A expulsão, então, pode sair hoje. São os rotos expulsando o rasgado. O DEM é o antigo PFL, que por sua vez é a antiga Arena, partido criado pelos militares golpistas de 1964.

Só de alguém se filiar a essa coisa, que para completar se batizou Democratas, já merece escárnio e desprezo.

Todo partido e político merece ceticismo e questionamento, mas não, não é tudo farinha do mesmo saco. Alguns são ruins e outros piores.

Demóstenes supostamente representava a face nova do conservadorismo nacional. Tinha fama de honesto, articulado, bem assessorado. Era respeitado por seus opositores - trouxas.

Não precisava muito mais que ler sua explicação de que a escravidão no Brasil tinha sido culpa dos africanos, dois anos atrás, para perceber o fedor feudal por baixo do perfume francês.

É o tipo de político mais odioso - o picareta que posa de dono da verdade e se arroga defensor da lei e da ordem.

Se seu mandato for cassado pelos colegas, ou se ele renunciar, será inelegível pelos próximos 25 anos, até 2027. É a condenação à morte, do ponto de vista político.

Humilhação, mas não puxará um dia de cana e manterá seu dinheirinho bem protegido. É pouco.

A pena de morte é uma violência que iguala moralmente uma sociedade toda a um criminoso. Sou contra. Mas gente como Demóstenes atiça meus piores instintos.

Todo mundo reclama que o Brasil não tem jeito enquanto continuar a impunidade, mas ninguém quer punir de verdade. Bem, eu quero, e tem que ser coisa de meter medo.

Tipo um tiro na nuca? Talvez, depois da Lei da Ficha Limpa, seja hora de aprovar a Lei da Morte Súbita, exclusiva para político. Pisou na bola, morreu.

Qualquer traficantezinho de esquina pega dez anos de cadeia, e esses caras continuam circulando por aí, rindo da nossa cara, apesar de todos os grampos provando suas podreiras?

Morte política é pouco. Delenda Demóstenes!

***

Para saber mais sobre o relacionamento de Demóstenes com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, leia o Blog do Kotscho.

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Publicado em 02/04/2012 às 17:51

Daniel, 14: assassino da própria mãe

daniel bartlem 2 m 1482817a Daniel, 14: assassino da própria mãe

Daniel Bartlam tinha catorze anos quando matou sua mãe e queimou seu corpo, quase um ano atrás.

Foi no dia 25 de abril de 2011.

Primeiro ele disse que Jacqueline tinha sido assassinada por um assaltante, que teria invadido a casa onde moravam os dois, em Redhill, Nottingham, Inglaterra. Depois mudou a sua história - ela teria morrido em uma luta entre os dois, depois de uma discussão. A polícia recuperou de seu computador uma história escrita por ele - e deletada - sobre um personagem, chamado Daniel Bartlam, que matou sua mãe, em circunstâncias muito semelhantes.

Sua inspiração foi um assassinato que aconteceu em uma novela, uma das mais antigas da Inglaterra, Coronation Street. O personagem matou com um martelo. Daniel socou o martelo de ferro sete vezes na sua mãe. Encharcou o corpo de gasolina, cobriu de jornais e botou fogo. Jacqueline foi identificada pela arcada dentária. Os vizinhos a descrevem com uma mãe dedicada, que vivia para o filho. Não há causa conhecida para o crime.

Daniel, 15, foi julgado e condenado ontem. Tem de cumprir pelo menos dezesseis anos. A sentença é  de prisão perpétua. Me imagino no júri. Não consigo imaginar minha decisão.

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Publicado em 29/03/2012 às 08:32

Yoshitaka Amano: um superstar dos games entre nós

Yoshitaka Amano Yoshitaka Amano: um superstar dos games entre nós

Yoshitaka Amano, um dos mais aclamados artistas do Japão, vem pela primeira vez ao Brasil. Ele vem especialmente para participar da feira GameWorld 2012, a convite da Fundação Japão e da Tambor, realizadora do evento, onde passo meus dias - você pensou que eu ficava o dia inteiro penteando meus posts para o blog?

Me dá licença para vender meu peixe, que neste caso, é um peixão. Amano é um artista plástico muito respeitado - e, simultaneamente, o mais importante concept artist da história dos videogames.

O que é um concept artist? É a mente criativa que estabelece os conceitos visuais e sensoriais sobre os quais outros vão trabalhar. Amano desenha, pinta, cria personagens, cenários, momentos. Eles servem de base para centenas de outras pessoas fazerem seus trabalhos de design, programação, e tudo mais.

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Amano vem com uma exposição, a Mostra Yoshitaka Amano, com 31 quadros. São lindos e mais. Yoshitaka Amano é para lá de multidisciplinar.  Seus trabalhos vão da criação de estampas para quimonos à cerâmica, da caligrafia tradicional à pintura e à criação de cenários para o teatro. O sucesso nestas várias frentes atraem o aplauso de audiências diversas.

Nascido em Shizuoka, no Japão, Yoshitaka Amano iniciou sua carreira em 1967, nos estúdios Tatsunoko, onde trabalhou em desenhos como Speed Racer e Gatchaman (no Ocidente, G-Force). No Brasil, é especialmente conhecido por seu longo envolvimento com a legendária série de videogames, Final Fantasy.

Os personagens e ambientes criados por Amano, combinação de xilogravuras tradicionais japonesas com art nouveau, e do clássico com o moderno, estabeleceu o universo simbólico de Final Fantasy, e influenciou criadores em todo o mundo. É mangá? É Klimt?
YoshitakaAmano2 ok Yoshitaka Amano: um superstar dos games entre nós

Além disso, seu traço elegante também conquistou uma legião de fãs no nosso país graças à sua colaboração com Neil Gaiman no livro ilustrado Sandman: Caçadores de Sonhos, lançado em 1999 (e que tive o prazer de publicar, quando dirigia a Conrad), e também com Greg Rucka, no álbum Elektra & Wolverine: O Redentor (2000), ambos best-sellers.

Seu  trabalho gerou quarenta art books, e vem sendo exposto nos principais museus do mundo, em cidades como Nova York, Paris e Tóquio. É a primeira vez que o Brasil recebe uma exposição do artista, e a primeira vez que ele visita o país. Deu um trabalho louco. Está dando, ainda. Amano ainda não chegou a São Paulo.

Mas a turma da Fundação Japão e da Tambor trabalha nisso há mais de seis meses. E estamos, com razão orgulhosos. Amano faz uma palestra nesta sexta à tarde, e estará sábado e domingo encontrando seus muitos fãs.

É uma chance muito rara de encontrar pessoalmente um artista deste calibre e importância. Todas as informações sobre a Mostra Yoshitaka Amano, e as muitas atrações do GameWorld, estão aqui. Te espero lá!

Mostra ok Yoshitaka Amano: um superstar dos games entre nós

LISTA PARCIAL DE TRABALHOS DE YOSHITAKA AMANO

Video Games

Final Fantasy I (1987)
Final Fantasy II (1988)
First Queen (1988)
Duel (1989)
Duel98 (1989)
Final Fantasy III (1990)
First Queen 2 (1990)
Final Fantasy IV (1991)
Final Fantasy V (1992)
Kawanakajima Ibunroku (1992)
First Queen 3 (1993)
Final Fantasy VI (1994)
Front Mission (1995)
Maten Densetsu (1995)
Front Mission: Gun Hazard (1996)
Final Fantasy VII (1997)
Kartia: The Word of Fate (1998)
Final Fantasy VIII (1999)
Final Fantasy IX (2000)
El Dorado Gate (2000–2001)
Final Fantasy X (2001)
Final Fantasy X-2 (2001)
Final Fantasy XI (2002)
Final Fantasy XII (2006)
Lord of Vermilion (2008)
Dissidia: Final Fantasy (2008)
Lord of Vermilion II (2009)
Final Fantasy XIII (2010)
Final Fantasy XIV Online (2010)
Lord of Arcana (2010)
Dissidia 012 Final Fantasy (2011)
Final Fantasy Type-0 (2011)
Final Fantasy XIII-2 (2011)
Final Fantasy Versus XIII (inédito)

Animação

Science Ninja Team Gatchaman (1972)
Neo-Human Casshern (1973)
Hurricane Polymer (1974)
New Honeybee Hutch (1974)
Time Bokan (1975)
Tekkaman: The Space Knight (1975)
Gowappā 5 Godam (1976)
Akū Daisakusen Srungle (1983)
Genesis Climber MOSPEADA (1983)
Okawari Boy Starzan-S (1984)
Sei Jūshi Bismarck (1984)
Angel's Egg (1985)
Vampire Hunter D (1985)
Amon Saga (1986)
Twilight of the Cockroaches (1987)
1001 Nights (1998, vídeo baseado nas ilustrações de Amano, Princess Budou)
Ayakashi (2006)
Fantascope ~Tylostoma~(2006)
Bird's Song (2007)
Ten Nights of Dreams (2007)
Vegetable Fairies: N.Y. Salad (2007)
Jungle Emperor (2009)
Deva Zan (2012)[23]

Ilustrações

Trabalhos publicados originalmente no Japão

Vampire Hunter D (1983-ongoing)
Guin Saga (1984–1997)
The Heroic Legend of Arslan (1986–1999)
Sohryuden (1987-ongoing)
Rampo Edogawa Mystery Collection (1987–1989)
Tekiha Kaizoku Series
Shinsetsu Taikō-ki
Chimera-ho Series
Garouden
The Tale of Genji (1997)
Galneryus – Album art
Sword World RPG – Assorted artwork
Mateki: The Magic Flute
Illustrated Blues (2010)

Trabalhos publicados originalmente no Ocidente

A Cup of Magic! (1981)
The Prince in the Scarlet Robe, Corum (1982)
Erekosë Saga (1983)
Elric Saga (1984)
Dream Weaver (1985)
The Chronicles of Castle Brass (1988)
Hoka Series
Sandman: The Dream Hunters (1999)
Elektra and Wolverine: The Redeemer (2002)
Seven Brothers (2006)

Yoshitaka Amano's HERO (2006-ongoing)
Shinjuku (2010)

Livros

Maten / Evil Universe (1984)
Genmukyu / Castle of Illusions (1986) (ISBN 4-403-01029-6)
Imagine (1987) (ISBN 4-403-01031-8)

Publicado em 28/03/2012 às 11:48

Millôr

millor 1 Millôr

Nunca houve neste país, nem haverá, gênio do tamanho e coragem de Millôr Fernandes. Jornalista, tradutor, ilustrador, cartunista, artista plástico, dramaturgo, editor, mentor, líder, exemplo - de quantas maneiras diferentes devemos tanto a Millôr?

maq millor e1332946013943 Millôr

Seu amigo Paulo Francis dizia que se sua língua materna fosse inglês, seria um astro mundial; outro amigo, Fausto Cunha, que era dos poucos escritores universais que o Brasil criou; mas como imaginá-lo longe do seu amado Rio, da praia, da tiração de sarro, do frescobol? Millôr era do mundo e da gente, internacional e brasileiríssimo, cosmopolita e bairrista.

Seu talento múltiplo estava além da nossa compreensão. Bastaria. Mas sua valentia fez do ótimo, admirável. Millôr sempre esteve do lado certo: do contra. Independente a todo custo e até o fim, sem marras nem amarras, Millôr foi o nosso melhor.

millor3 Millôr

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