Publicado em 04/06/2012 às 06:00

O garoto brasileiro entre os dez hits do verão americano

O site de música Shazam apostou sua reputação em uma previsão: as dez canções que vão bombar no verão americano, que está na bica de começar. O Shazam é usado principalmente nos Estados Unidos. O sistema do site fez isso com base nos dados dos usuários do serviço - o número de vezes que as pessoas usaram este programa para descobrir o nome de um artista, ou de uma canção que estavam ouvindo.

Em primeiríssimo lugar vem uma canção que os leitores deste blog já conhecem faz tempo. Eu o chamei de o artista mais famoso de quem você nunca ouviu falar. Pelo jeito, todo mundo vai ouvir falar de Gotye, rapidinho.

O top ten é dominado pela música negra dançável, de balada. Mas em sexto lugar, tem um garoto brasileiro. Depois de Michel Teló, é a vez de Gusttavo Lima abafar na gringa. É a primeira vez que ouvi a música inteira, depois de ouvir o tchê-tcherererê-tchê-tchê infinitas vezes por aí. Chiclete maldito. Mas pô, é legal!

Gusttavo Lima com Neymar - "Balada" por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 01/06/2012 às 13:08

Os gregos trabalham bem mais que os alemães

A crise na Europa começa a bater aqui no Brasil. Na verdade, a crise americana de 2008 bateu depois na Europa, e as ondas de choque continuam se espalhando; o capitalismo, sempre ele, é que está em crise, mais uma. A Grécia está de fato no bico do corvo; talvez saia da União Europeia, abandone o Euro, restaure o dracma.

Na Espanha está difícil conter corrida aos bancos. O ministro do país negou hoje que esteja sendo preparado um pacote de ajuda do FMI, garantia de que é isso mesmo que está acontecendo. Portugal, Itália, Irlanda - solução difícil, sem mudanças de fato, e mudar nunca é fácil.

De todas as besteiras que se fala sobre a crise na Grécia, a mais injusta é que os gregos estão nessa situação difícil porque são vagabundos. É mentira. E mesmo assim se espalhou e cristalizou. A gente vê a mesma cantilena repetida infinitamente. É imprensa, articulistas, políticos.

Os gregos são boas-vidas, todo mundo garante. Levam a vida na flauta, só curtindo o sol esplendoroso, o mar turquesa, o ouzo e os kebabs. Safados, se aproveitando do dinheiro que a Alemanha manda para eles.

Pobres trabalhadores tedescos, gente séria, que pega no pesado e vê sua grana suada sustentando esses gregos picaretas. E os jovens gregos ainda querem fazer universidade de graça! E os velhos gregos ainda querem receber as aposentadorias integrais!

Bem, a BBC fez uma pesquisa para identificar os países em que se trabalha mais. Só entre os países que fazem parte da OECD (Organization for Economic Cooperation and Development), um clube de 34 países que se ajudam, a maioria europeus, a maioria bastante ricos. Na média, as pessoas que vivem nestes países trabalham 1718 horas por ano.

Onde mais se trabalha é na Coreia (2193), seguida do Chile (2068), e em seguida... a Grécia, com 2017 horas por ano. Os Estados Unidos estão quase na média geral da OECD, com 1695 horas. E a Alemanha? É o segundo país onde se trabalha menos. São 1407 horas por ano. Só perde em horas livres para a Holanda. Veja a pesquisa completa aqui.

A crise na Grécia tem várias causas. A principal não tem nada a ver com o País: é a desregulamentação do sistema financeiro global. Nenhuma tem a ver com o quanto os gregos se esforçam para ganhar a vida. Se você quiser chamar algum povo europeu de boa-vida, mais justo dizer isso dos alemães.

Não que eu tenha nada contra boa vida. Meu ideal seria combinar o melhor dos dois mundos. Trabalhar só 1407 horas por ano, como os Alemães - mas vivendo na Grécia, não na Alemanha...

grecia ok Os gregos trabalham bem mais que os alemães

Publicado em 31/05/2012 às 09:42

Dilma, a ruralista

Há anos eu não via mobilização igual. A mudança do Código Florestal mobilizou muita gente boa. Uma certa opinião pública esclarecida, que tem pouca ou nenhuma disposição para o rame-rame partidário-eleitoral. E viu nas mudanças propostas pela agronegócio um achaque e um assalto contra o nosso futuro.

Bem, não vou dizer que a grita não deu em nada. Não fosse o esperneio geral antes, durante e depois da votação na Câmara, e o coro de Veta Dilma, e os vetos da presidente teriam sido ainda mais modestos.

No final, deu a lógica, o de sempre: um no cravo, cinco na ferradura. Os fazendeiros conseguiram praticamente tudo que queriam. Dilma bancou 12 vetos. Assentiu com algumas concessões, um cala-boca para os ambientalistas e os pequenos produtores. E tudo normal em Pindorama.

A razão para o arrego da presidenta é muito simples. Dilma é ruralista. Como qualquer um que senta na sua cadeira. Os produtos da agricultura e criação são pedaço pequeno do PIB, mas respondem por naco respeitável da mão de obra empregada no Brasil, e das exportações. O governo é sócio, diretamente ou via empréstimos, das principais empresas do setor, as grandes e as enormes.

Via BNDES e via Banco do Brasil. A mais famosa é a JBS, que recebeu dez bilhões de reais do BNDES, tem extenso histórico de tratar seus funcionários como gado - assunto para outro texto, outro dia - e levou de graça esses dias a tal Delta, a construtora líder do PAC, envolvidíssima no escândalo Demóstenes-Cachoeira. Nem precisa lembrar que os grandes do agronegócio são grandes financiadores de campanhas, para dizer o mínimo.

Claro que os dois lados vão continuar batendo. Hoje está lá aquela criatura, Ronaldo Caiado, gritando e ameaçando com 50 emendas, outro xingando que a Medida Provisória é inconstitucional etc. Vão ocupar todo o espaço possível, até o último milímetro, posseiros da legislação. A votação no Senado vem aí.

Ainda há espaço para ajustes finos. Se você intui que eles não defendem nossos interesses de longo prazo, e pretende fazer algo a respeito, a primeira coisa é entender direito em que ponto estamos.

Fazer uma lei que preste neste assunto não é tarefa simples, e muito menos garantir seu cumprimento. Os interesses do agronegócio estão perfeitamente alinhados com os interesses do governo federal (e estaduais e municipais). Isso não faz de todos fazendeiros e pecuaristas vilões. Neste campo há justos e injustos, e todos defendem aguerridamente o que é seu. São naturalmente conservadores, não conservacionistas.

O outro lado está repleto de ongueiro mala, do tipo que tem faniquito se vê uma bisteca mal-passada.Esses continuam aguerridos na briga. Me dão azia, mas têm sua utilidade. A turma de verdes mais, digamos, civilizada, parece que desanimou.

Bem, esperávamos o quê? A candidata ambientalista era Marina Silva, cujo movimento fez marola na eleição e naufragou na sequência. Mas tivesse eleita presidente, Marina estaria tão refém do agronegócio e da bancada ruralista quanto qualquer outro.

Dilma, tecnocrata e pragmática, aprendeu com o mestre: governar democraticamente é agradar pouco aos que pouco pedem e ceder muito aos que tudo exigem.

O resto é conversa pra boi dormir.

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Publicado em 30/05/2012 às 06:00

Uma foto que vai te fazer mal, e a melhor razão para você fazer o bem

De cada mil crianças que nascem no mundo, 57 morrem antes dos cinco anos. Os números vêm caindo rapidamente mundo afora e no Brasil também, nas últimas décadas. Não dá para comemorar. Em 2010 foram 7,6 milhões de crianças mortas.

Em dois terços dos casos, as mortes seriam facilmente preveníveis. As principais causas são pneumonia, malária, HIV, diarréia. Por trás de todas, a miséria. Dos dez países em que a situação é mais dramática, nove são na África subsaariana, e o outro é o Afeganistão deflagrado. Um terço destas crianças sofre de malnutrição. Muito mais sofrem com a falta de água e esgoto.

Sofrem crianças nos cinco continentes. É horrível demais. Não queremos saber de tanta dor, e então a imprensa não faz força para nos lembrar. Mas a cada mês as pequenas faces da morte nos fitam de um canto diferente do globo.

 A crise do momento é no Iêmen. São 25 milhões de pessoas, xiitas e sunitas em partes iguais, inimigos. O governo é dono de quase tudo, e 90% da sua receita vem da venda de petróleo, que é retirado do solo e exportado por companhias estrangeiras. Se livraram recentemente, e parcialmente, de um presidente corrupto, na onda da Primavera Árabe. Ele continua influente no governo.

Mesmo com um novo governo de transição, as facções se digladiam, a Al-Qaeda continua ativa, e a miséria aumenta e aumenta. Não há paz, não há dinheiro, não há comida. Metade da população passa fome. Em algumas áreas, um terço das crianças estão severamente mal-nutridas. Na capital milenar, Sanaa, em um hospital sem recursos, uma mãe abraça um esqueleto que chora. É uma visão horrível demais para ser contemplada.

reuters forastieri Uma foto que vai te fazer mal, e a melhor razão para você fazer o bem
A razão deste sofrimento indizível é quase sempre a mesma: nós.  A imensa maioria destas mortes são de responsabilidade humana. Ou, pelo menos, está dentro do nosso alcance evitá-las. Mas não o fazemos. Porque decidimos que existem coisas mais importantes que salvar crianças. Porque nos distraímos com futilidades. Porque, vergonha, eles são um pouquinho diferente de nós. Porque estão longe dos nossos olhos - mas não estão não, estão bem pertinho, e aqui no Brasil mesmo são milhares de crianças morrendo sem razão todos os anos.

Quem poderia acabar de vez com este sofrimento lava as mãos. Não é justificativa para também darmos de ombros. Resta tentar o impossível, com a consciência que a vitória não virá. Não há exemplo de coragem maior que os Médicos Sem Fronteiras. Estão, neste exato momento, salvando quem não teria salvação. Nos quatro cantos do planeta e no Iêmen também. São heróis. Precisam da sua ajuda.

Vinte e uma mil crianças com menos de cinco anos de idade morrerão hoje. Uma a cada quatro segundos. Os números são monstruosos, incompreensíveis. E então vemos uma imagem que ficará gravada para sempre nas nossas consciências, e lembramos do nosso dever. Cumpra o seu. Custa um real por dia.

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Publicado em 29/05/2012 às 19:48

Postando sem intermediários

Uma confissão: cem por cento dos posts deste blog passaram pelas mãos de outros, antes de serem publicados. É um privilégio. No meu blog anterior eu postava direto. Desde que o blog veio para o R7, contando com auxílio luxuoso, preguicei. Mando texto e links. Se outros lerão para pescar tropeções, editarão as imagens, e embedarão os vídeos, por que não?
Bem, não vou abrir mão. É um conforto e uma segurança, e mais, a interlocução cotidiana com a equipe de blogs do R7 é um prazer e um estímulo. Mas vou começar a postar diretamente também, coisas mais deixa-que-eu-chuto, videozinhos, curtinhas. Como, por exemplo, isto que você lê agora. Me garanto em português, escrevo na velocidade que teclo, e uma amiga me disse décadas atrás que meus bilhetes são melhores que meus artigos. Então vou tentar continuar a fazer aquelas pensatas com começo-meio-e-fim, que haja paciência pra chegar até o final, mas equilibrar com tirinhos mais diretos. Tem hora pra banquete e hora pra misto quente de pé na padoca, pois não? Então.

Publicado em 29/05/2012 às 08:01

Tudo fica melhor com chuva

 Acredita nisso? É o lema do site Rainy Mood. Um dos conceitos mais brilhantes que vejo na web em muito tempo. Simples como só as coisas muito sofisticadas conseguem ser. Veja aqui.

Você entra no site, e instantaneamente começa a ouvir barulhinho de chuva. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. É isso. Ah, você pode escolher entre deixar o vídeo ligado ou desligado.

O vídeo mostra gotinhas escorrendo em um vidro e nada mais. Tem só mais um link no site Rainy Mood: Song of the Day, canção do dia. Cada dia, uma música que tenha a ver com chuva.

Quando escrevo isso, Texas Flood, inundação texana, do guitarrista Stevie Ray Vaughn. Clicou, abre um videozinho com a música. Eu por mim tirava essa parte e me concentrava no ruído dos pingos batendo na vidraça e só.

RainyMood tem fins lucrativos. Todo dia pingam uns centavinhos para o gênio que bolou o site, porque o site recebe anúncios via Google, principalmente de... efeitos sonoros de chuva.

Nada que atrapalhe o visual limpo do site. É dessas coisas geniais que só a internet te proporciona.

Em um cantinho, está lá a chamada: siga Rainy Mood no Twitter (5469 seguidores), Facebook (152 mil pessoas Curtiram!) e outras redes sociais.

Até no YouTube, onde você pode ter uma palinha de 12 minutos e oito segundos.

Aqui está, para você entrar num clima calmo, meditativo, talvez levemente melancólico... ou simplesmente cair no sono.

RainyMood.com Official por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 28/05/2012 às 07:52

Magra, gorda ou gostosa (parte 2)?


A britânica Sophia Cahill foi eleita Miss País de Gales. Dois meses atrás, desfilou nua em Londres, um desfile de Robyn Coles, designer especializado em chapéus.

Coles argumentou que é muito difícil chamar atenção para o trabalho de um estilista que está começando. Nudez sempre ajuda. Outras quatro pessoas desfilaram peladonas. O detalhe é que Sophia estava grávida de oito meses.

Sophia criou um blog onde contou sua vida de grávida solteira. O namorado largou a moça quando ela estava com nove semanas.

Ela resolveu ter mesmo assim. É seu segundo filho. São poucos posts, mas bem diretos e sinceros. Leia aqui.

Sophia ganha a vida com o corpo. Diferente de uma outra modelo que anda causando - e que não dá pra saber exatamente se está acima ou abaixo do peso - ela não é nada fashion.

Não faz passarela ou ensaio pra revista de moda. O ganha-pão dela é sair peladona na Playboy, Penthouse e tal. É o que os ingleses chamam de Page 3 girl, a gostosuda que todo dia tem uma, na página três dos jornais populares.

forasta5 Magra, gorda ou gostosa (parte 2)?
Tem umas fotos mais comportadas, outras mais atiradas.

forasta21 Magra, gorda ou gostosa (parte 2)?
A gravidez inchou um pouco a moça, e a presenteou com peitões prontos para amamentar, e uma barrigona com um bebê dentro. Não deformou seu corpo.

Para quem está a um mês de dar a luz, talvez esteja até um pouco abaixo do peso.

Sophia está magra, gorda ou gostosa?

 

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Publicado em 25/05/2012 às 09:35

Magra, gorda ou gostosa?

forasta 1 ok4 Magra, gorda ou gostosa?

 Esta é Candice Huffine. Ela é uma modelo famosa. Está este mês na capa da revista espanhola S Moda. É americana e tem 27 anos.

Candice já foi capa da Vogue Italia. É a do meio.

Ela está neste editorial da W magazine. É a segunda. Clique aqui.

Essas são três modelos que fazem parte do time de Angels da grife de lingerie e cosméticos Victoria´s Secret.

 As Angels são consideradas as modelos mais sexy da indústria de moda. A do meio é a brasileira Alessandra Ambrosio.

Esta é Candice, com pouca roupa, mostrando as dobrinhas:

Candice trabalha como modelo plus size. As outras duas que a acompanham na capa da Vogue também. O tamanho de roupa que ela usa é o 14, justamente onde começa a categoria plus size, ou seja, tamanho acima do normal. Aqui, seria o 42.

Um parâmetro: o tamanho médio usado pelas mulheres americanas é o 14, e o das inglesas é o 16, no Brasil 44. Quanto ao Brasil, não encontrei pesquisa parecida. Olhando a bunda das brasileiras (não que eu ande por aí fazendo isso) desconfio que chutar 44 não é arriscar.

Candice anda aparecendo muito. A ditadura da magreza extrema no mundo da moda está em xeque. A poderosa editora Condé Nast decretou que nenhuma edição global da Vogue terá modelos menores de idade, ou esqueléticas. Veremos.

Agora: se o tamanho que a americana Candice usa é exatamente o tamanho médio usado pelas americanas, porque ela é plus size?

Em outras palavras: Candice é média, magra, gorda ou gostosa?

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Publicado em 24/05/2012 às 09:41

Explicando meu gosto musical (e entregando meu ídolo capilar)

Cheguei no clubezinho ali perto da Augusta quase duas da matina com o camarada, para tomar umas três últimas. Surpresa: Daryl Hall e John Oates nas pick-ups. Fui lá parabenizar o DJ, que era o dono, Medusa, do Astronete, "achei que só eu ainda gostava dessas coisas!". Uns três anos atrás já? Medusa, conheci melhor depois, é doido por pop, soft rock e companhia.

Alma gêmea instantânea. Muitos anos escrevendo intermitentemente sobre música, e quase ninguém que me acompanha entende meu gosto musical. Pudera, nem eu... Mas por alguma razão tem muito leitor das antigas que decidiu que eu só gosto de punk rock, ou metal. Acho que escrevi mais sobre rock raivoso. Bem, não e cada vez menos.

Uma vez tentei definir meu gosto. Saiu algo assim: eu gosto principalmente de músicas curtas, com melodia, com voz humana, que dê para assobiar, e se tiver uma letra não tão burra ajuda, mas não é a principal parte. Não quer dizer que eu não adore algumas canções longas e instrumentais, mas você entendeu.  E eu gosto mais ainda se tudo estiver bem embalado em um vídeo bacana, uma capa estilosa, umas roupinhas interessantes, sex-appeal. Música = Imagem.

Ou seja: eu gosto Hall & Oates. Que durante muitos anos cumpriram brilhantemente todos os requisitos. Revi na TV ontem à noite, velhinhos, num set acústico bacanésimo no Troubadour. Me fizeram pensar que eu ainda adoraria vê-los ao vivo. Conheci vendo videoclipe no SomPop, recordei vendo video-show ontem mesmo. Pior é que quando eu tinha 15 anos, queria ter o cabelo de Daryl Hall. E hoje também! 

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Publicado em 23/05/2012 às 11:01

Torturou os pais na frente dos filhos e vive tranquilo

Gostou da manchete estilo Notícias Populares? É que eu realmente queria que você soubesse a história de César e Maria Amélia Teles. Era um jovem casal, vinte e poucos anos, e já com dois filhos, Janaína e Edson. Eram os anos mais difíceis da ditadura militar, que enfrentavam.

César era integrante do Partido Comunista Brasileiro. Cuidava da gráfica clandestina do partido. O casal foi preso. Os dois foram torturados. Na frente das crianças. Que tinham quatro e cinco anos. Maria Amélia ouviu: "seus filhos também estão sendo torturados. A esta hora, sua Janaína já está no caixãozinho."

Mentira. Mais uma crueldade. O líder da tortura foi o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Vive livre e tranquilo. Foi beneficiado pela Lei da Anistia. A família Teles processa Ustra. O Tribunal de Justiça de São Paulo adiou ontem o recurso de Ustra contra sua sentença, na qual foi reconhecido como torturador.

A decisão é inédita e importante. Responsabiliza um militar por sua ações durante a ditadura. Não adianta mais só dizer que estava seguindo ordens, enfrentando os terroristas, ou que a Lei da Anistia tudo apagou.

Janaina, César, Maria Amélia, César

O que quer a família Teles, indenização? Nem um centavo. Só a responsabilização civil de Ustra. Punição pelo que fez o comandante do Doi-Codi em São Paulo, onde morreram mais de quarenta pessoas em decorrência de torturas.

"Ninguém propôs a lei da anistia para anistiar os torturadores, só o Supremo Tribunal Federal resolveu achar isso. A lei tem que ser interpretada corretamente", disse César, hoje com 67 anos, ao Valor Econômico.

Ustra tinha tudo para sair na boa. Ainda tem, mas ficou mais difícil. O advogado dos Teles, que virou o jogo ontem, é Fábio Konder Comparato, um dos mais eminentes juristas brasileiros. "O Tribunal de Justiça não pode se recusar a reconhecer a responsabilidade civil do mais notório torturador da ditadura".

Viro a página do jornal. Durante o não-depoimento de Carlinhos Cachoeira na CPI que tem seu nome, seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, recebe elogios de parlamentares de partidos vários. 

 Todo bandido tem direito à melhor defesa que puder pagar, sei - mas mesmo se o dinheiro veio do crime e dos cofres públicos? Mais ainda. Estamos no Brasil.

Na foto, o sorriso irônico de Cachoeira ecoando no de Bastos diz mais do que sou capaz.

cachoeira ironico ok Torturou os pais na frente dos filhos e vive tranquilo
Tenho pouca fé na Comissão da Verdade e menos ainda no Judiciário brasileiro, para não falar do Executivo, Legislativo, e mesmo do Quarto Poder. O que significa dizer: tenho pouca fé nos brasileiros. Sabemos onde vivem os monstros. Do passado e presente. Se permanecem impunes e atuantes, é por nossa impotência institucional, nossa decisão coletiva, minha vergonha.

Mas alguns de nós, tantos anos atrás, decidiram ser César e Maria Amélia, e outros Ustra. E, hoje, uns escolhem ser Márcio Thomaz Bastos e, outros, Fábio Konder Comparato.

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Publicado em 22/05/2012 às 14:00

Daniel Craig, o James Bond que ninguém amava

Estreia o primeiro trailer do próximo filme de 007, Skyfall. É o terceiro estrelado por Daniel Craig. O primeiro, Casino Royale, funcionava como filme e deu dinheiro. O segundo, Quantum of Solace, não e não. Os dois e o próximo sofrem do mesmo problema: Craig não é Bond. 

Coisa de produtor. A série Jason Bourne dava rios de dinheiro, resolveram transformar 007 em uma cifra que pensa com os punhos. Não é que Craig seja mau ator - e é. Mas nenhum intérprete do agente secreto foi exatamente um Lawrence Olivier.

Ele é mais feioso e caminhoneiro que os anteriores, mas também não seria problema. Ian Fleming se inspirou no pianista, compositor, cantor de boteco Hoagy Carmichael, para descrever a aparência de Bond. Esse é meu disco favorito de Hoagy.

 trailer Daniel Craig, o James Bond que ninguém amava

Traços mal acabados não são problema se temperados com com charme e cabotinice, que inexistem no caso de Craig. 007 é um dândi que veio da classe média baixa, um self-made-playboy. Ascendeu lutando na segunda guerra mundial, na Marinha.

É exatamente o tipo de cara que valorizaria as coisas boas da vida, porque não as teve garantidas de nascença, seja roupa, martini ou mulher.

Craig parece não querer nada e não ligar para nada. Faz uns olhares angustiados, dá uns grunhidos, telegrafando uma suposta vulnerabilidade de Bond. Acha que isso é atuar. Não sabe a primeira coisa sobre 007: ele é indestrutível, porque ícone do bem-viver (e matar) sem culpa.

Craig não é sempre mau ator. Desconhecido, impressionava como um dos terroristas judeus em Munique. Protagonista, é um filme pior que outro. É suportado e só. E se não é Bond, muito menos é o jornalista em desgraça da trilogia Millenium, para não falar do pistoleiro (!?) de Cowboys x Aliens. Ascende rápido para minha lista de atores que me fazem fugir de um filme, os péssimos (Nicholas Cage) e os ótimos (Rutger Hauer).

Verei Skyfall - pois não vi todos os 007, alguns cinco ou seis vezes? Mas torcendo para retumbante fracasso que force uma troca da guarda. Timothy Dalton, afinal, durou dois filmes, e George Lazenby só um. Craig que feche seus três e saia de fininho, quem sabe para uma distinta carreira de coadjuvante na BBC - o espião que ninguém amava.

007 - Operação Skyfall - Trailer legendado - 2 de novembro nos cinemas por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 22/05/2012 às 08:12

Funeral no espaço sideral

Quando eu morrer, me enterrem no espaço. Que minhas cinzas sejam enviadas ao espaço sideral. Até lá será baratinho. Hoje custa três mil dólares.

É o preço de colocar um tequinho das suas cinzas em uma caixinha de metal, no formato de um batom. E colocá-la a bordo do foguete Falcon 9, que decola hoje de Cabo Canaveral, na Flórida, carregando as cinzas de 308 pessoas.

A primeira tentativa foi sábado, mas deu problema no foguete da SpaceX, companhia privada, que se dedica à exploração espacial - ou se dedicará no futuro, quando suas naves forem maiores, melhores e mais rápidas. Esta viagem mesmo não é só pra defunto rico não.

O Falcon 9 carrega uma cápsula de quatro metros e meio de comprimento, chamada Dragon, que carrega comida, roupas e suprimentos para seis astronautas que estão vivendo na Estação Espacial Internacional.

A esta hora ou o Falcon 9 já subiu ou não - você está lendo isso horas depois de eu escrever, num caso típico de assincronia temporal.

Se decolou, nove minutos e quarenta e nove segundos depois, o segundo estágio do Dragon se separou. Ele vai passar um ano em órbita da Terra, até começar a despencar, quando as cinzas da turma toda se transmutarão em... cinzas, na altíssima temperatura da reentrada na atmosfera.

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Entre toda esta poeira de estrelas estão os restos de dois homens que fizeram muito pelas viagens espaciais. Um é o astronauta Gordon Cooper, do time original do projeto Mercury, a primeira missão americana tripulada ao espaço. Viu o filme Os Eleitos? É o Dennis Quaid.

Gordo era valente e figura. Ex-escoteiro, ex-marine, ganhou todas as medalhas, consultor no desenvolvimento do Epcot Center, americanaço. Acreditava em UFOs. Ganhou um personagem em supermarionation em sua homenagem: é o piloto Gordon Tracy, boneco-herói dos Thunderbirds.

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O outro morto ilustre a bordo do Falcon 9 também é um personagem. Quer dizer, ele existiu mesmo, mas o que importa é quem viveu. Não importa que como Cooper ele também tenha lutado na segunda guerra. Que tenha levado seis tiros na invasão da Normandia, e ainda graduado como piloto de caça, o piloto mais doido da força aérea canadense, diziam na época.

forasta 3 ok Funeral no espaço sideral
O que importa é que James Doohan será para sempre o engenheiro escocês Montgomery Scott, o coração da USS Enterprise. Sem ele, Kirk e Spock jamais teriam explorado novos mundos e civilizações, nem Uhura teria ido onde nenhum homem jamais esteve.

Um fez muito. Outro também, mas o que importa mesmo é o que fingiu que fez. Os dois foram e são inspirações. Em uns bilhõezinhos de anos, quando o sol estiver congelado, a humanidade estará espalhada galáxia afora, e Cooper ainda será homenageado; e quando o futuro lembrar da Nova Fronteira, lembrará da primeira tripulação fictícia a desbravar inteligentemente a Fronteira Final, aos olhos de uma humanidade unida pela TV, via satélite.

Eu adoraria que meus restos fossem incinerados ao lado de Gordo e Scotty, mas não a ponto de adiantar meu funeral. Quando eu morrer, em 2065, o preço de enviar cinzas para o espaço já deve ter caído para uns trinta reais, em dez prestações. A tabela certamente será variável: enterro em Saturno, ou em uma sonda para o coração da Via Láctea, certamente vai ser bem mais caro.

Pode ser uma boa razão para ir começando a economizar agora. É uma razão melhor ainda para eu me dedicar mais, e tentar viver uma vida que importe para muita gente, como Cooper e Doohan viveram. São prova: há vida após a morte.

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Publicado em 18/05/2012 às 10:50

Facebook: tudo que é bom dura pouco

zuckerberg techcrunch Facebook: tudo que é bom dura pouco

Eu tenho três notícias para quem está boquiaberto com a oferta pública de ações do Facebook, que atribui um valor de mais de cem bilhões de dólares à empresa. 

Primeira: o Facebook vale cada centavo dessa granola toda. As empresas, as terras, as casas, os bichos, as pessoas valem o que se paga por elas. Tá tudo à venda. A isso chamamos capitalismo. Quanto vai valer amanhã ou depois, depende do bater das asas das borboletas no Havaí. Empresas de tecnologia frequentemente atingem seu valor máximo no IPO. Se eu for fazer uma lista das empresas que eram o ó do borogodó e hoje ninguém lembra mais, perco o final de semana.

Segunda: o Facebook é uma empresa de mídia. Sua receita vem de vender anúncio. Ou de ficar com uma comissão sobre itens vendidos dentro do Facebook. Seu IPO é um cala-boca para os tantos profetas do apocalipse midiático. O Facebook concorre pela mesma grana que televisão, jornal e revista.

É uma empresa de tecnologia? Claro, mas os jornais, quando apareceram, eram high-tech com seus linotipos, e o rádio foi uma tecnologia revolucionária, e as TVs idem, e via satélite nem se fala. Para definição do segmento empresarial não importa se a empresa faz uso intensivo de tecnologia, mas de onde vem o principal da sua receita. O Facebook é uma empresa da nova mídia, nova perto de 2004, quando surgiu, velha perto da mídia de daqui a pouquinho.

O Facebook está fazendo experiências para cobrar coisas do usuário - por exemplo, cobrar dois dólares para que sua mensagem apareça com mais visibilidade para seus amigos. Ou cobrar empresas para que as marcas paguem um pouco por cada Fã, para atingir esses usuários com campanhas de marketing 75% do tempo.

Se for por este caminho, o Facebook arrisca fuga em massa. A promessa feita na sua home sempre foi: é gratuito e sempre será. Mas depender só de publicidade é um risco e tanto. Principalmente quando as empresas perceberem quão pouco vale um milhão de Curtir. O Facebook pode ter 800 milhões de usuários, e valer no dia de hoje 100 bilhões na bolsa, mas faturou US$ 3,7 bilhões ano passado. É dinheiro de cachaça.

Terceiro: o Facebook quer ser o lugar onde as pessoas passam a maior parte de sua vida online, sem precisar sair para nada. É o mesmo objetivo da Apple, do Google, Amazon, Microsoft, Sony, e de mais uma meia dúzia de empresas infinitamente mais poderosas que o Facebook, que se digladiam para terem o cercadinho mais bem feito. Briga de cachorro grande é pouco. Tá mais pra rinha. Todas estas empresas empregam gênios aos montes. À frente delas estão gente como Tim Cook, Sergey Brin, Jeff Bezos, Steve Ballmer e Kaz Hirai. Perto deles, Zuckerberg e Sandberg são bebês nas fraldas.

O Facebook gera valor de fato na vida de seus usuários. Essa é a razão porque se aproxima de um bilhão de usuários - isso, e porque é grátis. Mas hoje enfrenta o que nunca antes teve de enfrentar: redes sociais segmentadas, e a explosão dos dispositivos móveis, área em que faz feio.

E pepino principal: cada um de seus usuários gera pouquíssima receita para o Facebook. Não é problema para eles. É problema para quem comprar as ações do Facebook hoje. E pode ser tornar um problemão se o Facebook, que nasceu como uma festinha animada de faculdade e hoje verga sob o peso das massas indistintas, seguir o caminho lógico de tudo que é bom: durar pouco.

Veja as imagens do Facebook na Bolsa dos EUA

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Publicado em 17/05/2012 às 13:45

Donna Summer: eletrônica, eterna

donna ok Donna Summer: eletrônica, eterna

"Eu ouvi o som do futuro, e o nome dela é Donna Summer", disse Brian Eno para David Bowie, Berlim, 1977. Mas no segundo que li sobre a morte de Donna Summer, não me lembrei de nenhum dos super-hits que excitaram minha pré-adolescência.

O que me inundou os neurônios foi seu canto de cisne, já há trinta anos. É uma espécie de reggae celta, brega e épico. Regravação de uma canção de Jon Anderson & Vangelis, produzida por Quincy Jones. Se você reconhecer as vozes do coro, não estranhe: Michael Jackson e Stevie Wonder estão lá.

Donna Summer: "State of Independence" (4:25) por perolasblogs no Videolog.tv.

A esta altura, Donna era cada vez menos interessante. Cantava de verdade, fazia shows de verdade. Era mais uma cantora de bom gogó. Tinha 34 anos. Morreu com 63, de câncer, tão jovem, tão ultrapassada — e tão atual.

LaDonna Adrian Gaines era americana de Boston. Atriz e cantora iniciante na virada para os anos 70. Fez musical. Fez backing vocal pra banda de rock. Deu seus pulinhos. Nada emplacou.

Caiu nas graças de Giorgio Moroder e Pete Belotte, produtores antenados. Captaram a novíssima onda do rock eletrônico, sacaram suas possibilidades comerciais em um cenário tomado pela febre da discoteca.

Donde: Love to Love You Baby, Kraftwerk encontra Garganta Profunda. Era alta sacanagem em 1976: pulso eletrônico e Donna arfando, resfolegando, gozando. As rádios proibiram. As vendas explodiram.

Grandes canções se seguiram por cinco anos, algumas inesquecíveis. Nada tão radical quanto seu melhor momento, I Feel Love, até hoje o som do futuro, sampleado e reinterpretado tantas vezes.

Hoje as paradas estão repletas de gostosas seminuas. Elas têm nomes inventados e trinam em canções sem melodia, programadas por computadores, programadas para te fazer dançar.

O som de Giorgio e LaDonna toca na rádio neste minuto e nos clubes hoje à noite. Brian Eno estava certo. Morta, Donna Summer, vive — eletrônica, eterna.

 DONNA SUMMER: I feel love (1977) HD and HQ por perolasblogs no Videolog.tv.

  

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Publicado em 17/05/2012 às 10:57

A Comissão da Verdade e o monstro que mora aqui perto de casa

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A Comissão da Verdade e o monstro que mora aqui perto de casa. Veja aqui.

Foi instaurada com toda a pompa a Comissão da Verdade. Com ex-presidentes que enfrentaram o regime militar, Lula e FHC. E Sarney e Collor, crias e cúmplices da ditadura, cujas presenças automaticamente achincalham a Comissão já no berço. Dilma, ex-guerrilheira, chorou na cerimônia.

O objetivo da Comissão não é a punição nem o perdão. O objetivo é descobrir a verdade. Bem, a verdade está aqui perto da minha casa. A verdade é que Harry Shibata, médico legista da ditadura, é meu vizinho.

Shibata escondia as verdadeiras causas das mortes dos guerrilheiros. Assinava laudos explicando a morte sob tortura como atropelamentos, tiroteios, suicídios. O caso mais famoso é a fraude do óbito do jornalista Vladimir Herzog, assassinado.

Um dos casos mais horríveis é o desta moça, Sonia Maria de Moraes Angel Jones. Depois de torturada, teve seus seios arrancados a alicate e foi estuprada com um cassetete. Shibata assinou o laudo dizendo que ela foi morta em tiroteio.

forasta 2 ok A Comissão da Verdade e o monstro que mora aqui perto de casa
Mas ele não só encobria as ações da repressão. Ensinava os torturadores a não deixar marcas externas no corpo das vítimas, para que não pudessem ser acusados posteriormente. É um monstro. Shibata vive tranquilo na Rua Zapara, 81, no bairro de Pinheiros, aqui pertinho.

É enojante saber que essa pessoa anda pelas mesmas ruas que a minha família. É impensável o que vive a família de Marcelo Rubens Paiva. Ele soube esses dias que um dos responsáveis pela morte de seu pai, Rubens Paiva, mora na rua Marques de Abrantes, 218, Botafogo, Rio, onde Marcelo passa com frequência. É o general da reserva José Antonio Nogueira Belham, ex-chefe do Doi-Codi no Rio.

Marcelo, em sua coluna no Estadão, promete jamais desviar do seu caminho. Vai passar na rua onde vive tranquilo o militar que tem o sangue de seu pai nas mãos. Quer justiça, não vingança. É um homem bem melhor que eu.
Ele descobriu a verdade através desse vídeo, postado pelo movimento Levante Popular da Juventude:

#Levantecontratortura: 2ª rodada nacional de esculachos - Levante Popular da Juventude por perolasblogs no Videolog.tv.

Este movimento promove manifestações de esculacho a estes bandidos impunes. Já aprontou umas boas. No último dia 14 de abril, eles fizeram barulho em 14 cidades de 12 estados. Sempre apontando, apupando e humilhando acusados de torturar a mando da ditadura militar.

No Guarujá, denunciaram um dos responsáveis pela tortura de Dilma Rousseff, o capitão Maurício Lopes Lima, apontado pela própria presidente. Veja o vídeo.

#levantecontratortura: Balanço da 2ª Rodada Nacional de Esculachos por perolasblogs no Videolog.tv.

O movimento da rapaziada repercutiu. A reportagem do Jornal da Record aqui:

O site do Levante tem tudo que se espera da esquerda estudantil convencional. Os meios que estão usando são bem atuais. Usam a grande imprensa e mídias eletrônicas a seu favor. Temperam raiva com humor. Fazem o serviço que as instituições ignoram. É como se faz política em 2012, não com comissões empoeiradas.

Entre 1964 e 1979 foram feitas 1918 denúncias de tortura. Nenhum torturador foi a julgamento. Os números são apontados por Paulo Moreira Leite, que defende a Comissão da Verdade: "Não é revanchismo. Não tivemos uma guerra civil. Tivemos um massacre. Não deixaram o outro lado vivo para contar a história." Leia aqui.

É importante que a Comissão da Verdade sirva para algo concreto. Prevejo resultados burocráticos. Um documento que renderá umas reportagens, não será lido por ninguém, e pouco efeito prático terá. Sou mais a turma do Esculacho.

Pelo menos a rapaziada constrange os torturadores, na frente dos vizinhos. Por mim, a rapaziada passa logo da gritaria para tacar ovo, tomate, e por que não, tijolo mesmo.

Os ex-torturadores hoje são velhinhos e só querem viver em paz? Pois que antes respondam pelos seus crimes de guerra. E se os tribunais do Brasil são de mentira, que sejam julgados na verdade das ruas. 

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Publicado em 16/05/2012 às 06:00

Como ser deselegante na fila do banheiro

O show estava no meio e ótimo. A cerveja fez efeito. Não tinha como adiar. Toca enfrentar 200 metros até o banheiro, químico - porque fazem show em lugar que não tem banheiro para adultos? Por que eu ainda vou nesses shows pra tanta gente?

Eram quatro banheiros, três para homem, um para mulher. Andava rápido. Escolhi a fila menor, mesmo sabendo que a do lado sempre anda mais rápido. Tinha dois caras lá na frente, e imediatamente na minha frente estavam três amigos conversando. Homossexuais, elegantes, naquela indefinível fase entre os 28 e os 45, quando gay administra bem a idade e heteros engordam e encarecam.

Logo duas meninas viram a trinca, se aproximaram animadas, turma se encontrando, beijinhos etc. Mulheres jovens, bonitas, fashionettes, pouco abaixo de trinta. Papo animado. A fila atrás de mim aumentando. O primeiro dos três amigos entrou no banheiro. Saiu. Depois o segundo. Saiu, se juntou ao primeiro, continuaram tricotando com as garotas, o terceiro entrou. E ficou. E ficou. A fila atrás de mim encompridando.

O show passando. O cara atrás de mim soltou: "tem que matar esses caras que vem cheirar em banheiro químico." Porque, claro, o zé lá não estava para as atividades normais de um banheiro.

O desgraçado finalmente abriu a porta, se juntou aos amigos, e os três zarparam rápido, dando tchauzinho pras duas garotas. A modelete mais lindinha simplesmente me cortou e entrou no banheiro. Na minha frente e de todos que estavam na fila. Rosnado geral. Não é que ela tenha demorado tanto. É que eu já estava furioso de perder um pedação do show por causa do cheirador lá. E porque ela tinha furado a fila. E porque ela era mulher - a fila das mulheres estava bem ali ao lado, e não tinha nenhum homem nela.

A garota tinha aproveitado os amigos pra passar na minha frente. Saiu toda pululante e a outra amiga entrou no banheiro. Passei um pito: "você foi extremamente deselegante. Furar fila é coisa de gente mal-educada e grossa. Pense nisso na próxima vez." Ela retrucou, abespinhada por levar bronca pública, "mas eles são meus amigos".

O cara atrás de mim mandou beníssimo: "problema seu se você tem amigo grosso igual a você, que fica cheirando no banheiro público e estragando o show de todo mundo." Ela acusou o golpe, a amiga saiu, e as duas se escafederam de fininho.

O banheiro fedia esgoto. Fiquei até com um pouco de dó da menina de ter que fazer seu xixizinho ali. Mas na hora lembrei de um velho amigo, que dizia que certas garotas acham que seu xixi é guaraná e seu cocô, pudim de leite condensado. É bonitinha? Beleza passa, benzinho, grossura e burrice ficam.

Para quem ser chique é tudo, "deselegante" bate fundo. A moçoila deve ter achado que eu é que fui deselegante de lhe puxar a orelha. Fiquei pensando que se ela fosse homem, não teria tido coragem de furar a fila. E se a trinca de amigos dela fossem hetero, muito menos. Pelo menos bati onde achei que ia doer - e até que fui elegante, vá.

Xingamento pra desopilar o fígado de verdade tem que vir das entranhas, sem censura, cuspido. Você nem reparou nos quilos a mais do peão no carro ao lado, mas se ele te cortar perigosamente, imediatamente vira um gordo safado. Se for mulher, é Dona Maria. Ou criolo do cacete. Japa cegueta. É feio? É pra ser feio mesmo.

Não se trata nem do desgraçado ouvir, mas de você botar para fora. E se não é bonito ofensas étnicas ou pegar no pé das minorias, horroroso é aprontar no trânsito, ou furar fila na frente de tantos necessitados e apertados.

Perdi três músicas longas. Ainda furioso reencontrei meus amigos. "Pô, achamos que você tinha morrido no banheiro."

Minha explicação veio absolutamente deselegante, alívio imediato:  "é que tinha um viado cheirador filha da puta que ficou embaçando, e ainda botou duas amigas piranhas pra furar a fila".

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Publicado em 15/05/2012 às 15:42

A volta do Soundgarden

A primeira vez que eu ví um vídeo do Soundgarden foi no apartamento dos irmãos Cavalera, do Sepultura, 1991. Por aí você faz uma idéia do que a banda de Seattle era pesada e poderosa. O vídeo era Jesus Christ Pose, banido pela MTV. A banda existia há anos, mas eu descobri com a maioria das pessoas, com o disco Badmotorfinger.

Assisti ao vivo no Lollapalooza 1992. Era um monstro, metal com raiva punk, lodoso e ardido, Black Sabbath e Stooges. Com Nirvana e Mudhoney, compôs o trio fundamental do novo rock de Seattle; todos os outros, por bons que fossem, eram segunda divisão.

O Soundgarden fez sucesso, e até emplacou baladinha, Black Hole Sun. Logo implodiu, em 97. O vocalista-galã Chris Cornell teve carreira solo, os outros se apagaram; Matt Cameron assumiu a bateria do Pearl Jam, Ben Sheperd foi tocar baixo com Mark Lanegan.

 Depois Chris se juntou aos músicos de outra banda-lenda do início dos 90, o Rage Against The Machine. À frente do Audioslave, emplacou hits ruidosos e melódicos - Like a Stone toca todo dia nas rádios de classic rock por aí. Depois voltou à carreira solo, bem equivocada. Cantou na volta de James Bond, Casino Royale. Tocou no Brasil.

Agora, quinze anos anos depois de seu primeiro fim, o Soundgarden reaparece. Cornell não tinha mais alternativa, e os outros precisavam da grana? Ou um reencontro orgânico e amigo? Bem, pelo menos a banda voltou reconhecível. Infelizmente, por enquanto só ressuscitou o seu lado baladeiro. A primeira música nova, a genérica e arrumadinha Rise to Live, é literalmente trilha sonora Disney: toca nos créditos finais de Os Vingadores. Com um zilhão de espectadores nestas primeiras semanas, é uma baita vitrine.

É um prazer inegável ver o guitarrista Kim Thayil, ainda cabeludaço, agora grisalhão, de volta à ativa. Vem aí um disco de inéditas. A turnê por grandes festivais começa agora em maio. Escolha seu show pela Europa no site oficial.

Se bandas como Duran Duran e Gang of Four, uma década mais velhas que o Soundgarden, podem continuar mandando bem ao vivo e, mais importante, compondo material novo e relevante, porque não o Soundgarden? Nós, veteranos, temos que torcer uns pelos outros...

Rise to Live

Live to Rise (From Marvel's THE AVENGERS) por perolasblogs no Videolog.tv.

Jesus Christ Pose, ao vivo em 92

Soundgarden - Jesus Christ Pose por perolasblogs no Videolog.tv.

Publicado em 11/05/2012 às 06:00

Um feliz dia para quem decidiu não ser mãe

A cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil. Em 2010 foram 4297 casos. A maioria são mulheres de 20 a 29 anos.

Na maioria dos casos o assassino é o marido, namorado ou ex, e mata dentro de casa, após já ter cometido pelo menos uma agressão antes. Entre 87 países, o Brasil é o sétimo que mais mata mulheres.

Os números são de um estudo chamado Mapa da Violência 2012 - Homicídio de Mulheres. É a primeira pesquisa a revelar diferenças regionais.

O Estado do Espírito Santo é o primeiro do ranking, com o dobro da média brasileira, e o triplo do estado de São Paulo. As regiões norte e nordeste são as que têm os piores índices.

Em 53,9% dos casos o assassino usa armas de fogo. É muita morte. É prova de atraso. É barbaridade. E é um pingo d'água perto de um número ainda mais assustador.

Segundo a ONU, mais de duzentas mil mulheres morrem todos os anos no Brasil por causa de abortos inseguros, feitos clandestinamente.

 A Organização das Nações Unidas questionou abertamente o governo brasileiro há um mês.

Atribui corretamente a mortandade à criminalização do aborto. Houve questionamentos por aqui; seriam 60 mil, 40 mil e poucas etc.

O governo brasileiro assumiu que o número de 200 mil mulheres mortas parece fazer sentido.

Naturalmente, morrem mais as mais pobres. Quem tem dinheiro para fazer um aborto seguro em uma clínica paga corre risco zero.

A posição do nosso governo sobre isso é: o problema é do Congresso, os representantes do povo que decidam. Mas o congresso é majoritariamente homem, branco, rico, conservador e dos quarenta para cima.

Deputado pode até pagar aborto pra amante ou pra filha. Mas jamais vai votar pela descriminalização, que dirá pelo aborto legal e seguro. É vespeiro, em termos eleitorais. Mas é a coisa certa a fazer.

 O poder executivo lavar as mãos seria covardia e oportunismo, se tivéssemos presidente homem. Sendo mulher, não tem justificativa.

O Brasil anda muito orgulhoso de suas recentes conquistas. Mas mais da metade de nossa população é cidadã de segunda classe, por nascimento. Ser mulher não pode ser risco de vida. Ser mãe não pode ser um dever.

Estes direitos têm que estar em pauta, sempre. Só assim teremos algum dia leis que protegerão as mulheres, tanto da violência doméstica como da hipocrisia.

 Este sim será um feliz dia - para as mães, e para as que decidirem não ser mães.

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Publicado em 10/05/2012 às 08:32

Transformando sabedoria em gibi, duas vezes por semana


Gavin Aung Tham é fã de citações. Dedica sua vida a transformá-las em quadrinhos. Dá forma, vida e humor a frases marcantes de famosos e nem tantos. Baseado nos Estados Unidos, muitos nomes são só conhecidos por lá. O que teve mais acesso até hoje é do astrônomo e escritor Carl Sagan, de quem sou fã de carteirinha - leia Os Dragões do Éden e O Mundo Assombrado Por Demônios, e assista a minissérie Cosmos, e você também será.

Tham aceita sugestões. Você pode mandar uma boa frase para lá, e ele pode decidir transformá-la em tira ou quadrinho. Não desenha particularmente bem, mas tem imaginação para bolar maneiras de surpreender. Por exemplo, transformou uma reza de um livro de ficção-científica em um minidrama sobre violência doméstica. É a Oração contra o Medo, de Frank Herbert, de Duna.

O ilustrador australiano batizou seu site de Zen Pencils, lápis zen. Tem uma certa inclinação filosófica. Essa é uma boa, do Dalai Lama. O jornalista pergunta para o líder budista o que mais o surpreende na humanidade. Ele responde:

- O homem. Porque ele sacrifica sua saúde para ganhar dinheiro. E depois sacrifica o dinheiro para recuperar sua saúde. Fica tão ansioso com o futuro que não aproveita o presente. O resultado é que não vive nem no presente, nem no futuro. Vive como se nunca fosse morrer. E morre nunca tendo vivido.

Palavras de sabedoria. Ficam ainda melhor desenhadas, acompanhadas de um textinho de Tham comentando, e ainda com um link para um vídeo em que Sagan e o Dalai Lama conversam sobre ciência e religião. Veja aqui.

E você ainda pode comprar um pôsterzinho de cada citação. É assim que Gavin ganha algum dinheiro com seu trabalho. Imagine que tenha outras fontes de renda, e imagino que gostaria de viver só disso. Se bem que, como ele se autoretratou, se você descobrir um trabalho que adora fazer, nunca mais vai ter que trabalhar na vida.

Visite. É atualizado toda terça e quinta. E se quiser conhecer Gavin melhor, tem uma entrevista dele aqui. Eu sei que voltarei.

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Publicado em 09/05/2012 às 07:18

O problema do Brasil é o presentismo

 

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Presentismo. É uma nova palavra. Significa uma cultura absolutamente focada no presente. Como a nossa, hoje, segundo o criador do termo, Douglas Rushkoff, para quem deixamos para trás o tempo em que olhávamos para o futuro. Tendo a concordar. Também tendo a concordar com várias outras coisas que Rushkoff diz nesta longa entrevista, ostensivamente sobre sua nova graphic novel, ADD. Leia aqui.

Quando fala de nossa cultura, Rushkoff fala como quem vive nos EUA. Ele é um Media Theorist, ou como se diz hoje, Media Ecologist. Escreve romances, artigos e gibis piradões tentando explicar o que se passa à sua volta. Apóia o Anonymous e Occupy e vende consultoria para big corporações. É típico novaiorquino.

(clique na imagem para ampliar)

Rushkoff foi sempre interessante e confuso. Era mais ingênuo, socialismo Jornada Nas Estrelas modelito Wired, como assume. Está ficando velho e cético. Felizmente, é um quase desenganado bastante desencanado. Mantém o humor afiado. Leio sua não-ficção com interesse. Gosto muito de Back In The Box, um manifesto para que as pessoas se dediquem a fazer com capricho o que fazem bem.

Testament, gibi, tentei, mas não deu para encarar, pela verborragia. ADD comprei ontem mesmo. Grant Morrison diz que é o melhor gibi de super-heróis mutantes desde a era de ouro dos X-Men, e Morrison deve saber, considerando que sua fase com os mutantes da Marvel foi a última que prestou, uma década atrás. Rushkoff é letrado em cultura alta e baixa, e sempre tem o que dizer, mesmo que às vezes besteira.

Dá um pau na gamificação, e tem bom argumento. Mas não está dando a devida importância ao impacto que as mídias eletrônico-interativas terão nas salas de aula do futuro próximo. Aposto nos games como chave para a revolução educacional de que necessitamos. Larguei duas faculdades, mas de games eu entendo bastante.

Rushkoff acerta na mosca em um momento desta entrevista. Muitos críticos descartam os novos movimentos de protestos tipo Occupy dizendo que eles não têm pauta e não têm líderes. Douglas crava: eles não são leaderless, são leader-ful - são cheios de líderes, no sentido que muitos integrantes destes movimentos têm momentos de liderança, aspectos de liderança.

Uma campanha orgânica e em rede como essa não pode se articular em torno de um líder (até porque um líder inevitavelmente desapontará; ele cita Obama; eu citaria, em outro contexto, Lula; mas podia ser Kennedy ou Lênin).

Enfim: visite o site dele, leia a entrevista, se tiveres inglês para tanto, e se não, tá em tempo de aprender. Se discute no Brasil CPIs que terminarão em pizza. Esquenta o fla-flu tucano-petista habitual, todos mirando as eleições. O Brasil é muito presentista para mim. Tem outras pessoas falando de outras coisas pelo mundo afora. Pensando outros mundos. Enxergando o hoje, mas espiando o amanhã. Vou me concentrar nelas.

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