Publicado em 29/03/2012 às 08:32

Yoshitaka Amano: um superstar dos games entre nós

Yoshitaka Amano Yoshitaka Amano: um superstar dos games entre nós

Yoshitaka Amano, um dos mais aclamados artistas do Japão, vem pela primeira vez ao Brasil. Ele vem especialmente para participar da feira GameWorld 2012, a convite da Fundação Japão e da Tambor, realizadora do evento, onde passo meus dias - você pensou que eu ficava o dia inteiro penteando meus posts para o blog?

Me dá licença para vender meu peixe, que neste caso, é um peixão. Amano é um artista plástico muito respeitado - e, simultaneamente, o mais importante concept artist da história dos videogames.

O que é um concept artist? É a mente criativa que estabelece os conceitos visuais e sensoriais sobre os quais outros vão trabalhar. Amano desenha, pinta, cria personagens, cenários, momentos. Eles servem de base para centenas de outras pessoas fazerem seus trabalhos de design, programação, e tudo mais.

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Amano vem com uma exposição, a Mostra Yoshitaka Amano, com 31 quadros. São lindos e mais. Yoshitaka Amano é para lá de multidisciplinar.  Seus trabalhos vão da criação de estampas para quimonos à cerâmica, da caligrafia tradicional à pintura e à criação de cenários para o teatro. O sucesso nestas várias frentes atraem o aplauso de audiências diversas.

Nascido em Shizuoka, no Japão, Yoshitaka Amano iniciou sua carreira em 1967, nos estúdios Tatsunoko, onde trabalhou em desenhos como Speed Racer e Gatchaman (no Ocidente, G-Force). No Brasil, é especialmente conhecido por seu longo envolvimento com a legendária série de videogames, Final Fantasy.

Os personagens e ambientes criados por Amano, combinação de xilogravuras tradicionais japonesas com art nouveau, e do clássico com o moderno, estabeleceu o universo simbólico de Final Fantasy, e influenciou criadores em todo o mundo. É mangá? É Klimt?
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Além disso, seu traço elegante também conquistou uma legião de fãs no nosso país graças à sua colaboração com Neil Gaiman no livro ilustrado Sandman: Caçadores de Sonhos, lançado em 1999 (e que tive o prazer de publicar, quando dirigia a Conrad), e também com Greg Rucka, no álbum Elektra & Wolverine: O Redentor (2000), ambos best-sellers.

Seu  trabalho gerou quarenta art books, e vem sendo exposto nos principais museus do mundo, em cidades como Nova York, Paris e Tóquio. É a primeira vez que o Brasil recebe uma exposição do artista, e a primeira vez que ele visita o país. Deu um trabalho louco. Está dando, ainda. Amano ainda não chegou a São Paulo.

Mas a turma da Fundação Japão e da Tambor trabalha nisso há mais de seis meses. E estamos, com razão orgulhosos. Amano faz uma palestra nesta sexta à tarde, e estará sábado e domingo encontrando seus muitos fãs.

É uma chance muito rara de encontrar pessoalmente um artista deste calibre e importância. Todas as informações sobre a Mostra Yoshitaka Amano, e as muitas atrações do GameWorld, estão aqui. Te espero lá!

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LISTA PARCIAL DE TRABALHOS DE YOSHITAKA AMANO

Video Games

Final Fantasy I (1987)
Final Fantasy II (1988)
First Queen (1988)
Duel (1989)
Duel98 (1989)
Final Fantasy III (1990)
First Queen 2 (1990)
Final Fantasy IV (1991)
Final Fantasy V (1992)
Kawanakajima Ibunroku (1992)
First Queen 3 (1993)
Final Fantasy VI (1994)
Front Mission (1995)
Maten Densetsu (1995)
Front Mission: Gun Hazard (1996)
Final Fantasy VII (1997)
Kartia: The Word of Fate (1998)
Final Fantasy VIII (1999)
Final Fantasy IX (2000)
El Dorado Gate (2000–2001)
Final Fantasy X (2001)
Final Fantasy X-2 (2001)
Final Fantasy XI (2002)
Final Fantasy XII (2006)
Lord of Vermilion (2008)
Dissidia: Final Fantasy (2008)
Lord of Vermilion II (2009)
Final Fantasy XIII (2010)
Final Fantasy XIV Online (2010)
Lord of Arcana (2010)
Dissidia 012 Final Fantasy (2011)
Final Fantasy Type-0 (2011)
Final Fantasy XIII-2 (2011)
Final Fantasy Versus XIII (inédito)

Animação

Science Ninja Team Gatchaman (1972)
Neo-Human Casshern (1973)
Hurricane Polymer (1974)
New Honeybee Hutch (1974)
Time Bokan (1975)
Tekkaman: The Space Knight (1975)
Gowappā 5 Godam (1976)
Akū Daisakusen Srungle (1983)
Genesis Climber MOSPEADA (1983)
Okawari Boy Starzan-S (1984)
Sei Jūshi Bismarck (1984)
Angel's Egg (1985)
Vampire Hunter D (1985)
Amon Saga (1986)
Twilight of the Cockroaches (1987)
1001 Nights (1998, vídeo baseado nas ilustrações de Amano, Princess Budou)
Ayakashi (2006)
Fantascope ~Tylostoma~(2006)
Bird's Song (2007)
Ten Nights of Dreams (2007)
Vegetable Fairies: N.Y. Salad (2007)
Jungle Emperor (2009)
Deva Zan (2012)[23]

Ilustrações

Trabalhos publicados originalmente no Japão

Vampire Hunter D (1983-ongoing)
Guin Saga (1984–1997)
The Heroic Legend of Arslan (1986–1999)
Sohryuden (1987-ongoing)
Rampo Edogawa Mystery Collection (1987–1989)
Tekiha Kaizoku Series
Shinsetsu Taikō-ki
Chimera-ho Series
Garouden
The Tale of Genji (1997)
Galneryus – Album art
Sword World RPG – Assorted artwork
Mateki: The Magic Flute
Illustrated Blues (2010)

Trabalhos publicados originalmente no Ocidente

A Cup of Magic! (1981)
The Prince in the Scarlet Robe, Corum (1982)
Erekosë Saga (1983)
Elric Saga (1984)
Dream Weaver (1985)
The Chronicles of Castle Brass (1988)
Hoka Series
Sandman: The Dream Hunters (1999)
Elektra and Wolverine: The Redeemer (2002)
Seven Brothers (2006)

Yoshitaka Amano's HERO (2006-ongoing)
Shinjuku (2010)

Livros

Maten / Evil Universe (1984)
Genmukyu / Castle of Illusions (1986) (ISBN 4-403-01029-6)
Imagine (1987) (ISBN 4-403-01031-8)

Publicado em 28/03/2012 às 11:48

Millôr

millor 1 Millôr

Nunca houve neste país, nem haverá, gênio do tamanho e coragem de Millôr Fernandes. Jornalista, tradutor, ilustrador, cartunista, artista plástico, dramaturgo, editor, mentor, líder, exemplo - de quantas maneiras diferentes devemos tanto a Millôr?

maq millor e1332946013943 Millôr

Seu amigo Paulo Francis dizia que se sua língua materna fosse inglês, seria um astro mundial; outro amigo, Fausto Cunha, que era dos poucos escritores universais que o Brasil criou; mas como imaginá-lo longe do seu amado Rio, da praia, da tiração de sarro, do frescobol? Millôr era do mundo e da gente, internacional e brasileiríssimo, cosmopolita e bairrista.

Seu talento múltiplo estava além da nossa compreensão. Bastaria. Mas sua valentia fez do ótimo, admirável. Millôr sempre esteve do lado certo: do contra. Independente a todo custo e até o fim, sem marras nem amarras, Millôr foi o nosso melhor.

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Publicado em 28/03/2012 às 10:54

Veja agora: primeiro trailer do novo filme de Borat, O Ditador

Sacha Baron Cohen é um comediante. Sacha Baron Cohen é e sempre será Borat. Foi como o mundo o conheceu, após anos de celebridade televisiva no Reino Unido.

Não é para todos os gostos. Há quem ache forçado, há quem ache besta. Eu quase morri de chorar de rir assistindo Borat. Duas vezes. E não cheguei a tanto, mas também passei mal com Bruno.

Sacha Baron Cohen é um grande ator, além de grande humorista, e talento criativo único.

Se você não prestar atenção, periga não perceber que o ambíguo soldado manquitola que persegue Hugo Cabret, e tanto quer impressionar a florista no bonito filme de Scorsese, é Sacha — um vilão com quem você não consegue não se identificar.

O novo projeto de Cohen é O Ditador. Ele divulgou no Oscar, vestido e se portando como um ditador do Oriente Médio, a la Kaddhafi, Assad e canalhas semelhantes. O trailer saiu uns minutos atrás.

Veja agora:

THE DICTATOR: Official International English Trailer - HD por perolasblogs no Videolog.tv.

Publicado em 27/03/2012 às 10:41

Por um jornalismo mais crítico

O jornalismo cultural que eu tento exercer desde 1988 é o jornalismo crítico. Ele tem uma única premissa: compromisso total com o leitor e nenhum com a criação ou seu criador.

Fã é fã, jornalista é jornalista. Fã perdoa tudo. Jornalista não perdoa nada, ou não deveria.

As perguntas que o jornalista cultural têm de responder são só duas: primeiro, o objetivo da obra tem algum mérito? Segundo, o objetivo foi alcançado? Só. O resto é perfumaria.

Vale para o impresso, vale mais ainda para a Web.

Até porque na rede, não é preciso descrever a música; qualquer um baixa. Não é preciso listar a filmografia do diretor, ou sua história etc.

Basta lincar para as melhores fontes de informação. E contribuir com o que interessa: uma visão pessoal, única, e implacável. Jornalismo crítico do século XXI: sem fronteiras, sem piedade.

É uma atitude radical. Exemplo: implica arrasar com a mais recente (e ruim) obra de um artista velhinho, respeitado e amado. Não interessa seu currículo. Interessa a obra.

O jornalismo crítico pode ser exercido na grande imprensa ou num blog lido por cinco pessoas. Não requer muito mais que saber escrever, curiosidade, uma cultura geral razoável.

Não precisa saber tocar piano para escrever sobre música. É uma maneira de ver as coisas e se posicionar.

Copiar o que a assessoria de imprensa mandou não é jornalismo. Ecoar o consenso que compensa não é jornalismo. Se esconder no que pega bem não é jornalismo. Copy-paste não é jornalismo.

Álvaro Pereira Jr., comentando o livro Pós-Tudo (uma espécie de almanaque sobre a história da "Ilustrada", da Folha de S.Paulo, o mais influente caderno cultural da história da imprensa nacional, que cresci lendo e onde trabalhei entre 88 e 90), cutuca a preponderância do “jornalismo amigo e construtivo, participante de cena que cobre.”

Este mestiço jornalista-fã frequentemente tem papel catalisador em novos movimentos culturais. O problema é que esta postura se tornou a característica dominante do nosso jornalismo cultural. Em outros países não é assim.

O que me fez querer ser jornalista é o jornalismo crítico. Ele estava presente na "Ilustrada" nas entrelinhas do “jornalismo amigo e construtivo” da fase Matinas Suzuki Jr./ Marcos Augusto Gonçalves (que queriam construir a obra junto com o artista, construir a política cultural junto com o governo etc.; “você era crítico e participante ao mesmo tempo”, Matinas, pág. 118 de Pós-Tudo) e sua continuação, que veio dos anos 90 pra frente.

A não-"Ilustrada" era, em uma palavra, crítica. Uma meia dúzia de gatos pingados por década. Às vezes fazia barulho suficiente para estourar os tímpanos de quem estivesse de ouvidos abertos. Na minha adolescência, Paulo Francis e Pepe Escobar.

Mas a imprensa cultural dominante é e sempre foi a dos jornalistas artistas, ou jornalistas que são amigos de artistas ou sonham ser. Alguns poucos são brilhantes e catalisadores.

No mesmo texto, Álvaro cita Erika Palomino, cronista da noite e da moda, uma militante engajada na construção da cena, dos personagens e do negócio. Lúcio Ribeiro é o outro grande exemplo desta abordagem, em música, e muito forte na internet, com seu Popload.

Nossas cenas de moda e música seriam menos interessantes sem estes dois, que considero amigos. São certamente os jornalistas mais influentes da geração 90 da "Ilustrada". É uma pena que em vez de se espelhar no talento admirável de Lúcio e Erika, muita gente ignore a parte “jornalismo” de “jornalismo amigo e construtivo”.

Muitos blogs estão cheios de postspagos, o crítico ganha uma grana extra como curador, a editora faz frila para a assessoria, todo mundo pega o seu com o governo, todo mundo se virando etc.

O Brasil precisa de mais jornalismo crítico, e não só na área cultural. Tem gente boa pintando, principalmente na internet, e tenho esperança que apareça mais.

Torço por uma explosão de seguidores de Kenneth Tynan, que Paulo Francis me apresentou na "Ilustrada". Tynan uma vez esculhambou um filme de Michelangelo Antonioni assim: “Nove décimos do trabalho do crítico é demolir o ruim para abrir caminho para o bom. Antonioni está bloqueando a rua”.

Nada a acrescentar.

(Publicado originalmente na revista Continente)

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Publicado em 26/03/2012 às 06:00

Conheça as dez melhores praias do Brasil e do mundo (e me deixe sossegado)

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O TripAdvisor é um dos sites de viagem mais famosos e úteis do mundo. Sua principal função é agregar as opiniões de turistas do mundo inteiro sobre suas viagens. É muito bom para escolher hotéis. É muito mais sincero que revista de viagem, para não dizer os sites dos próprios hotéis.

Claro que gente de todo tipo escreve lá, e principalmente muito americano. Para um coroa que mora em uma cidadezinha de cinco mil habitantes no Kansas, é lógico que qualquer hotel de Paris vai parecer barulhento. Eu queria um TripAdvisor que funcionasse perfeitamente para mim, para os meus gostos, manias, necessidades, e vida. Bem, não se pode ter tudo.

O TripAdvisor concede anualmente o prêmio Travellers Choice, a escolha dos viajantes, baseado na opinião de milhões de turistas. Tem os melhores destinos do mundo, por país, e alguns prêmios concedidos pelos editores.

A nova premiação reflete bem meu problema com o TripAdvisor. Vou ficar em um exemplo: a lista das dez melhores praias do Brasil. Eu entendo de praia. Sério. Já fui em praias nos cinco continentes e tal. Fico a vontade no quesito.

Contagem regressiva:

Em décimo lugar: Morro de São Paulo
Nono: Ilha Grande
Oitavo: Porto de Galinhas
Sétimo: Jericoacoara
Sexto: Salvador
Quinto: Paraty
Quarto: Florianópolis
Terceiro: Búzios
Segundo lugar: Natal
e, rufem os tambores, em primeiríssimo lugar... Rio de Janeiro.

Nunca fui para Búzios. Conheço e recomendo os outros nove destinos; quer dizer, quando eu fui era legal; vai saber como é Morro de São Paulo hoje? Faz 14 anos que estive lá. Procura aí na internet.

Agora, como praia propriamente dita, areia, água e diversão, minha lista das dez melhores do Brasil seria bem diferente. Dá pra manter Jericoacoara, pela beleza hipnótica, se ainda não estragaram.

O resto eu trocava tudo. Minha opinião, você terá outra. E as vinte melhores praias do mundo, segundo o TripAdvisor? Nenhuma é brasileira. É quase tudo americana (!), mexicana, caribenha.

Veja aqui.

O Rio aparece num distante vigésimo-terceiro lugar. Se sentiu ofendido no seu nacionalismo praieiro, amigo? Esquenta não; como eu disse, a maioria dos votantes é de americanos; dito isso, quem disse que só porque temos esse litoralzão, vamos ter as melhores praias do mundo? Você já foi pra Tulum, Cayo Coco, Ko Phi Phi? Pois então.

Eu, por mim, espero que a lista das melhores praias do mundo continue essa mesmo, e a do Brasil continue concentrada em lugares grandes com aeroportos internacionais. Que os gringos vão pro Caribe, pro Rio, Floripa e tal. Tenho minha praia favorita, e no que depender de mim, ela não entra em lista nenhuma.

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Publicado em 23/03/2012 às 11:47

Raul Seixas

No dia que Raul Seixas morreu, fui chamado de uma reportagem na rua para escrever sobre ele. Eu trabalhava na Folha de S.Paulo, e tinha entrevistado Raul e Marcelo Nova uns meses antes.

Hoje estreia o documentário sobre Raul, e gente boa falou que é bom. Eu vou assistir. As razões estão aí embaixo.

raul doc Raul Seixas

MR. ROCK’N'ROLL

Desde que o consumo de drogas e álcool de Raul Seixas subiu às alturas, no final dos anos 70, sua carreira – que sempre abominou as linhas retas – se tornou cada vez mais errática.

Chegou um ponto – especificamente, 1988 – em que ninguém mais confiava em Raul Seixas. Com 44 anos e 21 discos nas costas, nenhuma gravadora ou promotor de show apostava um tostão nas condições físicas e mentais do velho roqueiro.

A volta foi triunfal – por seu enorme sucesso e, antes disso, simplesmente por acontecer. Começou em setembro do ano passado, quando Raul foi convidado por seu herdeiro Marcelo Nova para cantar quatro músicas num show em Salvador. Raul – uma ruína física – ressuscitou numa performance endiabrada.

raul texto Raul Seixas

Centenas de milhares de pessoas viram os mais de 30 shows que se seguiram.

Marcelo abria para Raul, que desfiava hits – Rock das Aranhas, Aluga-se – e hinos – Ouro de Tolo, Metamorfose Ambulante, Sociedade AlternativaGita. A voz era tremulante, mas ninguém se importava.

Sabe-se lá o que Raul tinha, para ser tão amado e respeitado. O fato é que sua figura há muito tempo tinha tomado proporções que ultrapassavam de longe suas muitas qualidades.

Raul não era mais só o co-fundador da atitude rock brasileira, ao lado dos Mutantes. Também não era só quem melhor misturou o rock’n’roll com ritmos nacionais como o xote ou o baião, ou o único a colocar uma sensibilidade especificamente nordestina a serviço do rock. Seus fãs, os mais fiéis, não o adoravam só por seu messianismo ou sua visão contracultural. Mesmo quem não era fã, torcia pelo velho roqueiro.

O fato é que no final de sua vida Raul Seixas tinha se tornado um herói popular, um dos últimos disponíveis numa época em que acreditar em qualquer coisa ou pessoa está cada vez mais difícil.

Por mais irregular que tenha sido sua carreira, por mais destrambelhada sua vida, ninguém nesse país mereceu mais o título que Raul Seixas carregou até ontem – “Mr. Rock’n’roll”.

(Ilustrada, Terça-feira, 22 de agosto de 1989)

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Publicado em 23/03/2012 às 06:00

Por que o TV Folha não precisa de audiência

A estreia do TV Folha, programa produzido pelo jornal e exibido na TV Cultura, provocou verdadeiro Fla-Flu, com malhos de lá, defesas apaixonadas de cá, alguma razão e muita emoção.

Assisti aos dois programas do TV Folha exibidos até agora. Aos pedaços. Pulando as partes que me interessavam menos. Na internet. Que é onde faz mais sentido assistir ao TV Folha. O que, desconfio, a Folha sabe muito bem.

Eu me diverti vendo vários trechos do TV Folha. Teria críticas e elogios a fazer, de linguagem, pegada e pauta. Não farei. Conheço vários jornalistas ali há décadas; alguns são camaradas das antigas; um é amigo chegado.

Você que assista e forme sua opinião. De qualquer forma, meu ponto é outro. Jornal em 2012 tem que ser pensado como conteúdo multiplataforma. Isso é notícia velha. Executar a missão é dificílimo.

Organizações, indivíduos e equipes condicionadas a pensar conteúdo em termos de texto e imagens impressas, com ciclo de produção diário, processo fabril e logístico caro e complexo, e abordagem monodirecional, apanham com meios digitais.

É a velha história: nenhuma grande empresa de transporte ferroviário virou companhia aérea. Eles pensavam que estavam no negócio de colocar trilho no chão e queimar carvão, não no negócio de transportes.

Mesmo assim, todos os jornais e revistas que valem seu sal, mundo afora, estão tentando dar o salto. Não há alternativa, ainda que 90% do faturamento continue vindo das versões impressas.

E mesmo que o mundo digital esteja roendo sua margem. É como aquele filme do alpinista que ficou entalado na rocha: se você não cortar seu próprio braço, com canivete cego, a morte por hemorragia é lenta e certa.

O TV Folha não tem nada que vá me levar para a frente da TV em um domingo à noite. Acho que o veredito vale para os meus amigos mais viciados em informação e opinião.

Embora o TV Folha seja diferente de seus concorrentes nos canais abertos, o formato é bem normalzinho comparando com os canais pagos. E pra que ver junto com todo mundo se posso ver quando me der na telha, e só o que me interessa?

Pretendo pinçar na internet o que me seduzir e assistir, sem pressa, nos dias seguintes à exibição na Cultura. Imagino que as visualizações na web de segunda a sexta serão bem maiores que o ibope do domingo.  Natural, e pouco importa se a audiência do TV Folha na TV não dá audiência.

A Cultura sempre deu traço mesmo. O Roda Viva existe há décadas com baixíssima audiência, porque dá muito prestígio. Se você está engajando meia dúzia de gatos pingados, mas todos têm algum dinheiro e influência, é bom investimento; aliás, esta é a exata descrição do que é um jornal.

E com a obrigação da produção semanal do programa, a tendência é que, com o tempo, a Folha domine mais e mais a linguagem do vídeo - seja para TV, web, tablet ou o que for.

Na prática, a Folha encontrou uma maneira muitíssimo inteligente de promover o conteúdo em vídeo que produz para a internet. Em vez de simplesmente colocar um bom time de jornalistas e colunistas para aparecer em vídeos e jogar no seu site, embalou tudo em um programa, e colocou no horário nobre na TV Cultura.

Promove os valores que fizeram a fama do jornal, inovação, pluralidade e tal, numa vitrine de primeira classe. É uma ação de marketing. Muito mais barata e eficiente do que fazer uma campanha de TV.

Repercutiram críticas contra o arrendamento de horários da TV Cultura para a Folha; o canal negocia acordos similares com o Estadão e a Abril. Concordo.

Se era para lotear a programação, muito melhor seria emprestar horários para veículos independentes, blogs, cooperativas, rádios comunitárias, o melhor do YouTube, bizarrias, vozes únicas. Já que não há grana nem necessidade de audiência, vamos botar fogo no circo! Para que dar mais espaço para os mesmos de sempre?

A Cultura é uma emissora pública que ao longo de sua história frequentemente foi joguete político na mão do governo do Estado, que é quem paga as contas e dá as cartas. Li argumentos que com esta mudança, pelo menos o jornalismo da Cultura seria agora menos chapa-branca.

Bem, que tal fazermos uma forcinha e estabelecermos mecanismos independentes de financiamento e de governança, que garantam a autonomia econômica e editorial da TV Cultura? Dá mais trabalho, mas não é física quântica. É saída medíocre demitir seus próprios funcionários e lotear a programação entre os grandes grupos de comunicação do Estado.

Mas aí o erro não é da Folha de S.Paulo. É da Cultura e do governo - mais um de muitos que vão para conta de Geraldo Alckmin. A Folha viu uma oportunidade e aproveitou. Se a TV Cultura quiser me dar meia horinha semanal para eu fazer minhas estrepolias, também topo...

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Publicado em 22/03/2012 às 06:00

O artista mais famoso que você nunca ouviu falar

Este vídeo foi visto mais de 113 milhões de vezes no YouTube. Está entre os dez mais vistos do momento. É de um artista belga-australiano chamado Gotye.

Ele não é jovem, bonito, musculoso, nem tatuado ou rebelde. A voz lembra Sting. A canção parece coisas que Peter Gabriel fazia em 1980 - aliás, ano em que nasceu Wally DeBacker, nome real do cara.

Gotye tem alguns anos de carreira sem maior repercussão. O álbum de que esta canção emplacou. Fez sucesso de público e crítica ano passado na Austrália.

O vídeo tem uma boa sacada, mas nada que você não possa reproduzir, com alguma dedicação, na sala da sua casa, por uns R$ 500, 00.

Por que o vídeo foi visto todas estas vezes?

Por que ele não tem nada a ver com outros megavídeos, megaproduzidos, de megapopstars?

Ouviremos falar de Gotye daqui para frente, a) muito, b) pouco ou c) nada?

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Publicado em 21/03/2012 às 13:55

Porque o novo Mark Zuckerberg NÃO virá do Brasil

Manchete de hoje incendeia a internet brasuca: o Washington Post prevê que os próximos bilionários da internet virão do Brasil!

Está lá, no jornal oficial da capital do império: empresas do porte do Facebook em breve nascerão no nosso País, capitaneadas por jovens inovadores e geniais, os Marks Zuckerberg brasileiros.

Aí você faz diferente da maioria das pessoas que fica repercutindo manchetes no Twitter como zumbis, e tira cinco minutos para efetivamente ler o texto. Aqui.

A foto que ilustra a matéria é de dois caras na praia, seminus, na contraluz de um sol dourado, ao longe uma canoa. Começou mal, mas pelo menos não é mulata requebrando no Carnaval. O autor é o colunista Vivek Wadhwa, ou seja, não é reportagem, é opinião.

Dr. Wadhwa é acadêmico respeitado. No primeiro parágrafo, ele descreve Campinas como uma pequena cidade universitária na periferia de São Paulo. Piorou. E depois piora.

Ele conta algumas anedotas sobre experiências de empreendedores em Campinas, como eles se ajudam e como adotaram alguns princípios das start-ups americanas (lean start-up, uma maneira chique de dizer gaste pouco, bote logo seu produto no mercado e aprenda com seus erros).

Aí Mr. Wadhwa declara que as empresas que viu em Campinas são de qualidade melhor das que tem visto no Silicon Valley, e que por isso ele prevê que elas têm mais chance de sobreviver que as americanas.

Mark Zuckerberg dueno de Facebook ok Porque o novo Mark Zuckerberg NÃO virá do Brasil

Devo ter ouvido besteira maior na vida, mas não me lembro. A qualidade da inovação das novas empresas brasileiras é o de menos. Nosso colunista pode entender tudo de start-up na Califórnia, mas não sabe o be-a-bá da economia tupi.

O investimento mais conservador que se pode fazer no nosso País, que é botar dinheiro em uma aplicação careta no banco da esquina, rende dez por cento ao ano. Com um pouquinho mais de recursos e ousadia, dá pra chegar a quinze ou vinte. Sempre que conto isso pra gringo, eles caem para trás.

Neste ambiente, não há nenhuma boa razão para termos um ambiente propício a investimentos produtivos, muito menos no nascedouro. Novos empreendimentos automaticamente são mais arriscados, e quanto mais nova a ideia, mais novos os problemas que ela vai ter que enfrentar.

Não vou nem começar a detalhar a indigesta salada de pepinos que um empresário iniciante tem que engolir no Brasil, impostos, cartelização, legislação, corrupção... Por isso tudo é que o cenário de start-ups no Brasil é tão frágil, comparado ao tamanho e ao crescimento do País.

Mark não ia dar em nada no Brasil; o Facebook jamais teria recebido investimentos; o jogo aqui é outro. Os maiores crânios do Brasil, diferente da Califórnia, não vão trabalhar em start-ups. Vão trabalhar em bancos. E pela mesma razão: é onde está o dinheiro.

No final, o colunista diz que os próximos Marks Zuckerberg virão das favelas de Nova Déli, na Índia, de Valparaíso, no Chile, e de São Paulo (sem acento)... Ora faça-me o favor.

Quando os gringos começarem a botar o til em São Paulo, começo a levar a sério suas profecias.

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Publicado em 20/03/2012 às 14:00

Os campeões da música em 2011: Marcelo Rossi, Paula Fernandes, você e eu

A indústria da música está acabando, ouviu falar? Todo mundo agora está baixando música de graça da internet, e por isso é que as gravadoras estão todas falindo.

A única solução para os artistas é dar suas canções de graça, em formato digital, para tentar ganhar alguns fãs, e depois faturar fazendo shows.

Isso já aconteceu com a indústria fonográfica, e tudo que é digitalizável tem o mesmo destino - filmes, games, notícias. É um mundo completamente novo e salve-se quem puder!

O parágrafo acima está cem por cento errado. O mundo não é preto e branco. O mundo não é como você ou eu desejamos que seja. O mundo é hachura, matiz, móbile de Escher.

Quando todos começam a repetir a mesma coisa do mesmo jeito, deixamos o mundo e vamos para a Matrix, o domínio da realidade consensual. Que de consenso nada tem - é sempre imposta, e portanto sempre parte de quem tem poder para impor.

O mercado fonográfico brasileiro cresceu 8,4% em 2011, em faturamento. Chegou a R$ 373,3 milhões, segundo o relatório anual da Associação Brasileira dos Produtores de Disco.

"O cenário de redução e encolhimento que observamos na primeira década do século 21 ficou para trás", disse Paulo Rosa, presidente da ABPD. Dá para acreditar? Claro.

De onde vem o dinheiro? Vem 53% da venda de CDs; 31%, de DVDs musicais; 32%, receitas diversas de música digital (downloads, serviços de aluguel, ringtones pra celular etc.).

Esta área cresceu 12,8% ano passado. Vai crescer bem mais em 2012.

O iTunes, maior serviço de venda de música digital do mundo, chegou ao Brasil só em dezembro. Entrei este minuto para ver o que tinha na capa do iTunes: Thiaguinho. Faz sentido.

Quer saber os campeões de venda do mercado brasileiro de música em 2011? Marcelo Rossi e Paula Fernandes.

montagem Os campeões da música em 2011: Marcelo Rossi, Paula Fernandes, você e eu

Vai continuar aumentando a quantidade de downloads piratas? Vai. E prevejo que, no Brasil, vai continuar aumentando simultaneamente a venda de CDs, DVDs, e de música digital.

Música, seja em suporte físico ou em elétrons, hoje é barato. E música é conveniência, mas também é paixão. Para quem adora música, não há prazer como passar duas horas fuçando uma loja especializada das boas.

Fui a San Francisco a trabalho, e fiz isso na Rasputin, no centrinho da cidade, Powell Street. Toda viagem minha aos EUA, uma ou duas por ano, inclui momento de peregrinação similar. Eram cinco andares de CD, DVD, Blu-ray, vinil, novos, usados e raros.

Sabe quanta gente tinha na Rasputin em dois domingos atrás, onze da manhã, na capital do Vale do Silício, coração da música digital planetária? Um monte.

Comprei 27 CDs, 24 usados, preço a partir de R$ 5,95, dez reais. Estou tirando um por um do plástico e curtindo um por um, separadamente.

Alguns eu tinha em vinil, outros tive em fitas cassete na pré-história, outros são de artistas que conheço mal, outros de bandas que conheço nada.

Você sabe quanto os músicos e compositores destas canções ganharam com a minha compra destes CDs usados? Zero. Quanta dor na consciência senti por não colaborando para sua subsistência ou fortuna? Zero.

As gravadoras, quando eu era editor de revista de música, se pensavam onipotentes. Hoje são sombra do que eram. Estão no tamanho certo. 2012 é muito melhor para quem curte música do que qualquer momento antes.

E os artistas nunca tiveram tanta liberdade para criar e ganhar com sua criação, o que pode gerar um pouco de angústia nos pobrezinhos, e certamente gera muita confusão nas regras e leis, e muita oportunidade de faturar com o caos. É o que vemos na atual tiroteio sobre o Ecad, e na discussão sobre como e quanto os compositores devem receber pela execução de suas obras.

Existem novas maneiras de fazer as coisas, mas elas não são necessariamente melhores que as antigas. As velhas maneiras de fazer as coisas, bem - algumas estão mortas, outras precisam de uma estaca no coração.

E outras eram bem razoáveis, e enquanto não aparecer nada melhor, podemos continuar usando-as. Sem stress e sem culpa.

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Publicado em 20/03/2012 às 06:00

Google: grande demais para quebrar (e para existir)

Fez sucesso anos atrás um livro chamado Too Big To Fail. A expressão americana diz respeito a empresas tão grandes, que os governos não podem permitir suas falências - o estrago social seria monstruoso.

Frequentemente, se aplica a bancos. Por mais falcatruas cometidas, melhor enfiar dinheiro público lá que deixar quebrar e prejudicar milhões e milhões de correntistas e poupadores.

Político, naturalmente, sempre acha uma desculpa para entuxar nossa grana em cofres privados, sob essa e aquela justificativa.

No Brasil, mais de um terço do PIB nós pagamos de imposto, e temos pouquíssimo controle como o dinheiro é gasto. Mas é parecido em todo lugar.

Um caso recente e espetacular nos EUA foi o bilionário desfibrilador que a administração Obama aplicou na moribunda indústria automobilística americana. Os resultados ainda são duvidosos.

Que empresa você acha que é grande demais para quebrar? Com que produto, de que marca, você não consegue imaginar ficar sem? Pense um segundinho.

Desconfio que uma parte muito grande de nós responderia: Google.

sede google ok Google: grande demais para quebrar (e para existir)

Como fazer sentido de uma internet sem os poderes mágicos de busca do Google? Sem Google Maps, YouTube, Gmail?

O Google é grande demais para quebrar, com certeza.

Mais que isso: talvez esteja ficando grande demais para existir. Talvez seja hora do Google ser dividido.

O que não pode ser feito pelo mercado, só por interferência direta do governo do País onde a empresa tem sede, os EUA.

Em 2011, o faturamento total do Google foi de US$ 37,9 bilhões. A receita total de publicidade de TODOS os jornais dos Estados Unidos foi de US$ 24 bilhões - menos da metade do que foi em 2005. Por quê?

Principalmente porque o Google capturou a maior parte dos investimentos em classificados.

E o valor de mercado do Google em ações? É de US$ 200 bilhões.

Se a empresa vira pó amanhã, destrói pedaço considerável da economia americana, da internet mundial e das vidas de cada um de nós que usa os serviços do Google.

Outro exemplo assustador: a Apple, a empresa de maior valor de mercado do planeta. São R$ 550 bilhões.

Se um terrorista joga um avião na sede da Apple em Cupertino, e mata todos os gênios que trabalham lá, o que acontece?

sede apple Google: grande demais para quebrar (e para existir)Vale a pena correr o risco?

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Publicado em 19/03/2012 às 06:00

A sabedoria de Bruce Springsteen

A esta altura, muito já se falou sobre o discurso de Bruce Springsteen no festival South by Southwest. Desde quinta-feira passada, trechos da sua palestra são citados como inteligentes, engraçados, provocantes, e principalmente inspiradores.

O veterano roqueiro - 62 anos já - equilibrou com arte integridade com humor. É de fazer qualquer um admirar Springsteen - mesmo quem não tem nenhum CD dele em casa, como eu (tenho três vinis, vá).

Só falta assistir ao original. Só para quem entende bem em inglês. E essa é uma das razões por que aprender bem inglês é importante, e rock sempre é uma boa maneira de aprender.

A íntegra da palestra de Bruce, uma hora, incluindo a introdução. Assista tudo, até o final.

Bruce Springsteen: full keynote speech (HD) - SXSW 2012 por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 16/03/2012 às 10:24

Primeiro trailer do novo filme de Johnny Depp e Tim Burton: pare e assista

Dark Shadows fez sucesso razoável por cinco anos nos Estados Unidos, de 1966 a 71. HIstórias góticas eram modinha na época, do Drácula de Christopher Lee aos gibis, e até a livros pra moças estilo Sabrina.

O seriado de TV tinha pegada era sobrenatural contemporânea, com um vampiro do bem, Barnabas Collins, e um circo de horrores coadjuvando - lobisomens, bruxas, fantasmas, zumbis. Com infinitas reprises, virou objeto de culto.

Terreno familiar para a dupla Tim Burton e Johnny Depp, criancinhas na época, parceiros de tantas outras fantasias sombrias.

Burton deu o primeiro papel sério a Depp, em Edward Mãos de Tesoura, 1991. O casório artístico já dura duas décadas - A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd, Alice no País das Maravilhas, e o desenho A Noiva Cadáver (Depp faz a voz original do noivo).

Pelo primeiro trailer de Dark Shadows, no Brasil, Sombras da Noite, a parceria promete novos frutos saborosos em 2012. É comédia rasgada e assumida, com elenco escolhido a dedo (Michelle Pfeiffer, Chloe Moretz, Alice Cooper), a costumeira sofisticação visual, figurino e trilha sonora de época (Carpenters, Marc Bolan, Isaac Hayes).

E Depp no seu melhor pique canastra, com uma antagonista à altura - Eva Green, possivelmente a mais deliciosa Bond Girl da história, ou não me lembro de outra mais atraente, o que dá no mesmo.

Dark Shadows: Official Trailer (HD) por perolasblogs no Videolog.tv.

Publicado em 15/03/2012 às 07:49

Nosso mundo, em números e cercado de anúncios

Quantas pessoas nascem e morrem a cada segundo? Quantos computadores foram vendidos este ano? E jornais?

Quantos emails enviados, quantos posts em blogs?

Quantas pessoas passam fome e quantas são obesas?

Quantos morreram de fome hoje?

Quantos suicídios, quantos abortos?

Worldometers é um site em que estes e muitos outros índices são atualizados em tempo real.

É exato? Certamente não. Mas quem foi lá checar garante que está bem próximo dos números reais.

É estranhamente comovente e um pouco anestesiante.

E o fato de que os índices são cercados de anúncios por todos lados são comentário agudo sobre o mundo que criamos.

Visite, pelo menos uma vez: http://www.worldometers.info/

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Publicado em 14/03/2012 às 17:17

Enciclopédia Britânica: não é adeus, é até logo

72265173 1 Imagens de COLEcaO ENCICLOPeDIA BRITaNICA DO BRASIL 1992 MIRADOR 20 LIVROS Enciclopédia Britânica: não é adeus, é até logo

Saio correndo de casa, na função. O gari examina atento uma pilha de livrões ao lado dos sacos de lixo da vizinha. Quarenta, cinquenta anos? Magro, nordestino, um molar faltando, o bigode disfarça bem.

Alguma coisa boa aí, amigo? Judiação, olha o que estão jogando fora, uma enciclopédia novinha! São seis volumes grossos, capa dura. Na lombada: Mirador. Ele abre, olha quanta coisa interessante aqui. Eu adoro ler, se pudesse levava tudo pra casa... mas não dá, hoje já estou carregado!

Flashback: meu pai me compra a Mirador, sétima série. A coleção é de propriedade da Britânica, e tem colaboradores célebres, e um editor famoso, Antonio Houaiss. É minha referência pra trabalhos de escola e muito mais. Nas tardes modorrentas de Piracicaba, folheio os 20 volumes distraído, à procura de gênios, escritores, líderes. Com o tempo leio todos os verbetes sobre gente. 1983, de mudança para São Paulo, a enciclopédia vem junto. Nas infinitas horas longe da escola e do mundo, em busca de sentido, leio mais. Maravilhas naturais e artificiais - países, descobertas, criações. Pulo verbetes técnicos, perda minha. Devo ter lido pelo menos 80% das 11.565 páginas, e uma parte reli repetidamente. Está na biblioteca de casa? Um arrepio - será que fui em frente e me desfiz? Será que está em algum sebo, esperando um obsessivo por artefatos do passado? Ou só pensei em passar a Mirador pra frente?

Flash forward: dia seguinte, leio - online - que a Enciclopedia Britânica vai parar de ser impressa. Repercussão mundial. Nos últimos 244 anos, foi sinônimo de conhecimento. Vendeu seis mil coleções ano passado. É nada. Não chore pela profissão de vendedor de enciclopédia - faz muito tempo que o principal comprador de enciclopédia é governo, escola, biblioteca.

Não chore pela Britânica: já faz tempo que a maior fatia de sua receita vêm de serviços pagos no setor de educação, para professores, estudiosos, estudantes. E a versão online continua firme e forte, o que se foi é o papel. São quase 65 mil artigos, escritos por 4300 especialistas.

Clique aqui para ler mais.

Impossível concorrer com a Wikipedia, enciclopédia viva, produzida todo dia por todos nós; zilhões de artigos escritos por zilhões de amadores de graus diversos, e imperfeita e encantadora como todo ser vivente. Talvez exatamente a onipresença de coisas como a Wikipedia ou o Google reforcem a necessidade de priorizarmos a criação de outro tipo de produtos de informação e referência para leigos. Que sejam acabados, completos, redondos, apurados com apuro, editados por editores, escritos por escritores. Pensando bem, tenho certeza que sim. Mas eles serão sempre digitais e permanentemente atualizados. O fim da Britânica é o começo de uma nova era de enciclopédias, para um mundo mais complexo, de mudanças mais rápidas.

Ô amigo, como é teu nome? Aurélio - olha essa parte aqui, me mostra uma página com uma engrenagens incompreensíveis, tem coisas boas de mecânica, sou mecânico de profissão. Prazer, eu sou André, vem cá, vou abrir o portão, põe os livros ali no fundo, fica protegido da chuva. Quando você passar por aqui de novo, toca a campainha, deixo avisado, você pega seus livros. Valeu mesmo! Eu é que varro sempre a rua aqui. Esta sexta pego a enciclopédia com certeza.

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Publicado em 14/03/2012 às 06:00

A banda do minuto: Sleigh Bells

sleighbells 450x298 A banda do minuto: Sleigh Bells

Para emplacar, uma banda precisa de som, visual, pertinência e um algo a mais. O nome do momento nos EUA é o Sleigh Bells. O segundo disco do duo, Reign of Terror, saiu faz três semanas.

Toca em San Francisco por todo canto, ou eu que estava prestando atenção?

Eles foram atração musical do Saturday Night Live há duas semanas. Estão na capa da nova edição / nova versão da revista Spin. Eles estão nos editoriais de moda de revistas bem mais descolex que a Spin.

Sleigh Bells, Born to Lose, Live from Termina: 5, 2/17/12 por perolasblogs no Videolog.tv.

Eles estão na trilha de games como Saints Row: The Third e Fifa 12, e no comercial do Windows Phone. Eles são do selo da M.I.A. O hype sobre Sleigh Bells é velho. O sucesso é novo. Esse é o hit.

Essa é do ano passado e me fez reparar na Alexis Krauss, 26 anos no próximo dia 30:

Sleigh Bells: Infinity Guitars por perolasblogs no Videolog.tv.

Alisson é fofa e agressiva nas medidas certas. Diz sempre o que deve nas entrevistas. Ajuda. Seu diretor favorito é o favorito de nove entre dez cantoras moderninhas do momento. Te conto quem é amanhã. No rock, tudo velho é novo de novo. Agora: Sleigh Bells.

Sleigh Bells: Comeback Kid por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 13/03/2012 às 07:45

Panicats: agora, sem músculos na testa

panicats divulga Panicats: agora, sem músculos na testa

Panicats: Jaque Khury, Babi Rossi e Aryane Steinkopf

O Pânico está saindo da RedeTV. Vai pra Band. Na minha cabeça orna. Passei a infância nos 70 assistindo Discoteca e Buzina do Chacrinha, e também Bolinha, na Bandeirantes. Pânico é herdeiro, se não no formato, no espírito.

babi okokok Panicats: agora, sem músculos na testa

Babi Rossi/AgNews

Quase não assisto TV, nem aberta e nem fechada. Mas se trombo Pânico, estaciono ali. É absurdamente irregular e destrambelhado, mas sempre tem momentos sacados, e a pegada de humor, esculhambação e pseudo-jornalismo sempre me pega. Dito isso, não perdôo uma coisa a Surita e cia.: o estabelecimento de um padrão de beleza brucutu para a mulher brasileira.

No começo, a ideia de gostosa do Pânico era Sabrina Sato, originalmente mais pneumática e desnuda no programa. Com o tempo, por razões que ignoro, as meninas foram ficando mais e mais marombetas. Pinta de pitbull da UFC, só que com peitos e bundas (de silicone).

Pegou. As Panicats ficaram famosas, sempre novas fotinhos de uma arrumando o sutiã na praia e deixando, opa, entrever o mamilo. O novo visual começou a se espalhar por outros programas e pelas ruas. Aquelas maravilhas que dançavam atrás do Gugu, Faustão, Luciano Huck e tal foram ganhando ombrões, coxões, batatonas nas pernas. No carnaval deste ano, as madrinhas das escolas de samba pareciam figurantes de Spartacus.

Minha conclusão, a única possível, é que foi uma resposta do Brasil popular à tentativa de estabelecimento de Gisele e outros anjos da Victoria´s Secret como padrão de beleza das branquinhas classe média alta. Quando todos os comerciais e revistas de moda tentam bancar esqueletinhos como ideal de mulher, o único retruque à altura foi a caricatura.

Escrevi sobre as panicats uma vez, intitulando-as paquidérmicas. Me chamaram de boiola e preconceituoso. Nem uma coisa nem outra.

Leia aqui.

E agora... as Panicats estão todas na rua. Na mudança pra casa nova, a direção do Pânico não só fez uma limpa, como mudou os requisitos pra Panicat. Ganhei uma colega: Jaque Khoury promete se dedicar ao jornalismo.

jaque khury okoko Panicats: agora, sem músculos na testa

Jaque Khury/AgNews

ariane okok Panicats: agora, sem músculos na testa

Aryane Steinkopf/AgNews

Nos últimos dias, mais de 400 moças se candidataram ao cargo - afinal, é uma chance de rebolar na TV. Só duas foram convocadas. O diretor do programa, Alan Rapp, explicou que agora eles querem garotas no estilo ninfeta.

Treze anos de idade? Imagino que não. Deve estar falando de formas mais, hm, humanas. Se a moda pega, daqui a pouco as ex-Panicats estarão em breve sem músculos na testa, desinchadas, talvez um pouco desenxabidas.

Ainda resta uma vaga. Conheceremos as eleitas quando o programa re-estrear, apropriadamente no dia primeiro de abril. Um amigo meu vai chorar. É fã das cavalonas. Me solidarizo. Como eu ia lá dizendo, não sou nem um pouco preconceituoso.

Não tenho nada contra você ser atraído por garotas halterofilistas, ou banguelas, ou pernetas, ou homens barbudos, ou qualquer outra preferência. A única tara incomprensível, cravou mestre Millôr, é a abstinência.

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Publicado em 12/03/2012 às 13:28

O múltiplo legado de Moebius

forasta 1 ok O múltiplo legado de Moebius

Pirei de batatinha a primeira vez que vi um gibi desenhado por Moebius. Eu e o planeta. A linha mágica do desenhista francês encapsulava à perfeição as principais pulsações que viraram o mundo de cabeça pra baixo na virada dos 60 para os 70 - a tal contracultura.

Anos depois descobri que na verdade eu já conhecia Moebius de criança. Seu verdadeiro nome era Jean Giraud. Ele é quem tinha feito aquele álbum de faroeste que eu tinha em casa, Fort Navajo, com um pistoleiro de nariz torto, o Tenente Blueberry. Como você evolui de um western bacaninha para Moebius? De onde pode vir uma imaginação tão poderosa?

moebius1 ok O múltiplo legado de Moebius

As histórias de Moebius foram chegando na minha vida a conta-gotas. Difícil encontrar no Brasil na época. Algumas tenho a versão pirata, até hoje. Passavam de mão em mão, como drogas psicodélicas, perigosas, proibidas.

Não faço ideia se o poder narrativo e o charme onírico sobreviveram. Moebius foi muito influente, o que também quer dizer que versões aguadas de seu trabalho hoje fazem parte da paisagem. Sua morte me cutuca para uma nova visita ao Incal, uma verdadeira saga, coassinada com Alejandro Jodorowsky. À Garagem Hermética e Arzach. Aos continhos, meus prediletos.

E à graphic novel do Surfista Prateado, sua parceria com Stan Lee. Escrevi sobre o álbum, lá se vão quase 23 anos. Se quiser ler, está aqui.

silver surfer and galactus by moebius 1 ok O múltiplo legado de Moebius

Quem nunca leu Moebius também lhe deve bastante. Suas digitais estão em filmes como Tron, Blade Runner, Alien, Willow, O Quinto Elemento. Minha maior dívida com Moebius não é nada que ele escreveu e desenhou. É a revista que ajudou a criar em 1974, Métal Hurlant, e a editora, Humanoids Associés, com Druillet, Dionnet e Farkas.

Ela foi publicada nos Estados Unidos, com outro nome, Heavy Metal. Trazia muitos dos trabalhos originais europeus, e mais uma pá de jovens criadores americanos. É minha revista em quadrinhos favorita de todos os tempos. Li, reli e decorei cada página das poucas em que botei a mão, entre 80 e 82, meus anos de colegial. Depois continuei lendo. O estrago já estava feito.

A Heavy Metal mudou minha concepção do que os quadrinhos eram capazes, e do que eu deveria ser capaz. Me apresentou a uma visão de mundo densa e barulhente, gráfica e jornalística, com sangue nas veias e olho no futuro. Ali nasceu o cyberpunk, e muitas outras coisas.

Moebius DoubleEscape 2 100 ok O múltiplo legado de Moebius

O detalhe é que muito do que a Métal Hurlant e a Heavy Metal publicaram, com a benção de Moebius, não tinha nada a ver com sua visão de mundo, crescentemente mística e riponga, com o passar dos anos.

As revistas eram um choque de pontos de vista, estilos, manifestos. Giraud foi se tornando um velhinho new age. Morreu aos 73 anos depois de enfrentar o câncer por anos.

O secretário da cultura da França disse que a França perde dois grandes artistas, Jean Giraud e Moebius. Mandou bem, mas pensou pequeno. Moebius morre e vive: seu legado é múltiplo.

jean giraud moebius ok O múltiplo legado de Moebius

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Publicado em 05/03/2012 às 06:00

Para entender o jornalismo do presente

Alguns meios de comunicação estão no século 20. Outros estão experimentando com as ferramentas que fazem mais sentido no presente.

Na vanguarda destes, sem afetação, está o Guardian. Assista este anúncio do jornal britânico. E entenda por que 2012 não será igual a 1984.

The Guardian advert 2012: 3 little pigs and the big bad wolf por perolasblogs no Videolog.tv.

http://r7.com/8INV

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